– Não sei Julia, eu acho. – Anita parou pasma.

– Que foi. – Julia questionou quando a viu paralisada. – Anita, ei acorda, você vai me dizer o que tá rolando. – Indagou novamente.

– Me diz que eu não to vendo aquilo, que é pura alucinação da minha cabeça. – Anita esbravejou, vendo sua paciência desaparecer.

– Aquilo, o que criatura, Anita você tá bem mesmo. – Julia falou cruzando os braços para ela.

– Aquilo Julia. – Anita respondeu apontando para Ben e Drica, conversando escorados sobre o balcão da cantina. – Aquele, e aquela, ah mais eu mato. – Ela resmungou.

– Anita para você vai começar, ela é aluna dele no curso de inglês, devem tá conversando sobre a matéria. – Julia tentou argumentar sem sucesso.

– Ela já era aluna dele, você vai me dizer o que Julia, que eu estou vendo errado que to é com problemas de visão. – Reclamou ela raivosa.

– Bom, você está distorcendo as coisas. – Julia afirmou.

– Ah eu posso até precisar de óculos, mais eu não estou louca, essa garota tá dando o bote nele e não é de hoje Julia. – Anita disse encarando os dois.

– O Ben jamais iria fazer isso contigo, vocês namoravam lembra. – Julia falou querendo que ela parece com seus devaneios.

– Ah mais eu vou tirar tudo isso a limpo e vai ser agora. – Comunicou ela, corroída de ciúmes.

– Anita, olha o que você vai fazer, vem cá sua doida. – Julia ainda tentou conte-la.

– Ai meu deus, Anita, Anita. – Julia disse para si mesma, vendo ela se afastar.

– E ai Drica, perdeu alguma coisa. – Ela afirmou, chegando apressada até onde os dois estavam.

– Não, mais eu acabei de achar, tirei todas as minhas dúvidas da prova de matemática, e também da prova do cursinho onde o Ben da aula. – Drica respondeu sorridente, não se intimidando com a presença de Anita.

– É jura! – Bom pra você. – Anita disse fuzilando Ben com o olhar.

– A gente estava conversando, não sei se você percebeu, mais tá atrapalhando. – Drica afirmou a ela.

– Ah to é, te perguntei alguma coisa por acaso. – Anita rebateu irritada.

– Que foi Anita. – Drica perguntou impaciente.

– Qual foi você, quem tá no lugar errado aqui é você, não eu. – Anita falou a encarando.

– Gente, que isso, vocês vão brigar aqui, é sério isso. – Ben interviu.

– Te perguntei alguma coisa. – Anita retrucou ríspida.

– Eu vou embora, tenho mais o que fazer. – Drica afirmou saindo.

– Vem cá você, ficou maluca, maluca. – Ben a repreendeu.

– Maluca eu não, mais você, deve ter perdido a noção. – Anita respondeu a ele.

– Anita, eu estava, ah esquece. – Ben revirou os olhos, perdendo a paciência.

– Vem cá você. – Ela disse a puxando pelo braço, até uma sala vazia.

– Olha aqui você, não brinca comigo não, ou isso aqui vai virar caso de assassinato. – Anita resmungou raivosa.

– Você pode ter uma surpresa bem desagradável. – Anita esbravejava impaciente.

– Ben. – Anita parou para observa-lo por um momento. – Eu não acredito você tá rindo de mim, seu ridículo. – Ela desandou a xinga-lo.

– Desculpa, você tá tão doida, desculpa. – Ele não conseguiu conter o riso.

– Doida eu. – Anita repetiu se aproximando. – Cuidado hein, fica perto de pessoas descontroladas, pode ter consequências desastrosas, sabia, e nunca te disseram isso não. – Anita falou maliciosa.

– É, jura. – Ben ponderou sorrindo para ela.

– Você tá brincando com fogo, eu não tenho a mesma paciência de antes pra aturar certas coisas, esgotou de uma vez só. – Anita afirmou colocando os braços em volta do pescoço dele.

– Ah é, tadinho de mim então. – Ben falou a escorando contra a parede, seguido de um beijo.

– Ben para, isso, a gente. – Anita respondeu ofegante, depois de alguns beijos trocados.

– Eu já to quase enlouquecendo com essa situação toda, não dá mais pra gente continuar por muito tempo desse jeito. – Ben disse em meio aos beijos.

– Eu sei mais, ai Ben, você não tá pensando em conta pra eles, porque eu não sei nem por onde começar. – Anita disse ofegante.

– Você tá certa, mais uma hora nós vamos ter que falar. – Ben respondeu a ela.

– Vamos embora, a gente. – Anita disse confusa.

– Que embora, a aula nem começou ainda. – Ben afirmou a ela, lembrando de onde os dois estavam.

– A aula, a prova, Ben, meu deus. – Anita falou, perturbada lembrando-se.

– Caramba já deve ter dado o sinal, se bem que eu não ouvi. – Ele afirmou.

– A gente tem que ir pra sala, ah não, isso não podia, ai. – Ela pronunciou desesperada, pegando a bolsa do chão.

– Vem. – Ben disse a puxando pela mão pelo corredor.

– Bom a prova não esta difícil, fiquem tranquilos. – Fred argumentava com os alunos.

– Podemos começar, estão todos ai, esta faltando a Anita e o Ben, sabem deles Julia. – Fred perguntou a garota quando não os avistou.

– É, eles estavam no colégio, eles devem estar chegando já. – Julia afirmou sem ter muito o que falar.

– Vamos esperar um pouco então. – Fred sugeriu.

– Vem cá, não precisa ser nenhum gênio pra saber onde os dois estão. – Serguei cochichou a Julia.

– Ai Serguei eles ainda vão se meter em uma encrenca. – Julia proferiu com preocupação.

– Ai, Ben, espera, eu acho que eu preciso respirar um pouco. – Anita falou parando a porta da sala de aula sem ar.

– Respirar Anita, respira sentada na tua mesa. – Ben a repreendeu.

– Ai gente, tem que parar com isso, isso não vai acabar bem, meu deus. – Ela afirmou apavorada.

– Oi, desculpa o atraso. – Ben respondeu entrando a sala.

– E eu tava na biblioteca, bom dia. – Anita deu como desculpa.

– Tudo bem, dessa vez passa, mas que isso não se repita. – Fred respondeu ao dois. – Bom vamos começar então. – Ele concluiu.

– Anita onde você tava, quase que o Fred fez a prova sem vocês. – Julia deu uma bronca nela.

– Ai Julia socorro, eu tenho que colocar um ponto final, nessa, enfim. – Anita respondeu preocupada.

– Olha só, eu vou ter falar isso porque eu sou tua amiga, alguém ainda vai pegar você e o Ben de rolo pelo colégio. – Julia afirmou.

– Quem dera se esse fosse meu maior problema não é Julia. – Anita disse sem se importar muito.

– Tá, vocês estão enrolados mesmo, vamos fazer a prova. – Julia respondeu.