E Se Fôssemos Normais?
1 Prólogo: Aceita
Notas iniciais
Até lá embaixo!
Como fizera nas últimas semanas, acordei cedo, apesar de ser domingo, e corri para o jardim da frente, ainda com a roupa que usara para dormir. Se a notícia viesse, eu preferia lê-la eu mesma, e não ouvir vindo da boca da minha mãe ou do meu padrasto. Enfiei a mão na caixa de correio e tirei as cartas. Olhei uma por uma, resmungando baixinho comigo mesma sempre que via uma conta ou uma mensagem qualquer da escola ou do Povo da Fé. Nada.
Um pouco desapontada, voltei para o meu quarto e me joguei na cama. Tentei voltar a dormir, mas não obtive nenhum resultado e acabei me sentando na cadeira da escrivaninha e ligando o computador. Nenhum dos meus amigos estava on-line, então fui checar meus e-mails. SPAM, SPAM, SPAM, uma mensagem corrente de Kayla, outra dessas enviada por Heath, e... Pensei que houvesse me enganado. Cheguei mais perto do computador, apertando os olhos para ler o remetente do meu e-mail mais recente. Não, não havia me enganado. Estava bem ali, preto no branco: Morada da Noite de Tulsa. Empolgada, cliquei na mensagem.
Li tudo o que estava escrito, mas parei de prestar real atenção depois da primeira linha – Zoey Montegomery, você foi aceita na Morada da Noite de Tulsa. O resto falava praticamente o que os meus responsáveis precisariam fazer, mas eu estava feliz demais para me importar. Comemorei dançando ao redor do quarto, o que pode não ter sido uma boa ideia, pois acabei esbarrando na mesa de cabeceira, derrubando meu despertador no chão e caindo quase por cima dele, o que causou um barulho considerável. Felizmente, ninguém da minha família ouviu.
Fiquei acordada dançando sem música até mais ou menos as dez da manhã, quando finalmente parei de andar e fui espiar pela janela. O idiota do meu padrasto, John Heffer (que é uma gíria em inglês para “mulher gorda” – um nome bem idiota), estava indo checar a caixa de correio. Dei uma risadinha, sabendo que ele iria ficar no mínimo muito preocupado com todas as contas que havia recebido, e torci para que as cartas do Povo da Fé fossem convocações urgentes, porque assim eu poderia me livrar dele por mais algumas horas. É claro que não tive tanta sorte.
Quando John voltou para dentro de casa, decidi que estava na hora de fazer alguma coisa mais ou menos decente. Tomei banho, troquei de roupa e escovei os dentes. Depois de pentear os cabelos e prendê-los em um coque no alto da cabeça, desci as escadas, descalça, e fui tomar café-da-manhã com minha família. Minha irmã mais velha e meu irmão mais novo já estavam sentados à mesa com minha mãe, como eu previra. Me sentei também, ao mesmo tempo em que John entrava na sala de jantar.
- Bom dia – disse ele. Resmunguei qualquer coisa, enquanto minha família dizia “bom dia”. O “padrastotário”, como eu o chamava secretamente pelas costas, sentou-se ao lado da minha mãe. Passamos um tempo comendo em silêncio, até que eu disse:
- Recebi um e-mail da Morada da Noite.
- Dizendo o quê? – perguntou minha mãe na mesma hora.
- Que eu fui aceita – respondi, sorrindo para o meu prato. Meus irmãos não disseram nada. Minha mãe pareceu ficar feliz de verdade, mas eu percebi que no fundo John não estava nem aí. Bem, eu não estava nem aí se ele estava aí. – Vou passar o e-mail para a senhora para a senhora ver o que precisa fazer para ajeitar minha transferência.
Notas finais
Até a próxima!
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