E se tudo fosse diferente?
7 Um novo lar
Notas iniciais
Haviam se passado alguns meses desde que ele e Ygritte chegaram a Skagos. E mesmo que já estivesse na ilha há algum tempo ainda não se sentia totalmente a vontade no lugar. Não sentia que lá era seu lar e ele ainda sentia um sentimento de culpa por ter abandonado a patrulha da noite.
Skagos era estranho e cheio de mistérios que ele não compreendia. Ele tinha a sensação que a qualquer momento algo ruim poderia ocorrer. O povo de lá não parecia muito confiável. Jon já havia convivido com selvagens, mas aqueles selvagens da ilha pareciam ser um tipo diferente de selvagens. Um tipo mais perigoso e sombrio. Jon se preocupava principalmente com seu irmão Rickon que estava crescendo naquele ambiente. O menino parecia cada vez mais com as estranhas pessoas do local. Ele tinha muitos amigos entre as crianças de lá e estava aprendendo os hábitos deles.
Ele ao contrario de Jon parecia considerar Skagos um lar. Tanto que Jon lembra que certa vez, em uma noite em que estavam somente eles, ao perguntar se o menino sentia falta de Winterfell ele respondeu:
—Não. Gosto daqui. Aqui é bom. Sinto falta dos nossos irmãos só. Eles deviam vim pra cá. O Bran, a Sansa e a Arya. Eles iam morar com a gente e iam gostar daqui também.
Jon não soube o que responder ao irmão naquele momento e nem nos outros em que o menino repetia que queria os outros irmãos...
Outras coisas também preocupavam Jon, como por exemplo a cabana em que ele, Ygritte, Osha e Rickon moravam. Ela parecia forte o suficiente para enfrentar o longo inverno, mas era pequena e logo que seu filho nascesse o espaço ficaria ainda menor.
—No que está pensando?- perguntou Ygritte. A pergunta dela o tirou de seus pensamentos. Jon se virou para ela e a olhou. Ela estava com um sorriso nos lábios e estava com a mão na barriga que já mostrava os sinais da gravidez.
Ygritte havia ganhado muito peso com a gravidez. Ainda faltavam muitas voltas de lua para a criança nascer, mas a barriga dela já estava bem grande.
—Estava pensando em como nosso filho será.- disse ele a puxando para perto e a beijando. Depois passou a mão carinhosamente pela barriga dela. Quando estava com a mão no local sentiu o bebê chutar pela primeira vez. Sem que percebesse uma lágrima escorreu por seu rosto. O tempo pareceu parar naquele momento. Naquele momento ele se esqueceu de onde estava e sentiu uma felicidade que nunca havia sentido. Quando era patrulheiro tinha medo de sonhar com filhos, pois sabia que seus votos não permitiam isso, mas agora na sua nova realidade não era preciso sonhar, pois seu bebê era real. Naquele momento sentiu que a culpa por ter deixado a patrulha havia desaparecido.
Rickon entrou correndo na cabana interrompendo o momento mágico.. O menino estava suado e com os cabelos longos arrepiados. Seu lobo entrou logo atrás dele, igualmente agitado. O garoto segurava uma pequena lança em uma das mãos e sorria. Ele disse que estava caçando com os outros meninos.
Jon ficou muito preocupado com o irmão. Ele era tão novo para está segurando uma lança. Jon logo tomou a arma do irmão.
—Ela é minha.- disse Rickon em protesto- Eu mesma a fiz com a ajuda dos meus amigos.
—Ela é uma arma. Você pode acabar se machucando.
—Não é justo. Você tem uma arma- falou o menino apontando para a espada de Jon.- Porque não posso ter uma também?
—Porque você é muito novo. Tem apenas seis anos.
Ygritte acompanhava a discussão de longe. Ela não costumava se meter nas discussões entre ele e Rickon, mas dessa vez resolveu interferir a favor de Rickon:
—Você não sabe nada, Jon Snow. Aqui nessa ilha é nessa idade que os pais dão ou incentivam os filhos a construir as primeiras lanças. Para que as crianças desde cedo saibam se defender dos perigos. Deixe ele ficar com a lança. Ela é pequena. Ele não vai se machucar.
Jon relutante entregou a lança para Rickon com a condição dele ter muito cuidado. Disse que ele poderia usar a lança só quando tivesse na companhia dele. O menino concordou e sorriu para Ygritte. Sabia que tinha uma aliada naquela casa.
Mais tarde naquele dia. No jantar. Enquanto ele, Osha, Ygritte e Rickon comiam, pensava em como seria o futuro de seu filho naquele lugar. Ouvia Rickon falando animadamente das coisas que aprendeu e ficava imaginando seu filho sentado junto a eles e falando. Também se permitiu imaginar seus irmãos que faltavam junto a eles.Um sorriso se formou em seus lábios ao pensar nessas coisas.
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