E Se...
1 Capítulo 1
Meu dia foi mais ou menos, não vi coisas que não conhecia e nem fiz coisa que nunca passou pela minha cabeça. Não comi comidas estranhas muito menos bebi algo que nunca vi antes, hoje simplesmente, não fiz nada.
A tarde foi passando muito rápido diante dos meus olhos , quando vi as horas no meu celular tomei um susto, 18:00PM. Caramba, por quanto tempo eu fiquei sem fazer nada? Apenas olhando para uma parede bege do meu quarto que agora estava um pouco impossível de enxergar por causa da escuridão. Fechei meu livro e pus em cima do meu criado mudo e acendi meu abajur, também bege, e pus meu BlackBerry do lado do livro.
Suspirei e olhei pro meu quarto,moderno, porém simples. Na minha frente havia um guarda-roupa com portas de correr também bege, nele tinha alguns respingos de tintas de várias cores. Na parede do lado esquerdo eu decidi por meus desenhos, sim, eu desenho, mas não muito bem. No resto das paredes haviam fotos de famosos, atrizes e comediantes que eu gostava, também tinha foto da minha família e eu com meus amigos. No meu criado mudo tinha meu abajur bege e do lado dele um pequeno pote na qual eu colocava flores de plásticos, também tinha lápis de cor, um perfume, tintas e o meu livro. Minha porta era toda preta cheio de riscos de lápis de cor e ate mesmo tinta, por fora tinha meu nome em dourado “ Sara Oliveira “ e abaixo, um desenho que eu fiz de um cachorro bulldog. Simples
Pus meu cabelo para trás e sai do quarto, chegando próximo da escada ouvi o rádio sendo ligado e aumentado, estava no comercial de algum “programa”. Desci as escadas devagar e tentei procurar minha irmã. Ao acabar de descer da escada, vi ela com um prato com brigadeiro com granulado. Ela olhou para mim e pegou um pouco de brigadeiro do prato e apontou a colher na minha direção meio que me perguntando se eu queria um pouco, neguei com a cabeça e me deitei no sofá com a barriga para baixo. Ela foi até o rádio e o desligou, pegou o controle que estava no chão, ligou a TV e pôs em algum canal de culinária. Voltou para mim e se sentou em cima do meu traseiro, não senti o peso dela, ela é tão magra quanto uma tábua.
- O que foi, irmãzinha? Brigou com o namorado?
- Você sabe que eu não tenho namorado!
— Ah, é mesmo.. mas pode ter! – ouvi a alegria na sua voz
- é, num futuro tão tão distante - disse fechando os olhos
- Que isso, Sara! – senti algo gelado nas minhas costas, deduzi que fosse o prato com o brigadeiro — uma moça tão linda e tão jovem como você, como esses cabelos longos e loiros – senti ela passando a mão no meu cabelo – e esse corpo perfeito — senti também ela passando as mãos pela minha cintura e dei uma risada – ou até mesmo seu rosto lindo com esses olhos castanho claro que vovó deu para a gente! – ela tirou o prato de cima das minhas costas – Você só não tem namorado porque não quer.
- Você ás vezes é tão chata, Amanda...
- Eu sei – senti ela saindo de cima de mim – Agora levanta que mamãe disse que é para a gente está na casa da tia Cláudia daqui á 10 minutos – me ajeitei no sofá e fiquei encarando ela
- Por que?
- Porque nossa prima está fazendo aniversário hoje
- Que prima?
- A Sandra, oh demente!
- Ah, claro. A Sandra...
- Agora vá, coloque uma roupa legal e tente arranjar um namorado ou até mesmo um paquera. Se não conseguir achar uma roupa que atraia os olhares dos garotos, me chame que eu sou especialista nisto, ok? – Disse e colocou uma colher cheia de brigadeiro na boca
- Eu te odeio – disse subindo as escadas
- Eu também te amo, irmã
~*~
“ Coloque uma roupa legal “ tinha um significado específico no idioma da Amanda. Eu poderia usar uma roupa transada, mas não aparecer mais do que deveria, eu poderia deixar a barriga aparecer ou usar um short curtíssimo, como eu não curto muito isto pus um vestido tomara-que-caia azul com várias flores espalhadas, coloquei meu colar que era um chave que papai me deu de aniversário de 15 anos, calçei meu sapato, fiz um coque alto e peguei minha bolsa em cima da minha cama. Sai do meu quarto e fui até o de Amanda vê se ela já estava pronta.
- Amandinha, tas pronta? — Perguntei abrindo a porta e pondo minha cabeça para dentro do quarto
- Quase.. – respondeu saindo do banheiro – Você viu meu sapato?
- Não sei qual sapato você esta se referindo – entrei no quarto e sentei na cama dela
- Aquele da Jeffrey Campbell
- Ah, claro.. hm – começei a olhar pelo quarto dela, tudo estava bagunçado, era quase impossível achar um sapato no meio de tanto lixo. – Se pelo menos você arrumasse seu quarto, seria mais fácil de achar
- Ah, Sara. Não enxe
- Ué, estou falando a verdade, se mamãe desse uma olhada neste teu quarto, ela teria um ataque, de tão bagunçado está seu quarto!
- Certo, Sara. – Ela veio até eu – Saia, deixa que eu procuro meu sapato sozinha, ok? – me levantei e andei ate a porta
- Boa Sorte – senti uma almofada bater forte contra minha cabeça e bagunçar meu cabelo. – Ei – me virei para ela – Meu coque! – ela amostrou a língua e sai do quarto dela rindo. Comecei a descer as escadas ajeitando meu cabelo – nervosa – Falei para mim mesmo quando ouvi um grito de raiva dela.
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