[EM HIATO] Soul Cry ( Fic Interativa )
6 Capítulo 4 - Um Novo Mundo.
Notas iniciais
Acordei com minha cabeça doendo e com minha visão desfocada, meu corpo tremia e parecia dormente encostado naquela terra fria e úmida.
–Terra? Que diabos, eu não me lembro de estar em um lugar com terra eu estava na pracinha então... — sussurrei para mim mesmo fazendo com que eu me lembrasse do que havia acontecido e instintivamente rolei para o lado desesperadamente com medo daquela criatura ainda estar lá.
Para minha sorte a criatura não se encontrava perto de mim, mas para o meu azar eu não fazia ideia de onde estava. Não havia luzes artificiais apenas as poucas estrelas naquele céu tingido de preto, além claro da lua cheia, lua cheia? Mas eu lembro que na precinha era lua minguante, que diabos estava havendo ali? Quanto tempo passei desacordado?
Me ergui lentamente, poucos segundos depois minha visão se acostumou com o escuro daquele ambiente e mesmo com a fraca claridade que a lua e estrelas proporcionavam pude ver que uma floresta se erguia na minha frente impossibilitando que eu pudesse ver algo além das árvores. Olhei para trás e tudo que vi fora apenas uma imensidão negra, não havia nada além de escuridão e isso me deu arrepios, meu coração ainda estava acelerado por conta do monstro e aquele lugar transmitia uma hostilidade que nunca havia sentido antes, era como se a própria floresta quisesse me matar. Mesmo tendo isso em mente acreditem, era melhor ficar em uma floresta estranha que em um lugar completamente escuro e sem nenhum lugar para me esconder e eu poderia jurar que sombras se mexiam dentro aquela escuridão sem fim.
Adentrei a floresta e me movi por alguns minutos entre aquelas grossas árvores que me cercavam, com suas enorme raízes rasgando a terra e não demorou muito para saber que entrar naquela floresta havia sido um grande erro. Uma densa neblina começara a tingir a floresta deixando-me apenas ver sombras em meio ao branco acinzentado, apressadamente escorei minhas costas na árvore mais próxima e lá permaneci por alguns minutos, não sei ao certo quanto tempo se passou mas não demorou muito para ouvir um som de passos vindo de poucos metros de onde eu estava. Cerrando os olhos pude ver que duas silhuetas andavam lado a lado vindo em minha direção, seus braços moviam-se freneticamente e de uma forma estranha, fazendo movimentos espirais e ondulados de uma forma parecia não ter ossos, aquilo me deixou nauseante, conseguia escutar o sibilar de cobras e instintivamente olhei para meus pés a procura das mesma, porém sem sucesso e quando ergui o olhar as criaturas estavam a cerca de dois metros de mim. Cada batida do coração parecia uma martelada contra meu peito, suor frio descia pelo meu rosto, meu corpo tremia contra o tronco da árvore.
–Sinto cheiro deles. — disse um dos homens com uma voz estranha.
–Cale-se, ultima vez em que disse isso acabamos encontrando um grupo de goblins! — berrou o outro em protesto. Goblins? Eu tinha escutado bem? Está bem, eu também não saberia explicar o que me atacou, mas goblin? Eu costumava matar essas coisas em jogos de rpg.
–E eu estava certo. Não é minha culpa se os goblins já estavam comendo eles.
–Acha que estou falando de comida?! — disse o homem de maneira estressada. -Nós quase morremos... por sua culpa!
Eu me inclinei, estava prestes a ir até eles pedir informação até que algo estranho ocorreu. O Homem da direita que acabara de falar, ergueu um dos braços e segurou o pescoço do outro, mas bem, digamos que o braço deu duas voltas pelo pescoço do homem e aquilo que eu julgava ser a mão estava agora movendo-se no ar e acertando a cabe do outro homem, algo saia e voltava da mão daquele ser, percebi que era uma língua, e logo em seguida, quando a neblina começou a se afastar, vi que os homens tinham cobras fixadas aos ombros em vez de braços. Olhei par quilo incrédulo, comecei a andar para trás à medida que meus músculos ficavam entorpecidos pelo medo e ironicamente acabei por tropeçar em uma das raízes de uma árvore e caí no chão fazendo um pequeno estalar ao cair. Ambas as criaturas olharam para mim com uma expressão estranha e pude ver que seus olhos eram iguais aos das cobras que carregavam no lugar de braços. É, agora eu vou morrer, foi tudo que pensei antes de uma flecha acertar o peito da criatura que segurava o parceiro e desta vez eu não hesitei, corri para longe sem nem mesmo olhar para trás, eu já havia aprendido minha lição, ficar paralisado na frente monstros não é algo lá muito agradável. Usando os braços para me impulsionar entre as árvores eu consegui me afastar do local, pude escutar o som de trotes de cavalos e berros de homens, tanto de fúria quanto de dor, seja lá o que estava acontecendo era uma briga feia.
Logo fiquei distante o suficiente para poder encostar em uma árvore e descansar enquanto meu cérebro tentava processar tudo aquilo que eu vi. Eu estava com as mãos nos joelhos e o corpo arqueado, respirando profundamente quando um som perto das árvores chamou minha atenção. Pude ver pelo canto do olho que se tratava da traseira de um cavalo e logo uma voz humana ecoou através da floresta:
–Tenho certeza de que um deles fugiu! Encontrem-no, não podemos deixar um deles vivos se quisermos proteger nosso povo!
Apenas uma coisa se passou pela minha cabeça: Humanos, finalmente terei ajuda. E sem nem ao menos ponderar corri na direção daquela voz. Ao segui-la pude ver uma leve luz vinda de entre as árvores, estava quase saindo da floresta, sabia disso.
–Merda! Ele escapou, o chefe vai ficar furioso. — ouvi uma voz vinda do meu lado e logo corri para onde ela estava.
Chegando lá eu vi o homem que havia dito aquilo, ou melhor, eu vi metade do homem... bem a outra metade era um cavalo.
–Mas que merda é essa? Um centauro? — disse para a minha própria surpresa e pude ver que isso o surpreendeu também, mas logo sua boca distorceu-se em um sorriso maléfico e antes que eu percebesse, ele me segurou pelo pulso com uma força o suficiente para fazer-me gritar de dor e começou a me arrastar para fora da floresta.
–Mestre, encontrei um deles! — disse o centauro que me segurava, após chegarmos ao fim da floresta. Tudo mantinha-se igualmente escuro exceto por uma baixa fogueira que estava montada ao lado de fora da floresta, na qual os centauros rodeavam.
–E ele não usou o Soul Cry? Você não acha que isso é uma armadilha? Você é tão estúpido assim? A vida do nosso irmão está em risco e você faz uma coisa dessas? Perdeu a sanidade? — reclamou um centauro que aparentava ser o mais velho, porém não havia muita certeza, a dor no pulso atrapalhava a concentração e mesmo com a fogueira era muito difícil identificá-los.
–Mas, mestre nos o capturamos e agora podemos barganhar. — um centauro, tentou ajudar.
Uma risada preencheu o local, fria e perigosa, atraindo a atenção de todos, Olhei para o lado tentando focar em algo e percebi que um homem encontrava-se parado na frente da floresta, ele empunhava uma espada de prata que acabará de retirar da bainha e assim iluminando o local e fazendo com que seu rosto se destacasse de forma fantasmagórica. Era um homem de meia-idade com os cabelos negros escondidos em um boné branco e seus olhos verdes eram possíveis de se ver, o sorriso em seu rosto era tão frio quanto o vento que ali soprava.
–Não se mova. — disse o centauro que havia defendido o que me segurava. -Nós somos muitos e você apenas um!
–Além disso, temos um dos seus. — concluiu o centauro que me segurava pondo-me na sua frente e me mostrando ao homem.
–Ele não é um dos nossos. — disse o homem com uma estranha calma e dando de ombros. -Além disso, eu não estou sozinho.
E com um simples estalar de dedos, homens e mulheres saíram de dentro da floresta como que por mágica, todos brandindo espadas, eram 4 no total, tirando o homem, contra 10 centauros, eles serão massacrados, pensei obscuramente e logo em seguida, o centauro me lançou para trás de si e deu-me um coice que me fez voar longe e bater com as costas em uma das árvores, senti o estalar de meus ossos e senti meu corpo começar a doer, minha visão ficou turva, berros e o soar de espadas preencheram meus ouvidos dando-me dor de cabeça, uma luz azul extremamente forte iluminou o local fazendo-me fechar os olhos e depois tudo que vi foi sombras e o cheiro de morte pairando no ar.
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