E se fosse ao contrário? - Segunda temporada
5 De volta a limusine
Notas iniciais
Sexto mês de gestação
Capítulo narrado por Claw
Olhando para mim de cima do palco, lá estava ela. Os longos cabelos loiros voando com o vento e seus olhos claros penetrando minha alma. Suas roupas estavam diferentes, particularmente, gostei mais dessas. Sentia que poderia tirar aquele casaco e descer minhas palmas por aquelas costas duras de metal. Nada fora do normal. O que me intrigava eram aquelas asas longas e amarelas, destacando sua beleza de modo que me fez corar. Parei assim que percebi que ela havia corado também.
Puxei o cabelo para trás da orelha e desviei o olhar para Sofia, que ainda estava falando.
—Bom, é só isso, algumas mudanças bem simples e podem continuar a festa. – Ao disser isso, ela sumiu no ar com um estalo de dedos e deixou-nos lá, chocados, encarando o lugar onde ela estava. Isso até escutarmos uma voz vinda da jacuzzi.
—Vão ficar aí por quanto tempo, parados que nem estátua?
Viramos o rosto quase que simultaneamente e avistamos Bibi. Ela usava um maiô vermelho e bebia algo parecido com um sorvete dentro de uma taça, com o auxílio de um canudo listrado.
Incrivelmente, Ping foi a primeira a reagir:
—Eu quero minha roupa de volta! – Respondeu ela, gritando corada e puxando a saia pra baixo com as duas mãos.
—Vamos lá Ping, não é tão ruim assim... – Disse Freddy, com uma leve inclinada no olhar para o decote dela.
Ela fez uma cara de choque e ficou vermelha como um tomate, gritando xingamentos como safado enquanto se cobria com os braços. Aparentemente, ela percebeu. O urso começou a pedir desculpas e ficou tão vermelho quanto ela, que saiu aborrecida de perto de nós e foi choramingando até atrás da mesa de petiscos. Freddy foi logo atrás, gritando arrependimentos, ainda corado.
Logo depois, os outros animatronic se dispersaram e voltaram a fazer o que estavam fazendo. Olhei para cima do palco e ela ainda estava lá. Seu rosto demonstrava curiosidade e seus olhos estavam arregalados enquanto ela olhava para suas asas. Ela começou a batê-las devagar e foi flutuando devagar. Subindo até uns 10 centímetros do chão. Ela voou até a ponta do palco e foi descendo para o chão vagarosamente. De repente, ela caiu.
Corri até Chica para saber se ela estava bem. Me abaixei do seu lado e perguntei:
—Tudo bem? – Dei minha mão para ela, que segurou suavemente, me encarando levemente corada. – Você se machucou?
—Eu... estou bem. – Respondeu, cada vez mais enrubescida.
Comecei a ficar vermelho também. O silêncio começou a ficar constrangedor. Eu conseguia escutar sua respiração e seu coração batendo, conforme me aproximava. Cheguei mais perto do seu rosto, sua boca entreaberta e seus olhos se fechando...
—Acabou pessoal! Vamos pro aeroporto, senão perdemos o vôo! – Gritou Sofia, próxima a porta. – Todo mundo entrando na limusine.
Chica se levantou e limpou as calças, nervosa. Nos encaramos por um tempo, mas ela desviou o olhar e seguiu em direção a porta. Eu ia segui-la, mas senti uma mão em meu ombro. Virei para trás e vi Estrela.
—Cara, porque vocês não se casam? Sério, já tá pegando mal esse chove não molha de vocês. – Falou ela, com uma felicidade boba. Eu fiquei confuso, mas quando percebi a garrafa de vinho pela metade em sua mão eu entendi tudo.
—Do que você tá falando? – Disse, gaguejando um pouco.
—Desse rolo de vocês. Vocês se beijaram naquela vez da cozinha? – Quando fiz uma cara de desinformado, ela continuou. – Um passarinho me contou que vocês ficaram se pegando na cozinha e que ficaram com os rostos muito próximos um do outro e coisa assim.
—O que? Na-não, isso nu-nunca aconte-teceu! – Gaguejei.
—Aham, pensa que eu não sei. Mas, cá entre nós... – Ela disse com um sorriso muito idiota. – A Chica tem bom gosto. – Ela piscou pra mim, bebeu mais um gole e saiu pulando e tropeçando até a limusine.
Ela estava flertando comigo, com a Chica ou com a taça de vinho?
Cheguei na porta e esperei todos saírem pra poder passar, a fim de não ser esmagado. Bom, quase todos. Olhei pra trás uma última vez e Guaxe estava com uma garrafa de algo na mão e com uma expressão tristonha. Podia jurar que vi algo escorrer dos seus olhos quando me virei e segui em direção ao táxi.
Todos haviam entrado, menos Chica, que tentava espremer as asas para entrar no táxi.
—Quer ajuda? – Perguntei.
—Eu... consigo me virar... – Ela respondeu, corando e desviando o olhar.
—Não consegue não.
—Me ajuda logo.
Com um sorriso malicioso no rosto, empurrei-a com força apoiando as costas nas asas. Era como um travesseiro gigante.
—PARA, PARA, TÁ MACHUCANDO! – Ela começou a gritar.
—Desculpa, desculpa, desculpa. – Murmurei enquanto empurrava mais forte.
De repente, escutei um estalo de dedos e o chão frio da limusine batendo nas minhas costas. Abri os olhos e percebi que estava caído dentro da limusine, de barriga pra cima. Os pés ainda estavam pra fora quando escutei Chica gemendo de dor ao meu lado.
Virei a cabeça pra ela e no mesmo momento, percebi que ela estava sem suas asas. Me sentei no chão e olhei para frente. Sofia estava lá, com um sorriso levemente assustador.
—É só você estalar os dedos que elas somem e estalar de novo que elas aparecem.
—Podia ter avisado no treinamento. – Respondeu Chica, se erguendo e limpando as calças.
Que treinamento? Do que as duas estavam falando?
—Mas o que...
—Nada, ignora o que ela disse. – Disse a Autora, um pouco tensa e com um sorriso amarelo para Chica.
—É, é. Vou sentar agora se não se importam. – Disse Chica, irritada e se dirigindo ao lado oposto da limusine.
—ESPERA! ESQUECI DE FALAR UMA COISA. – Sofia voou rapidamente na direção de Chica, pulando em cima das costas dela. Tirou seu casaco e puxou sua blusa pra baixo, revelando as suas costas.
Preenchendo suas costas, havia uma tatuagem de asas preta, extremamente detalhada. A pele ao redor não parecia danificada, como se a marca estivesse lá a muito tempo. Mas também não estava desgastada, como se tivesse acabado de ser feita. Era uma combinação perfeita, e acho que não fui o único a pensar nisso pelos rostos espantados de todos ao redor.
—O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO! O QUE SÃO ESSES TRAÇOS PRETOS NAS MINHAS COSTAS? – Gritou Chica, aparentemente não vendo claramente o a tatuagem.
—Uma tatuagem, muita bem feita, modéstia à parte. – Respondeu Sofia.
—TATUAGEM? AH, QUER SABER, TANTO FAZ!
Ela se soltou da Sofia e continuou seguindo para a ponta da limusine.
Me preparei pra seguir na mesma direção. Mas percebi que o espaço havia acabado. Olhei em volta e percebi que Foxy e Bonnie apontavam para um lugar entre os dois, com um sorriso bobo. Pensei em revirar os olhos, mas decidi me sentar ao lado deles, já que Pandy e Estrela não estavam por perto para me fazer de vela.
—E aí, não devia estar perto da sua Pandy, papai? – Falei ironicamente para Foxy, me sentando no espaço indicado pelos dois.
—Muito engraçado. Pelo menos eu falo pra minha Pandy que eu gosto dela. – Respondeu ele, com os braços cruzados.
—Do que você está falando? – Respondi desviando o olhar.
—Não se finja de bobo! Acho até irônico o primeiro a conseguir uma namorada brigar com o profissional do ¨chove não molha¨. – Se intrometeu Bonnie.
—Eu não entendo o que vocês estão dizendo! – Argumentei corando.
—Cara, para de tentar esconder, todo mundo sabe que você está afim da Chica, e não faz pouco tempo! – Falou Foxy.
—Tanto faz. – Bufei de volta.
Acho que tenho que confessar que, pela primeira vez, acho que eles estão certos.
Tirei aqueles pensamentos da cabeça, encostei a cabeça no banco e cai no sono.
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