E Se O Destino Permitir
28 Capítulo 28
Saí do banho e coloquei essa roupa, logo desci as escadas encontrando Thomas ali.
– Falou com a Leni? – Perguntei, me sentando em seu lado. Eu havia pedido para Thomas ligar para ela, eu não teria coragem de falar com ela e vê-la tão preocupada.
– Liguei pra ela ontem de noite... Devem estar chegando – Ele disse, encarando o chão. Eu nunca tinha visto Thomas tão pra baixo.
– Como ela ficou? – Perguntei, querendo ir para o Hospital ver Pedro logo.
– Ficou desesperada, né... Ela chorou um monte falando sobre isso.
– Erm... Vamos? – Eu não queria falar sobre a doença de Pedro, eu só queria vê-lo e o abraçar. Desde que ficamos sabendo sobre a doença, ontem, não tocamos mais sobre esse assunto. E agora faz exatamente um dia que não vejo ele!
Chegamos ao hospital, e entrei rapidamente. Fui até a recepção, e pedi para ver Pedro.
– Toc toc? – Falei, entrando no quarto. Pedro virou-se para mim, e sorriu fraco. Lembrei que agora ele me odiava. Me aproximei e me sentei em uma poltrona, ao lado da cama. Fechei meus olhos. – Como você está?
– Estou bem! – Ele falou baixo.
– Você... Quer alguma coisa? Está tudo bem mesmo? – Perguntei, sem saber realmente sobre o que falar com ele. É, Larissa, você fez merda.
– Relaxa, Larissa. Eu já sei o que eu tenho, já conversei com o médico. – Pedro falou e suspirou. – Onde está todo mundo?
– Estão lá na recepção. – Falei, e um silêncio constrangedor tomou conta do quarto. – Erm... Pedro? – Ele me olhou, e eu encarei aqueles lindos olhos castanhos esverdeados – Me desculpa? Eu... Eu fui uma idiota! Eu não sei com o que eu estava na cabeça! Eu...
– Tudo bem, Laris, está tudo bem! – Pedro falou e sorriu verdadeiramente. – Eu que peço desculpas por todas aquelas asneiras que eu falei. Você não é nada daquilo. Você é perfeita!
– Eu te amo! – Sorri e me levantei, indo até ele e selando nossos lábios.
– E eu te amo muito mais!
[...]
E tudo voltou ao normal. Pedro já conversava normalmente com Pedro Lucas. Tudo estava extremamente bem de novo. Exceto pelas faltas de ar de Pedro, e... Prometemos não falar mais sobre isso, então... Eu estava na cozinha lavando a louça, e estavam todos na sala. Todos. Até Nicole.
– Oun, o nosso menininho está apaixonado! – Escutei a voz de Lucas e entrei na sala.
– Até parece que foi ontem que ele chorou porque perdeu de nós no vídeo game... – Thomas falou, e fingiu limpar uma lágrima.
– MAS FOI ONTEM! – Lucas e Pedro Lucas gritaram, arrancando gargalhadas de todos, menos de Pedro e Nicole.
– Que seja! – Thomas falou, irritado. Sentei-me no chão ao lado de Pedro, e sorri para ele, que retribuiu. Nicole me lançou um olhar superior. O que ela queria de mim?
– Vamos fazer alguma coisa! – Thomas falou, após alguns minutos de silêncio – Quero brincar de telefone sem fio!
– Thomas... Essa brincadeira funcionava quando tínhamos sete anos! – Lucas falou.
– Mas eu quero! Eu vou começar... – Thomas falou. Estávamos sentados em uma roda, nessa sequência: Thomas, Pedro Lucas, Nicole, Lucas, Pedro, e eu. E então a brincadeira começou. Thomas cochichou para Pedro Lucas, que cochichou para Nicole, que cochichou para Lucas, que cochichou para Pedro que cochichou para mim.
– O HENRIQUE TEM UM BUNDÃO! – Gritei, e olhei para Lucas, vendo o mesmo corar. Todos gargalharam.
– Laris, eu disse “o caíque tem um carrão”! – Pedro falou, gargalhando. Nicole bufou.
– A frase era “O Ícaro é um tesão!” – Nicole disse, e Thomas suspirou.
– Seus burros, a frase era “O chique tem um dinheirão! – E aí todos gargalharam.
Depois de muitas frases, e muitas risadas, paramos de brincar de “telefone sem fio”, e ficamos conversando. Posso dizer que a coisa mais maravilhosa do mundo é ignorar Nicole. Pedro se levantou, e foi para a cozinha fazer pipoca. Comecei a sentir o cheiro, e me bateu um enjoo monstro. Respirei fundo, e me arrependi, pois o cheiro de manteiga entrou nos meus pulmões. Droga! Coloquei a mão na boca, quando senti aquela ânsia. Corri até o banheiro mais próximo, e vomitei. Vomitei tudo que eu havia comido naquela semana. E olha que era pouca coisa, já que o cheiro de quase tudo me deixa enjoada.
Saí do banheiro e voltei para a sala. Ninguém havia percebido, ainda bem. Mas o cheiro continuava ali, então tratei de ir para casa.
– Pedro, eu... Não to muito bem, vou ir pra casa, ta? – falei quando cheguei à cozinha. Tranquei a respiração quando senti a ânsia voltar.
– O que foi Laris? Quer ir ao médico? Eu... – o interrompi.
– Não, Pedrinho, eu só estou meio... Enjoada. – falei, e dei um sorriso fraco – Eu vou pra casa, vou dormir um pouquinho e amanhã vou estar bem de novo!
– Quer que eu te leve?
– Não, eu vou caminhando, é pertinho! – Sorri, e dei-lhe um selinho. Fui até a sala, e me despedi dos meninos, em seguida fui para casa.
6 meses depois...
Descobri alguns dias depois, que o motivo daquele meu enjôo era gravidez. Isso mesmo! Eu, Larissa, estava grávida. Por um lado eu estava feliz, pois a filha (era uma menina!) era de Pedro, e Eduarda ganharia o seu menino perto de mim também, e por outro... Bem, eu só tinha 16 anos! Pedro estava feliz, ao menos parecia. E Leni... Ela estava LOUCA por outro neto! Michele deu pulos de alegria, falando que Duda teria com quem brincar. Apesar de tudo isso, eu achava que eu não estava preparada para ter um bebê, entende? Não agora... Eu era tão nova! Mas eu tinha que arcar com as consequências, e eu ia dar todo o amor do mundo para esse pequeno ser que crescia dentro de mim.
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