Notas iniciais
Recomeço será???? Boa leitura a todos.

Anita parou a porta do quarto de Omar, querendo incessantemente recuar, mas talvez fosse tarde para isso. Ela bateu aporta e alguns segundos depois viu, Ben abrir.

Anita o encarou, muda, tentando encontrar as palavras, que pareciam que haviam fugido de sua boca.

– É será que eu posso entrar. – Ela finalmente falou.

– Oi pode, eu acho que pode. – Ben respondeu surpreso, com ela ali, definitivamente Anita foi à única pessoa que não passou por sua cabeça quando ele foi abrir a porta.

– Então eu, eu. – Anita gaguejou. – Vim ver se tá tudo bem com você. – Ela disse.

– Tá sim, era só isso. – Ben afirmou defensivo.

– Não, vim te dizer que o casarão veio abaixo também. – Anita retrucou, percebendo que ele não queria ajuda.

– Que, mais o. – Ben falou confuso.

– Tá vendo, quase que você acredita, também né se trancou aqui, não vê nem a luz do sol. – Anita afirmou, vendo o garoto confuso.

– Anita. – Ben disse, fazendo uma cara de reprovação.

– O que. – Ela falou de volta.

– Eu to bem, sério. – Ele respondeu.

– Então, me diz porque que você não aparece mais no colégio. – Anita o questionou.

– Ué porque o espanto, até outro dia você passava dias sem aparecer na escola e ficava por ai com o Antônio. – Ben falou seco, enquanto mexia no livro em sua mão.

– Escuta aqui garoto.- Anita respirou fundo. – Ben eu não vim brigar, o Virgílio me disse que você tem perdido muita coisa, e eu vim ver o que estava acontecendo. – Anita ponderou.

– Eu to bem Anita. – Ben falou não querendo preocupa-la.

– Então porque você parou de ir à aula. – Anita indagou, percebendo que ele não queria falar.

– Muito trabalho só isso. – Ele desviou.

– Nem vem, não cola, eu falei com o Omar e ele me disse que você nem tá trabalhando que te deram férias uns dias. – Anita rebateu sentando.

– Você tá parecendo a Sofia me enchendo sabia. – Ben rebateu com os braços cruzados para ela.

– Não vim te pressionar mais, eu só quero entender o que tá havendo, Ben você não pode simplesmente largar tudo assim do nada. – Anita tentou entende-lo.

– Do nada, é serio que você acha isso. – Ben perguntou.

–Não claro que não, aconteceu muita coisa, mais não dá pra você parar tudo assim, ouve de quem sabe que isso não adianta ao contrário é muito pior lá na frente, porque quando você quiser levantar, vai tá tudo um milhão de vezes mais pior do que antes. – Anita explicou.

– Essa história da minha mãe tá acabando comigo Anita, eu não consigo parar. – Ben confessou.

– Tá tão sério assim. – Ela o questionou.

– Demais, eu tenho pensado tanta coisa ruim que. – Ben respondeu angustiado.

– Ei eu sei que não deve ser fácil, mais se você ficar aqui parado, pode ser pior quando ela souber. – Anita afirmou se aproximando.

– Você não falou pra ninguém né. – Ben indagou.

– Não, claro que não, mais uma hora ou outra a Raissa vai chamar o Ronaldo pra saber o que tá havendo. – Anita afirmou querendo que Ben acordasse.

– Ah é essa altura do campeonato já foi Anita, não tenho como eu prestar vestibular eu não tenho nem cabeça pra isso também. – Ele respondeu encarando a garota.

– Ben. – Ela disse enrolando os cabelos, e se sentando ao lado do garoto.

– Talvez a única coisa que sobrou depois de tudo o que houve com a gente foi isso, uma faculdade ano que vem, você não pode desistir disso também, não vale a pena acredita eu quase rodei de ano, e quando descobri que isso ia acontece a única coisa que eu percebi, foi que eu ia perder mais um sonho, isso ia ser mais uma frustração pra mim lidar lá na frente, eu ainda por cima ia ficar mais presa do que nunca a tudo que tinha dado errado até ali, não deixa as coisas chegar a esse ponto, por favor. – Anita confessou com os olhos lacrimejados.

– Eu não tenho mais forças, aliás, eu tenho de onde tirar forças, essa história da minha mãe foi mais uma rasteira que eu tomei da vida, e agora ela pegou pesado de mais. – Ele afirmou cansado de tudo.

– Então isso só prova que você tá desistindo. – Ela disse abalada.

– Não, prova que eu cansei, cansei de tentar sempre ir contra tudo e todos, do que adianta se quando mais eu tento mais as coisas se complicam. – Ben desabafou.

– Ai, adianta, uma hora ou outra a gente tem que tentar se encontrar você não pode deixar todos os teus problemas te vencerem, você não é assim, você é o que você é porque você sempre enfrentou tudo, você aprendeu a dar valor pro que importa realmente, todo mundo erra Ben, por querer, por achar que tá certo, por tá surtado, por qualquer coisa, mas uma hora a gente tem que tentar se achar. – Anita afirmou.

– Eu já to tão perdido que na boa. – Ele respondeu pouco animado.

– Digamos que você ainda tá na fase de achar que nada vale a pena, mais passa, e antes que você me pergunte eu tenho experiência nisso. – Anita brincou.

– Pronto agora você virou psicóloga tá bom. – Ben sorriu.

– É digamos que essa história toda me trouxe muitas coisas ruins, mais me ensinou uma coisa, depende da gente e ter alguém pra fazer a gente acordar também ajuda, mais não é só isso. – Anita respondeu.

– Anita é melhor você ir embora. – Ben disse.

– Eu não vou, se você quiser mesmo que eu vá, vai ter que ter que me colocar pra fora. – Anita taxou.

– Porque que você é teimosa hein, tanto pras coisas boas quanto pras ruins. – Ele questionou.

– Porque teimosia não vem com manual de instruções, do tipo use-a para as coisas boas e não para as ruins, faça isso mais não aquilo. – Anita ironizou.

– Só você mesmo. – Ele respondeu.

– Me promete que você vai voltar pra escola. – Anita pediu.

– Não sei. – Ben falou apenas.

– Depois você me acusa, de ser teimosa, sério isso. – Ela rebateu.

– Somos dois teimosos então. – Ben afirmou.

– Você é burro também tá. – Anita reclamou.

– Pronto começou, demorou né. – Ele afirmou.

– Começo o que. – Anita indagou.

– Nossas discussões intermináveis e sem lógica alguma. – Ele disse.

– Bom se brigar com você por causa da Sofia não tem lógica, você também cometeu o mesmo o erro com o Sidney, ah e eu não bati no Sidney e muito menos apanhei. – Anita soltou.

– Ah não bateu, você tá com amnésia né, e a surra que você deu na Sofia lá em casa. – Ele retrucou.

– Que não foi por tua causa, portanto não vale, aliás se eu fosse bater em alguém nessa história ai, seria em você né, não nela, afinal ela não fez nada sozinha, apesar dela ter bons métodos pra conseguir o quer. – Anita respondeu o encarando.

– Talvez você tenha razão. – Ben afirmou.

– Pensa que você pode piorar a situação da tua mãe, ela vai ficar mal quando ela souber que você perdeu um ano inteiro por causa dela. – Anita argumentou.

– Eu sei disso, por isso que ela não tá sabendo de nada, e nem vai saber Anita. – Ele concordou.

– Então tá você volta pra escola e eu não falo nada, caso contrário. – Anita afirmou, tentando coagi-lo.

– Tá me ameaçando é isso, não creio. – Ben disse, indignado.

– Bom se você vai continuar ai, eu vou dar uma de Sofia e sai por ai falando da vida dos outros, só por mero prazer. – Anita falou.

– Mesmo que eu volte, eu faltei um bom tempo. – Ele respondeu.

– Então você vai ter que enfiar a cara nos livros e já, quanto as provas eu falei com o Virgílio ele disse que ia falar com a Raissa pra você refazer. – Ela explicou.

– Eu vou tentar. – Ben concordou.

– Não tenta não, você vai conseguir, eu te ajudo a estudar se você quiser, agora mesmo, vai que depois de uma noite mal dormida você mude de ideia, frequente isso acontece era meu dilema. – Anita justificou.

– Tá bom. – Ele falou.

– Começamos por onde então. – Anita falou pegando o caderno da bolça.

– Escolhe você. – Ben respondeu, quase que não acreditando que o garota estava ali.

– Certo. – Ela disse sorrindo.

Um tempo depois.

– Eu tenho que ir já é tarde. – Anita afirmou vendo que já estava escuro na rua.

– Você quer que eu te leve até o ponto de táxi. – Ben questionou.

– Não precisa, eu voltei, pro casarão. – Anita respondeu.

– Voltou, achei que você não ia fazer isso tão cedo. – Ele falou, fitando a garota com curiosidade.

– É eu voltei, por causa da mamãe, a tia Luciana virou a casa de pernas pro ar. – Anita falou rindo.

– Como assim o que ela fez. – Ben indagou, achando graça das palavras de Anita.

– Nada de mais, tia Luciana né tem um jeito próprio pra tudo, a mamãe começou a encucar e enfim. – Anita respondeu.

– Bom é eu vou indo, se não daqui a pouco ela pensa que eu me mandei pra Barra sem ela saber. – Anita afirmou desconcertada.

– Então tchau. – Ben falou, tenso.

– Tchau. – Ela disse se virando a porta.

– Anita. – Ele chamou por ela.

– Que foi. – Anita perguntou.

– Teu caderno, ia ficar aqui. – Ben falou entregando a ela.

– Fica amanhã você me devolve, assim você não tem desculpa. – Ela afirmou sorrindo.

– Tá, tudo bem, obrigado de alguma forma você me ajudou, mesmo eu não esperando. – Ben respondeu a ela, segurando sua mão.

– É, eu, tenho que ir embora mesmo, e eu não fiz nada, só quero que de tudo certo de verdade. – Anita afirmou, observando os olhos de Ben, confusos tanto quanto ela, depois de tudo.

– Boa noite. – Ele disse, vendo, ela sair pela porta.

Notas finais
Obrigada a todos que estão acompanhando....