ENTRE DIAMANTES E DESTINOS
18 Capítulo 18 — Os Lobos Também Sabem Amar
O corredor do hospital parecia mais silencioso do que o normal.
Lucca andava de um lado para o outro, as mãos enfaixadas após socar um espelho do galpão de raiva.
Os olhos vermelhos.
A camisa suja com o sangue dela — que ele se recusava a tirar. Era como se ainda sentisse Hana ali, com ele.
Harry chegou devagar, segurando uma lista de nomes, endereços e contas bancárias.
— São eles. O segurança que abriu o portão. O motorista. Os dois homens que agrediram. E... Antony.
Lucca pegou a lista. Seus olhos cruzaram os nomes como um general estudando o campo de batalha.
— Ninguém levanta a mão pra ela e continua respirando tranquilamente.
— Você vai acabar com eles?
— Não. Eu vou ensinar o que acontece quando se toca no que é meu.
Enquanto isso, no quarto 207, Hana respirava com dificuldade.
Os fios conectados ao braço.
A morfina tentando esconder o que o corpo gritava.
Mas quando os olhos dela se abriram... Lucca estava lá.
Sentado ao lado da cama, a cabeça encostada na mão dela.
Dormindo com a expressão de quem não dorme há dois dias.
— Lucca… — ela sussurrou.
Ele acordou num sobressalto e, ao vê-la acordada, os olhos se encheram d’água.
— Você voltou…
— Sempre voltaria pra você.
Ele tocou o rosto dela com uma delicadeza que parecia impossível para alguém como ele.
— Eu estou toda quebrada...
— Você só está... em reconstrução. E eu vou ser cada parte da cola que você precisar.
Hana tentou sorrir, mas uma lágrima escorreu.
Lucca se inclinou, beijou a testa dela e então murmurou:
— Eles vão pagar. Eu juro por tudo o que sou.
Três dias depois...
As notícias explodiram na mídia:
Empresa dos Smith despenca na bolsa após escândalo de corrupção e violência.CEO Smith é investigado por tentativa de homicídio.Informações vazadas por fonte anônima expõem contratos ilegais.Harry sorriu ao ver Lucca recusar entrevistas, subir em silêncio no elevador e dizer apenas:
— Isso foi só o começo.
No hospital, Hana recebeu um buquê com uma única flor.
Um bilhete:
“Eles começaram a guerra. Agora sou eu quem escolhe quando ela termina. — L”~* ~
O quarto estava mais iluminado que o normal.
As cortinas abertas deixavam a luz do fim de tarde tocar suavemente os móveis.
Tudo ali tinha sido ajustado por Lucca: da poltrona perto da cama até os travesseiros com aroma de lavanda — o preferido dela.
Hana chegou com passos lentos, apoiada em Lucca.
Cada movimento doía, mas nada doía mais que o medo de não voltar a ser quem era.
— Você preparou tudo isso? — ela perguntou baixinho.
— Não queria que nada te lembrasse daquele lugar.
Ele a ajudou a se sentar na cama, cobriu-a com o edredom macio e então foi até a cozinha.
Minutos depois, voltou com uma bandeja.
— Sopa caseira.
_ Você sabe cozinhar? — Hana arqueou a sobrancelha, surpresa.
— Não. Mas aprendi em 48 horas... porque você merece mais do que delivery.
Ela sorriu, emocionada, mas ainda contida.
As cicatrizes não eram só visíveis no corpo, estavam espalhadas em cada canto da alma.
— Por que está fazendo tudo isso?
— Porque... eu descobri que minha vida só faz sentido quando você está nela. E quando você sofreu, algo dentro de mim quebrou.
Lucca se sentou ao lado dela.
Sem tocar. Sem pressionar.
Apenas presente.
— Eu tô com medo, Lucca.
— Eu também tô. Mas a gente vai caminhar nesse medo junto. E quando você estiver pronta, eu quero que seja você a decidir até onde a gente vai.
Hana o encarou, com olhos marejados e cansados, e então, como quem se rende a um porto seguro, deitou a cabeça no peito dele.
— Aqui... é onde eu começo a me sentir inteira de novo.
Lucca envolveu os braços ao redor dela.
A respiração sincronizada.
Os corações batendo no mesmo ritmo.
Ali, naquele abraço, não havia CEO.
Não havia feridas.
Apenas duas pessoas... tentando sobreviver juntas.
~*~
O relógio marcava 14h17.
Hana estava sozinha no apartamento de Lucca, recuperando-se aos poucos. A dor física dava sinais de melhora, mas o coração ainda tremia com pesadelos e memórias recentes.
Ela vestia um moletom largo e arrastava os pés até a porta, depois de escutar a campainha. Abriu com esforço, mas seu corpo gelou ao ver quem estava ali.
— Kyle.
O sorriso dele era tão falso quanto os votos de família que jurava honrar.
— Nossa, que estado lamentável, Hana. Mal reconheci você… Ou será que finalmente você está se parecendo com o lixo que sempre foi?
Ela tentou fechar a porta, mas ele empurrou com força e entrou sem permissão.
— Não se preocupe, não vim aqui pra te bater, igual fizeram por aí. Só queria ver com meus próprios olhos o quão fundo você caiu. A garota que quis competir com a gente… Agora vive de favor com um CEO que só quer te usar.
Hana se encolheu, mas manteve a postura ereta, mesmo trêmula.
— Saia da minha casa… — disse, com a voz falha.
— Sua casa? Que engraçado. Você vive em algo que nem é seu. Não passa de um troféu passageiro do Palezo. Uma hora ele enjoa... e adivinha? Você volta pro lixo.
A mão de Kyle estava levantada, não para bater, mas para apontar cada uma das palavras como facas… até a porta se abrir com tudo.
— Ué, estamos dando aula de psicopatia gratuita agora? — Harry entrou como um furacão.
A voz calma, o tom mortal. Kyle virou-se, surpreso.
— Quem é você?
— Sou quem vai te arremessar da varanda se você não sair AGORA da frente dela.
Harry avançou, o olhar cortante como gelo.
— Você acha que é um homem por invadir a casa de uma mulher machucada, vulnerável, e cuspir sua frustração como se alguém ainda se importasse com sua opinião? Ah, me poupe. Vá descontar sua insignificância no espelho, Kyle.
Kyle ficou sem palavras. Pela primeira vez em muito tempo... calado.
Harry apontou a porta.
— Vai. Anda. Ou eu ligo pro Lucca... e, acredite, eu tô tentando ser o legal aqui.
Kyle lançou um último olhar para Hana, mas saiu sem dizer mais nada. A porta foi fechada com firmeza.
Harry se virou para Hana e, vendo as lágrimas caindo sem controle, correu até ela.
— Shh, hey... tá tudo bem agora. Eu tô aqui. E, se depender de mim, nunca mais ninguém te trata assim de novo. Você me ouviu?
Ela assentiu, encostando-se nele.
— Obrigada, Harry...
— Por favor. Eu sou o irmão mais bonito que você nunca pediu, mas que a vida te deu.
Ele a abraçou como quem jura proteger com o corpo, com o coração e com toda a ironia que tiver no bolso.
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