E Sempre Será Você.
22 Confusa
Notas iniciais
ehueheuh
Demorei, mas tá aí. Mudei a capa e a sinopse u_u
Boa leitura :*
Se você me olhasse nesse momento você não saberia explicar a minha expressão. Na verdade, nem eu sei explicar o que eu estou sentindo ou pensando no momento. Não decidi se é choque, ou surpresa, ou se estou confusa. Acho que seria os três. Estou em choque porque não esperava que presenciaria a cena que estou presenciando no momento, consequentemente estou surpresa (pelo mesmo motivo) e confusa porquê... Ah, imagina ver dois caras se beijando do nada? Mesmo um deles sendo o seu melhor amigo e sabendo que eles se gostam, mas mesmo assim é estranho. Não pense que tenho preconceito, porque nunca teria. Respeito eles e até acho fofo. Mas tem outra coisa pior do que ficar em choque ou surpresa com esse momento: é ver o cara que você gosta beijando outro cara. Aí já pode pedir socorro né? Pois é. Aí eu faço outra pergunta: “pra quem devo pedir socorro?”. Todos os alunos estão quase na mesma situação que eu. Confusos e provavelmente surpresos.
Logan e Samuel estão abraçados e tenho a impressão que eles não querem mais se soltar. Não é pra menos, eles acabaram de se beijar. Você deve estar se perguntando (ou não, mas acho necessário falar) como que eu sei do Samuel. É simples: eu lembro dele porque eu estava perto do Logan quando ele ligou para eles terminarem. Como consequência o Logan foi pra minha casa e eu o ajudei pois ele começou a chorar e foi difícil fazê-lo parar. Depois que ele me explicou o que exatamente aconteceu, eu entendi a parte dele e ele tinha razão em chorar. E agora esse garoto aparece do nada e o beija na frente da escola inteira? Quem ele pensa que é? E mais, porque o Logan não me disse que esse garoto estava aqui? Não pense que estou raiva. Estou com ciúmes, pra ser sincera. Ciúmes idiota.
Uma das piores coisas do mundo é sentir ciúmes, ainda mais quando você sabe que ele não adianta em nada.
— Er... Acho melhor eu ir embora. - Disse um pouco nervosa.
— Espera. — Disse o Logan segurando meu braço. — Eu te levo.
— Não precisa.
— Precisa sim. — Insistiu.
No fim eu cedi. Eu até reuni forças para pedir uma explicação, mas eu achei melhor não dizer nada por dois motivos: 1) o garoto loiro acompanhou a gente até a minga casa — de mãos dadas com o Logan — e 2) percebi que ele não tem que me explicar nada. A gente falou sobre como o horário de verão é útil quando se estuda a tarde e assuntos chatos. Passou uns dez minutos e já estávamos na porta de casa. Agradeci os dois e dei um abraço em Logan.
Entrei em casa e diferente do que sempre fiz, não fui até a janela para vê-lo voltar pra casa. Não teria forças pra isso, já que ele está acompanhado.
Estava indo direto para o meu quarto, mas minha mãe me para no trajeto.
— Oi filha — Ela pergunta com um sorriso no rosto.
— Oi — digo sem animação.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunta preocupada.
Respiro fundo antes de responder: — Só tô cansada.
— E você acha que eu acredito nisso? — insistiu — Você parece triste.
— Só preciso descansar um pouco. — E é verdade. A única coisa que eu quero nesse momento é deitar na minha cama e ficar lá pra sempre.
Não esperei ela responder e fui para o meu quarto. Estrei e fechei a porta devagar, mesmo quando minha vontade era de bate-la com força. Joguei minha bolsa em algum lugar do quarto, deitei na minha cama e desabei. Comecei a chorar e lembrar da cena que presenciei agora a pouco. Eu não parava de pensar no Logan um instante sequer. Era sempre assim, todos os dias. Umas duas semanas depois que Logan estrou na escola, eu comecei a me sentir diferente perto dele: minhas mãos suavam, o meu coração parecia que ia sair pela boca, eu sorria igual uma idiota. Fora a vontade de querê-lo perto de mim o tempo todo e querer contar isso pra ele. Mas achei melhor não fazer e pela primeira vez fiz a coisa certa. Um tempo se passou e o Logan nunca me disse sobre alguém que ele gostasse ou que ele já tenha namorado. Isso até o dia da ligação. Em casa, depois de chorar muito, ele finalmente me falou sobre o Sam.
— É o Sam. É sobre ele que eu evitei falar nas vezes em que falamos em namoro. Ele é... Ele era meu namorado. Olha, não me odeie por isso. — Ele provavelmente falou isso por eu estar com uma expressão inexplicável, de surpresa, talvez. — Eu namoro o Sam desde o ano passado. Somos melhores amigos desde os cinco anos de idade. Eu sempre senti algo por ele, mas nunca consegui entender, porque na verdade eu nunca tentei. Ai um dia minha ex namorada terminou comigo. Por causa de um segredo dela. Como se não bastasse esse segredo que estava me deixando louco, o Sam se declarou pra mim.
— Que segredo era esse? — Perguntei com dificuldade.
— Ela estava gostando de outra pessoa e acabou ficando com ela enquanto ainda me namorava.
— Então ela basicamente te traiu?
Ele concordou com a cabeça e continuou: — Ela me contou isso depois de tentar — ele pensou um pouco antes de dizer — transar – ele falou mais baixo essa palavra — comigo. E não fez, é claro. Eu fiquei em choque de saber que estava sendo traído e sai correndo da casa dela. Ai eu fui pra casa, falei sobre o término pra minha mãe e Sam e fui pro meu quarto. Foi no dia seguinte ou dois dias depois que ele disse que gosta de mim, depois de me beijar.
Ele fez silêncio. Fiz sinal com as mãos para que continuasse.
— Acho que uma semana depois eu disse que sentia o mesmo. — Ele olhou para baixo.
— E como você percebeu isso? — perguntei curiosa.
— Como eu disse, sempre soube que sentia uma coisa diferente. Achei que não fosse tão forte, mas percebi isso quando ele “cuidou” de mim depois que ela terminou comigo. Eu senti que queria ele sempre assim comigo, perto, cuidando de mim. E ai... Eu decidi admitir pra mim mesmo que estava apaixonado por ele. E fiz. Pra ele também.
— Entendi. — respondi depois de um tempo. — E sua mãe?
— Ah, ela disse sempre soube. — ele riu um pouco — Disse que ouviu a nossa conversa e tudo mais. Ela disse que me quer feliz.
— E o que aconteceu depois? — Já estava me achando uma chata por perguntar tanto, mas eu estava curiosa.
— Começamos a namorar. No amigo-secreto que fizemos no Natal ele me tirou e me deu uma aliança de compromisso. Estávamos bem e continuamos mesmo depois de minga mãe me dizer que eu, ela e meu pai viríamos morar aqui. E bom... Nos falávamos pelo celular, trocávamos mensagens... E como isso acabou você já sabe. Ele ligou e disse que teríamos que terminar. A distância. Esse foi o motivo. Ela estava o matando e a mim também, mas ele decidiu sozinho que essa seria a melhor opção. Não o culpo.
— E você sempre gostou de garotos ou...-
— Ele foi o primeiro e único garoto que eu gostei. E gosto, aliás.
— Ah. Entendi.
Ele sorriu depois de um tempo.
— E a Melanie — deveria ser a ex-namorada dele — é filha de uma amiga da minha mãe. E eu sempre tive um carinho por ela, e por esse motivo eu a pedi em namoro.
— Então você nunca gostou dela?
— Só como uma grande amiga.
Achei que a conversa fosse acabar ali, mas ele disse algo antes de isso acontecer:
— Obrigada por existir. Você é importante pra mim, Lauren.
Essas palavras do Logan eu nunca vou esquecer. E é um dos motivos pelo qual me deixa mais louca por ele, e ao mesmo tempo dói. Saber que ele me vê como uma “grande amiga”, enquanto eu o vejo como o cara que eu quero ficar pelo resto da vida. E não posso esquecer do beijo na saída da escola. O melhor dia da minha vida.
Foi pensando nessas coisas que acabei adormecendo.
Acordei sem saber que horas eram e fui tomar um banho. Depois fui em direção a cozinha e encontrei minha mãe sentada na mesa, jantando. Olhei para o relógio: 22:27hs.
— Filha, finalmente.
— Oi.
— Tá melhor? — ela perguntou
— Um pouco — menti.
— Senta aqui. — Ela chamou e eu me sentei ao lado dela. — Pode me dizer o que aconteceu?
— Ahn.. — pensei antes de falar — Fui mal em uma prova. — Menti novamente.
— E é por isso que você me deixou falando sozinha e foi correndo para o quarto?
— Ah- tentei explicar
— Lauren...
— Tá. Não tirei nota baixa em uma prova. É que...
— Tá gostando de alguém? — arregalei os olhos.
— O que? — perguntei surpresa. — Eu só...
— Pode me contar, Lauren. Eu sou sua mãe. Vou te ajudar. — Assenti. — É um garoto?
Assenti com um pouco de medo e ela abriu um sorriso.
— Qual o problema? Tem medo dele não gostar de você? É o Logan? — ela disparou
— Ele... Ele gosta de outra pessoa.
— Ele te falou isso ou você acha isso?
— Eu vi ele beijando outra pessoa. A escola inteira viu, na verdade.
— Oh. — Ela fez uma cara triste. — Sinto muito, querida. Ele é um bom rapaz. Eu até o deixaria te namorar, se ele quisesse. E você sabe que sou chata pra essas coisas, não sabe? — Ela sorriu tentando me animar. — Você ainda vai encontrar a pessoa certa, tá?
Ela me abraçou forte.
— Vai ficar tudo bem. Prometo.
— Tá.
— Vai voltar pro seu quarto? – Perguntou.
— Na verdade eu não queria voltar pra lá. Já chorei demais. Pode fazer companhia pra mim?
— Claro, querida. Me diga, você estava chorando por causa dele, não é?
— É. Eu fiquei lembrando do que ele disse pra mim.
— E o que ele disse?
— Sabe aquele dia que ele veio aqui? – ela assentiu — Então, ele disse uma coisa pra mim, e que até me fez ter esperança.
— Ele te beijou? – Ela perguntou e eu fiz que não. Não contaria que ele já havia me beijado, porque afinal não foi no mesmo dia.
— Não, claro que não, — disse — ele disse que eu sou importante pra ele.
— Isso é um bom sinal não é? Ele se importa com você, filha.
— Não é o bastante.
— Claro que é. – ela insistiu — É o suficiente.
Dei um sorriso fraco e a abracei novamente. Ela tinha razão. Era suficiente. Por enquanto.
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