ENTRE DIAMANTES E DESTINOS

21 Capítulo 21 – Tão Alto, Tão Perto do Passado


Três meses se passaram.

A empresa Palezo Designs havia deixado de ser apenas uma concorrente feroz para se tornar a referência no setor de joias de luxo. O nome de Lucca Palezo estava em todos os jornais, podcasts e programas de negócios — não apenas por sua visão inovadora, mas por ter lançado uma coleção assinada por uma estrela em ascensão:

Hana Smith.

Dona de dois prêmios internacionais por suas criações — uma coleção inspirada nas constelações e outra que homenageava o renascimento feminino —, ela era o rosto e o coração da nova era Palezo. Seus olhos apareceram na capa da Vogue Itália, e uma galeria em Paris pediu uma exposição com suas peças.

Só que enquanto tudo subia… o passado começava a achar brechas.

Naquela manhã, Lucca estava em sua sala, analisando os dados de mais uma fusão que o tornaria ainda mais rico — como se isso fosse possível —, quando Harry entrou com uma expressão nada casual.

— Temos visita.

— Jornalista? — Lucca perguntou, sem levantar o olhar.

— Infelizmente, não. É bem… mais pessoal que isso.

— Harry… — a voz já vinha ameaçadora.

— São seus pais, Lucca. Eles estão na recepção. E pediram para conhecer a mulher que ‘mudou a forma como você enxerga o mundo’.

— Merda.— foi tudo o que Lucca conseguiu dizer.

Enquanto isso, Hana estava terminando de organizar uma nova apresentação quando recebeu uma mensagem de Harry:

“Tem gente importante vindo. Não se assuste. E por favor… seja você.”

Ela franziu o cenho.

Dois minutos depois, Lucca apareceu na sala dela, já sem o blazer, a gravata afrouxada, os olhos tensos.

— Vamos conversar. — disse, firme.

— Aconteceu algo?

— Na verdade… vai acontecer. E eu devia ter contado antes.

Hana largou o tablet e o seguiu.

A sala de reunião estava estranhamente silenciosa. Dois senhores, bem vestidos, elegantes, com um certo ar respeitável e austero, estavam sentados — Lucy e Gregory Palezo. O tipo de casal que parecia ter saído de uma edição da Forbes, mas com um brilho gentil nos olhos.

Hana olhou para os dois e, de repente, o frio na barriga que sentia antes de entrar num palco voltou.

Lucca pigarreou.

— Esses são meus pais. E… mãe, pai… essa é Hana. A mulher por quem eu sou completamente apaixonado.

Silêncio.

Lucy se levantou primeiro.

Foi até Hana, segurou suas mãos com carinho e sussurrou com um sorriso que parecia entender tudo:

— Você é ainda mais bonita do que ele descreveu. E eu preciso agradecer... por ter salvado nosso filho.

Gregory ficou observando, sem muita emoção. Mas quando estendeu a mão para Hana, disse com firmeza:

— Ele nunca foi o mesmo desde que foi traído. Achamos que tinha perdido o coração.

— Talvez ele só tenha guardado para quando alguém o tratasse como deveria. — Hana respondeu, surpreendendo até ela mesma com a coragem.

Lucca engoliu em seco. Harry, que espiava tudo do vidro, bateu palminhas discretas do lado de fora.

E quando a reunião terminou, Lucy pediu para conversar com Hana sozinha. A conversa seria importante — sobre segredos de Lucca, medos que ele nunca contou, e uma promessa feita pela mãe dele muitos anos atrás:

— Se um dia ele amasse de verdade… eu ia reconhecer pelo olhar. E hoje, eu reconheci.

Na sala de estar privativa do andar, o silêncio entre Hana e Lucy era gentil. Uma pausa confortável entre duas mulheres que, de formas diferentes, amavam o mesmo homem.

Lucy ofereceu uma xícara de chá e sentou ao lado de Hana, como quem já se sente à vontade com ela.

— Sabe, quando soube que Lucca tinha alguém... duvidei que fosse real. Ele ficou... congelado por tanto tempo.

Hana sorriu de leve.

— Ele ainda é meio congelado, às vezes.

— Ah, querida, você não viu nada. Antes... era puro gelo preto. — disse Lucy com um riso leve. — Hoje, ele olha para você como o sol que aquece tudo.

Hana ficou vermelha. Deu uma risadinha nervosa e encarou a própria xícara.

— Ele me assusta às vezes... mas não com medo. É mais como... ele me desmonta.

— E mesmo desmontada, você ainda se reconstrói. Ele precisa disso. Alguém que o enxergue inteiro, mas que também o obrigue a sentir.

Lucy suspirou e pegou a mão de Hana com carinho.

— Prometa que vai continuar mostrando para ele que amor não é fraqueza. Ele cresceu achando isso. Cresceu ouvindo que sentimentos atrapalham. Que confiar é burrice. E ainda assim, aqui está você… sendo tudo o que ele precisa.

— Eu... prometo. — Hana respondeu, com os olhos marejados.

Lucy sorriu, e foi aí que soltou a pérola:

— Ah, e só por curiosidade... você prefere anel simples ou mais ousado?

— O quê?!

Lucy apenas piscou e voltou a tomar o chá. Hana ficou paralisada. Se tivesse biscoitos no prato, teria engasgado em todos.

Enquanto isso, em outra sala.

Lucca e o pai estavam de pé, observando a cidade através da parede de vidro.

Gregory, homem reservado, com olhar de análise cirúrgica, cruzou os braços:

— Ela é diferente.

— Totalmente. — Lucca respondeu, sem hesitar.

— Nunca pensei te ver apaixonado de novo.

— Nem eu. — Lucca disse, sério, mas com um sorriso sutil. — É como... se tudo fizesse sentido. Mesmo as partes quebradas em mim. Ela me irrita. Me provoca. Me tira do eixo. E ainda assim... ela é o meu centro.

Gregory soltou uma gargalhada baixa.

— Você acabou de descrever sua mãe.

— Pai… — Lucca hesitou. — Eu sinto que ela é minha vida. Mas ao mesmo tempo, eu fico com medo de estragar tudo.

O pai o olhou, agora com um semblante mais sóbrio:

— A vida vai estragar as coisas às vezes, Lucca. Mas quando se tem a pessoa certa, a gente aprende a consertar. Juntos.

— Então... o senhor acha que devo pedir Hana em casamento?

Gregory apenas arqueou uma sobrancelha e deu um tapinha nas costas do filho.

— Acha? Filho… se você não pedir logo, sua mãe vai fazer isso por você. E sinceramente… eu também tô curioso pra ver esse pedido.

Lucca riu, meio nervoso. Mas o brilho nos olhos denunciava: a ideia já estava em seu coração há muito tempo.