E de repente Um Amor

6 Capítulo 6 - Mas eu me mordo de ciume


Anne

Passei de ano por um fio, o Pedro me ajudou nas matérias mais difíceis, e graças a ele estou indo para o 2° ano do Ensino Médio. Pedro iria pro 3° ano, e logo, logo iria se formar. Mas no momento quem estava se formando era a Alicia, minha pequena, uma das minhas melhores amigas, formatura dela seria no dia seguinte às 21h, e meu amor vai comigo, com toda certeza.
— Alô, Pedro?
— Oi meu anjo.
— Tudo bom?
— Sim e com você?
— Eu estou ótima, ei, liguei pra te lembrar que amanhã tem a formatura da Alicia e você me prometeu que iria.
— Claro amor, eu não esqueci não. Passo pra te pegar que horas?
— Às 20h30min pode ser?
— Estarei ai. Vou desligar, minha mãe quer que eu a ajude com umas roupas velhas que ela tem guardada.
— Tá bom meu anjo, beijos, te amo.
— Também lhe amo.

Pedro.

Eu tinha total e absoluta certeza de que a Anne estava me ligando pra falar da formatura, ela achou que eu havia esquecido, porque mulher tem essa mania boba de achar que homens esquecem as datas? Absurdo! Eu me lembro de todas as datas certinho, como por exemplo, o dia do aniversario de namoro, é dia… Dia… ah, não lembro o dia mas sei que é mês… Mês…
— Maio, filho! MAIO!
— Obrigado mãe.
Eu sabia que era em maio, é que fugiu da minha cabeça na hora, só isso. Ok, eu posso até ter esquecido o dia do nosso aniversario de namoro, e o mês poderia até ter ‘’fugido’’ da minha cabeça, mas eu sei a data de até quando irei ficar com a Anne, e essa data é eternamente. Eu sei que ‘’para sempre’’ é muito tempo, mas eu não me importaria de passar todos os dias da minha vida ao lado dela.

Anne

Depois que desliguei o telefone, fui até a lavanderia onde deixei meu vestido que iria usar amanhã, eu já tinha em mente todo o meu ‘’figurino’’, era obvio que iria de vestido e all star. Hoje seria um daqueles dias apressados no qual eu não iria me encontrar com o Pedro, por isso deixei uma mensagem em seu celular dizendo que iria pegar o sapato dele na loja.
Dia seguinte passei a manhã inteira no calereiro , fiz as unhas, arrumei meu cabelo. Até parece que a formatura era minha e não da Alicia. Fiquei a tarde no computador, sabe como é, a gente tem que parar um pouco pra twittar.
Comecei a me arruma mais cedo, não queria me atrasar e nem deixar meu namorado me esperando muito tempo. Mas parece que não funcionou muito meu ‘’plano’’ de me arrumar mais cedo.
A campainha toca.
— Já vai, já vai. – Diz minha mãe toda apresada. — Oi Pedro, a Anne está acabando de se arrumar e já vem, entre, o Lúcio está na sala, vá lá com ele.
— Obrigado dona Marta.
Consegui ouvir do meu quarto, eu só estava acabando de me maquiar e já estava descendo.

Pedro

Confesso que já sabia que iria ter que esperar, mulher é sempre assim, faz o homem esperar até 4 horas. Sentei-me no sofá ao lado do pai dela. Até que minha princesa não demorou muito para descer as escadas.
— Vou descer hein!
— Pode descer minha filha – Disse dona Marta ao se apoiar no corrimão das escadas.
Ela estava linda, perfeita como sempre, aquele sorriso maravilhoso, aquela boca, aqueles olhos, tudo nela, só me fazia ama-la como nunca amei ninguém.
— Ela está linda não? – Disse Sr. Lúcio.
— Sim, está maravilhosa.
Ela deu uma voltinha toda tímida e me beijou o rosto. Apesar de tamanho amor, tínhamos vergonha de nos beijarmos na frente de seus pais, e eu também acho falta de educação.
— Vamos meu amor?
— Sim, vamos.
— Juízo em crianças. – Disse dona marta.
— Pode deixar mãe.
— Tchau Dona Marta, tchau Lúcio.
Fomos a pé até o salão de festa que não era tão longe dali.
— E então meu amor, como estou?
— Maravilhosa como sempre!

Anne

A Carol já estava na porta, acho que ela estava me esperando.
— Que demora Anne, estava fazendo o que? Se preparando para a 3° guerra mundial?
— Que exagero Carol, eu estava me arrumando para ficar linda e maravilhosa para o meu namorado, inclusive, é bom ser educada e falar oi pras pessoas.
— Oi Pedro. Satisfeita?
— Melhor assim. – Disse dando uma risadinha.
Ela riu e em seguida disse:
— Vem cá, quero te mostrar como a Alicia está.
— Mas e o Pê?
— Os meninos estão ali, eu vou lá com eles, pode ir meu anjo.
— Vai ficar bem com eles meu amor?
— Vou sim minha vida.
— Vishe que melação, vamos logo Anne, depois vocês se melam de novo.
Dei-lhe um beijo na boca e fui com a Carol até o trocador onde a Alicia estava.
— Anneeeeeeeeeeeeeee. – Disse Alicia toda animada – E então, o que achou?
— Linda de mais Alicia!!
— Ai, obrigada Anne. E o Pedro, cadê?
— Ele foi andar com o Jonan e os meninos.
— Me disseram que quando o Jonan fica bêbado é uma loucura. – Carol falou com uma cara meio safada, depois deu uma risadinha e continuou – Mas, todo mundo sabe que o Jonan é louco por você Anne.
— Deus me livre, o Jonan não é dos melhores partidos, e eu sou apaixonada no Pedro, A-P-A-I-X-O-N-A-D-A.
— Outro fato. – Disse Carol dando uma risada bem alta.
Rimos juntas e depois a Alicia disse:
— Vamos meninas, vamos dançar que a noite vai ser longa.
Ela não estava brincando quando disse que a noite ia ser longa, bebi moderadamente, mas o Pedro exagerou um pouco, literalmente o Jonan era uma má influencia.
Já era quase 3 da manhã, e na pista ainda tinha muita gente.
— Anne, vou pegar mais alguma coisa pra beber, quer?
— Me trás um refrigerante Carol, por favor.
— Claro.
Foi ela me dar as costas e o bêbado e nojento do Jonan me aparece.
— E ai Anne, como vai a princesinha?
— Sai daqui Jonan você fede a álcool.

Pedro

— Ei, Pedro acabei de ver o Jonan com a Anne.
— O que Fabricio?
— O Jonan com a Anne.
— Fala mais alto, não da pra ouvi muito com esse som.
— O JONAN COM A ANNE.
Só deu pra ouvir Jonan e Anne, mas com certeza não era uma boa coisa, esse menino é louco pela minha menina desde sempre, só pensava em uma coisa, achar a MINHA Anne.
— Que isso Anne, todo mundo sabe que temos um caso. – Jonan disse com aquela cara de merda que só ele tem.
— Não temos um caso, para Jonan, você está bêbado.
Ele lambeu o rosto da minha princesa.
— Que nojo Jonan, sai de perto de mim.
Fiquei sego de ciúme, sai correndo o agarrei pela gola de sua camisa.
— Que foi moleque não ouviu ela dizer pra você sair de perto dela?
— Ih o que é que foi? A menina está livre na pista, é chifrudo e quer pagar um de protetor?
— Olha aqui seu palhaço ela é minha namorada, e está acompanhada.
— Olha ai pessoal, a menininha está acompanhada, então como é que eu a encontrei aqui sozinha?
— Eu estava com a Carol. – Disse Anne.
— Fica quieta Anne, a gente conversa depois, esse assunto aqui entre eu e Jonan. – Estava cego e surdo de raiva.
— Olha o jeito que você fala comigo Pedro, sou sua namorada não uma das suas vadias. E esse assunto desrespeita a mim também.
— Gente aqui não é lugar de DR por favor, vamos lá pra fora. – Carol falou em um tom mais baixo, como se quisesse amenizar o tumulto.
— Não saio daqui em quanto não resolver as contas com esse babaca – Eu disse em som alto.
— Pelo jeito eu não sou o único babaca, você desrespeitou sua namorada em publico Pedro. – Jonan sabia como provocar.
Anne estava chorando, não gostava de ve-la chorar, a cena que vi dela chorando só estava me deixando com mais raiva.
— Eu não vou ficar aqui passando esse mico, não mesmo. – Anne saiu correndo com as mãos no rosto.
— Anne espere, Anne! – Sai correndo atrás dela, não poderia vê-la assim.
Puxei-a pelo baço.
— Anne, por favor me ouve.
— Não Pedro, sai, eu sei me defender, você foi grosso comigo.
— Anne me escuta, eu não queria ter sido grosso com você.
— Mas foi, Pedro você tentou me defender, ótimo te agradeço, mas você me desrespeitou.
— Anne vamos conversar.
— Não Pedro, me solta.
— Anne vamos conversar e é agora!
— Pedro você está me machucando me solta!
— Não vou te soltar em quanto não conversarmos direito.
— Me solta Pedro, não quero conversar com você.

Anne

Pedro foi apertando meu braço cada vez mais forte, eu tentava tirar as mãos dele de cima de mim, mas ele continuava me puxando e me apertando.
— Anne, você não vai sair daqui! Nós temos um compromisso, não vou te soltar, você é minha, MINHA namorada.
— Era Pedro ERA, passado! Depois dessa noite, e de tamanha idiotice sua não sou mais.
Ele foi soltando meu braço de leve e disse em um tom de voz mais baixa:
— O que quer dizer com isso?
— Que tudo acabou Pedro. Tudo termina aqui.
— Anne, mas e nossa história de vida?
Com lagrimas nos olhos digo:
— Acabo Pedro, Acabou a partir do momento em que você me desrespeitou, tudo acabou.
— Anne não faz isso, pense na gente.
— Você não pensou na gente quando me mandou ficar quieta nem quando machucou meu braço não é?
— Anne…

Pedro

Já era tarde para falar algo, ela saiu correndo, eu não estava acreditando nisso, não estava acreditando que meu ‘’para sempre’’ acabava ali, não dava pra acabar ali, não podia acabar ali, eu não conseguiria viver sem a Anne, a minha Anne que não era mais minha. Tudo isso, por causa de um inútil e idiota, e não estou falando do Jonan, estou falando do ciúme, porque o ciúme faz isso com as pessoas? Eu machuquei minha Anne e não percebi, não podia acabar assim, não dava pra acabar assim.

Anne

Não podia entrar em casa assim, chorando, fui até a pracinha, peguei um cigarro que tinha na bolsa e o acendi, fiquei ali durante 1 hora, refletindo, chorando e pensando no Pedro, pensando em tudo o que havia acontecido, talvez era pra ser assim, talvez realmente era pra acabar, ele foi idiota comigo. É claro, é obvio, todo mundo sente ciúme, uns menos outros mais, só que o Pedro foi estupidamente idiota, me senti como apenas uma menina que ele acabou de conhecer, ele me mandou calar a boca, isso não é coisa que se diz a uma namorada, eu não queria o ver nem pintado de ouro, pra mim, naquele momento, Pedro estava morto!
Entrei em casa e fui para o meu quarto deitei em minha cama, e chorei até dormir assim como era de costume.