Notas iniciais
Boa leitura >3

Tentei chamar a polícia, mas levei alguns segundos, com direito a bater a mão na testa e tudo o mais, para perceber que este era o maldito motivo de querer a polícia. Meu amor a.k.a bebê a.k.a celular acabara de ser roubado.

Quem mandou sair às 3 da manhã para perambular por ruas vazias e escuras?

Exatamente, ninguém!

E por que eu fiz isso?

Porque eu, Kim TaeHyung sou um idiota!

Mas idiota a.k.a pessoa normal, porque tenho certeza de que não sou o único que deseja sair de casa quando, em plena madrugada, tentando dormir às vésperas de mais um dia de faculdade, o barulho do seu companheiro de apartamento copulando com seu namorado, que entrou no cio, agindo tal qual uma gata no mesmo estado, começa a invadir seu quarto.

Claro, tem gente para tudo, inclusive para se excitar ouvindo esse tipo de coisa e tals, mas acho que isso não e muito minha praia, já que a única coisa que isso me deu foi insônia.

Bufei pela enésima vez naquela noite, balançando a cabeça e enfiando os dedos entre os fios meio rosados, já desbotados desde a última vez que pintara, irritado. Agora vinha a parte mais terrível de todas: prestar a droga da queixa na delegacia.

Como eu sou a pessoa mais sortuda do mundo, porém, a delegacia, por mais incrível que pareça, estava fechada no momento, apenas com o plantão do cárcere aberto, onde consegui falar com um dos poucos policiais ali.

“Garoto, parece que teve um problema com umas gangues e os outros foram chamados para reforços. Sugiro que volte amanhã de manhã, ou a tarde, não dá para ter certeza de quando vão resolver aquilo” disse o homem, ao que ambos ignorávamos os assédios verbais e palavras indecentes vindo de alguns detentos ali.

Suspirando, agradeci ao policial, que apenas acenou com a cabeça e arrumou o quepe, e saí dali. Passei a mão pelo rosto, tremendo de frio ao lembrar da minha estupidez ao colocar apenas um tênis e um cardigã pertencente a Kris, nosso vizinho, que vivia nos visitando com seu namorado, ChanYeol, na cor cinza, que ficava muito gigante em mim, dando mais de um palmo de mangas sobressalentes em cada braço, e indo até meus joelhos, isso por cima de uma de uma camiseta branca e jeans surrados e claros, desbotados. Estava dormindo com essas roupas, e coloquei o primeiro sapato que me apareceu quando não suportei mais ouvir os gemidos altos de Jin vindos do quarto ao lado.

Agradeci aos céus ao ver que tinha guardado um pouco de dinheiro, após vasculhar em todos os bolsos existentes na roupa.

Já tinha andado bastante, mas sabia que ainda estava perto do nosso apartamento (ser preguiçoso é uma bosta, sabe? Você nunca sabe onde é nada). Localizei o primeiro – e provavelmente único – estabelecimento aberto àquela hora, me dirigindo até lá.

Abrindo a porta, aquele sininho irritante tocara, mas não parecia ter chamado a atenção de nenhum dos presentes ali – o que, na verdade, me deixou feliz, já que as caras deles não eram das melhores. Havia apenas um barman ali, servindo um cara de aparência hostil que praticamente tomou a bebida de suas mãos, mais dois jogando sinuca. Engoli em seco ao sentar em uma das cadeiras altas, praticamente do lado oposto ao homem hostil.

“Boa noite” cumprimentou o barman, gentil, parando na minha frente. “Em que posso ajudá-lo?”

Ele tinha um sorriso animado demais para alguém que trabalhava àquela hora da madrugada. O cabelo escuro e bagunçado apontava para a frente, no que deveria ser a tentativa de um topete, e vestia as roupas típicas de um barman: camisa branca, mangas arregaçadas e calça jeans, com um avental preto na cintura.

Meu Zeus, poderiam haver mais alfas como ele pelo mundo, não?

Não, porque a maioria está muito ocupada com suas caras amarradas e corpos esculturais se achando as picas das galáxias.

“Uma cerveja, por favor” pedi, quase sem jeito , vendo-o acenar positivamente e fazer um OK com os dedos antes de se afastar.

Ouvi a porta sendo aberta novamente, mas não dei importância, murmurando um agradecimento ao rapaz, que sorriu de volta. Com o canto do olho, vi alguém sentar-se ao meu lado.

“Me vê uma piña, Hope” disse o recém-chegado, que aparentava ter a minha idade ou algo próximo. “Rápido, porque hoje eu não 'to bem!”

“E existe algum dia em que você esteja, Suga?” riu o outro, preparando com destreza o tal drinque.

“Existia, antes de ter que lidar com você” ele revirou os olhos sarcasticamente. “Hoje, o filha da puta do NamJoon esqueceu de aparecer. Aposta quanto que o namorado dele resolveu não dar hoje, mas distribuir?”

Virei o rosto para o ouro lado, segurando um siso que soaria alto me perguntando se seria o mesmo NamJoon que me ferrara ao me colocar para fora de casa com os escandalosos gemidos de Jin. Se fosse, eu e o tal desconhecido estávamos no mesmo barco.

Eu e NamJoon morávamos juntos há quase dois anos, desde que comprei o apartamento próximo à faculdade e ele, meu melhor amigo desde os dez anos de idade, se mudou comigo, já que estudávamos na mesma faculdade, embora em cursos diferentes. Enquanto eu ralava em Arquitetura, o mais velho tentava Línguas Estrangeiras e Comunicações ao mesmo tempo.

O platinado – agora arroxeado, já que encontrara uma tinta lilás semana passada, a qual amara, tal qual seu namorado –, porém, acabara começando um relacionamento sério com alguém antes de mim, e, para minha sorte e surpresa, Jin, apelido de SeokJin, era extremamente fofo, gentil, carinhoso e tratava seus amigos mais novos, principalmente eu, como se fosse a mãe deles. Não estou reclamando, muito pelo contrário. Mas, como eu já disse, minha sorte é bem filha da puta. Ele era uma mãe tão escandalosa entre quatro paredes que, por vezes, sequer parecia que havia uma parede nos separando.

Acredite quando eu digo que foi bem mais de uma vez que os vizinhos interfonaram para reclamar, embora no começo perguntassem se estava havendo uma orgia ou sessão de BDSM ali. Hoje em dia, apenas perguntam se podem gemer mais baixo ou ameaçam chamar a polícia.

A expressão figurativa “entrou no cio” deve ter sido criada por alguém que já namorou um dos Kim's da parte de Jinnie-omma, porque, meu Deus!, alguém cale a boca dele!

“O senhor está bem?” o barman, a quem o outro homem se referiu por Hope (acredito ser um apelido, porque teria muita pena dele se sua mãe realmente tivesse lhe dado esse nome, por mais foda que seja), perguntou, com um sorriso maroto brincando nos lábios.

“Hã?” levei alguns segundos antes de perceber que ele se referia a mim, e tanto ele quanto o outro rapaz me observavam atentamente. “Sim, algum problema?”

O outro cliente, o qual ainda não havia parado para prestar atenção, soltou uma risada nasalada que me fez olhar, finalmente, para seu rosto.

E que rosto!

Não que o padrão de beleza das pessoas com que eu convivia fosse baixo, pelo contrário, lembrem-se de SeokJin! Mas, socorro, foi a primeira vez em que vi alguém tão branco, com olhos tão afiados e sorriso tão doce, tudo junto na mesma pessoa, e isso deu uma boa – ótima – mistura.

O desconhecido, chamado de Suga pelo barman, tinha os olhos castanho-escuros, agora apertados pelo sorriso que adornava os lábios finos, mas cheios. A pele branca parecia papel, mas não de uma maneira doentia. Devia ser poucos centímetros mais alto, bem pouca coisa mesmo, mas o ar de superioridade que exalava, visivelmente sem querer, indicando ser um alfa, fazia pensar que era mais alto ainda. Trajava uma camisa branca lisa, uma jaqueta jeans, calças do mesmo material, mas com lavagem mais clara, e um Converse vermelho. Uma touca preta escondia os cabelos, deixando apenas a franja platinada de fora.

“Não, nada” o recém-descoberto loiro respondeu pelo moreno, levantando o copo e bebendo um gole antes de continuar: “Só que você está com uma cara de que fumou alguma coisa.”

“E tudo bem que isso seja um bar, lugar de bêbados, coisa e tal, mas realmente não gosto de pessoas que usaram substâncias, lícitas ou não, no meu bar” o outro continuou, com um sorriso meio estranho.

Juntei as sobrancelhas, confuso.

“Tenho quase certeza de que estou limpo...”

“Quase?” o cliente gargalhou enquanto o garçom falava, sem parar de sorri, mesmo que a voz soasse indignada.

“Pois é” dei de ombros, apoiando os cotovelos no balcão. “Não sei se você colocou algo aqui...” indiquei com a cabeça para a garrafa em minhas mãos.

A risada alta do cliente pareceu aumentar ainda mais, ao que o tal Hope riu junto, mas bem mais baixo.

“Desculpa aí, cara” ele disse, erguendo as mãos na frente do corpo em sinal de rendição. “É que você realmente parece meio fumado, sabe?, olhando para o nada desse jeito.”

“Mano, eu sou estranho” apoiei o rosto em uma das mãos, ao dar ênfase no verbo, rindo fraco para os dois. “Só estava pensando num negócio...”

“Já ouviu falar que barmans são os melhores psicólogos e conselheiros?”

“E os amigos deles também?” o outro intrometeu-se, recebendo uma cotovelada muito bem dada do moreno à minha frente.

“Ignore o YoonGi. Ele é muito intrometido assim mesmo. Voltando ao assunto, eu sou HoSeok, mas pode me chamar por Hope ou Hobi, como já deve ter ouvido ele falar hoje.”

“O Hobi é meu, vai dar ele para qualquer um desse jeito, sem mais nem menos?” YoonGi pareceu ofendido. Mas só pareceu mesmo, pois logo tomou um longo gole da sua bebida e voltou a prestar atenção em nós.

“E você?” disse o alfa moreno. “Tenho a impressão de que nunca te vi por aqui, ou você já veio alguma vez?”

“Não costumo vir para esse tipo de lugar...” consegui formular, baixo, agora antes que o loiro me interrompesse. “Sou TaeHyung, chame do que quiser...”

“Então, TaeTae” Hobi continuou, ignorando, assim como eu, o comentário de YoonGi sobre eu ter um belo nome. “O que te trouxe ao meu reles e humilde bar a essa hora da noite?

Dei de ombros, bebendo mais alguns goles da bebida gelada. Puxei as mangas do cardigã, deixando apenas as pontas dos dedos aparecerem.

“O namorado do meu colega de apartamento entrou no cio. Não consegui dormir e fui dar uma volta pelo quarteirão.”

“Quem diabos resolve dar uma volta às três da manhã?!” o loiro quase bradou, gargalhando.

“Alguém que não aguenta mais ouvir o quanto o NamJoon fode gostoso.”

Virei a garrafa de novo, olhando fixamente para a frente, podendo ouvir as risadas escandalosas dos rapazes próximos a mim, em conjunto.

“E alguém que teve o celular roubado, mas se recusa a voltar para casa enquanto o Jin parece uma cadela.”

Os dois pareciam que iam cair no chão de tanto rir, sem parar dee gritar, conseguindo chamar a atenção dos outros três clientes ali presentes, mas que pareceram ignorar. Sinceramente, me perguntava como aqueles dois poderiam pensar que eu sou mais doido que eles.

Parece que não se pode ser distraído e avoado hoje em dia. Nem ter cabelo rosa e olheira.

“Caralho, garoto!” o loiro berrou, entre gargalhadas soluçadas que davam a impressão de que ele não estava se divertindo, mas se engasgando. “Você está quase tão fodido quanto eu! Só falta ser o mesmo Kim NamJoon e SeokJinnah.”

Ele virou a bebida, o rosto branco como açúcar pintado de vermelho pelos risos.

“Kim NamJoon e Kim SeokJin” murmurei, voltando a me absorver em pensamentos novamente, agora sobre a real cor das zebras.

Afinal, qual a cor daquelas porras?

Antes que conseguisse chegar a algum resultado, sobre serem brancas som listras pretas ou pretas com listras brancas, um grito de HoSeok me despertou dos devaneios.

“Puta que te pariu, Min YoonGi!” bradara ele.

Minha atenção voltou-se para o grito, onde levei alguns segundos para perceber seu rosto encharcado, assim como a gola de sua camisa agora quase transparente. Mais alguns segundos se passaram para que eu ligasse os pontos e perceber também a cara do loiro, que agora me encarava estupidamente.

“Estamos falando dos mesmos NamJoon e SeokJin?” indagou, incrédulo, voltando ao tom pálido de antes.

“O pseudo-africano e a Princess Pink?” arqueei a sobrancelha.

Hobi desatou a rir novamente, ao passo que tentava se limpar com o pano de prato fedendo a álcool. O alfa loiro soltou uma risada nasalada, bebendo todo o líquido do copo de uma vez só.

“Garoto” ele chamou, levantando um dedo para o alto, lambendo os lábios. “Essa rodada é em homenagem à nossa sorte. Hobi, dois Bloody's com Balkan pra agora! Com aquele licor, você sabe qual!”

“Certeza?” o garçom pareceu indeciso. “Ele não me parece que aguenta essa barra de uma vez...”

“Amigo da Princess, amigo meu. Por minha conta. Vai logo, Hobi!”

O outro levantou as mãos em frente ao corpo, rendido, se pondo a preparar as bebidas com habilidade. Levou dois minutos, colocando os copos na nossa frente.

“À sorte!” YoonGi berrou, levantando seu copo.

“À boa foda do Nam e do Jin-ah!” continuei, arrancando outra gargalhada dos dois.

Viramos o copo ao mesmo tempo.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^
Comentem, curtam, sla ~.~
Byjos ♥