E Se O Destino Permitir
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Fui ao mercado com a minha mãe, compramos várias coisas, e depois fomos para casa. Deixei minha mãe subindo na frente, enquanto eu pegava o resto das compras no carro. Quando saí do elevador ela perguntou:
- Oh meu Deus, quem é essa menina?
- Quem, mãe? – Comecei a caminhar mais rápido. Avistei uma garota sentada na porta do nosso apartamento. Logo ela se mexeu, e olhou em minha direção. Era ela. Corri até a mesma, largando as sacolas no chão, e a abracei. – Laris? Laris o que aconteceu com você?
- Eu... Eu... – Ela estava com dificuldade para falar, e percebi que ela tinha marcas roxas nos braços e no rosto. Larissa levou a mão até a cabeça, e depois encarou a própria mão. Havia sangue.
- PEDRO, ELA ESTÁ SANGRANDO! Minha mãe falou, abrindo a porta e jogando as compras em qualquer lugar do apartamento. – VAMOS LEVAR ELA AO HOSPITAL!
Peguei-a no colo, e a levamos até o hospital. Eu estava preocupado. O que havia acontecido com ela? Ela apanhou? Ela se meteu em alguma briga? Descartei a última opção. Larissa não era dessas. Quando chegamos lá, os médicos a levaram para a UTI, e a sedaram. Logo um veio nos avisar que havia um corte na nuca, e que precisaram fazer alguns pontos. Eu só queria saber como a minha pequena estava. Levei minha mãe para casa, e falei que passaria a noite com ela. Falei com a recepcionista, e fui até o quarto em que a minha garota estava. Apesar de todas as marcas, ela continuava linda. Eu estava com saudades dela, eu queria vê-la. Não dessa forma, é claro. Eu só queria que tudo voltasse a ser como antes. Nós dois felizes, e o resto do mundo que se dane...
[...]
- Pedro... – escutei alguém chamar meu nome, e acordei em um pulo. Reparei que Laris me encarava, e arregalei os olhos. Ela acordou.
- Laris? Você está bem? Como está se sentindo? Tá doendo alguma coisa? – Perguntei e ela riu.
- Eu estou bem... A cabeça dói um pouquinho só... Mas nada de mais. – Larissa falou, devagar.
- Laris, o que aconteceu? – Larissa começou a encarar as mãos, e ficamos em silêncio, que logo foi quebrado por mim – Laris? Por favor, meu amor, me fala!
- Eu... Eu fui... Eu fui Es... – O médico entrou na sala, pedindo licença para mim. Saí da sala xingando o médico mentalmente. Aquele desgraçado interrompeu a Larissa! Ela ia me falar o que aconteceu! Fui até a recepção e me sentei em uma cadeira. Será que a irmã de Larissa sabia onde ela estava? Peguei meu celular, e liguei para a casa dela. Chamou, chamou e ninguém atendeu. De certo ela não estava em casa. Fiquei ali pensando em o que poderia ter acontecido com Larissa, até que vejo uns três policiais indo em direção aos quartos. Meu coração acelerou. Não, não podia ser nada relacionado com Larissa. Ou podia? Fui na mesma direção que eles, e vi que os mesmos entraram no quarto de Larissa. O QUE ACONTECEU? Tentei entrar e uma enfermeira saiu do mesmo, me empurrando de volta para a recepção.
- O que aconteceu? Por que tem policiais ali? – Perguntei, visivelmente nervoso.
- Eles vieram fazer o corpo de delito. – a enfermeira falou – Quando o senhor puder entrar lá, eu lhe chamo.
Ela disse, e saiu. Como assim corpo de delito? Eles só fazem esse exame quando ocorre algum crime, tipo... Estupro. LARISSA HAVIA SIDO ESTUPRADA? A minha pequena... Quem foi o idiota que fez isso com ela? Meu celular tocou.
- Fala – atendi, sem humor algum.
-Pedro, como a menina está? – Era minha mãe.
- Ela disse que está bem, mãe. Só está com um pouco de dor de cabeça... – Eu falava, ou não falava sobre a hipótese de Larissa ter sido estuprada?
- Ela vai ter alta hoje?
- Não sei mãe. A enfermeira está vindo falar comigo, depois eu te ligo.
Desliguei o telefone, e a enfermeira falou:
- Pode entrar, a senhorita Johnson está esperando você. – Corri até o quarto, e abri a porta. Larissa estava sentada na cama, com o rosto inchado e os olhos vermelhos. A minha pequena havia chorado. Ela me olhou, e tapou o rosto.
- Laris, me conta o que houve? – Sentei na mesma poltrona em que eu estava antes. Larissa tirou as mãos do rosto e me fitou.
- Eu estava em casa, não tinha mais ninguém lá... Eduardo chegou depois com um amigo, eles estavam bêbados... – A cada palavra que ela ia dizendo, mais nervoso eu ficava. Eu queria socar o Eduardo, até a morte. Eu não estava suportando isso. Como alguém tem coragem de fazer isso? Porra, ele é da família dela! — E agora os policiais disseram que iriam ir para lá, levar ele para a delegacia. Eles disseram que irão marcar um julgamento. Que se o juiz decidir, eles ficarão presos por vinte anos.
- ISSO É POUCO PARA O QUE ELES FIZERAM! – Gritei. Larissa voltou a chorar, e isso doía em mim. – Laris, a sua irmã já está sabendo?
- Não... Eu não consegui falar com ela ainda, pois depois que eu consegui sair de lá, eu estava discando os números do Thomas quando um cara botou a arma na minha nuca... – A minha garota havia passado por tudo isso? Eu não devia deixar ela sozinha, eu não iria mais deixar ela sozinha.
- Laris, eu não quero mais que você more lá. – falei. E ela deu uma risada abafada.
- Quer que eu more na rua? Eu não vou morar em Florianópolis, Pedro. – Larissa falou, e logo continuou – Só se eu voltar para o Rio.
Voltar. Rio de Janeiro. Longe de mim. Não, ela não iria voltar.
- Você pode morar comigo, até tudo voltar ao normal! – falei. Minha mãe não iria gostar, mas que se dane. Larissa sorriu, e levantou-se, fazendo cara de dor, mas logo voltando a sorrir novamente. E enfim, ela me abraçou.
- Pedro, obrigada por tudo que você está fazendo por mim, mas eu não quero incomodar você, nem sua família – Ela falou ainda abraçada em mim.
- O meu dever é ficar do seu lado sempre. Não é? É isso que uma pessoa faz quando ama a outra. – Larissa desfez o abraço, e voltou para a cama.
- Eu falei algo de errado? – Laris negou com a cabeça, e falou:
- Não torne as coisas mais difíceis, Pedrinho. Agora somos apenas amigos, certo? – Não, não está certo! Eu não quero apenas a amizade dela. Eu quero o amor dela. Eu quero protege-la sempre, quero poder beijá-la quando eu quiser. Quando algum estranho perguntar o que ela é minha, quero poder sorrir e dizer orgulhoso: Ela é minha namorada. Mas não, ela quer que sejamos apenas amigos. Tudo bem, melhor do que não ter nada. Melhor do que ficar mais quatro meses sem ela. Só eu sei o quanto doeu. Assenti, e dei um sorriso sem mostrar os dentes.
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