E o jogo começa.
2 A primeira impressão.
Chegamos ao prédio uma meia hora depois. Kate me disse que eu tinha que conhecer o laboratório de uma tal de Abby, que ela ficaria me fazendo companhia até que eles decidissem o que aconteceria comigo.
– Jessy, já te aviso, Abby não é uma pessoa muito comum – disse ela – ela é uma cientista brilhante, e uma ótima amiga.
– Hm – eu murmurei, ainda pensando o que “não muito comum” significaria.
Entramos e passamos pela porta, e então eu vi o que Kate quis dizer. Abby estava de costas, ela usava um avental, comum de cientistas, mas por baixo ela usava uma micro saia, e uma blusinha de caveiras, tinha muitas tatuagens, usava uma bota muito alta e com tiras, e estava com os cabelos presos em marias chiquinhas bem no alto da cabeça. Ela se virou para nós e eu vi que ela tinha um rosto muito bonito. Não sabia bem o que dizer, então fiquei escutando Kate falar com ela:
– Abby, esta é a nossa testemunha... Aquela que nós estávamos te falando — disse Kate.
– Olá, Abby – disse, estendendo a mão e morrendo de vergonha.
Ela simplesmente olhou para a minha mão e olhou pra mim, eu imediatamente a recolhi, olhando para Kate, ela estava calma e sorrindo. Isso me trouxe um pouco de tranquilidade. Mal me virei de novo e Abby – que estava com algum tipo de refrigerante em mãos – me abraçou, do nada. Meu braço doía, mas eu não disse nada. Eu fiquei, digamos, surpresa e olhei novamente para Kate, e ela cochichou um “eu te disse” bem baixinho.
– Awn, tanta coisa para uma pessoinha deste tamanho, vem cá, me diz como você se meteu nesta encrenca toda? – Disse Abby, me olhando com algo que parecia gentileza.
– Bom... – comecei, mas então Kate disse que tínhamos que fazer o retrato falado, e se despediu, dando uma ultima olhada para ver se eu e Abby estávamos indo bem, e se foi.
Passadas algumas horas, eu e Abby já tínhamos feito o retrato falado e ficamos jogando conversa fora, ela me perguntava todo tipo de coisa sobre o Brasil, sobre os brasileiros, e eu perguntava tudo sobre seu trabalho, e assim acabamos nos dando muito bem, tanto que quando o chefe veio me buscar, eu não queria ir, queria conversar mais, mas pela feição dele, achei melhor não contrariar. Havia algo nele que me fazia respeita-lo e parece que aos outros também. Ele me disse que a diretora gostaria de falar comigo, eu fiquei com um pouco de receio, afinal, não podia ser coisa boa.
Entrei, e para a minha alegria, lá estavam Kate, Tony e um novo policial, ele se apresentou como Mcgee, e Dinozzo disse algo como “Lorde dos Elfos” eu fingi que não ouvi, não queria criar inimizades com ninguém, mas no fundo, achei engraçado. A diretora era ruiva, tinha grandes olhos azuis e era muito bonita. Ela abriu um grande sorriso e veio até mim, então se abaixou um pouco para falar comigo, parecia, pela sua expressão, que ela estava evitando dizer algo.
– Olá querida, meu nome é Jeniffer Shepard, mas pode me chamar de Jenny – ela disse, olhando para mim com uma expressão calma – A agente Todd deve ter te contado, que o homem que está atrás de você, não é um assassino qualquer, certo?
– Certo – eu disse, tentando entender onde ela queria chegar.
– Bom, não podemos deixa-la sem proteção alguma, então, você passara um bom tempo conosco. Não se preocupe, eu já falei com a sua mãe e com sua tutora, elas estão de acordo que assim será bem melhor para você – ela se virou para os agentes atrás de nós – Aqui estão meus melhores agentes, você ira morar com um deles pelos próximos meses, até acharmos que é seguro você voltar para o Brasil. Portanto, você pode escolher com quem vai querer passar todo esse tempo. E eu devo avisar, que o agente escolhido – ela olhou para eles, dizendo isso – ganhara um aumento considerável no salario, pois será visto como hora extra. Ok querida, você pode escolher.
Eu olhei para todos eles, Dinozzo que parecia muito desinteressado de ficar de baba de uma garota de 15 anos, pareceu se animar assim que Jenny disse a palavra ”aumento”. Ele se adiantou na frente dos outros e disse:
– Bom Jéssica... Eu já protegi nosso chefe, Gibbs, de um possível sequestro e ele não tem do que reclamar! – Kate o olhou, parecendo indignada, e Mcgee fez o mesmo.
– Jéssica – disse Mcgee – eu já protegi a diretora, não é mesmo? – Jenny confirmou com a cabeça e sorriu.
– Bom... – eu comecei, mas Kate me interrompeu.
– Eu já protegi o presidente! — ela disse, parecendo triunfante.
– WOW – eu disse – Desculpem rapazes, mas Kate levou essa!
Eles todos riram, e ela me disse para arrumar minhas coisas para ir embora, eu desci e dei de cara com Gibbs na escada, esbarrei nele e ele estava com um café nas mãos. Eu me senti horrível e me abaixei para pegar o copo, mas quando olhei para trás Kate, Mcgee e Tony estavam me olhando como se eu tivesse cometido o pior crime de todos. Kate puxou meu braço bom para longe do Gibbs, e os outros dois correram pra baixo, sem olhar para trás, Gibbs olhou para Jenny e eu tive certeza que ele revirou os olhos. Kate pegou uma das minhas malas e me jogou dentro do elevador, dizendo que fora um acidente e que ele não se importara. Dentro de alguns minutos, chegamos a casa dela.
Eu demorei bastante tempo para dormir nesta noite, mas não foi por falta de sono, eu e Kate descobrimos que tínhamos muita coisa em comum, e ficamos conversando até muito tarde. Eu acordei antes dela e quase dormi de novo, mas se Kate se atrasasse para o trabalho, o chefe ia mata-la. Então escovei meus dentes e fui chama-la. Ela acordou e disse que estava atrasada, então saímos bem rápido. Chegando ao NCIS, Dinozzo me perguntou varias coisas sobre a casa dela, provavelmente ela nunca o convidara para ir fazer uma visita e ele estava com um pouco de ciúmes. Ou era só curioso mesmo, o que achei mais provável. Kate trabalhava muito, então eu passava a maior parte do tempo conversando com Jenny ou Abby, as duas também tinham trabalho, mas Kate realmente não parava na própria mesa, Gibbs pedia coisas a ela o tempo inteiro, e ela parecia sempre cansada. Foram se passando semanas, e ninguém tinha nenhuma pista sobre o tal assassino. Eu me lembrei alguns dias depois que fiz o retrato falado, que na bolsa que ele carregava, havia um grande M vermelho, e achei que poderia ser parte do nome dele, ou algo assim, mas Abby já tinha terminado sua busca com M’S e não achou nada, e estávamos todos esgotados, quando Dinozzo teve uma idéia:
– Que tal se fôssemos todos na casa da Agt. Todd e jogarmos algo, comermos uma pizza e relaxássemos? Só um pouco, pra variar?
– Legal, eu acho que seria legal! – respondi, animada que alguém quisesse se distrair um pouquinho de tudo aquilo.
– Claro, podemos sim – Disse Kate, e então olhou para Gibbs – Hm, Gibbs você vai?
– Claro, um assassino solto e eu vou sair pra comer pizza! – ele disse, parecendo indignado.
– GIBBS, EU NÃO DURMO HÁ SEMANAS! – Disse Kate, parecendo realmente brava.
E então, ela me disse que iríamos embora, e não se despediu de ninguém.
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