E Se O Destino Permitir
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Acordei às 10h. Fui ao banheiro, e tomei um banho. Coloquei essa roupa, e passei uma maquiagem leve. Apenas delineador, rímel, e blush. Peguei meu celular, e desci. Logo a campainha tocou, e fui atender. Era Pedro.
– Oi meu amor! – falei, selando nossos lábios.
– Está pronta? – Pedro perguntou, eu assenti. – Então vamos?
Entramos no carro, e em menos de cinco minutos estávamos no prédio dele. A casa do Pedro ficava a três quarteirões da minha... Bem, chegamos lá e eu lembrei de todas as vezes que eu mandei presentes pra ele, porque eu nunca tive a chance de ir lá. Entramos, e fomos direto para o elevador. Cara, eu estava muito nervosa. Afinal, eu iria ver a mãe do meu ídolo, a minha sogra pela primeira vez! E se ela não gostasse de mim? O elevador parou, e logo as portas se abriram. Meu coração acelerado poderia sair pela boca a qualquer momento. Enquanto nos aproximávamos da porta, apertei a mão de Pedro, que me puxou para si, me abraçando de lado. Ele abriu a porta. É agora.
– MÃE! – Pedro gritou. Escutei um “Já vai” como resposta, deduzi que seria ela. Quando escutei passos se aproximando, tranquei a respiração. – Mãe, essa é a Larissa!
– Finalmente a conheci, não é? – Dona Leni falou. Pude notar em sua expressão que não estava muito contente, não. Oh céus, e agora? Minha sogra não gosta de mim!
– Finalmente digo eu! – sorri – A senhora não tem noção de como eu tinha vontade de conhecer vocês!
Ela sorriu, e logo seu sorriso se desfez. É, ela realmente não gostou de mim.
– Bem, vou lá preparar o almoço. – Ela disse e deu um beijo na testa de Pedro, virando as costas em seguida. Pedro suspirou, e eu mantinha a respiração trancada. O que aconteceu ali? Por que ela não gostou de mim? Eu tentei ser simpática, juro! Pedro me olhou e arregalou os olhos. Será que eu estava ficando roxa? Aliás, nunca fiquei tanto tempo assim sem respirar. Me liguei do que estava fazendo, e soltei um suspiro pesado. Pedro disse que já voltava, e foi em direção a cozinha. Continuei parada no lugar em que estava desde que cheguei ali. Não mexi nem um músculo ainda. Escutei a voz de Pedro. Ele sussurrava algo.
– DEZESSEIS ANOS? – Dona Leni gritou – PEDRO, ISSO É PEDOFILIA, ELA É UMA CRIANÇA! — e logo voltou a cochichar. Mas eu ainda ouvia o que ela falava. – Essa menina gosta de você? Tá bom, Pedro! Tá bom. Vou tentar dar o meu melhor. Vai lá com a sua namoradinha.
Escutei a voz de Pedro de novo, mas não entendi o que ele disse. Logo ouvi passos se aproximando e um Pedro vermelho apareceu.
– Vem, vou te mostrar meu quarto!
O quarto do Pedro. Sempre sonhei em entrar lá, e ver todos os brinquedos que ele tinha nas prateleiras. Entramos no quarto branco, e a primeira coisa que vi foi o buzz lightyear dele. Aquele boneco é F-O-D-A. Pedro fez sinal para eu me sentar. Me sentei na cama, e ele fez o mesmo. Eu estou com uma enorme vontade de chorar. O que eu faço, meu deus?
– Acho que ela gostou de você! – Pedro falou, sorrindo amarelo. Com toda a certeza ela gostou de mim.
– Não precisa mentir, Pedrinho. – falei. Sentindo algo na minha garganta.
– Ela... Ela só está com ciúmes de mim. – ele disse, pegando a minha mão. – Desculpa pelo “showzinho”, tá?
– Acho que eu posso conviver com a ideia da minha sogra não gostar de mim. – Falei, sentindo algo quente escorrer pelo meu rosto. Eu estava chorando? Droga. Pedro passou o polegar no meu rosto, limpando as lágrimas que haviam caído.
– Laris, você está chorando por causa da minha mãe?
– Não, amor, não! É que... Eu sempre sonhei em namorar com você, conhecer a sua casa, a sua mãe... E olhe só, meu sonho se realizou! – Bela mentirosa você, Larissa. Claro que eu não iria falar para o Pedro que eu estava chorando porque a mulher que eu mais admirava não tinha ido com a minha cara. Mas também não era mentira que o meu sonho tinha se realizado. Então, eu não estava mentindo tanto assim, né?
– Eu te amo, pequena! – Pedro disse e me abraçou. Logo escutamos uma leve batida na porta, que em seguida se abriu. Michelle!
– E aí, Pedro! – Ela entrou no quarto, e me olhou, sorrindo. – Então você que é a Laris?
Assenti, sorrindo. Espero que ela não veja que eu chorei. Ela não pode ver, não pode, não pode!
– Tudo bem? – Ela continuou sorridente. Já falei que acho ela a cara do Pedro? Pois é.
– Tudo sim! – falei, sorrindo verdadeiramente.
– Michelle, cadê a Duda? – Pedro perguntou. É, onde estava a Dudinha?
– Está lá na sala vendo cocoricó! – Mi falou, rindo.
– Eu quero ver ela! – falei. Michelle me puxou pela mão e me levou até a sala. Onde estava à pequena Maria sorrindo sozinha.
– Ela se diverte com esse programa! – Mi falou, rindo e se sentando no sofá.
– Oi Dudinha! – falei, me agachando ao lado da mesma. Ela me olhou e sorriu. E depois voltou a dar atenção ao Júlio e a Lilica, que agora apareciam na tela. Pedro surgiu ali na sala.
– Vamos almoçar? – Levantei, e segui Pedro. Fomos até a mesa, onde estava dona Leni. Ela me olhou e sorriu. Êpa! Notei um sorriso verdadeiro ali. Então ela estava deixando as diferenças de lado? Digo, as diferenças de idade? Comemos em silêncio, exceto pelas gargalhadas de Maria de vez em quando... Depois fomos para a sala e ficamos conversando. (Lê-se eu respondendo as perguntas de dona Leni e Michelle.)
– E então, Larissa, você estuda? – Leni perguntou.
– Me formei ano passado! – falei e sorri.
– Antes de vir morar com a sua irmã, você morava com os seus pais? – Dona Leni perguntou.
– Com a minha mãe...
– Seus pais são separados? – Por que todo mundo perguntava isso? Suspirei, e Pedro falou:
– Chega de perguntas por hoje, né? – Ele disse, e se levantou. – Vamos na casa do verme?
[...]
– THOMAS QUE SAUDADE! – falei, logo depois de um Thomas sem camisa abrir a porta. Pulei no colo do mesmo, fazendo nós dois cair no chão.
– Sai de cima de mim, gorda! — Thominhas falou, fingindo um ‘desmaio’.
– Credo Thomas, nem estou tão gorda! – falei me levantando com a ajuda de Pedro.
– Já se mudou para cá? – ele perguntou, após se levantar também.
– Sim! Moro a três quarteirões da casa do Pedro! – falei, e Thomas começou a gritar e pular. E acreditem, os gritos eram bem... Como posso dizer... Afeminados?
– Que gritaria é essa? – Uma mulher de cabelos curtos apareceu. Dona Elaine!
– Mãe, essa é a Laris! – Thomas falou. Eu e a dona Elaine já tínhamos nos falado por telefone, algumas vezes.
– O que a minha outra filha faz aqui? – Ela falou rindo. E sim, ela já sabia que eu era “irmã do Thomas”.
– Vim te ver, mãe! – falei e a abracei em seguida. A mesma gargalhava. Eu tenho tanto orgulho da dona Elaine. Ela passou por tantas coisas, apanhou tanto da vida, e está aqui: Firme e forte. Ela sim é uma mulher batalhadora.
– Oi Pedrinho! – Pedro apareceu e deu um beijo no rosto da mesma. – Entrem, vão lá pra sala!
[...]
Depois de termos passado a tarde inteira na casa do Thomas, Pedro me levou para a minha casa. Quando chegamos, perguntei se ele queria entrar, e o mesmo disse que não. Me despedi dele com um selinho e desci do carro. Quando abri a porta escutei uma risada conhecida. Não podia ser! Ou podia? Eduardo, que estava jogado no sofá, me olhou e murmurou um “Tem visita”. Fui até a cozinha e comprovei. Ela estava ali.
– Sentiu minha falta, priminha?
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