Notas iniciais
Cachoeira, não me mate ;-;

Trilha sonora: (Right now — Akon [Instrumental])

NPP – Mike

–Chefe, eu...

–Não há justificativa Mike! Você sabe o quanto esse boneco custou?!

–ELE NÃO ERA UM BONECO! – Falei enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto. – EU NUNCA VI UM ROBÔ COM TANTO CORAÇÃO! COM MAIS CORAÇÃO QUE VOCÊ!

Eu estava na sala do meu chefe, levando as consequências de não ter vigiado todos os animatronics.

–Mike, você interagiu com os animatronics? –Disse Charlie de repente assumindo uma forma séria. — ESSE NÃO É O SEU TRABALHO!

–EU NÃO LIGO PRA M#RD@ DESSE TRABALHO! ANTES QUE ME DEMITA, EU SAIO POR VONTADE PRÓPRIA!

Sai da sala com lágrimas saindo de mim como se meus olhos fossem torneiras. Andei a passo firme até o lado de fora da pizzaria, onde Lucinda me esperava. O sol brilhava tanto naquela manhã... CHOVE P$RR@! NÃO É UM DIA FELIZ!

Lucinda me olhou preocupada, e eu enxuguei as lágrimas me encolhendo no chão, escondendo a cara. Ela se sentou ao meu lado, e se deitou no meu ombro. Um casal triste sentado no meio da calçada, nada mais que isso.

NPP – Pandy

As crianças passavam na frente da pizzaria e encaravam a placa de ¨Fechado¨ na porta de vidro com olhares curiosos. Seus pais simplesmente afastavam as crianças de lá. Eu não estou entendendo. Todos os outros estavam do meu lado olhando a cena. Mike tinha acabado de sair da sala de Charlie chorando. O que está acontecendo?

As portas da pizzaria abriram de repente. Quatro homens com uniformes entraram carregando o que parecia ser um saco de lixo gigante. Ficamos todos parados, como se estivéssemos desligados. Eles levaram o saco até o Backstage. Assim que saíram, todos fomos correndo até a sala de reparos. Abrimos o saco, e o que vimos paralisou a todos.

Guaxe... Morto.

As lágrimas começaram a escorrer na minha carcaça de metal. Eu não podia controla-las. Eu queria fugir. Só fugir. Mas eu não consegui. Eu só fiquei parada lá. Estrela conseguiu correr. Chorando. O chão estava molhado. De água salgada. Bonnie correu atrás de Estrela. É tudo culpa minha. Foxy foi para o outro lado da sala e ficou sentado, encolhido no chão. Ping verificou suas batidas cardíacas, o que a fez chorar. Freddy a levou até lá fora, e mesmo que ele desse um de fortão, uma lágrima caiu do seu olho e caiu na cabeça de Ping. Chica saiu andando até a cozinha, chorando. Claw foi junto.

E eu? Eu arregalei os olhos e continuei olhando. Isso tudo, eu poderia ter impedido... Eu sou a culpada... Se eu tivesse tentado ser mais delicada, estaríamos todos cantando e dançando para deixar crianças felizes. Mas como se pode dar felicidade, se ela mesma já foi arrancada de você?

Eu me sentei no chão com as pernas abertas. Meus olhos arregalados continuavam chorando. As lágrimas escorriam como uma mangueira em meus olhos. Junto com ela, minha felicidade ia embora. Eu me deitei no chão. Simplesmente me deitei. Com os braços abertos e pernas também. Minha barriga doía. Minha garganta estava seca. Foxy ainda estava na sala.

Fechei os olhos e me encolhi. Como um bebê com frio, como uma lagarta no casulo.

As lágrimas querem me afogar.

Senti algo me abraçar. Foxy...

NPP – Estrela

Me sentei na cadeira cinza do Escritório do Detetive. O detetive que não existe mais. Enxuguei as lágrimas e funguei. Comecei a folhar os seus papéis.

Poemas, pequenos romances, presentinhos que as crianças deram para ele, desenhos infantis dele...

Um dos desenhos me chamou atenção. Guaxe estava em pé sorrindo, com um menino segurando sua mão. Os dois estavam em um lugar aberto, um campo. Do lado havia os dizeres:

¨Candu eu qecer, eu qeru cer comu fosê!¨

As lágrimas voltaram, e uma delas pingou no desenho. Guardei ele com cuidado de volta na gaveta e deitei minha cabeça sobre a escrivaninha.

–AAAAAAAH!

Gritei furiosa e derrubei tudo da mesa. Ao ver tudo no chão voltei a chorar.

–Seu idiota...

Escutei passos, era Bonnie. Ele chegou do meu lado chorando e teve a coragem de perguntar melosamente:

–Você ainda gostava dele?

Minha reação? Eu dei um soco na sua cara.

NPP – Ping

–Eu estou com medo... O que...

–Vai ficar tudo bem. – Consolou Freddy.

–Não vai Freddy! Ele...ele...

Me encolhi no chão dos bastidores e comecei a chorar. Freddy sentou do meu lado e me abraçou.

NPP – Chica

Peguei uma panela e comecei a cortar cebola. De alguma forma, eu tinha que disfarçar o choro.

–Nossa, quantas vezes eu já fiz isso?

A voz de Claw vinha de trás. Virei meu rosto para ele espantada, e o lobo sorriu, com uma lágrima escorrendo pelo seu rosto.

–Porque você está chorando?! Você mal o conhecia... – Perguntei.

–Eu e Guaxe tínhamos nossa intimidade. Agora vamos falar sobre você. Porque está escondendo o choro?

Eu dei uma fungada antes de responder.

–Eu sempre sou a fraca. A sensível. Eu quero ser forte.

–Você é a garota mais forte que eu conheço.

–Parece até que não conhece a Estrela.

–Conheço ela bem o bastante pra dizer que ela está se debulhando em lágrimas neste exato momento. Quando você chora, não quer dizer que seja fraco. Quer dizer que você passou muito tempo sendo forte.

Neste exato momento, uma lágrima escorreu pelo seu olho, e ele me abraçou. Entre choros e abraços, percebi que nunca fomos tão próximos.

NPP — Guaxe

Eu estava em uma sala branca. Olhei para as minhas mãos, e elas eram humanas. Eu era um humano novamente. Olhei ao redor, e a sala era... infinita. Eu estava em um eterno vazio branco. Nossa, que poético.

Andei um pouco e me deparei com dois seres. Uma espécie de vulto negro estava em um lado. Ele segurava maçãs, bolos, doces... Todo o tipo de comida. E sorria para mim. Do outro lado um vulto branco. Ele segurava um pão e um peixe, com um sorriso também. Que fome.

–Eu só preciso de um favor. Você pode ter tudo isso, se for MEU. – Disse o vulto negro.

–Eu só posso lhe dar isso. Não vou lhe chantagear, como faz o homem ao meu lado. Quero que me escolha por sua vontade, pois em troca, eu lhe darei muito mais que comida. – Disse o vulto branco.

Minha barriga roncava. Eu comecei a andar em direção ao vulto negro, que estava com um monte de coisas apetitosas. Mas, um conselho que minha vó me dera antes de morrer me veio a cabeça.

“O mal enfeita a nossa jaula com tudo o que queremos. Nós entramos na jaula por vontade própria. Passamos um tempo lá. A porta ainda está aberta. Continuamos lá, pois achamos que tudo o que precisamos está naquele local. De repente, os começamos a sentir falta de outras coisas, então queremos sair da jaula. Mas a porta já está fechada. É tarde demais. “

Parei de andar na direção do vulto negro e fui em direção ao vulto branco. Quando eu comecei a morder o pão, o vulto negro ficou cheio de ira, e fogo começou a rodear a sala. O vulto negro ia me atacar. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, o vulto branco se pôs na minha frente. Fechei os olhos nervoso, e escutei um barulho agudo, que quase me fez gritar.

Quando abri os olhos, eu estava no Backstage.

Notas finais
:DDDDDD Será que conseguimos bater a meta de 9 comentários?