Notas iniciais
Eu percebi que havia postado duas vezes o mesmo capítulo, mas não apaguei antes por preguiça e porque consegui ficar de castigo again.

POV — Percy

Digamos que ganhamos um minuto de silêncio...

–Dá pra responder?! — Nico grita. Bom te ver também, cara...

Luce está atrás de mim e acho que seriamente assustada.

–Bom te ver, Nico. -Annabeth diz.- Estávamos brincando aqui, se isso te interessa. Por isso as amarras. — Annie aponta.

–Jogos de guerra? Achei que estava na hora do jantar. — Ele diz, mais calmo.

–Não de guerra. Éramos da época medieval. A propósito, somos os bonzinhos da história. -Digo enquanto me viro e levanto Luce. Ela está tensa e assustada. — Tudo bem, Luce. — digo beijando o topo de sua cabeça, ela agarra meu pescoço. Nico está nos encarando com uma cara totalmente perplexa. — Obrigado, Nico. — ele franze o cenho. — Você sabe, pelo susto e pelos gritos.

–Espera, época medieval? Reis, rainhas, cavaleiros, essas coisas?

–Acho que sim. Legal, não? Sou o ferreiro do rei, tuts tuts tuts... — Leo cantarola, fazendo uma dancinha totalmente ridícula.

– Valdez?! — Nico se senta no chão, seus olhos estão arregalados e seu queixo caído. Ele fecha os olhos. — Eu bebi, bati a cabeça, fui pro Elísio, ou o quê? — ele ri amargamente. — Acho que eu enchi a cara e depois caí de cabeça numa pedra, que me fez morrer e parar no Elísio. Claro, super possível Annabeth Chase estar brincando de época medieval, Leo Valdez estar na minha frente e, Percy Jackson segurando uma garotinha como se ele fosse o pai querendo acalmá-la dos terríveis gritos do monstrão aqui. — Ele aponta para si mesmo, ainda com os olhos fechados. Abre os olhos. — Mas é claro, eu ainda vejo isso.

Annabeth suspira de frustação, Luce o encara como se fosse louco, Elena ainda amordaçada revira os olhos.

– Bem, Di Ângelo, sinto em lhe informar que eu estava brincando, Leo está vivo e Percy está acalmando nossa filha dos gritos que o monstrão aí deu. — Luce e eu franzimos a testa quando ela diz que a pequena é nossa filha. Annabeth pisca para nós. — Mas você não teria como saber, porque não dá sinal de vida a séculos. Will ficou preocupado no início, mas superou e já partiu para outra. — Annie está brincando com ele, mas ele fica atordoado e perdido.

–Fi- filha? — ele pergunta gaguejando. — Vocês casaram? Se fosse um bebê eu poderia entender que vocês visitaram o chalé 69 durante o ano e houve um incidente, mas... essa garota tem o que? Quatro anos?

–Tenho cinco e quase seis! — Luce ralha indignada.

Nico mostra a língua para ela e faz careta. Parece que nem todos podem se dar bem de cara.

– Que seja pirralha. É meio que impossível e... Pera aí, Will fez o quê?! — Parece que foi agora que ele lembrou dessa parte.

– Nico, você não voltou por seis anos! — Annabeth diz com uma pontada de diversão por maldade, todos nós rimos exceto Luce. Ás vezes Nico é muito literal. Acho que ele enfim entendeu a brincadeira pela sua cara.

–Você é muito burro, Nico. — Mariana diz em meio ás suas gargalhadas.

–Cala a boca experiência mal sucedida. — Ele lança como veneno para ela. — Haha, você é uma idiota Annabeth. — Ele revira os olhos e se vira em direção ao refeitório.

Luce se mexe inquieta, ela está séria.

–O que foi? — Pergunto. Ela me olha e levanta uma sobrancelha como se dizendo não-está-totalmente-evidente?

–Só não achei certo isso. Ele ficou realmente assustado e confuso, você sabe. Ele não gostou de mim também por sinal.

–É o jeito dele, antipático. Depois de um tempo ele fica melhor . Porque disso aqui? — toco entre suas sobrancelhas, onde se forma um pequeno V.

–Um pensamento, apenas... — seu olhar se perde por um segundo. — Me põe no chão, por favor? — A desço. Ela está tensa e penso que um pouco triste.

Me abaixo para ficar com o olhar na altura do dela.

–Ei, o que foi? — Pergunto preocupado, querendo saber o motivo de sua repentina mudança.

–Nada. — Ela baixa o olhar.

Os semideuses estão saindo do refeitório e indo em direção á praia. Está na hora da fogueira, tinha me esquecido de que está sendo feita na areia devido aos estragos na arena que Mariana e Christian não terminaram de arrumar. Foi ao menos um castigo justo.

Leo desamarrou a todos e eles nos fitam, eu não havia percebido até então.

–Vamos? — Annabeth chama com olhar inquisidor, mas cautelosa.

–Sim. — Luce diz e pega a mão de Thomas.

O que ela tem?

Todos começamos a nos mover , acho que o clima fica mais pesado. Luce e Thomas estão mais á frente.

Pego Elena pelo cotovelo. Ela puxa o braço irritada. Sei que ela não gosta de mim, mas preciso saber...

–O que você quer? — Elena diz, ríspida.

–O que aconteceu com Luce? Ela mudou de repente. — Acho que ela vê meu pequeno desespero pois seu olhar amolece.

–Quem dera eu soubesse, Percy. Ela simplesmente se perde assim ás vezes. Acho que é quando ela se lembra do passado... Eu não deveria te dizer nada, com licença. — Elena se lança mais à frente, pondo um ponto final a nossa curta conversa.

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Após um discurso de Quíron de dez minutos (que foi curto comparado ao tempo que ele geralmente gasta) de como estava satisfeito por Luce ter acordado e demais coisas sobre o acampamento, quatro semideuses foram reclamados. Eles chegaram em uma equipe de resgate de madrugada.

Como não temos nenhum estandarte estendido, todos estão espalhados.

Mariana e Will Solace comandam a cantoria da noite. Isso quer dizer que teremos músicas de diferentes tipos e interação com o público. Conheço Mariana e sei que ela irá querer fazer disso seu pequeno show particular.

–E para os casais, a nossa noite pode ter uma pequena homenagem. Bem, não totalmente uma homenagem mas dá pra dançar agarradinho. — Mariana diz totalmente eufórica.

–Bom, queremos que vocês dancem um pouco, que tal? — Will chama. — Vamos lá pessoal, arrumem sua conjunção! Dancem com seu crush seja quem for! Se não tiver crush podem utilizar um amigo, um irmão... De pé, sem moleza!

–Que tal Annie? — Pergunto para ela.

–Se não pisar no meu pé tudo bem. — Ela me oferece a mão para levantá-la.

Mariana começa a cantar Anything Goes, fazendo um pequeno dueto com Will.

Giro Annabeth e ela ri.

–Acho que você pode ser um pé de valsa se quiser, cabeça de algas.

A música acaba e é seguida de Boom Clap.

– First kiss just like a drug, under your influence... — Annabeth canta e enrola os braços em volta de meu pescoço. Nos envolvemos em um longo beijo. Bom, realmente muito bom... Ela sorri para mim quando nos separamos. — Boom clap, you make me fell good, come on to me, come on to me now... — Ela me provoca e mais um beijo... Deuses, que a noite comece! Gostaria muito de uivar para a Lua no momento. Nos agarramos até o fim da música.

–Te amo Annie. — digo dando um último selinho.

–Aposto que eu serei idiota de te amar ainda mais.

–Não, não será não.

–Que meloso. — Christian passa por nós, dando ênfase no meloso.

Annie e eu só podemos dar uma curta risada.

A música do momento é Lucy In The Sky With Diamonds, dos Beatles. Meu pensamento vai para minha pequena Luce, essa música é totalmente dela. Como se em resposta, enquanto Annie e eu nos dirigimos para pegar um pouco de ponche, vejo ela sentada em uma pequena rocha, olhando as pessoas dançarem.

– Espera Annie, preciso ver algo. — Me separo dela, lançando um olhar de desculpas. Me ajoelho na frente de Luce. — Por favor me diga o que você tem, eu não posso te ver assim.

–Já disse que não tenho nada Percy, não deveria se preocupar. — Não sei porque, não me convenceu em nada.

–Ah, tem sim senhora. Vamos Luce, não vai confiar em mim? Você estava tão feliz, e agora assim? Não, não vai ficar assim mesmo. — Pego em sua cintura e a lanço sobre meu ombro direito, ela está mais leve.

–Percy! Me coloque no chão! — ela protesta.

–Não. Você comeu, Lucinda?

–Lucinda?! — Sua voz está descrente. — Desde quando?! — Ela dá pequenos socos em minhas costas. — Me põe no chão! — Grita.

–Desde que você não me responde e está enfezada, eu também posso ficar irritado e te chamar de Lucinda. Não vou te por no chão, desista. Agora me responda se você comeu, mocinha.

–Comi. Me solta!

–Devo sentir ciúmes, Perseu? — Annabeth pergunta quando passo por ela. Ela tem uma sobrancelha arqueada e um grande sorriso.

–Não deveria, mas se quiser eu aceito Chase.- Digo retribuindo o sorriso e pisco para ela.

– O que você vai fazer, Percy? Qual o seu problema? — Luce parou de espernear e me socar.

–O meu problema é ver uma pessoa que amo triste. E respondendo, exijo que dance comigo.

–Não, senhor! — Ela ruge.

–Sim, senhora! — devolvo.

–Chato.

–Obrigado. Do que você gosta? — Pergunto.

–Gosto do que? — Posso sentir a raiva em sua voz.

–Cantor, banda...

–Pra quê você espera que eu responda?

–Posso dar uma sugestãozinha para que toquem para você.

–Sei lá. Lady Gaga? Beyoncé? Iggy Azalea? — Me surpreendo.

–Quem te deixa ouvir isso? — Me indigno, mas confesso que estou divertido. — Não é para sua idade algumas músicas delas, a maioria na verdade.

–Já vi coisa pior... — Sua voz está triste novamente. Parabéns, Perseu! Você acaba de terminar de deixar triste essa criança!

–Vou ver o que posso fazer.

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–Então? — Pergunto para Mariana e Will, eles se entreolham.

–Você sabe que Quíron poderia nos matar. — Mariana diz para Will. — Não temos suporte também, mas acho que posso resolver com uma prole de Hécate...

–Seria perfeito. — Will afirma para ela.

Eles se encaram e posso sentir um tipo de trato demoníaco entre os dois, pelo sorrisinho.

–Considerem feito, meus irmãozinhos fofos. — Ela ri malignamente e saí pela multidão.

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Meia hora mais tarde, após eu ter alimentado Luce com marshmallows e chocolate e ficado junto dela e Annabeth, Will chama.

–Galera, após uma ótima ideia que recebemos, tornaremos dessa noite perfeita, com uma verdadeira festinha. Agradecemos aos chalés de Hécate, Íris, Hermes e Ares pela ajuda com a montagem de um novo palco, equipamentos de DJ e luzes e efeitos. Que tal uma baladinha?! — Todos gritam em êxtase.

– Vem Luce, você me deve uma dança. — Pego ela pela mão e arrasto para o centro.

Os acordes de Black Widow soam fortes. Penso que se dizer viúva negra não será muito perturbador para os filhos de Atena.

–Adoro essa música! — Luce se anima. Bem, acho que por isso eu não ligaria para os filhos de Atena. Vê-la feliz pode pagar tudo.

Olho para o céu e posso ver pequenos pontos negros pairando. São drones?

Luce está se mexendo e tudo para mim está bem, por ela estar feliz.

Quase tudo. Na segunda vez em que a letra chega ao verso like a black widow, baby, várias pequenas aranhas chovem do céu.

Todos os filhos de Atena estão gritando e se debatendo, ao que posso ver.

Merda! Onde está, Annie?! Ela vai enfartar!

–Essa é a nossa vingança por vocês terem estourado as cordas de nossos violões! -Mariana diz no microfone.

–E terem sabotado os microfones para que ficássemos com a voz do Darth Vader, otários! -Will diz no outro.

–E sabemos que foram vocês, alguns dos meninos de Atena! — Os dois dizem em uníssono.

Mas que merda vocês fizeram?!