E se, Tagarela?
1 Vou escrever um diário
Olhei pela janela do meu apartamento e vi a chuva caindo lá fora. Minha alma estava assim: inundada por sentimentos massacrantes diante de tudo que passei.
Eu estava frustrada em relação a minha profissão, escolhas, destino e vida. Eu sempre me precipitei ao tomar decisões e encarar as dificuldades. Agora me encontro assim: sem rumo. Não podendo desistir e também não conseguindo continuar.
Isso é amargurante!
Uma adulta presa em seu próprio fracasso, enquanto outros na minha idade já tem o mundo nas mãos.
Preciso encontrar um jeito de expôr minhas opiniões sem precisar ser criticada todas as vezes que abro minha boca e tento falar.
Redes sociais nem pensar! Já é o suficiente ser uma estranha em meio á uma multidão de estudantes de medicina tão centrados no que fazem.
Quando abro minha boca para tirar alguma duvida, é como se eu não estivesse ali e isso me deixa transtornada! Para eles — ou melhor, na minha cabeça -, eu não deveria estar ali entre eles.
Esse ano que está acabando (sim, hoje é 31 de Dezembro de 2015), eu só desejo que leve embora tudo aquilo que me amargura. Que eu tenha mais tempo para realizar meus verdadeiros sonhos. Que eu possa olhar com outros olhos para meu futuro. Que eu possa olhar o mundo ao meu redor como uma criança o veria...
Criança...
Talvez algo possa me ajudar...
Vou escrever um diário e ver se, lendo o que me transtorna, isso possa me ajudar a seguir em frente.
Não custa tentar, Tagarela!
Fale com o autor