E se fosse ao contrário?
41 Lucy
Notas iniciais
Charlie saiu da sala secreta irritado. Ele simplesmente não conseguia ajuda-la! Mas ele não iria desistir tão fácil. Saiu do seu escritório e se direcionou até o banheiro com as mãos cheias de ferrugem. O homem as limpou e depois foi colocar o anúncio da vaga no jornal do dia seguinte, terça-feira, nem que precisasse ameaçar o dono da editora. Um sorriso psicopata se formou em seu rosto, enquanto o assassino passava pelas portas de vidro. Ainda precisava daquela maldita reforma nos animatronics. Com todo aquele tédio, bateu vontade de matar alguém. Mesmo assim não o fez.
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Guaxe sentou ao lado do palco, enquanto pensava: ¨Eles sofreram por minha causa. Eu o fiz sofrer de novo. Eu sou um idiota, e só sirvo para trazer amargura para a terra. ¨
¨Não! ¨ Continuou a pensar. ¨Não posso me deixar vencer assim. Preciso parar de cantar essas músicas tristes. Meus amigos realmente gostam de mim, e eu não quero mais decepcioná-los. Não quero, E NÃO VOU! ¨
1 dia depois, á noite...
A noite estava brilhando no céu iluminado naquela noite estrelada de terça. Charlie esperava pacientemente na calçada em frente a pizzaria. Ficou alguns momentos parados lá. Isso seria maravilhoso. Um novo segurança, um novo ar-condicionado danificado, essa tal de Lucy não vai aguentar uma semana.
Uma mulher de olhos pretos meigos e brilhantes, de cabelos escondidos no chapéu roxo e de óculos de aro parou em frente a Charlie, cujo no rosto um sorriso apareceu.
–Olá, você deve ser a Lucy!
–Sim, você me conhece por esse nome.
O homem de 40 anos estranhou o comentário, mas continuou falando.
–Eu sou o Charlie seu chefe. Pode entrar na pizzaria, eu iria fazer um tour, mas estou com pressa. Sua sala fica mais nos fundos da pizzaria, você vai achar. — E saiu correndo. Um sorriso maligno apareceu no rosto da mulher.
Ela entrou vagarosamente na pizzaria, sem medo algum, e olhou para os animatronics com um sorriso. Não um maligno, um sorriso de felicidade. Os animatronics estranharam, mas continuaram em sua posição. Lucy pareceu não gostar da ignorância. Revirou os olhos e se aproximou dos robôs. Ela chegou perto de Pandy, e foi levando sua mão até a panda, bem devagar. Pandy começou a suar óleo, e Foxy estava pronto para atacar caso necessário.
–A barriga continua bem grande não acha? – Disse Lucy colocando a mão sobre a barriga da robô.
Ela tirou o chapéu e revelou seus longos cabelos verdes.
–Lucinda? – Palpitou Estrela. – Seus olhos não eram azuis? E você não era médica?
–Lentes de contato querida, Charlie nunca me contrataria se soubesse que sou namorada do seu ex-funcionário. E quanto a medicina, eu dei um jeito de diminuir meu horário de serviço.
Todos ficaram animados com a notícia. Combinaram que Lucinda fingiria estar ficando doente com o ar-condicionado, sendo que ela nem entraria naquela sala. Charlie estranharia sua persistência, mas ia acabar cedendo. Que linda terça!
1 mês depois...
Pandy estava exausta depois de um dia de trabalho. Que fome! Ela caminhou até A cova do pirata. Estava pronta para ver se ele ia poder arranjar algo para ela comer. Antes de chegar, escutou um grito.
–Pandy! Hora do ultrassom!
Ah, ótimo! Era tudo do que Pandy precisava. Sua barriga roncava, e ela iria fugir de Lucinda, mas então, algo inesperado aconteceu. Nossa pandinha sentiu um chute. Dois na verdade. Uma lágrima de felicidade saiu do seu olho. Seus bebês estavam lá, chutando a barriga da mãe.
Não deu outra. Entrou na cova do pirata, puxou Foxy pelo braço e foi direto para o Backstage. Lucinda arrumou o lugar nesses últimos dias. A sala agora estava pintada de branca, e ela também implantou alguns ladrilhos brancos na parte de baixo da parede. As macas agora eram forradas com confortáveis colchões finos e travesseiros limpos que a médica arranjou sabe-se-lá-aonde. Algumas máquinas (Retiradas do hospital pela nossa querida narradora e seus fiéis leitores. Vai, equipe!) estavam espalhadas pela sala e o piso era verde bem claro. Parecia mesmo hospital. Havia ainda uma pequena área que Lucinda usava como escritório. A médica sofria de TOC, não conseguia trabalhar em ambientes sujos e bagunçados, muito menos com cabeças assustadoras que agora se encontravam no porão. Ninguém sabia como Lucinda havia conseguido permissão para a reforma, mas suspeitas indicam que certos leitores ajudaram, ameaçando certo dono de uma pizzaria.
–Lucinda, Lucinda! Dois chutes! – Anunciou Pandy entusiasmada.
Foxy tossiu e murmurou ¨Eu também não sabia¨.
–Isso é ótimo Pandy! Já estava na hora, suas crianças provavelmente serão bem quietas.
–Com esse pai? Eu duvido muito...
A voz que falou incomodou a todos, menos a Lucinda. Da pequena sala da médica, surgiu uma pessoa que eles não viam á muito tempo.
–Mike?!
–Sim! – respondeu. – Lucinda me trouxe escondido. Ainda bem que tenho uma namorada ninja.
Os dois deram um selinho.
–Agora ao ultrassom!
Pandy se deitou na maca, e Foxy sentou em outra. Mike arrastou a máquina de ultrassonografia para perto da gestante, e Lucinda começou a passar o gel em sua barriga.
–Faz cócegas!
A médica jogou o gel na cabeça de Mike, que foi cambaleando guarda-lo. Enquanto isso, Lucinda passava a maquininha, que fez com que imagens passassem pela tela da máquina.
–Hm... Ainda parecem bem humanos para mim, mas pode se ver que tem algo nascendo na cabeça deles. – Examinou.
–Como assim?! – Se desesperou Foxy.
–Algo está brotando da cabeça deles. O que está brotando da cabeça do menino parece ser... triangular. E da cabeça da menina, mais redondo. A menina também parece estar empalidecendo, e o menino escurecendo.
–MEUS FILHOS SÃO CAMALEÕES?! – Perguntou o pai.
–Bom, vamos ver. Vou tirar algumas fotos e ver depois. – Esclareceu enquanto mexia no teclado acoplado a tela.
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Estrela estava entediada. Enquanto mexia calmamente em sua cauda nos bastidores do Escritório do Detetive, escutou um barulho de passos.
–Bonnie? – Perguntou.
–Sim, sou eu.
Na mesma hora em que respondeu, Bonnie abriu as cortinas e sentou ao lado dela.
–Que tédio... – Suspirou o coelho.
–Pois é.
–Vamos fazer uma coisa doida? – Um sorriso louco surgiu em seu rosto.
–Tipo o quê?
–Invocar o Charlie Charlie*!
–Já tive experiências demais com Charlie’s para duas vidas.
Bonnie percebeu que Estrela não estava bem. Os dois estavam sentados no chão do Escritório do Detetive. Um local estreito, vazio, com algumas almofadas e um bebedouro. O coelho deitou a cabeça no colo de Estrela e olhou para ela com seus olhos rosa-avermelhados.
Estrela sorriu meigamente, e acariciou suas orelhas.
–--
–Pois é. – Respondeu Lucinda, observando uma maca sendo quebrada.
A ira do Hulk não se comparava á ira de Foxy ao saber a notícia. Seus olhos ardiam de impaciência. As palavras da doutora ecoavam em seus ouvidos: ¨Você terá que esperar até mês que vem. ¨
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Ping e Pandy conversavam alegremente no palco, enquanto Freddy escutava músicas em um MP3 que achou nos achados e perdidos.
–E então? Você já sentiu chutes? – Perguntou Ping.
–Senti hoje pela primeira vez! E foram dois!
–Não acredito!
–Pois é verdade! Eu nunca mentiria sobre uma coisa dessas!
–E o casamento?
–Eu e Foxy ainda não cuidamos disso. – Pandy disse nervosa. – Antes de irem embora, as magas disseram que iam cuidar de tudo.
–Eu não fui muito com a cara delas. Se eu fosse você pelo menos tentava se manter informada.
–Logo você Ping?! Eu não sabia que você era tão desconfiada...
–Eu só confio na Leitora, ela que me criou.
–Mas e as outras?
–São legais! Mas eu não sei se são responsáveis...
–A Sofi-chan não é. Ela tem duzentos post-its espalhados pelo quarto para não se esquecer das coisas, mas ela sempre se esquece de colocar os post-its.
As duas começaram a rir.
–Mas eu acho que elas vão conseguir. A Sofia adora decorar coisas, então provavelmente ela vai cuidar dos enfeites e também do vestido, já que ela ama desenhar roupas.
–E as outras? E os meninos.
–A Sofia colocou uma mensagem sobre isso nas notas finais.
–Entendi.
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