E Se O Amor Acontece...

5 Capítulo 5 - Memórias


Notas iniciais
Oiii! Vim aqui na maior cara de pau postar mais um capítulo haha Boa Leitura. s2

[Comecem ouvindo essa aqui]

“Eu já havia terminado de comer. Perseu estava terminando. Ouvimos um barulho, mas ignorei. Afinal, estávamos na rua. É um lugar barulhento. Porém Perseu pareceu incomodado. Olhava para além de mim. Alguns segundos se passaram. Seus olhos arregalaram-se. Em um movimento rápido pegou sua carteira, pegou dinheiro e deixou no balcão da senhora. Virou-se para mim e apenas disse:

— Corre.

E então correu. Estava prestes a gritar com ele, mas então olhei na direção do barulho. O que vi me assustou. E então entendi. Saí correndo atrás de Perseu.”

Pov Annabeth

Na esquina havia uma multidão correndo (ok, não tantos assim, mas era um grupo considerável de pessoas), cada um portava um objeto diferente, alguns com um pedaço de madeira, outros com latinhas de cerveja e assim seguiam-se. Era o famoso “arrastão”, assim como eu e Perseu, vários outros cidadãos corriam em busca de abrigo. A cena seria cômica se não fosse perigosa.

Havia um grupo de idosos na rua que aparentemente voltavam da igreja, quando avistaram a arruaça, correram cada um para um lado, uma senhora se jogou nos braços de um rapaz que passava, a outra “escondeu-se” atrás de um poste... Eu continuei correndo sem olhar muito para onde ia, só queria tomar a maior distância possível. Cheguei em um cruzamento onde muitas pessoas atravessavam a todo momento, mesmo com o intenso fluxo de carros. Pude respirar aliviada, deveria estar longe o bastante do perigo.

Comecei a rir, que situação louca. Estava prestes a comentar com Perseu sobre tal fato quando dei por sua falta, olhei ao redor e não o vi. Ótimo, o havia perdido. Mas não me preocupei, afinal, não estávamos tão longe de casa, essa correria me levou para perto. Segui andando e parei em uma pracinha a um quarteirão do meu edifício. Havia aqueles balanços para crianças, dirigi-me a um, não havia ninguém ali mesmo. Sentei e fiquei apenas apreciando a paisagem, não queria voltar para casa.

Estava distraída olhando o vai e vem de pessoas, tentando imaginar o que faziam, onde moravam e tudo mais. Não sei quanto tempo se passou e nem o momento em que isso aconteceu, apenas reparei na presença de Perseu no balanço ao lado quando o mesmo pôs a mão na minha coxa, chamando a minha atenção:

— Hey, vejo que está bem. Por onde você veio? Eu te perdi de vista.

— Ia perguntar a mesma coisa... Eu realmente não sei, apenas corri e vim parar aqui perto.

— Ah, sim. Que bom que está bem, estava preocupado.

— Preocupado é? – mostrei língua – Pois saiba que eu seu me virar muito bem sozinha.

Ele apenas riu. Continuamos falando sobre o ocorrido, demos muitas risadas e depois apenas jogamos conversa fora. Após um longo tempo fomos para casa. Ele me deixou em frente ao meu apartamento. Percebi que ele ia me abraçar para se despedir, então dei um passo para trás, sorri e apenas acenei dizendo “Tchau, até amanhã”. Talvez tenha sido impressão minha, entretanto eu quase posso afirmar que vi uma tristeza momentânea em seus olhos.

Assim ele seguiu para o seu apartamento e eu fui tomar um banho. Deitei logo em seguida, mas não consegui dormir de imediato. Luke tomava meus pensamentos, apesar de tentar disfarçar e ter momentos alegres, tudo ainda é muito recente e me deixava triste. Era fácil não pensar nisso quando eu estava na escola ou com alguém, mas no meu quarto vinha como uma carreta me atropelando. Não entendia como aquilo havia acontecido, nosso relacionamento sempre fluiu plenamente. Peguei-me lembrando de como nos conhecemos:

Flashback On

Era sábado a tarde e dia de sair com a Thalia, havíamos marcado de ir ao shopping, assistir um filme, comer umas porcarias, coisas de garotas. Tínhamos marcado às 15:00, mas (como era de se esperar) ela estava atrasada há 40 minutos, então resolvi ir à livraria. Tentava em vão consultar os preços de alguns livros em uma leitora que claramente não funcionava. Frustrada, dei um pequeno grito com ódio. Deixei os livros ao lado e virei-me para ir embora quando alguém tocou meu ombro:

— Com licença, eu posso ajudar? – era um atendente da livraria, um rapaz alto, esguio, loiro com olho azuis, possuía uma cicatriz no canto da boca e um simpático sorriso.

— Pode me dizer onde é a ouvidoria? A leitora de vocês quebrou – falei com um meio sorriso.

— Erro meu, esqueci de notificar a assistência. Peço que aceite as minhas desculpas e que deixe eu verificar os preços para você – falou passando a mão no cabelo, nervoso, e com um sorriso um pouco sem graça.

— Claro, agradeceria – sorri.

Segui-o até um computador, enquanto ele verificava os preços, percebi inúmeras vezes que sua boca se mexia, mas não chegava a falar nada, como se repensasse se falaria ou não. Por fim, apenas me disse o valor de cada e eu segui para o caixa. Pouco antes de sair da livraria, ele me chamou:

— Hey, moça! -virei-me e era o atendente de antes – Eu estava aqui pensando... Meu turno acaba daqui alguns minutos, e bom, não sei. Está afim de tomar algo depois? – suas bochechas coraram – Isso se você não estiver com alguém.

Pensei por alguns instantes. Eu estava a espera de Thalia, não queria desmarcar com ela, mas também gostaria muito de conhece-lo melhor, ele parecia interessante.

Estava prestes a dizer que não podia (amizade em primeiro lugar), quando chegou uma mensagem de Thalia. Pedi licença para olhá-la, dizia:

“Desculpa amiga, houveram imprevistos e eu não poderei ir.

Foi mal, até a próxima.”

Confesso não ter ficado triste. Voltei para perto do rapaz, sorri e disse:

— Não vejo por que não – gente, é isso que chama de flertar? Eu era péssima.

— Sério? Que bom! Que tal irmos ao Starbucks? – disse retribuindo o sorriso.

— Para mim está ótimo. Nos vemos lá.

— Espera. Qual é o seu nome?

— Annabeth. E o seu?

— Luke – sorriu mais uma vez, eu acenei e saí rumo a Starbucks.

Mais tarde, naquele mesmo dia, trocamos números e assim teve início a nossa história.

Flashback off

Com essas lembranças acabei adormecendo.

Outro dia

Devo ter dormido muito tarde, pois perdi o horário. Quando acordei já não havia mais ninguém em casa. Saí ás pressas para a escola, cheguei apenas no terceiro horário. Era aula de matemática, eu fazia junto com Thalia.

— Amiga, você está péssima. Aconteceu algo? – Thalia perguntou sentando-se em uma cadeira ao meu lado.

— Você sabe, essa história com Luke ainda me intriga – falei abaixando a cabeça.

— Então, lembra que ontem eu ia te contar algo? É sobre isso, bom, o que... – nessa hora o professor chegou na sala, mandando todos sentarem-se e ficarem quietos.

Thalia apenas me passou um bilhete “Passa lá em casa depois da aula?” e eu assenti.

O resto das aulas passaram normalmente, sem muitas novidades. Encontrei com Perseu somente no intervalo, mas ele estava diferente. Com o olhar vago, um pouco distraído. Contudo, nem posso falar muito a seu respeito, segundo Thalia, eu não estava muito diferente.

As últimas aulas custaram passar, mas com muito pesar chegaram ao fim. Em todas a minha mente vagava em Luke, em nossas memórias juntos. Olhei para a minha mochila e no feche havia o chaveiro que ele havia me dado no nosso primeiro encontro...

Flashback on

Após umas duas semanas trocando mensagens, Luke finalmente me chamou para sair. Fomos a um parque de diversões. Ele estava lindo em uma bermuda caqui creme e uma blusa de botão azul estampada. Eu estava nervosa, era o meu primeiro encontro. O encontrei em frente a uma barraca de maçã do amor (destino?). Ele comprou uma para mim e fomos dar uma volta para ver os brinquedos.

Fomos em vários que viravam de cabeça para baixo, no túnel do terror (não pensem que eu me aproveitei dele ou ele de mim, nós fomos e apenas rimos do quão patético aquilo era), disputamos quem dava a martelada mais forte e coisas do tipo. Eu simplesmente adorei porque ele não tentou criar um clima romântico como muitos fazem (tipo tentar me levar no túnel do amor). As coisas simplesmente foram fluindo como tem que ser. No final, tentamos a sorte com a pescaria. Eu fui péssima e só consegui pontos o suficiente para uma pokebola. Luke, por sua vez, conseguiu um chaveiro. Era um tênis com asas. Sua cara de frustração foi hilária, no final trocamos os brindes.

Dei a ele a pokebola e ele comprou um algodão doce para me dar junto com o chaveiro. No final nos beijamos, foi o nosso primeiro beijo. Voltamos andando para casa, deixou-me na frente de meu apartamento, nos beijamos mais uma vez e ele seguiu para sua casa

Flashback off

O professor anunciou o fim da aula. Arrumei o meu material e fui rumo a saída da escola, Thalia estaria me esperando lá na frente. Parei alguns segundos, olhando o mural da escola e então Perseu apareceu:

— Oi... Você vai para casa? Posso ir com você? – seu olhar continuava vago.

— Não...vou para a casa de Thalia.

— Ah sim – e então ficamos em silêncio, ambos apenas foram para fora da escola.

Só posso dizer uma coisa: hora errada, local errado.

Parado com um buquê de flores na mão, na saída da escola, estava Luke. Com um sorriso envergonhado e uma mão na cabeça ele disse:

— Nós precisamos conversar.

Pov Perseu

Após aquela confusão com Annabeth, eu a perdi de vista. Preocupei-me com ela, mal a conhecia e já havia perdido. Moça difícil.

Após procurar por um tempo, acabei desistindo. Annabeth sabe se cuidar, então fui para casa. No caminho há uma pracinha, resolvi ir lá. Para a minha surpresa, ela não estava privada de pessoas, havia alguém ali. Aproximei-me e pude identificar quem era: um certo alguém cabeça dura. Sentei a seu lado, mas acho que minha presença não foi notada. Passei um tempo em silêncio, observando Annabeth.

Ela é intrigante, seus traços, sua personalidade, um ar que te fazia querer chegar mais perto. Aquele silêncio estava pedindo para ser quebrado, eu gosto de conversar com ela. Foi então que toquei em sua coxa, para chamar a sua atenção. Conversamos um pouco e eu a deixei em seu apartamento. Não sei o que houve no momento, mas senti uma imensa vontade de abraçá-la e já estava tal ponto de realizar esta ação que Annabeth deve ter percebido, fazendo-a recuar. Não nego que fiquei sem jeito, foi uma espécie de “rejeição”. Procurei ao máximo não demonstrar, então despedi-me e fui para meu apartamento.

À noite eu não consegui dormir, fiquei remexendo na cama. Fui mexer no celular para ver se me distraía um pouco, mas foi em vão, pois logo vi a foto de Calypso beijando aquele loiro oxigenado. Ainda não compreendia o porquê dela ter feito isso. Claro que também nem dei chances de explicação, talvez eu tenha sido muito precipitado.

Lembrei de como nos conhecemos.

Flashback on

Era o teste para as líderes de torcida na minha antiga escola. Drew, a capitã, estava testando as novas candidatas. Uma delas chamou a minha atenção, tinha cabelos castanhos e um jeito meio desengonçado. Apesar disto, ela se saiu muito bem no teste. Seu corpo também não era nada mal, confesso que fiquei babando. Ela deve ter reparado, pois veio falar comigo.

— Ei, eu vi você olhando. Perdeu algo?

— Não sei, talvez tenha perdido o chão quando te vi. – ela recuou um pouco, assustada. Mas então sorriu timidamente.

— Ah, obrigada, eu acho.

E assim começamos a conversar. Ela era uma menina doce e meiga, mas com o tempo mudou...

Flashback off

Pensando nessa mudança, eu acabei por cair nos reinos de Morfeu.

Outro dia

Acordei como de costume, antes de todos. Tomei um bom banho e fui fazer o café da manhã, com as minhas tão amadas panquecas azuis. Arrumei-me e fui para a escola. Ainda estava pensativo a respeito de Calypso, pensava seriamente em ir falar com ela, pôr a coisas a limpo. Devaneei por alguns instantes até a chegada de Nico.

— E aí. Que cara é essa?

Então expliquei a situação. Para a minha surpresa, tudo ainda poderia ficar pior.

— Eu tenho mais informações sobre ela e o tal loiro. Mas antes eu preciso informar que ele não foi o primeiro – não entendi “ele não foi o primeiro”.

— Como assim?

— Bom, parece que você tem mais do que um simples par de chifres. – eu não acreditava no que estava ouvindo.

Não direi que meu mundo caiu, mas fiquei realmente abalado. Apesar de não gostar dela de verdade, eu nunca a traí, sempre fui fiel. Esperava no mínimo o mesmo respeito. Sinto até a minha cabeça ficando mais pesada.

Nico ia continuar com a sua história, mas o sinal tocou e o professor entrou na sala. Tivemos de adiar a nossa conversa. O resto das aulas seguiram sem que eu percebesse. Ainda estava atordoado com a informação. Não vi meu amigo até o término das aulas, acho que nem queria, se eu o encontrasse, saberia do resto e talvez eu não quisesse mais uma dessas hoje.

Estava saindo da escola quando avistei Annabeth, ela olhava distraidamente o mural da escola. Eu não ia falar, entretanto também não queria ir sozinho para casa. Conversar com ela poderia me distrair.

— Oi... Você vai para casa? Posso ir com você?

— Não...vou para a casa de Thalia. – fiquei triste, hoje seria só eu e eu.

— Ah sim.

E então seguimos em silêncio para fora da escola.

Ao sair, havia um rapaz parado com um buquê de flores olhando para Annabeth, sorriu sem jeito e falou:

— Nós precisamos conversar.

Era ele. O mesmo loiro oxigenado da foto. Foi com ele que Calypso me traiu. Uma raiva invadiu o meu corpo, eu não conseguia pensar direito. Minha maior vontade era socar a cara dele.

Notas finais
Talvez eu não esteja trabalhando muito bem o Percy, perdoem-me, tento melhorar no próximo. u.u Qualquer erro me avisem!