- Senti muito mais. – falei, o olhando. Eu realmente estava com muita saudade dele. Caramba, como ele era lindo. Aquela pele branquinha, aqueles olhos castanhos claro, que quando entravam em contato com a luz, ficavam verdes. Aqueles cabelos bagunçados, dando um charme total. Aquela voz que me faz viajar em pensamentos. E por fim, aquele sorriso que me faz sorrir também. Aquele sorriso que faz um dia fracassado, se transformar em algo maravilhoso. – eu amo você. – sussurrei, e ele sorriu.

- Eu também. – ele disse. – mais do que você imagina. – ele disse, para eu não escutar, mas escutei. Sorri com isso. Eu o abracei mais uma vez, mas tive que o soltar, quando Daniele o puxou de mim, o abraçando em seguida. Suspirei, olhei para Pedro Lucas, que estava em um papo legal com Pamella e Lucas Henrique. Laura estava rindo de Thomas, que penteava os cabelos com uma colher. Que isso. E por fim, olhei para Jesu, que sorria para mim. Oi? É isso mesmo? Olhei para Pedro de novo. Dani o abraçava toda hora, Pedro tentava se soltar, sem sucesso. Chamei-o, e ele finalmente conseguiu se soltar dela. Pedrinho veio até mim, e me abraçou de novo. Dando-me um beijo estalado no rosto. Orelha nos chamou atenção, porque iria tirar a foto, e dessa vez, Pedrinho me abraçou por trás, pousando sua cabeça em meu ombro. Sorri para a câmera e olhei para Daniele, que saiu com uma cara de merda na foto. Foi impossível não rir. Pedrinho me olhou curioso, e apenas neguei com a cabeça. Despedi-me de Thomas, Lucas, e Pedro Lucas, que disse que iria me ligar para marcarmos alguma balada. Por ultimo, me despedi de Pedrinho, que me olhou com cara de cachorro sem dono. Eu ri com isso, e o abracei pela ultima vez. Sendo puxada em seguida por Chen.

[...]

Eu a recém tinha saído da casa de shows, olhei as horas e o meu ônibus tinha passado a pouco tempo. Droga, ele passava de duas em duas horas. Eu estava sem dinheiro para um táxi, resolvi esperar duas horas mesmo. Sentei-me na calçada que tinha na frente do lugar que tinha acontecido o show, e fiquei vendo as pessoas irem embora. Aquele lugar, realmente, era perigoso. E à medida que as pessoas iam indo embora, ficava mais assustador ainda. Pensem bem, uma menina de quinze anos, sozinha em um lugar “deserto”, o que poderia acontecer? Talvez um cara viesse me estuprar, ou então, um ladrão viesse me assaltar. Capaz, eu não estava com medo. Mentira, eu estava morrendo de medo. Passaram alguns caras perto de mim, todos com uma garrafa de vidro na mão. Bêbados, pensei. Juro que gelei quando eles se aproximaram mais. Mas eles logo se afastaram quando viram alguma coisa atrás de mim. Me encolhi, abraçando meus joelhos. Olhei as horas, e droga, não tinham passado nem uma hora de que eu estava ali. Percebi que tinha alguém se aproximando, me encolhi mais ainda e senti algo tocar meu ombro. Fiquei com um medo enorme de me virar, então fiquei parada, tipo uma estátua. Senti meu coração acelerar cada vez mais, e só me acalmei quando a pessoa falou: “Hey”. Droga, todo aquele medo, aquele pavor, pra nada? Bem, aquela voz eu reconheceria a metros de distância. Era o Pedro. O meu Pedro Lanza. Me virei, tentando reprimir um sorriso abobado que insistia em querer aparecer em meus lábios. Olhei para ele, que sorria. Eu realmente, nunca tinha visto alguém com um sorriso tão lindo! Me levantei e o abracei, forte, muito forte. E era incrível, toda vez que o abraçava, eu me sentia protegida. Só a voz dele me trazia toda aquela segurança. Só o olhar dele, me fazia delirar. E só o seu sorriso, me fazia ficar calma. Só o fato dele existir, me deixava assim, feliz. Ficamos um tempo abraçados, enquanto ele alisava minha cabeça, e quando nos soltamos ele falou:

- Está tudo bem?

- ã... – pensei. Claro que está, você está aqui comigo. – Sim, não sei o que aconteceria se você não tivesse chegado. – Me encolhi, e passou os dedos em meu rosto.

- Ei Laris, calma! – ele me abraçou – E me diz, o que a senhorita está fazendo sozinha aqui? – ele me perguntou.

- Ônibus! – dei de ombros. – quando eu saí do camarim, ele a recém tinha passado, agora só daqui a duas horas.

- Por que não pegou um táxi? – eu não respondi. Na verdade, não tinha nem prestado atenção na pergunta. Eu estava tão entretida com o rosto dele. Os lábios dele se movimentando... A voz dele, a melodia perfeita. – Laris? – Só quando ele disse meu nome, que “acordei” – Por que não pegou um táxi?

- Oras, eu não trouxe dinheiro para um táxi! – eu ri, e ele sorriu. Pedro me olhava nos olhos, o que me fez ficar o encarando também. Aqueles olhos realmente me hipnotizavam. – Pedro?

- O-oi! – ele disse, passando a mão em seus cabelos. – Vem, a gente te deixa em casa! – ele disse, me pegando pela mão.

- Não! – falei, mas ele continuava me puxando. – Não, Pedro, não! Não quero dar problema, muito menos ocupar tempo de vocês!

- Quem disse que vai dar problema? Você vai vir com a gente sim.

[...]

Bem, o Pedro ficou insistindo demais, mas eu disse que pegaria um ônibus. E ele, como não estava contente com isso, foi pedir ajuda para os meninos. E bem, vocês negariam alguma coisa para eles, se tivessem os quatro ajoelhados no chão? Sim, aquela cena foi um tanto cômica, eu ri demais, mas aceitei ir com eles. E eles, começaram a pular, e me abraçar. Eternas crianças. Minhas crianças.

Nesse exato momento eu estava na van, rindo do Lucas e do Thomas, que dançavam a macarena. Pedrinho estava sentado do meu lado, com o braço entrelaçado em meu ombro. Pedro Lucas estava sentado no banco de trás, cantando uma música bem baixinha, logo reconheci, era Say – John Mayer.

Quando chegamos à minha casa, Pedro disse para o motorista esperar, e desceu comigo. Parando logo em frente a porta da minha casa. Ele ficou me olhando por um tempo, e quando eu fiz menção de me virar, para entrar, ele me puxou e tentou me beijar. Mas eu automaticamente virei o rosto. O impedindo de fazer o que queria. Ele me olhou com dúvida, e eu neguei.

- É muito cedo, Pedro. – Com toda a certeza era muito cedo. É o que? A segunda vez que o vejo pessoalmente?

- Tudo bem. – ele falou, encarando seus próprios pés. – Eu vou indo então.

Ele disse, e foi me dar um beijo no rosto, mas eu, totalmente atirada como fiquei com pena dele, virei o rosto, dando um selinho. Ele abriu um sorriso e me abraçou, logo depois indo para a van. Entrei em casa, e procurei pela minha mãe. Eu realmente precisava contar isso para alguém. Subi as escadas e fui até o quarto dela, onde não tinha ninguém, fui até o meu, larguei minha bolsa, e desci. Procurei nos demais cômodos e também não tinha ninguém. Fui até a cozinha e tinha um papel em cima da mesa. Está explicado, pensei.

“Filha, eu sei que não faz nem uma semana que voltamos de viagem, mas sua tia está mal de novo. Ela foi internada, precisei ir imediatamente para Florianópolis de novo. Me liga, que te explico direitinho.”

Ótimo. Estou sozinha em casa. Aê, festa! Mentira, eu não sou dessas. Comi alguma coisa, fui para o meu quarto e tomei um banho. Pronto, é agora que eu vou pensar na burrada que eu fiz, de não ter deixado o Pedro me beijar. Pensando bem, não foi uma burrada. Claro, eu sempre sonhei em beijar ele, mas, se eu tivesse o feito, talvez fosse me arrepender.

Terminei meu banho e coloquei um pijama. Logo me deitei, e apaguei.