Em menos de um minuto chegamos ao japa. Pedro estacionou, e descemos. Eu não sei por qual motivo, mas eu estava com uma imensa vergonha de olhar pra ele. Entramos quietos, e avistamos o pessoal em uma mesa. Nos aproximamos, e cumprimentei todos. Percebi que faltava uma pessoa: Pedro Lucas.

Haviam quatro cadeiras disponíveis. Duas entre Thomas e Michele, e outras duas entre Luan e Koba. Sentei-me ao lado de Michele, e Pedro ao lado de Thomas. Consequentemente ficamos um ao lado do outro. O garçom chegou, e pedimos temaki. Bem, eu nunca tinha provado. E quando os pedidos chegaram, posso dizer que me “deliciei” comendo aquilo. Cara é muito bom! Eu estava bem feliz, tomando meu suquinho de laranja, quando meus olhos pararam em duas pessoas de mãos dadas entrando no restaurante: Pedro Lucas e Nicole. Cuspi todo o líquido, e levei minhas mãos à boca. Como ela pôde? Como ELE pôde? Ele sabe muito bem de tudo que essa idiota fez, e ainda por cima fica com ela? Pedro me deu a mão, e apertou a mesma. Ele me reconfortou. Não sei por qual motivo, mas eu estava com uma vontade imensa de chorar.

- Eu vou ao banheiro, já volto. – Falei e saí da mesa, recebendo olhares de todos os meus amigos. Entrei no banheiro e parei na frente do espelho. Me apoiei na pia, e fiquei olhando meu reflexo. Ele não podia estar com ela. Não podia! Senti meu rosto ficar quente, e logo percebi que eu estava chorando. Uh, eu estou de TPM, só pode! Por que eu estou chorando? Por causa do Pedro Lucas? Claro que não, estou chorando por causa da “declaração” que Pedro fez uma hora atrás. Isso! Eu não consegui chorar tudo que eu precisava àquela hora no carro, por isso que está vindo todas essas lágrimas. Percebi que eu não estava mais sozinha. E acho que é automático, quando uma pessoa te vê chorando, você chora mais ainda. E foi isso que fiz. Olhei para Eduarda e chorei como um bebê. Abafei um soluço com a mão, e Duda se aproximou, abrindo os braços. Eu a abracei. É ótimo ter uma amiga ao seu lado nesses momentos. Não sei quanto tempo fiquei ali chorando, só sei que quando parei eu parecia um urso panda. Estava com uma mancha preta em volta dos meus olhos. Me lembrem de na próxima vez, usar rímel a prova d’água. Lavei meu rosto, e pedi para Eduarda pegar minha bolsa lá na mesa, para eu dar um jeito no meu rosto. Lavei, e depois passei corretivo e pó. Ficou muito melhor. Passei rímel novamente, e voltei para a mesa. Todos me olharam, e forcei um sorriso. Me sentei no meu lugar, e vi que Pedro me fitava.

- Você chorou? – Ele perguntou. Droga, por que você tem que me conhecer tão bem, Pedro?

- TPM, Pedrinho. Relaxa. – Falei, com um sorriso sincero.

- Você não está se sentindo bem com ela aqui, né? – Pedro falou. Por que ele tem que ser tão compreensivo?

- Hum... Não. – Falei, e suspirei em seguida.

- Não se preocupa Laris. Você sabe que é bem melhor do que ela. – Por que ele tem que ser tão perfeito? Sorri em agradecimento, e ele continuou me fitando. – Você é linda!

- Pedro, para! – falei e ri, sem jeito. É o Pedro, mas eu continuo tendo vergonha dele. Senti meu rosto esquentar. Eu devia estar um pimentão!

- Ei Laris, sentiu minha falta? – Escutei a voz esganiçada de Nicole, e fiquei séria. Percebi que a mesa inteira ficou em silêncio.

- Claro que senti priminha! Aliás, onde você esteve esse tempo todo? – Perguntei. Eu iria manter a calma.

- Ora, eu estava na casa do meu namorado! – Eles estão namorando? Ou é outro?

- Que namorado? – Perguntei, sentindo meu coração acelerar. Por que tudo isso?

- O preto, né! Vai dizer que você não sabia? – Preto? Que intimidade é essa?

- Você quis dizer Pedro Lucas, né?

- Preto é mais fofinho, né amor? – Nicole falou e tascou um beijo em Pedro Lucas. Aqueles beijos tipo desentupidor de pia, sabe? Vou confessar, fiquei com uma vontade imensa de vomitar.

Ignorei aquela situação toda, e engatei uma conversa com a Monica, sobre melissas. Logo todos já estavam conversando sobre diversos assuntos, aquele clima tenso que tinha se instalado já havia ido embora, mas aquilo era só o começo. Estavam todos distraídos, quando vi Eduarda correr para o banheiro. Fui até lá, e vi que ela estava em uma cabine.

- Duda, está tudo bem? – Perguntei, e não houve resposta. – Duda? Eduarda, está tudo bem?

- Sim, Laris! – Ela falou, normalmente. – Vai indo, eu já vou!

Voltei para a mesa, e me sentei, voltando a conversar com os outros. Eduarda voltou e se sentou na mesa. Ela estava nervosa (?).

- Galera, semana que vem a gente está indo viajar. Uma semana fora! – Lucas falou.

- Pô cara, fazia tempo que a gente não ficava tempo fora de casa, né? – Thomas falou, sorrindo. Olhei para Eduarda, e ela estava com os olhos vermelhos. Thomas logo percebeu isto também. – Amor, está tudo bem?

- Não Thomas, não está tudo bem. – Ela está assim por que eles vão viajar? — NÃO ESTÁ NADA BEM!

- Duda, calma! – Thomas falou, percebendo que todos em volta estavam olhando. – O que aconteceu?

- CALMA NADA, THOMAS! – Eduarda gritou, e bateu na mesa. Assustei-me com o barulho, e dei um pulo. Pedro riu baixinho, e logo ficou quieto. – O QUE ACONTECEU? É MAIS FÁCIL FALAR O QUE NÃO ACONTECEU! EU ESTOU GRÁVIDA, ESTOU ESPERANDO UM FILHO SEU!

PA-RA TU-DO. Eu escutei isso mesmo? Porra, Eduarda! A minha melhor amiga estava grávida? E aí veio às lembranças na minha cabeça: As duas vezes que ela foi ao médico só essa semana, os enjoos, agora que ela saiu correndo para o banheiro. Senti a vontade de chorar voltar com tudo, e sem conseguir evitar, eu já estava chorando de novo. Todos na mesa estavam de olhos arregalados, exceto Nicole, que olhava com desdém. Essa garota não muda. Eu estava preocupada com Eduarda. Ela tinha apenas dezesseis anos! Ela era muito nova para ter um bebê. E eu preocupada com o namoro de Pedro Lucas, enquanto a minha amiga estava preocupada com um bebê que agora estava se formando dentro dela. Eu sou uma completa egoísta! Olhei para Thomas, e vi seus olhos repletos de lágrimas. Eu nunca havia o visto assim. Soltei um soluço, e todos olharam para mim. Pedro afagou meus cabelos, o que me fez ficar pior. Chorei mais ainda, até que Nicole resolveu dar o ar da graça.

- Pare de ser criança, Larissa, não é você que resolveu dar o golpe em um famoso. – ela falou e encarou as unhas. Foi automático: Quando ela terminou a frase, parei de chorar no mesmo instante.

- Cale a boca, Nicole, quem é você para me chamar de criança? – Perguntei, com certo ódio.

- Não sou eu quem está chorando.

- Não sou eu que sempre tive inveja de mim. – falei, eu queria levantar dali e acabar com ela. – Pare de ser criança você, Nicole. Você sempre teve inveja de tudo que eu tive, como prova, quis até roubar o MEU namorado, mas não conseguiu, e aí partiu para os meus amigos. A verdade é que você sempre quis ter tudo que eu tenho. – falei, e respirei fundo, buscando ar. Eu havia falado tudo rápido demais.

- Espere aí, você ainda está namorando? – ela fez que pensava, colocou o dedo indicador no queixo, e continuou – Hum... Não! Então quer dizer que eu consegui! O Eduardo merece uma salva de palmas por tudo que ele fez com você naquela noite! – Ela falou, e deu uma risada cínica depois. Aquilo doeu, demais. Levantei e me aproximei de Eduarda.

- Parabéns, mamãe! – A abracei, e cochichei em seu ouvido – Desculpa por ter estragado o seu momento.

Saí dali em passos largos, com as lágrimas tomando conta. Eu não conseguia enxergar direito, via tudo embaçado. Caminhei sem rumo, aliás, eu não saberia voltar para casa. Passei em frente a uma praça, e me sentei em um banco ali. Ela... Ela se sentia bem vendo os outros mal? Como Pedro Lucas pode namorar um monstro desses? Como ele pode fazer isso comigo? Digo... Ele não deve nada a ninguém, mas... Nicole? Chorei, chorei demais. Até assustei algumas pessoas que passavam por ali, outras me olhavam com dó. Ela querendo ou não, me fez lembrar aquela noite. O pior dia da minha vida. O dia que eu queria esquecer, mas jamais conseguiria. E... O que diabos está acontecendo com as nossas vidas? Puta que pariu. Eduarda está grávida! O chão parecia que estava sumindo aos poucos. Eu não queria que o chão sumisse a única coisa que precisava desaparecer era Eu. Pedro Lucas também. E a gravidez de Eduarda, e a maldita Nicole. E a ânsia em meu estômago. Quem sabe se eu contar até três tudo volta ao normal? Quem sabe tudo volta a ser como antes: Eu sem conhecer meus ídolos, e sendo feliz por ver eles feliz?

Um.

Dois.

Três.

Notas finais
Sério, eu estou com uma puta ansiedade. NÃO QUERO QUE ESSA FIC TERMINEM. Agora é o momento que todos falam (aaaaaaah). Bom, a partir de agora tudo vai acontecer rapidamente. É isso, nos vemos no próximo capítulo! Deixem reviews, não dói e faz bem ao coração do autor.