E Você? aonde Vai?
1 Capítulo 1 - Uma Cidade sem mulheres...
As folhas das árvores dançavam com o vento, e as mesmas, ainda que eternamente paradas, pareciam dançar junto. Talvez fosse aquele lugar, onde, de dia, até mesmo as pedras ganhavam vida com a maneira perfeita que o sol nelas batia.
A floresta tinha uma linda melodia, criada pelos pássaros. Os animais, em completa harmonia com o lugar, comiam e brincavam entre os galhos em paz. Paz... Essa era a palavra que definia o local, fazendo sorrir a pequena Kino, que por ali passava.
– Que lugar tranqüilo – Suspirou a garota, com os olhos fechados, sorrindo – não?! Hermes...
– Sim – Concordou a Moto – Hm... Kino... Para onde estamos indo?
Abrindo novamente os olhos e curtindo o vento que passava pelo seu corpo, passando por seus curtos cabelos e fazendo esvoaçar o seu casaco, a pequena Kino acelera a Moto.
– Para um País muito interessante, disseram que lá é onde se localizam os melhores pratos e as mais deliciosas sobremesas.
A moto faz algo que lembra um suspiro, fazendo Kino sorrir um pouco novamente.
– Que foi Hermes?
– Espero que tenha um bom mecânico lá, meus pneus estão um pouco murchos.
Eles continuam andando, até que avistam ao longe uma grande cidade e param para vê-la. Kino já havia viajado para muitos lugares interessantes, mas aquele lugar era diferente, vendo de longe, podia-se observar que era enorme e cercado por resistentes muralhas.
Ainda bem que estavam altos, ou não poderiam observar a grande quantidade de casas, lojas, ruas e pessoas que estavam lá dentro. Ligando novamente a moto, eles foram ao encontro daquele belíssimo lugar.
Kino sentia o coração pulsando, e a ansiedade consumindo-a cada vez mais, como sempre ficava ao aproximar-se do próximo destino. Mas, ao chegar lá...
– Não poderei deixá-los passar! O porteiro da muralha, com sua mão á frente, em sinal de pare olhava-os bravo, era forte e carregava uma pistola ao seu lado, olhando para Kino de maneira superior. – Infelizmente os habitantes não recebem muito bem os viajantes, terão que dar meia volta...
A garota desce de sua moto, retira seu capacete e óculos de proteção, olhando fixamente para o homem com seus olhos cinza, levemente amarelados.
– São apenas três dias, ouvi falar muito bem a respeito desse país e queria conhecê-lo melhor.
Os dois ficam se olhando, Kino percebe que suas palavras, de alguma forma, fizeram algum efeito nele. Os olhos antes rígidos e calculistas do homem á sua frente, pareciam mais felizes agora e ele pareceu orgulhar-se muito de morar num lugar que outros vêem com bons olhos.
– Bem, já que é assim. Eu acho que não tem problema deixa-lo ficar.
Kino sorri de lado e volta a subir em Hermes. As pessoas gostam de receber elogios, ela sabia disso. Dando impulso, liga a moto, que começa a fazer o famoso barulho de motor em funcionamento. Observa atentamente o homem puxando uma grande alavanca e abrindo a porta, para então, colocar os óculos de proteção e entrar.
Dentro, o país era ainda mais bonito, havia lindas estátuas espalhadas por todo o lugar, com alguns homens em volta, trajando roupas soltas, segurando pincéis e pintando nas telas o que viam. Lindos canteiros de flores, praças, onde os moleques se divertiam, todos sujos ou com algum machucado, mostrando o quanto já tinham brincado. As ruas eram limpas e por elas, algumas vezes, alguns carros passavam, atrapalhando o jogo de futebol dos adolescentes e adultos.
Continuando a andar, Kino pode ver as mais diversas lojas. Teria de tudo naquela cidade? Já passara por bibliotecas, escolas, Hospitais, lojas de comida, Armazéns, Lojas de carros e automóveis em geral, pastelarias, casas de banho e muitas, muitas casas. Continuou andando por mais um tempo até achar uma hospedaria que lhe atraísse.
Desceu de Hermes e, segurando-o, foi andando devagar.
– Você percebeu? Kino?
Ela continua andando, abre a porta e é recebida por um garoto de aproximadamente 19 anos. Não parecia ser novo e nem velho e seu olhar demonstrava desconfiança, mas sem influenciar em seu atendimento, encaminhou Kino até um quarto.
– Percebeu, né?! – Perguntou Hermes, depois de encostado na parede enquanto via a pequena Kino sentando-se na cama e tirando os Botas.
– É... Percebi...
Ao dizer isso, kino foi até a janela, observar a rua, e que visão, estava em um lugar onde podiam se ver várias casas e pessoas.
O sol se pondo dava á vista uma pitada de magia. Da janela ela observava estudantes voltando á sua casa, grupos de amigos sorrindo, um padeiro fechando sua loja, e meninos andando de bicicleta. Meninos. Desde que chegara à cidade não havia visto nenhuma mulher, menina, criança, ou bebe do sexo feminino. Apenas homens, o que será que aconteceu com aquela cidade?
Voltando a sentar-se na cama e olhando para o teto, decidiu não pensar mais nisso, estava cansada e um pouco confusa. Dentro de seus próprios pensamentos, virou para o lado e apagou a vela que iluminava o quarto.
– Boa noite Hermes... Amanhã veremos o que acontece aqui.
– E procurar um mecânico – Completou Hermes, despertando risadas na pequena menina.
– É... Também... Boa noite.
– Boa noite, Kino...
No dia seguinte, assim que acordam Kino e Hermes vão até a padaria, que avistaram na noite passada. Eles entram e Kino rapidamente senta-se no balcão, esperando ser atendida.
Olhando em volta, percebe muitos olhares indiscretos para ela, as pessoas não pareciam estar muito á vontade com a sua presença.
– O que deseja senhor?
Ela teve que segurar o riso, Kino sabia que era facilmente confundida com um menino, já que o próprio nome dá a entender tal coisa, além do fato de ter os cabelos curtos, e seu corpo ainda não estar desenvolvido. Mas nunca havia se deparado com uma situação assim, contudo, achando divertido, resolveu manter a mentira.
– O melhor do cardápio, por favor – respondeu animada.
O homem concordou com a cabeça e passou por uma porta, deixando Kino ali, observando as atraentes tortas que brilhavam na vitrine.
– Kino?
– Diga... Hermes...
– Vo...
– Interessante! – Antes que Hermes pudesse completar sua frase um homem, com um grande, sobretudo que estava sentado ao lado de Kino interrompe-os – Uma moto falante! Você deve ter viajado muito para encontrá-la.
Kino fica olhando-o sem reação, o homem é muito bonito e grande, mas seu sorriso demonstra gentileza.
– Ah... Na verdade não – Responde ela sorrindo – er... Meu nome é Kino, e esse é meu companheiro Hermes.
– Hmm... Interessante – ele fica olhando para Hermes e depois sorri com empolgação – ah! Já sei! Será que eu poderia levá-lo até minha loja para dar uma olhada?
Kino mal acena com a cabeça e o homem já vai levando Hermes
– Ótimo, então vamos.
– Ah... Mas... A minha comida...
~-~-~
Assim que chegam à loja, vêem algo incrível. Centenas de carros, motos, e automóveis de todos os tipos, por fora, o lugar parecia ser tão simples, mas agora, de dentro, a impressão que dava era de ser maior do que o hotel onde kino passara a última noite.
Eles foram andando com cuidado, até chegarem mais ao fundo, onde se localizava um balcão com várias peças. Sem pensar duas vezes ou pedir permissão, o homem começa a olhar Hermes.
– E-espera – Reclama Hermes, mas o homem mal lhe dá atenção e começa a tirar-lhe a roda.
– A roda está ruim, eu vou trocá-la, okay?!
– Por favor – Kino acena novamente com a cabeça e o homem começa o serviço.
Ela olha em volta novamente, os carros são das mais diferentes formas e tamanhos, todos brilhando. O lugar, mesmo mal iluminado, passava uma sensação muito boa, além de extremamente bem arrumado.
– Posso te fazer uma pergunta senhor? – diz Kino sentando-se
– Claro – Responde o homem, sem nem olhar para Kino, concentrado em seu serviço.
– Não sei se vi errado, mas, esse país, só tem homens?
O homem fica um tempo em silêncio e depois se vira, com um olhar sério.
– É... – dizendo isso ele volta ao trabalho – A cidade é muito perigosa para as mulheres, então elas ficam todas dentro de suas casas.
– Sem nunca sair? – Dessa vez foi a vez de Hermes falar.
– Sim, por isso os carros devem ser fortes e revestidos, para quando uma mulher for mudar de casa não correr risco algum.
Kino e Hermes se olham, até onde kino havia percebido a cidade era um ótimo lugar para morar, e, no dia anterior, ela viu várias crianças brincando e se divertindo, a cidade não poderia ser perigosa. Mas decidiu calar-se, já visitou os mais diversos países com os mais diversos costumes, e aprendera que era errado interferir.
Olhando novamente em volta uma dúvida surgiu em sua cabeça, então, sem rodeios, resolveu perguntar.
– Você já deve ter viajado bastante, parece conhecer muita coisa sobre muitos automóveis, experiência adquiria em outros lugares, né?!
A pergunta pareceu ofender o homem, pois esse o olhou sério e levantou-se em seguida.
– Nós não precisamos sair da cidade. Tudo o que queremos está aqui.
Eles dois ficam se olhando por um tempo e Kino percebe que era hora de parar com as perguntas. Continua...
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