Notas iniciais
*Loreena McKennit - Emmanuel

Entrou no outro salão, pisou nas tábuas que rangiam. Viu o divã, foi até ele e cansada deitou-se. Encolhido de lado virou seu rosto para cima e visou o teto. Era velho de madeira. Era desgastado. Estava cansado. O teto estava exausto das almas que via lá de cima: uns chegavam, prostravam-se diante do senhor da casa e clamavam alto em silêncio; outros distantes, nas últimas cadeiras, tímidos e temerosos ajoelhavam de cabeças baixas e suplicavam humildemente. Observava-os atento a todos os gesto e expressões, tentava imaginar o que lhes passava na alma, o que lhes era tão angustiante ou que lhes faziam “superior”.

Mas tinha-os como crianças ingênuas que não sabem o que fazem como uma vez disse o anfitrião tempos atrás. Eram tolos.

O teto viu o tempo passar e, juntos a seus alicerces e suas paredes, observou as pessoas saírem e irem embora. Algumas não mais voltavam.

Viu principalmente, um dia, o filho primogênito e herdeiro, sentar-se no batente do altar com o braço no joelho apoiando o rosto e olhar desoladamente o último que saía e fechava a porta. Pode pensar que ouviu-o dizer: “Eu tento, pai. Estou tentando.”, depois suspirar e levantar.

O lugar entristeceu-se e foi-se acabando. Desesperançoso, não pensava que mais alguém lembraria dali. E adormeceu enquanto o tempo fincava seus anos.

Mas estava ele ali, um vulto simples, com piedade e afeição contemplando o altar, cada detalhe da madeira entalhada. Sentiu encher-lhe os olhos com lágrimas de dor de amor.

Foi o tempo necessário para que pensasse aonde tinha chegado. Andara longe, mas andara pouco. Então lhe foi pedido mais, assim continuou.

Acarinhava o tecido aveludado na cadeira e de olhos fechados inspirou o ar antigo. Levantou.

Quis tentar alguns passos, mas hesitou, enquanto olhava para o homem sério e sereno no altar – ele olhava com parcial interrogação, mas não cobrava, parecia paciente.

O espectro prosseguiu.

Notas finais
Desculpa as Fotos imensas, mas foi como consegui. Prometo que vou parar de anotar besteiras. °-°