E isso não é nenhuma metáfora.
1 Metáfora
Você é um filho da puta, Augustus Waters.
Foi uma bela sacanagem ter morrido agora. Não podia esperar mais um pouco? Eu queria ir com você, porra. Agora tenho que agüentar minha mãe me enchendo com antidepressivos e Hazel Grace chorando no telefone ás 4 da manhã. Eu não sei por que simplesmente não desligo. Talvez porque eu sei que ela te amava tanto quanto eu e que provavelmente precisa de alguém pra ouvi-la chorar.
Monica arrumou um namorado novo.
Ele tem dois olhos e isso me magoou pra cacete.
Não sei por que você fez isso comigo, Augustus – perceba que estou te chamando de Augustus e não de Gus, quero te mostrar o quanto estou puto- mas peço que me espere aí no céu – ou no inferno- acho que irei partir logo. Só ficarei nesse plano até Hazel Grace se casar e esquecer o namorado perneta e o cara cego. Eu não quero que ela sofra como eu estou sofrendo, cara.
Você era meu melhor amigo e eu te amava muito. Eu sei. Isso é muito gay, mas não muda em nada o que eu sinto. Você sabe disso.
Por favor, Augustus Waters, me espere.
Nunca terei um amigo feito você. Um amigo que eu gostava a certo ponto de ter o esforço de pedir pro meu pai digitar uma carta pra ele. Sim, meu pai está digitando. Mas as palavras são minhas. E você sabe: Palavras de cego são muito mais profundas do que as palavras de pessoas comuns com o dom mundano da visão.
Cara, eu vou sentir saudade.
Das suas piadas sobre basquete, de jogar videogame – e salvar as criancinhas mesmo que isso custe à vitória – e de jogar ovos no carro da Monica. Vai ser difícil conhecer outro cara que me deixe quebrar seus troféus ou que namore uma Natalie Portam milenar – Sim, eu me lembro de quando me contou isso.
Lembra quando eu disse que não queria ver o mundo sem você? Então, eu estava mentindo. Porque, Augustus Waters, no momento do seu enterro eu queria ver o mundo. E quero até agora. Queria sair na rua olhar nas caras das pessoas e ver que nenhuma delas é você. Isso me deixaria triste pra caralho, mas me ajudaria a aceitar.
Eu te amo, Augustus Waters, e isso não é nenhuma metáfora.
Isaac, seu melhor amigo cego.
Fale com o autor