...E Virá Uma Grande Escuridão

3 Apêndice 2: Galactografia e Astropolítica


Notas iniciais
Uma breve descrição da situação cosmográfica e política do setor da nossa Galáxia onde se passa esta história, e das razões pelas quais as coisas são como são. (Convém lembrar que não se trata do universo de Star Trek propriamente dito, mas de um universo alternativo, criado por mim.)

Para todos os efeitos práticos, a Via Láctea tem a forma de um disco (uma girândola espiralada), tendo em seu centro uma "barra" de estrelas muito antigas e um buraco negro gigante, dois grandes braços espirais, Scutum-Centaurus e Perseus, presos à barra central, e dois "braços" secundários, Norma e Sagittarius, além de algumas dezenas de ramificações menores, ou "plumas", com bem menos concentração de gás e estrelas recém-formadas. A divisão é feita traçando duas linhas perpendiculares que se cruzam no centro do disco, formando quatro partes, os "quadrantes"; todavia, como a Galáxia é dividida em Superior (parte acima do plano galáctico) e Inferior (do plano galáctico para "baixo"), o que está acima é repetido em baixo (o hexagrama?). Os subquadrantes — subdivisões da espiral que, grosso modo, contêm a principal parte de cada braço, inclusive sua junção com o núcleo galáctico — , ou "octantes", num total de oito, quatro superiores e quatro inferiores, são chamados de Alfa (Setentrional e Meridional), Beta (idem), Gama (idem) e Delta (idem), partindo-se do octante superior direito (o Alfa Setentrional), em sentido horário. O Sistema Solar (e Terra, por tabela) situa-se no Quadrante Alfa, numa espécie de "apêndice" interno, que os astrônomos antigos haviam batizado tão erroneamente como Braço de Órion. O Eastside e o Westside, para usar a terminologia federal, são duas grandes subdivisões que abrangem quatro subquadrantes cada, e que, formalmente, designam o lado "conhecido" do "desconhecido" da Galáxia (tal convenção já foi alterada algumas vezes ao longo dos últimos 100 mil anos). A nomenclatura dos diversos acidentes cosmográficos segue convenções "geográficas" entre inúmeras culturas, como a solariana: golfos, baías, istmos, penínsulas etc.

O assim chamado Braço Karidian, também conhecido como Carina-Sagittarius, no Quadrante Beta, um dos principais quadrantes galácticos inexplorados e não-previamente habitados (com baixo índice de populações autóctones), é nosso vizinho braço secundário adjacente ao de Órion (e de Sol), e, como reúne dois dos oito subquadrantes existentes — Beta Setentrional e Beta Meridional — , pode possuir até 25% dos totais galácticos, de estrelas e planetas. Desta forma, mesmo no século XXV, não é de se estranhar que tudo o que os federais conheçam se resuma nos Sistemas Hogla, os planetas Muran e Lamur, Shogal, Sylvania, Krotal, Lasmhor, a Liga Astronáutica dos Conglomerados Ferengi, e os Clorze, heteromorfos respiradores de hidrogênio que mandam na "Federação" Unnarcleon (regiões subplano, próximas ao centro galáctico, e nos aglomerados globulares inferiores).

A raça dos hoglaneshes, humanoides de pele cinza-azulada (ou azul-acinzentada), ocupa 17 sistemas estelares, os Sistemas Hogla, independentes e frouxamente associados, no Braço Karidian, distante mais de 2.000 anos-luz das fronteiras da F.E.U.; em geral são aliados da Federação, que consideram mais como "força defensiva" — e a vinculação política é frouxa, quase inexistente. Nível técnico-científico, pela Escala Palmer-Yoshida: média de A18- (comparável ao da própria Federação em 2364 A.D.T.T.).

Shogal, planeta periférico do Braço Karidian, habitado por uma civilização humanoide anfíbia no patamar A15- (que corresponde mais ou menos ao estágio técnico-científico que a humanidade terrana atravessou por volta de 1990 A.D.T.T.), estava tornando-se um ponto de atração para duas civilizações inumanas díspares: Krotal e Lasmhor, ambas no patamar A19 (técnica e cientificamente comparáveis à Federação Estelar — e em poderio bélico), o que, eventualmente, acabou por chamar a atenção dos federais. O motivo desta atração? Um portal estelar, tipo Fenda Espacial, de um gigantesco sistema de hipervias cobrindo toda a Galáxia, com ramificações que se estendem além da região do Halo, e do Anel exterior de Monoceros, às Nubecula Magellanicas, cruzando o abismo de 2.200.000 anos-luz até a Galáxia de Andrômeda e algumas de suas galáxias-satélites, como M32, M110, NGC 147e NGC 185. Por isso, em razão de sua importância estratégica como "via de acesso" a todos os quadrantes da Galáxia e muito além, Shogal entrou para a Federação como "membro adventício", apesar de não participar efetivamente daquela entidade política interestelar. (Um "membro adventício" da F.E.U. é aquele que, sem se filiar formalmente ao conjunto das nações representadas, dispõe de alguns dos direitos dos membros efetivos: proteção militar etc.)

Quem projetou as hipervias foi a fabulosa cultura pré-humana Kang, formada exclusivamente por biomáquinas capazes de se reproduzir por troca de matrizes, três milhões de anos atrás. A execução do projeto, entretanto, foi delegada a uma espécie biológica, especialmente treinada pelos Kang: os antepassados dos Runners, 2,5 milhões de anos atrás. Estes, uma vez concluída sua tarefa, passaram a dedicar-se a serviços de manutenção e cada vez mais se especializaram, terminando por se converter também em biomáquinas — ou melhor, bionaves. Os portais são pré-navegação hiperfótica, pois sendo automáticos, funcionam em percursos pré-estabelecidos, invariáveis, e em velocidades idem; a única coisa que muda é o sentido, se "indo" ou "vindo". Alguns, mesmo sem manutenção, funcionam até hoje (século XXV).

Notas finais
Um pouquinho longo, admito, mas, a meu ver, necessário.