E Se Eu Também Quiser?

9 E Se Eu Desejar Morrer? [part. 1]


Notas iniciais
Oi, pessoal! Até que enfim voltamos! Então, antes de mais nada, gostaríamos de pedir desculpas pela ausência excessiva. Tivemos uma série de imprevistos, então deu no que deu :D Mas como nem tudo na vida é ruim, durante esse tempo em que estivemos fora acabamos por reescrever todos os capítulos. Em parte porque estava uma b**** e meio que fugia do que estávamos planejando, e em outra porque tivemos o apoio absoluto da maravilhosa Constantin Rousseau, que ainda por cima aceitou ser nossa beta.
No que diz respeito as mudanças que fizemos, vocês podem esbarrar em alguma coisa "estranha" e não entender bolinhas, se forem direto ao 9. Não podemos pedir para que releiam todos os capítululos. Não seríamos dignas para isso. Mas, caso tenham interesse, está totalmente à disposição de vocês. Para quem não pode/quer/tem tempo para ler todos, os capítulos 6, 7 (principalmente) e 8 ajudarão a se encontrarem melhor. :B
Esse capítulo, em especial, vai para a Alexys Creedence. Particularmente, sua recomendação me provocou vários gritinhoss histéricos aqui, do outro lado do mundo. Muito obrigado, sua linda! Vindo de você foi realmente especial para mim.
Agradecemos imensamente a todos os leitores/autores que já passaram por aqui.
E boa Leitura a todos!

A mesa estava posta impecavelmente com suas frutas prediletas, o chá escuro e fumegante em uma xícara acinzentada a sua frente era convidativo. Confuso, Sam olhou mais adiante, avistando a figura loira e conhecida passar manteiga gentilmente em um pedaço de pão, com uma lentidão excessiva, como que de propósito, como que esperando por alguma coisa.

— Vai ficar só olhando? — indagou Jessica, uma sobrancelha arqueada. — Se eu fosse você, Sam, aproveitaria enquanto pode... Aliás, você tem um ótimo gosto para essas coisas, sabia?

A loura abocanhou o que preparava e, depois, sorriu de boca cheia, sem se importar com os bons modos. O moreno então piscou algumas vezes até o sono desaparecer parcialmente; pelo menos o suficiente para conseguir raciocinar um pouco. Tentou associar qualquer coisa que via com o que lhe restava de memória, apenas alguns flashes. Que lugar era aquele, era o que se perguntava Sam, em completo silêncio. Nada. Não se lembrava de absolutamente nada. As últimas horas pareciam inexistentes. Os únicos borrões que ousavam surgir em sua mente eram de quando... De quando... Nem mesmo isso se lembrava. Algo inegavelmente o estava deixando inquieto, apesar se não saber ao certo o quê. Não em alerta, pois, embora estivesse em lugar desconhecido e numa cena um tanto inusitada, seu instinto não lhe dizia que estava em perigo.

Moore retesou os ombros e apoiou seus cotovelos sobre a mesa, entrelaçando suas mãos abaixo da linha do queixo enquanto o fitava com atenção.

— Me desculpe, mas eu precisei fazer isso. Você ainda estava agitado demais, então tomei a liberdade de te colocar para dormir.

Winchester ergueu as sobrancelhas, ainda mais confuso que antes. Não se lembrava de estar “agitado demais”. Sua linha de raciocínio se emaranhou totalmente, depois que a jovem disse tê-lo colocado para dormir. O que era tudo aquilo, afinal de contas? O que estava acontecendo?

— Eu estou sonhando? — perguntou num fio de voz ao perceber que aquilo lhe soara demasiadamente familiar, de uma forma estranha.

— No momento estou manipulando sua mente; controlando seu sonho. — ela falou de modo profissional, logo acrescentando: — Bloqueei grande parte das suas memórias. Não é algo que eu gosto de fazer frequentemente, acredite em mim quando digo. Mas preciso lhe mostrar algo, e você não parecia disposto a me ouvir.

Não sabia como ou por que, mas aquilo lhe soava mais familiar ainda, e um leve desconforto se mostrou presente. “Manipulando sua mente, controlando seu sonho”. Sentia como se tivesse vivenciado esse tipo de experiência ou algo parecido, mesmo que não tivesse certeza de absolutamente nada ao seu redor. Então a lembrança veio à tona, inundando sua sanidade com os tons inesquecíveis de vermelho vivo, vermelho sangue. A conversa amigável com o desconhecido, o pânico que sentiu ao ver a agressora gritar em constante agonia. Seu cérebro processou tudo muito rápido, talvez até demais, porém, Moore acompanhou cada imagem que o rapaz recebia do ocorrido como se estivesse assistindo um filme em câmera lenta. Jessica não se preocupou em expressar surpresa ou compaixão. A frustração pelo jovem ter se recordado daquilo se escondia por trás da faceta indiferente que a loira usava para não permitir que ele soubesse o que se passava em sua mente.

— Não se preocupe. — começou, cautelosa. — Foi um deslize de minha parte. Aquilo não vai acontecer novamente, eu prometo.

Não pode voltar a acontecer, corrigiu-se mentalmente. Você teve sorte por eu ter deduzido a tempo o que planejavam fazer. Sua morte significaria a minha cabeça em uma bandeja, instantaneamente. Preciso ser mais cuidadosa daqui em diante.

— Antes de entrar na sua cabeça, eu entalhei algo em suas costelas; uma espécie de escudo contra certo tipo de... Coisa. — torceu o nariz, desgostosa, e o encarou com uma confiança que não sentia. — Vai ser o suficiente para mantê-lo em segurança, por ora.

O moreno passou sua mão sobre o dorso imediatamente, constatando que tudo se encontrava em seu devido lugar. Depois percebeu que, mesmo que estivesse sangrando até a morte, não sentiria. Afinal, estava sonhando, certo?

Então, subitamente deu conta de algo que a loura disse e que o estava deixando irrequieto.

— Coisa?

— Alguém que até pouco tempo pensei ser nosso aliado. — pausou demoradamente, permitindo-se recordar. — A vida dá muitas voltas... — disse nostalgicamente, a mão repousando sobre a mesa em busca de apoio enquanto se levantava.

A moça poderia ficar horas com aquela conversa sem muito fundamento, mas, nas circunstâncias atuais, precisava ser rápida. Ali, fora do plano real, o tempo corria de forma diferente, mais lenta. Seu corpo físico estava desprotegido, repousado em uma cadeira ao lado da cama em que Sam se encontrava inconsciente. Aquilo poderia se tornar perigoso caso não agisse logo. E, além do mais, o mais novo poderia expulsá-la a qualquer momento, se descobrisse como o fazer. Não era algo complicado, e o rapaz era inteligente. Não podia arriscar o pouco que tinha.

— Vou facilitar para você. — disse enquanto se posicionava atrás do jovem, pousando suas mãos sobre os ombros rígidos do moreno — Terá a chance de ver o que eu vi e de sentir o que senti. Vai presenciar o que fui obrigada a presenciar antes de receber a morte como punição por algo que nem sequer tive culpa.

— Como é? — indagou visivelmente aturdido. Tentou se desvencilhar das mãos pesadas, mas estas o pressionaram firmemente, forçando-o a permanecer completamente imóvel.

— Porém, somente observará. — ignorou-o, concentrada no que fazia. — Não há meios de mudar o passado, mas pelo menos assim você vai perceber que não sou eu a real ameaça. Não é de mim que deve ter medo.

Winchester começou a se debater por dentro, tremendo inconscientemente. As mãos em forma de garras o puxaram para trás, levando-o em direção ao chão junto à cadeira em que estava sentado. Sam fechou os olhos até ouvir o baque surdo, e no momento seguinte, levado pela ansiedade em ver o que se desenrolava, abriu-os novamente. Dali em diante, nada mais fez sentido.

Grécia – 172 d.C.

A floresta se mostrava um tanto tranquila e suspeita, com suas gigantes e incontáveis árvores cobertas pelo verde escuro das folhas hibernais, movimentadas ferozmente pela ventania forte e gélida do cair da noite. Mesmo o barulho constante e abafado que alguns animais noturnos faziam no interior daquela paisagem sombria tornava-se nada mais que apenas sons tênues, notados por um ou outro que ali se fazia presente.

Marcas de sangue inocente estavam presentes nas grandes pedras que beiravam a montanha e também na terra arenosa da aldeia. Elas eram vistas pelos camponeses que corriam desesperadamente para se juntarem à concentração, ao núcleo daquilo. Em todos os ângulos onde fosse direcionado o olhar piedoso do ancião, era possível visualizar os vestígios do massacre ocorrido nos últimos dias. Os olhos do idoso focaram-se na pilha de corpos envoltos em lençol negro, sendo devorados pelas chamas arrasadoras da fogueira crepitante. Com peso no coração, recordou-se momentaneamente do quão difícil foi juntar todos aqueles pedaços... Sim, elas eram cruéis; dotadas de tamanha frieza que um único ser humano era incapaz de descrever. Aqueles monstros aniquilaram todos que se atreveram entrar em seu caminho. Só queria por um fim em todo o sofrimento o qual seu povo era submetido. Aquele era o seu dever.

— Peguem as bruxas! — o idioma era diferente do qual conhecia, e sabia disso. Porém, inexplicavelmente, entendera absolutamente tudo o que fora dito.

Ele viu o pânico se alastrar em meio às feições já assustadas dos poucos que o encaravam céticos, alguns até demonstravam certa decepção no olhar.

Foi então que sentiu alguém puxando o seu cabelo, de modo que a cabeça pendesse para trás, tamanha a força usada. Tentou a todo custo se libertar, mas o corpo não o correspondia. Tentou lançar uma cotovelada na barriga de quem o segurava, mas não controlava seus movimentos. Só podia escutar os gritos. Os seus gritos. E eles eram femininos.

xXx

Foi arrastado violentamente floresta adentro. O vestido comprido atrapalhava consideravelmente sua locomoção e seus sapatos estavam apertados demais. O caminho pelo qual seguiam era revestido por grandes pedras ao redor e iluminado por tochas. Conforme o que pôde ouvir de algumas pessoas que praticamente gritavam ao seu redor, seria sacrificado a fim de afastar os demônios que atormentavam a aldeia. Demônios estes que supostamente queriam as bruxas. Obviamente estava no corpo de uma. Restava saber onde estavam as outras.

— E o que pretende fazer? Fugir? Você sabe que aquelas coisas te pegariam em questão de minutos, não sabe? — a voz feminina ecoou em sua mente. Ou na mente de quem habitava. Não sabia ao certo, apenas conseguia ouvir. Tentou respondê-la mentalmente, perguntando quem era, mas não obteve resposta alguma. — Nossas cabeças em uma bandeja seria mais que o suficiente, não acha? — disse novamente, e depois voltou a ficar em silêncio por algum tempo. — Não! Isso é arriscado! — dessa vez, a voz quase gritava. — Não vai dar certo! Você não pode...

Parou de ouvir quando se viu driblando os que lhe seguravam pelos braços. A garota esquivava rapidamente das mãos hábeis que tentavam capturá-la, mesmo que as suas estivessem presas fortemente em suas costas por uma corda. Correu em direção contrária a qual seguia e escalou as pedras com dificuldade, rompendo assim a fronteira que separava a pequena vila da floresta. Era perseguida pela multidão berrante que trazia algumas das tochas da estrada. Elas informavam-na que estava se distanciando o bastante para seguir com seu plano sem interrupções.

Sam ainda estava lá. Apenas sentia a exaustão o atingir e sua respiração se tornar ofegante à medida que a cena se desenrolava.

Contudo, sentiu o sorriso perverso moldar os lábios da jovem.

xXx

Os galhos secos e espinhosos arranhavam sua pele enquanto tentava se locomover pelo lugar desabitado. Atrás de si, sentia a amiga distanciar-se lentamente, conforme suas pernas se rendiam.

— Meus pés já estão calejados, a gente por acaso está perto? — perguntou a mais alta, impaciente o suficiente para sua voz soar hostil ainda que não fosse sua intenção.

A companheira não respondeu de imediato. Também estava exausta a ponto de desmoronar a qualquer instante, mas não podia demonstrar fraqueza. Seria a oportunidade perfeita para um ataque surpresa vindo de seja lá quem ou o quê. A floresta era traiçoeira; pregava tudo quanto é tipo de peça, especialmente em pessoas que se encontram sozinhas e assustadas. Sabia disso porque, por inúmeras vezes, caíra em suas armadilhas inconfundíveis.

Porém sabia que não deveria se preocupar com a amiga que havia sido capturada, já que ela era esperta como uma águia e tinha grande vantagem por conhecer cada pedra do lugar com a palma de sua mão. Ela nunca se importara com o que os sábios diziam a respeito das sombras que cercavam a imensidão verde e inexplorada daquele local. Agalia era uma das pessoas mais destemidas que a negra se lembrava ter conhecido. Mas dessa vez a ameaça era maior que qualquer coisa antes já enfrentada, e pensar nisso fazia com que a jovem sentisse uma pontada de culpa por estarem naquela situação. Sabia que não devia ter instigado a amiga a desafiá-las. Sabia que não deveria ter jogado mais lenha na fogueira, quando o fogo já era demasiadamente intenso.

— Estamos chegando.

Olhou para o trás e viu Teressa sentada em um tronco. A pobre e doce Teressa. Garota órfã e excluída da aldeia, aquela que daria a vida para tentar proteger as únicas que a acolheu quando todos a trataram como lixo. Agalia e Sappheire ensinaram-na alguns truques, apenas para que Teressa pudesse se defender dos perigos da floresta. Resolveram ficaram lá desde então, desenvolvendo uma conexão muito forte com a natureza. O povo dizia que o trio de garotas cultuava com o próprio Demônio, e por isso conseguiam ficar vivas em meio os perigos daquela mata. Alguns ainda comentavam que se tratava de justiceiras amaldiçoadas, condenadas a viver nas trevas e realizando rituais para invocar entidades malignas que trariam a pestilência e a morte. A minoria discordava e dizia que eram apenas canibais. A verdade é que não eram nada disso; muito pelo contrário. Mas mesmo assim consideravam-nas uma ameaça. Há anos provocavam medo nos ignorantes, e ódio nas pessoas que se mostravam indignadas com o tempo e colheita ruins.

Então os ataques começaram um dia após elas terem destruído templos de adoração das aldeias vizinhas. Foram culpadas por todas as mortes que as criaturas causaram e, assim que o aviso surgiu ao lado do poço central, a população amedrontada sabia o que deveria fazer para impedir a sua total aniquilação.

As instruções foram específicas: “Tragam-me as impuras.”

Seja lá o que Agalia estiver planejando, pensava Sappheire preocupada, não vai dar certo. Ela tinha consciência de que a outra era inteligente, mas isso ainda não era o bastante. Não chegava nem perto de ser. Naquele momento, a negra apenas podia torcer para que todas elas pudessem permanecer vivas até encontrar uma maneira segura de fugir sem serem seguidas.

xXx

Certamente podia sentir tudo; desde o cansaço excruciante até a adrenalina excessiva por ter decido rolando ladeira abaixo. O coração palpitava acelerado quando o jovem sentiu, aliviado, as pernas desacelerando e as mãos sendo escoradas contra os joelhos imediatamente após se libertarem das amarras com facilidade. A respiração era pesada demais, e aquela roupa apertada comprimia o busto da moça de forma que os pulmões não pudessem inspirar ar o suficiente. Desmoronou, sentindo o monte de folhas úmidas e macias contra as costas doloridas devido à queda de antes. Então passou a olhar fixamente para o céu pintando em nuances de rosa e roxo, contrastando o lado oeste com seus tons amarelados.

Perdeu-se naquela paisagem linda e sombria por tempo suficiente para que pudesse recuperar seu fôlego, e assim que escutou o barulho de galhos sendo quebrados não muito longe dali, colocou-se de pé imediatamente, adquirindo posição de alerta. Os pássaros cessaram seu sutil canto, e o silêncio mortal pairou ao seu redor como o prenúncio que indiciava que algo ruim estava prestes a acontecer.

Olhou para os lados na tentativa falha de ver alguma coisa em meio ao breu. No céu, o dia ainda era claro o bastante para que estrela alguma pudesse ser vista. Mas na floresta era diferente, sabia disso. Durante todos esses anos que esteve confinada ali, presenciara diversos acontecimentos pra lá de absurdos. Já lutara contra grande parte de seus piores pesadelos, buscando ser forte o suficiente para vingar a morte dos pais. Acreditava que poderia derrotá-las. Sua mãe ainda estaria viva se elas tivessem ouvido suas preces. Seu pai ainda a levaria para a casa da avó todo dia, se elas não fossem seletivas demais. De qualquer forma, se contentara com a perda. Precisava esquecer parte de seu sentimentalismo para se afogar na raiva que a consumia aos poucos. Dessa forma ela se tornara destemida. E era assim que acertaria as contas. Era assim que a jovem as levaria para baixo, acabaria com elas. Só precisava de um pouco mais de tempo.

Os sons se tornaram quase imperceptíveis, mas mesmo assim ela nãos os ignorou por completo. Os olhos atentos agora vagueavam pelo vazio, e tudo o que podia enxergar eram os troncos grossos das imensas sequóias a sua frente. Então, a sombra negra e de olhos vermelhos e brilhantes surgiu no vácuo, a surpreendendo de uma maneira não muito agradável. A primeira coisa que passou na mente da loira foi que seria destruída naquele momento, por estar causando tantos problemas. Poderia ficar quieta e aceitar seu inevitável fim, porém, demonstrando uma coragem extrema que não tinha até então, ousou enfrentá-la com o pouco que lhe restava.

— Eu não estou pisando no seu território. — sua voz saiu trêmula. — O que você quer?

A princesa das sombras nada disse. E nunca diria. Apenas continuou encarando-a com seus olhos esbugalhados e demoníacos, flutuando pateticamente em meio a densa cortina negra. Subitamente, acabando com a incompreensível tensão que se formara, a sombra se quebrou no instante em que tocou o chão, arremessando os fragmentos estilhaçados para debaixo da terra, para a surpresa de Agalia. A confusão não deixara seu rosto nem por um instante após ver a cena surreal. Não conseguia entender o porquê de aquela criatura ter aparecido depois de todos esses anos e, então, simplesmente ter desaparecido mais uma vez, não fazendo nada para impedi-la, como se a outra a sua frente fosse nada mais que irrelevante.

A confusão se transformou em medo quando sentiu o solo abaixo de si tremer um bocado, e algo sair do mesmo local em que os pedaços da sombra penetraram anteriormente. No momento seguinte, a loira era observada por um par de olhos humanos e pouco expressivos. O brilho vermelho ainda estava lá, feroz, maligno. O corpo feminino e completamente despido a causava calafrios e uma excitação imprópria para o momento. O cabelo negro e longo se misturava com a escuridão. Mas havia algo errado. Ela estava... Estava sorrindo?

Não demorou mais que um segundo encarando-a. Quando deu por si, já estava correndo novamente, mas dessa vez mais rápido, como se sua vida dependesse daquilo. A criatura a perseguia com uma velocidade anormal, como um predador que persegue a presa. Enquanto corria, Agalia virou-se apenas uma vez para encará-la, e seus olhos quase saltaram das órbitas quando pôde ver perfeitamente a fileira de minúsculos dentes afiados e intimidadores na boca escancarada. O som que ela emitia era estridente, e parecia que todos os animais ali presentes resolveram acompanhá-la naquela melodia infernal.

Sam ainda estava presente, totalmente impotente, sentindo a ameaça se aproximar cada vez mais. Desejava que a jovem loira pudesse ser mais rápida, e, principalmente, desejava que ela não tivesse tropeçado no corpo inerte de alguém, logo se ajoelhando ao seu lado, como que para ter certeza de que realmente estava sem vida.

— Teressa! — o grito saiu estrangulado quando a moça reconheceu o rosto pálido.

Agalia jogou-se por cima do corpo da garota, abraçando-a enquanto seus olhos umedeciam involuntariamente. Não contava com aquilo. Precisava de todas envolvidas para fazer dar certo. Onde estava Sappheire, era o que a jovem se perguntava em meio aos soluços. Mas nem sequer teve muito tempo para pensar a respeito. A criatura já estava sobre as costas da jovem, distribuindo profundas mordidas por toda a extensão do pescoço ao ombro direito, aproveitando o estado de torpor que a moça apresentava.

Ela gritou. Sam gritou. Após disso, os olhos foram fechados lentamente, impossibilitando o moreno de ver algo. Mas ele ainda podia sentir. Os olhos da jovem ainda estavam fechados quando sentiu o corpo sendo arrastado pelas pernas. Ele desejou a morte, mas de nada adiantou.

Alguma coisa lhes dizia que aquilo estava longe de acabar.

Continua...

Notas finais
Tentaremos não demorar tanto para atualizar novamente, blz? Beijos, e comentem!