E se fosse ao contrário?
43 Ele está diferente
Notas iniciais
Todos estavam apavorados. Naquele exato momento, o homem de 40 anos levemente gordo – ele havia feito dieta recentemente, um serial killer deve se manter em forma – alto – cálcio fazia parte da dieta – e com uma barba malfeita, parecia exatamente como era a 10 anos atrás. Um psicopata jovem iniciando uma carreira que o levaria aos confins do inferno em um futuro não tão distante.
Um sorriso sanguinário estava em seu rosto. E isso era o que ele queria ver, pânico, sofrimento. Por algum motivo, ele gostava desses sentimentos. Dar para as pessoas o seu último grito de terror antes da morte.
O vento sacudiu sua gravata, que agora estava solta. Mas do que tudo no mundo, ele queria ver sangue. ¨Mas, - parou para pensar – porque eu quero isso?
Ele teria tempo de refletir em seu escritório. Talvez passasse horas refletindo, era uma coisa que ele fazia secretamente em suas horas livres. Mas isso foi antes dela aparecer. Foi antes de seu desejo estranho por salvá-la aparecer. A partir daí, o pobre psicopata nunca mais teve essa coisa que os desocupados chamam de ¨tempo livre¨.
Calmamente, abaixou a arma. Ela desapareceu em seu bolso tão rápido quanto o sorriso em seu rosto foi ocupado por uma expressão séria, com uma pitada de raiva. A raiva que ele sentia de si mesmo por estar criando um coração. Mas que martelo duro era esse que tentava quebrar seu coração de pedra?
Ainda com a mesma expressão, Charlie abriu caminho no meio dos animatronics, e ao passar por Pandy, sussurrou em seus ouvidos:
–Eu não sou o mostro que você pensa que eu sou. E, se quiser, — Ele não acreditou que estava falando isso – pode tirar uma folga, até que o bebê nasça.
Depois disso, Charlie seguiu caminho, e entrou na sua sala calmamente, como se nada tivesse acontecido.
–O que acabou de acontecer aqui? – Perguntou Bonnie.
–Eu realmente não sei... – Respondeu Freddy.
O ambiente permaneceu silencioso até ser possível escutar ruídos de crianças gritando ¨Freddy, Freddy!¨. E, sem falar nada, os animatronics foram cada qual para sua posição, prontos para mais um dia de trabalho.
–--
Claw estava passeando calmamente pela pizzaria. A noite estava negra e sem estrelas, sem contar que a lua estava coberta por nuvens. Estava muito abafado, definitivamente era uma noite bem quente. Claw continuou caminhando, até avistar uma multidão de animatronics em frente ao escritório de um certo assassino.
–O que vocês estão fazendo aqui?
–Charlie está diferente. Ele falou que tem uma surpresa para nós. – Respondeu Ping.
–E ele disse que essa surpresa era o meu presente de aniversário! – Respondeu Chica com os olhos brilhando. Pela primeira vez desde aquele comentário, ela não estava corada em ver Claw. Isso era bom.
–Quem é? – Perguntou Charlie, abrindo a porta. – Ah, são vocês... Entrem.
–Você não tem medo? – Perguntou Foxy.
–Do quê?
–De lhe atarmos, ora! Você nos matou, não vamos esquecer disso.
–Eu matei pessoas com senso do perigo, não um bando de idiotas.
Respondendo as perguntas, Charlie entrou na sala e os animatronics os seguiram.
A sala era bem bonita. As paredes eram de madeira marrom clara, e o chão de um tom mais escuro do mesmo material das paredes. O tapete era grande e vermelho escuro com detalhes e bordas amarelas. A escrivaninha era de madeira de carvalho. Em cima dela havia um computador (Nem um pouco moderno), alguns papéis e várias canetas. Tudo isso estava bagunçado e espalhado pela mesa. Alguns desenhos estranhos que pareciam ser projetos de cosplay estavam em cima da mesa. ¨Não há como negar, Charlie desenha bem.¨, pensou Claw. Em frente a escrivaninha estavam duas cadeiras da mesma cor da mesa e do outro lado uma poltrona de veludo. Do lado oposto da sala estava um sofá vermelho e uma prateleira de livros.
–Se espalhem por aí, só não mexam nos meus livros. – Disse Charlie.
¨Preciso mexer nos livros dele.¨, pensou Foxy.
Chica e Pandy ficaram nas cadeiras, Ping, Freddy, Foxy e Guaxe ficaram no sofá e Claw, Estrela e Bonnie sentaram no chão.
–Agora, temos assuntos a tratar. – Comentou Charlie arrumando os papeis e guardando-os em uma gaveta. – Estou pensando seriamente em uma reforma.
–Como assim? – Perguntou Chica. – Seremos descartados?
–Claro que não. Serão reformados.
Os olhos de Chica brilharam.
–Chica, aqui está sua proposta.
Chica simplesmente arrancou os papeis da mão de Charlie e começou a verifica-los. Era tão lindo...
–Eu quero! Quando?
–Amanhã.
Os olhos de Claw brilharam. Aquela reforma ajudaria ele a realizar um breve desejo que até o momento aparentava ser impossível.
–Contratei um técnico especialista no assunto, o Jorge. Ele vem amanhã.
–E quanto a reforma da Pandy, e se ele... – Disse Foxy, mas foi interrompido.
–Ela permanecerá assim por enquanto.
Pandy ficou cabisbaixa com a notícia.
–Agora saiam da minha sala! Feliz aniversário, Chica.
Os animatronics saíram da sala animados. Até Pandy estava ansiosa para ver como Chica ficaria! As meninas se abraçavam e os meninos se cumprimentavam.
–Ela vai ficar mais gata, Claw! Não sei como você ainda não pegou. – Disse Bonnie, com um sorriso provocante.
Claw empurrou Bonnie corado. Gargalhando, mas corado.
–Ai! – Agonizou Pandy sentindo um chute. – Esse foi forte.
–Ei, calma amor. – Disse Foxy segurando-a e beijando sua testa.
–Esse daí logo vai perder a liberdade... – Comentou Freddy.
–Hahaha! Essa foi boa cara! – Riu Bonnie fazendo um toca-aqui com Freddy.
–Ei, cadê a Lucinda? – Perguntou Ping. – Hoje é quarta, precisamos dela aqui.
–Relaxa Ping, ela tá na enfermaria. – Respondeu Estrela.
–--
1 dia depois, em uma quinta-feira...
Os animatronics estavam parados em frente a porta, por ordem de Charlie. Ele estava diferente, e os animatronics respeitavam isso. Bom, essa melhora no comportamento não justificava a sua insanidade, mas pelo menos o homem estava progredindo.
As portas de vidro se abriram drasticamente. Um homem de cabelos negros, olhos verdes, bigode grosso e um macacão jeans estava parado lá, segurando uma caixa de ferramentas. Ele estava com uma cara bem séria, mas quando chegou perto dos animatronics, começou a rir como louco. Em uma bela representação da Peppa Pig, caiu no chão quase chorando de rir.
Mas o que deixou os animatronics pasmos foi quando o mecânico tirou todo aquele disfarce e se revelou Mike.
–Mike?!
–It’s me, Mike! Vocês acreditam que roubei esse bigode de um cosplayer do Mário? Mas, bom, vamos começar essa reforma.
E falando isso, desligou os animatronics e os levou até a enfermaria.
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