Notas iniciais
Hey du; eu ainda tenho amoras e amores para comentarem minha história e meus capítulos?? Ou apenas para ler? Espero que gostem porque se eu contar que dessa vez o modem da minha internet explodiu na minha frente, ninguém vai acreditar. ~Enjoy!!

Victor

Porque não posso pegar na mão e apertar? Porque ela não estava ali do meu lado falando comigo?
O curso devia ter começado ás 13 horas e já era 13h35min e nem achamos a sala que designaram para os alunos do 4º ano. Nós não éramos mais de 21 calouros, contando comigo e com Leo; mas eu estava bastante chateado e decepcionado; como é que ela larga o “grandão” e pega um mais velho? Enquanto caminhávamos até a sala eles andavam um do lado do outro conversavam entre si e em francês. Que raiva, não se pode dar nenhuma brecha que aparece outro. Ele parecia bem animado, já ela dava alguns sorrisos que para mim pareciam forçados, ela estava cansada estranha; estávamos em uma fila indiana bem comportada, eu fiquei para trás do grupo de alunos, pensativo imaginando se havia algo de errado; claro que havia, eu podia sentir.

Era um simples curso, então nós mal saímos do dormitório, apenas demos a volta no prédio e entramos em uma parte em que havia salas em vez de quartos, era a parte de trás do dormitório, ao contrário da parte da frente não havia refeitório. Era agradável, não precisávamos de tanto espaço, eram apenas aulas básicas francesas. Subimos dois andares, o efeito, a atmosfera e o local são completamente parisienses, seguimos para a sala de aula número Oito. Esse prédio deve ser imenso porque são oito á nove andares, Nove salas por andar, as salas são médias e confortáveis, nada á ver como as do Brasil.. Claro, em condições perfeitas de salas de aula que dispensam comentários de tão complexas e belas que são. Todos os alunos se sentaram com cautela; mais havia a lei do primeiro dia: “seja rápido e pegue o seu lugar em que vai sentar pelo resto do ano.” Sentei no lugar que sobrou, ou seja, no fundo, assim que sentei e me arrumei ela e o cara entraram depois de nós, ela passou as mãos para trás do corpo e ficou em silêncio perto da porta.

Ele era aparentemente tímido e calado, estava bem vestido, como um cuidadoso cavalheiro, e a minha (toda minha, apenas minha, profundamente minha, somente minha) Monitora, estava vestida como uma bela dama. Não conseguia tirar os olhos dela enquanto ele se organizava na mesa com tranqüilidade e uma paz, eu não fazia questão de começar o curso naquele instante; eu precisava admirar-la, e vê-la; sozinha, olhando ele fazer tudo sozinho parecia esperar ele pedir uma ajuda, ela estava com o olhar vazio, não havia nenhum brilho em seus olhos, não havia aquele brilho que eu vi quando a conheci, não havia nada de mais, além de um vazio. Eu poderia agora mesmo levantar do meu lugar e ir lá falar com ela, perguntar o que ela queria fazer, se queria sair dali, ir passear se possível, fazer qualquer coisa só não queria ficar ali a vendo sofrer em silêncio que era o que parecia. Quando o homem terminou de se organizar, ele acenou para ela que prosseguisse, fez sua postura e caminhou até a frente da sala encenando um sorriso.

—Boa tarde para todos. – Ela cumprimentou fazendo reverência pareceu um anjo fazendo aquela reverência angelical, com graça como uma bailarina e grandiosa como um maestro. – Eu não tinha noção de que havia tantos alunos que não tinham mais do que o básico do francês; esse além de ser o primeiro ano de francês de alguns alunos, há outros alunos que não são do nosso dormitório. Eles são de outro dormitório do mesmo Colégio que nós; estudando Artes e Música, sendo brasileiros, aprecio que não estejam em um conflito e que me aceitem como a Monitora responsável. Eu sou Mikaele Sales e que vocês calouros dêem as boas vindas uns aos outros. – Todos se cumprimentaram acenando com a cabeça, me senti meio desfocado e sem graça. – Ótimo; eu vos apresento Guilherme Silva, ou mais simples de se pronunciar... – Uma menina gritou no meio da sala interrompendo Mikaele.

—Guilherme Silva? – Ela quase engasgou de emoção. – G. S.? Irmão do C. S.? – Ela ficou vermelha assim como Mikaele que ficou sem graça e ele, que sorriu sem jeito e ficou um tempo sem saber o que dizer.

—Sim; irmão mais velho do C. S. – Ele fez uma reverência cumprimentando todos. – Bonjour! Á classe toda; Bonjour á tous. –A garota só faltou morrer ao saber daquilo.

Bonjour!

Todos nós respondemos; e comecei á pensar em algo que me dizia “ela será da família dele se você não fizer nada”. – Só para eu saber. Quantos de vocês estão á duas semanas aqui na França? – Uma boa parte levantou a mão, eu não me pronunciei faltava uns dias pra completar duas semanas. – Quantos de vocês estão cerca de um mês? – Outra pequena metade levantou a mão, ambos éramos brasileiros e estávamos até 40 dias em Paris. – E todos vocês estão gostando de Paris? Digam “Oui” para sim e “Non” para não.

OUI!

Eu ao menos permanecia em silêncio, eu não sei por quê; eu não iria dar o luxo de responder ao cara que estava cantando a garota que eu estava apaixonado. Não exatamente cantando, literalmente a encantando aos poucos; se com um rival era difícil liderar, com dois já estaria tornando uma tarefa impossível. Então me dirigi á uma folha de papel do meu caderno, meus olhos se fixaram na borda da folha e alternava entre a folha e a monitora e voltava á escrever palavras aleatórias, algo fofo e mantendo meus ouvidos atentos com as palavras do professor.

—Me alegra que estejam gostando de Paris... Meu nome, como a monitora falou é Guilherme Silva. – ele escreveu seu nome no quadro. – O professor do curso de francês dessa turma. Na época em que eu estudava aqui me apelidaram como G. S; depois veio o meu irmão M. S. e agora no colégio e no dormitório de Artes Cênicas temos o... – Ele hesitou fazendo um ar de surpresa vendo as garotas quase enfartarem por não estarem respirando. – C. S.

— C. S é Lindo! – Gritou uma garota com ar de assanhada que estava no meio da sala, suas amigas patricinhas começaram á gritar de euforia, visivelmente assanhadas e felizes.

—Maravilhoso!

—O meu sonho de consumo!

—Me passa o número dele! – Pediu outra no meio de tantas batendo os pés no chão, as garotas ao redor dela começaram á rir e á gritar parecia que “C. S.” era um fandom e elas eram as fãs que estavam ansiosas para verem o show dele.

—O número do quarto e o andar! – Elas começaram á rir como hienas.

—Senhoritas... – Ele chamou a atenção delas, colocou as mãos para trás em posição formal e elas se acalmaram. – A namorada dele está aqui. – Elas começaram á olhar uma para a outra procurando a tal “namorada”, ele ficou sério e apontou para Mikaele que colocou o rosto para fora da sala. – Ela é a Senhora Silva. – Então como eu suspeitava; C. S. é o grandão. Ofeguei aborrecido, última coisa que eu não queria ouvir era ela sendo chamada de “Senhora. Silva” é tão feio; Senhora Azevedo seria mil vezes melhor. – Ele já é dela, já são um do outro; então voltando; por favor, não me interrompam novamente. Sou o professor de francês, que vai acompanhar vocês novatos por cerca de cinco anos. Eu tenho 38 anos, moro em Bordeaux. – Ele escreveu no quadro o lugar onde ele morava. – Eu estou na França á nove anos, dou cursos á três anos; mas eu havia feito uma pausa á uns meses então são minha primeira turma após um longo tempo.

—Somos sortudos! – Riu uma garota da frente, Mikaele mantinha a cabeça pro lado de fora da sala como se quisesse evitar a vergonha.

— Bom; o que vem á mente de vocês quando se ouve a palavra “França?”.

Eu voltei para folha de caderno, pensando na Mikaele, imaginando o que ela estaria pensando, ela teria ficado com vergonha ou se sentindo mal pelo o que as meninas falaram? No que ela estava pensando? Ela estaria em que lugar? Em um lugar bom? Em uma memória ruim? Em um momento bom? Onde ela estava? Eu sentia que ela precisava de um abraço, de qualquer coisa, mesmo que fosse um “oi” direcionado unicamente á ela.

Uma garota respondeu á pergunta do professor

—Torre Eiffel...

—Típico; nós todos só focamos na Torre Eiffel. Mas há outros pontos muito bonitos em que não só vamos focar como vamos aprender. O que é essencial para quem vai morar aqui por um período, ou para sempre. – Para sempre é muito tempo. Mas Victor, você se importaria de ficar “para sempre” no lado dela? – Me falem o que mais vem á cabeça?

—É a cidade luz!

—É a cidade do amor!

Engraçado eles falarem isso, porque era exatamente o que eu achava, eu não saberia explicar em palavras melhores. Continuava rabiscando nas bordas da folha, palavras aleatórias, qualquer coisa até a hora de ele começar a ensinar á falar o a, b, c francês.

—É a cidade que vende croissants. – Riu um garoto.

—A cidade dos bordéis! – Claro Leonardo, claro.

—Algo com mais definições... – O professor e toda a sala riram.

A classe ficou em silêncio, então fixei meus olhos nela, ela estava entre a sala e o corredor, estava entre sem graça e cansada, de braços cruzados com os olhos fixos no corredor, e olhar-la não era mau idéia naquele momento, eu tinha tempo de admirar-la sem ter que desviar o olhar quando ela olhava de volta. Mesmo que aqueles olhos me arrepiassem de todos os jeitos quando encontrassem com os meus.

—Ei rapaz! Que está escrevendo sem motivo. — Levantei a cabeça e olhei para ele; todos estavam me olhando, claro menos Mikaele. Rapaz pode ser qualquer um, e nunca me chamam atenção, nem me notam. – Qual é o seu nome?

—Victor Azevedo, senhor... – Arfei, Mikaele se voltou imediatamente para mim, no momento em que eu falei “Victor” e colocou seus olhos em mim, simplesmente me olhou e respirou fundo acho que surgiu um sorriso de seus lábios.

— Vitor ou ViCtor? Mesmo que a pronúncia seja a mesma, há o que tem o C alguns pronunciam ViCtor, e o sem o C que pronunciam Vitor. Como é o seu? – Ergui uma sobrancelha. Toda a sala se voltou para mim, se fosse possível queria abrir um buraco no chão e sumir. Calma, se acalma é apenas uma pergunta, só uma pergunta, respire, ignore que ela esteja te olhando, e responda á pergunta que ele fez sem gaguejar.

—Se escreve “Victor”, se pronuncia Vitor. – Hesitei e fiquei em silêncio pensando. – Na verdade tanto faz. Todo mundo pronuncia Vitor, eu escrevo “Victor”, mas pronuncio Vitor. – Eu não sabia o que responder, eu mesmo nunca me fiz essa pergunta, Victor tem o C mudo. Tem muitas pessoas que coloca no nome do filho uma letra muda e se pronuncia normalmente.

—Victor... – Ele fez um barulho com a boca mostrando que estava pensando. –Victor Hugo.

—Victor Hugo? – Perguntei com estranheza

—Sim, Victor-Marie Hugo, foi um dramaturgo, artista, poeta, foi ele que escreveu o famoso “O Corcunda de Notre Dame”; se dor Victor com c, seu nome é semelhante ao do famoso “Victor Hugo” Será você nosso próximo Victor Hugo?

—Eu não sei. – Esse tal de G. S. vai ferrar minha vida escolar antes mesmo dela começar.

—Eu espero que escreva sobre o amor. Pois o amor é tudo. – O professor que estava sentado na mesa bateu as mãos uma na outra e olhou para Mikaele, a observou por um minuto e sorriu, ela se corou; e imagine como uma negra (chocolate 32% da cacau show), com uma intensidade única, fica linda corada. – Victor Hugo também escreveu “Os Miseráveis” e se eu não me engano os alunos da 8ª série ao 1º ano, costumam fazer um teatro ou um musical...

—Não Guilherme... –Ela pareceu surpresa com o que ele falava. – Fica quieto, Sil vous plaît. – Ele sorriu.

—Já aprenderam á falar Por favor, em francês; é Sil vous plaît! – Ele pronunciou querendo sorrir. – Todo ano há uma grande apresentação; caso haja uma votação, escolham “Os Miseráveis”, garanto que Mikaele iria amar. Ou se quiserem agradar Cainan, escolham Tartufo, escolham Bérénice, Cyrano de Bergerac; mais primeiro iremos ler antes de interpretar. – Ela revirou os olhos e emitiu uma longa frase em francês, ele riu dela. – A culpa foi do Victor Hugo ali.

Eu prefiro mais Azevedo. O professor me deu um apelido, como se fosse um valentão... Estou sofrendo bullying! Agora todos vão perturbar com isso. Ele se voltou para sala antes de eu dizer que preferia Azevedo á Hugo.

Bien- Vienus Étudiens á Paris! – Disse bem animado; eu comecei á prestar atenção, não queria ser pego desprevenido e começarem á me fazerem perguntas do nada e ficar com uma cara de taxo sem saber o que responder e parecer sem graça, muito menos receber as atenções. Só há uma pessoa nesse momento que eu quero atenção. E...

Percebi que ela estava olhando para o chão, repetindo algo que parecia uma oração ou um mantra. Eram apenas duas palavras, comuns, e eram em português, ela falava sem emitir som, só de ficar olhando por cerca de uns dois minutos percebi que era um nome...
Ela estava pronunciando um nome.
Pronunciando o meu nome!

Meu nome.

Não posso dizer que meu ego não se inflou, meu coração não disparou, que eu não comecei a tremer... Pois se inflou, disparou, tremi. Eu a olhei, com certeza com um brilho nos olhos e uma esperança, a admirava enquanto ela repetia “Victor, Vitor...” optando pronunciar meu nome com C e sem o C; virou um jogo ela até ia rir, porém me olhou, seus olhos se encontraram nos meus. Como na primeira vez que nos vimos, afirmando mais uma vez que ela era tudo o que eu sempre sonhei o que eu sempre quis na minha vida amorosa e social. Só de ela estar me olhando, me conquistando com o olhar, nos fazendo ficarmos paralisados apenas de nos olhar, impossível desviar o olhar. Ela cruzou a sua vida na minha, mas, ela “acordou” primeiro; ficou sem graça e abaixou a cabeça com o rosto vermelho.

—Então Victor Hugo... – Ele decidiu mesmo usar esse apelido, dei atenção á ele.

—Victor Hugo? – Perguntei nervoso todos me olhavam. – Sou Victor Azevedo! –Exclamei.

—Digo Victor Hugo porque me parecia muito interessado de escrever em seu caderno. Escreveu algo de interessante? Creio que escreveu sim. – Senti meu rosto começar á queimar por ele começar á se aproximar de mim, da minha mesa. – Algo que seria como o de um verdadeiro autor que jamais será esquecido? – Paralisei completamente e coloquei a mão sobre o caderno. O que eu fiz? Como sou idiota em escrever em vez de tentar interagir; impossível interagir com ela ali; e a vergonha de dizer algo que faça ela se afastar? De agir igual á um idiota. Rangi os dentes quando ele ficou em frente á minha mesa e com a mão estendida pediu o meu caderno, meu coração disparou eu não estou acreditando nisso. – Posso? – Ele perguntou e eu fiquei em silêncio. – Você gostaria de ler? – Pronunciei um “não” fraco o fazendo olhar para Mikaele e ameaçar chamar-la. – Mikaele... – Eu quase desmaiei.

Eu tenho absoluta certeza que fiquei mais vermelho que um pimentão quando ele a chamou; antes de ela sair de onde ela estava, fui mais rápido e entreguei logo o caderno para o professor. Antes ele do que ela, principalmente porque era algo que eu escrevi pensando nela; ele pegou o caderno de 15 matérias da minha mão interessado e focou nas frases que estavam escritas na lateral de uma folha só, ele leu, leu de novo e depois ficou observando enquanto Mikaele cruzou os braços, pronta para ouvir. Eu deveria estar suando frio, porque eu fiquei muito nervoso. Eu ia fechar os olhos e abaixar a cabeça sobre a mesa quando ele coçou a garganta.

—“Eu queria lhe pedir um abraço, mas na verdade eu quero me aconchegar nos seus braços”. – Pronto Victor pode cavar um buraco no chão e ficar por ali mesmo. – “Por favor, não vá embora, eu ficarei sozinho, logo eu, que foge da solidão e modéstia parte eu preciso comentar, parece que formamos um belo par.” – Foi comprovado na noite do “chocolate quente”. – “Quero completar que o seu corpo é divino, é um lindo cenário, sua pele me fascina, sua fala me conquista quando está sorrindo alegra a minha vida.” “Ok, pode não ser comum alguém se expressar de tal maneira, mas preciso te lembrar que uma garota como você não é fácil de encontrar e quem é sortudo para conseguir seu beijo? Garanto que não é qualquer um. Porém eu não sou um qualquer, realmente sou mais um, mas um que te quer.” “Mas a chuva não pode pra cair, o sol tem hora certa para nascer; eu jamais vou querer te perder.” “Inevitavelmente mais uma noite juntos iremos compartilhar.”

WONT. ♥ A sala de aula pirou.

—Eu estou surpreso... – Ele falou me devolvendo o caderno. – E mesmo assim não quer ser chamado de Victor Hugo? – Mordi os lábios sem graça, todo mundo me encarava, claro, ela também e com certeza entendeu a última parte e me olhava, porém, com um olhar doce, um singelo sorriso no rosto, braços cruzados, literalmente ela me fascina. – Victor Shakespeare? – Eu precisava acabar com aquilo o mais rápido que eu podia, antes que se tornasse diário e nem eu mesmo pudesse suportar ouvir meu nome e todo o dormitório e colégio me fizessem um enorme motivo de zoação, humilhação e vergonha estadual, nacional...

—Professor Guilherme... – O interrompi. – Se não se importar em me chamar...

—Chame-o pelo nome que lhe convém e está escrito e marcado na chamada de alunos; isso é um apelido, isso não faz parte do curso Guilherme... – Disse Mikaele completando o que eu ia dizer claro, não era tudo aquilo, mas uma parte. – Você vai acabar deixando-o mal.

—Quantos anos você tem? – Ele me encarou.

—Treze...

—Até que para um garoto da sua idade, o qual eu considero esperto para qualquer garoto da sua idade, você é bem complexo e expressivo, o aluno mais romântico, criativo e crucial com quem já lidei; tanto aluno, como professor, quanto colegas. Você merece o meu respeito. – A sala ficou em silêncio, e eu não consegui pronuncia a palavra: “obrigado”, Leonardo estava sentando umas três mesas á minha frente na fileira á minha esquerda e estava mais feliz que eu. Claro; alguém tem que estar feliz por eu ter me exposto para a garota de que eu estava á fim.

Ele se voltou para o quadro e escreveu “Salutation” e em baixo da palavra escreveu “Saudação” e foi escrevendo várias palavras. Mikaele o acompanhava com o olhar de um jeitinho bem atencioso, depois ele se voltou e com o dedo a chamou para a frente da sala perto do quadro.

—Acabando com o clima de descontração começaremos a primeira aula com o básico do que tem que aprender. A saudação francesa; nessa primeira semana, eu deixo Mikaele ensinar a pronuncia á vocês. Eu escrevo, ela ajuda. – A palavras eram as seguintes que nós anotamos:

Bonjour
Bonsoir
Bonne nuit

~

Salut
Au revoir
Á bientôt
Á demain!

— Bonjour é o mais simples, significa: “bom dia”. E tanto Bonsoir quanto Bonne nuit é “boa noite”; mas há uma diferença, o Bonsoir nós costumamos dizer a partir do por do sol. Um é a ação de cumprimentar e a outra é a ação de dizer bons sonhos. Para não se confundirem... O Bonsoir é um cumprimento depois do por do sol. Vamos à casa de alguém e anoiteceu, dizemos o Bonsoir, e quando formos embora dizemos o Bonne nuit, na ação de deseja um “boa noite” no sentido de ir dormir. Não podemos usar Bonsoir para desejar uma boa noite de sono e nem Bonne nuit para cumprimentar alguém. O Bonne nuit é para a nossa partida a noite. Entenderam? – Todos acenaram positivamente.

—E boa tarde? – Leonardo perguntou.

—Não usamos a expressão “boa tarde” como os brasileiros, dizemos Bonjour o dia inteiro até as 18 horas, então usamos a expressão Bonsoir. Lembrando; – Começou o professor. – Dependendo da estação do ano, o nascer e o pôr do sol têm horários diferentes. No outono e no inverno o nascer do sol é em média às 08h00min e o dia acaba às 17 horas. Entre a primavera e o verão é um dia mais longo o sol nasce às 06h30min e se põe às 21 horas. Mas á dias que a luz do sol aparece ás 05h30min; isso no verão, como é inverno ainda, e com dias curtos, ninguém saí do dormitório sem acompanhante ou autorização.

—Chegamos aos cumprimentos. Salut é oi; mais também pode ser tchau; apenas os mais jovens falam o Salut para o tchau, para os mais velhos dizemos Au revoir; é o formal, trabalhamos com palavras formais e informais; o Salut para dizermos tchau é informal; para jovens, entre vocês mesmos. – Ela explica muito bem.

Aliás, ela é linda, nada que ela faça me parecerá errado. Ela ensinou que “Á bientôt” é até logo, até mais e que “Á demain” é até amanhã. Estava sendo uma aula muito divertida, ela não podia dar corda para o professor que ele falava, não pouco, mais bastante, na verdade falava tudo o que ele conseguia, enrolava mesmo, gostava de interagir com a sala e adorava me chamar de Victor Hugo. Ele não era assustador como o irmão mais novo dele, aparentemente eles eram bem parecidos, mas, só de aparência, não eram idênticos, e ele era bem extrovertido. Eles dois formam uma boa dupla de professores, com ele eu posso ter tido um pouquinho de ciúmes no começo, mas... Ele é diferente, bem fácil de aprender com ele, ele mesmo quem corrigiu o que aprendeu e quando levamos o caderno para ele corrigir ele fez nós pronunciarmos algumas palavras; aprendemos á pronunciar nossos nomes, pedir, por favor, pedir ajudar, nos apresentar, formalmente e informalmente. Mikaele apenas carimbava as lições.

—Guilherme! – Garoto berrou na porta perto do ouvido da Mikaele a assustando e a fazendo se afastar da porta. Era o grandão. Houve uma euforia na sala quando ele apareceu e ela se afastou dos dois. Eles se abraçaram, fazia tempo em que não se viam. – Quando chegou aqui?

—Eu... – Ele hesitou e o encarou indignado; sim. Indignado. – O que foi isso no seu rosto? – Ele olhou para Mikaele que olhou para o chão sem graça, procurando onde colocar o rosto que estava machucado, mas, não tanto quanto dele. – Você?

—Não! – Exclamou ela assustada. Guilherme avançou e o clima ficou tenso, ninguém falou nada, nem pareciam respirar. Tirei minhas pernas debaixo da mesa, se ele se atrevesse... Se ele se atrevesse o que quer que fosse. – Calma... – Ele pensou um pouco e olhou para a sala.

—Eu falo com vocês depois, agora é 16h30min, estão dispensados, arrumem as coisas e façam a fila. – Ele olhou para Mikaele e o grandão, cochichou alguma coisa e Cainan saiu da sala. Ela ficou na mesa do professor, ajudando-o á guardar as coisas e quando ele terminou esperou a fila se formar e saiu, ela ficou na mesa sozinha, tremendo. Eu esperei que os alunos saíssem na frente, eu tinha a esperança de falar com ela, mas ela se retirou juntos com as últimas alunas.

Droga! Caminhei até a saída com um bico e ia me juntando á fila quando senti uma cutucada no meu ombro. Era ela, ela estava do lado da porta, do jeito em que assim que eu saí, ela me tocou.

—Victor... – Ela pronunciou com o C.

—Mikaele.

E sem jeito, nós sorrimos, e abaixamos a cabeça sem graça sorrindo. Do que mais eu iria chamar ela? Um rubor tomou nossa face e por uns segundos não nos olhamos. Quando passou o momento sem jeito ela respirou fundo, eu acho que sou uns centímetros mais alto que ela; e isso é perfeito.

—Me desculpe pelo Guilherme; desculpe-o por ter chamado de “Victor Hugo”. – Eu a fitei. E por um instante, um breve instante que pareceu uma hora ela queria pronunciar alguma coisa, fazer alguma coisa, falar algo, mais não conseguiu. – Eu vou conversar com ele, não quero que isso se torne um apelido de mau gosto para você. Eu juro, eu...

—Gosta mesmo dos Miseráveis? – Ela me olhou surpresa.

—Do musical... – Ela respondeu depois de um tempo. – Do filme, do livro. Sim. – Ela riu, eu fiquei sem saber o que dizer, na verdade o que eu ia dizer me escapou pela mente e então fiquei a admirando. – Mas, eu vou falar com ele, não posso o deixar fazer isso, chega á ser antiético.

—Merci. – Falei meio fraco.

—De rien. – Ela falou com um sorriso nos lábios. – Sua pronuncia é tão...

—Mikaele! – Berrou Cainan atrás dela, bem distante, engoli meu sorriso de sem graça e fiquei sério. – Vai demorar mesmo?

—Não. – Ela abaixou a cabeça e colocou algo na minha mão discretamente, e fez cara séria. – Não fique para trás.

—Claro. – Eu tentei sair, mas ela não soltou minha mão nossos dedos se apertaram em um tipo de abraço e ela não abria os seus. –Não vou ficar para trás.

—Eu vou fazer a monitoração hoje e espero ver você lá.

—Eu vou estar. – Eu comecei á ficar com medo, ela não queria me soltar, me olhava com um olhar sério e aquele grandão que estava de cara roxa estava encarando ela. – Eu não iria para lugar nenhum.

—Eu não quero ligar para os seus pais, nem dar uma reclamação.

—Não vai ser necessário. Eu vou me comportar. – Quando o meu coração disparou para perguntar se estava tudo bem, se havia algo errado, se ela queria ajuda, ela apertou mais os meus dedos e deu um sorriso. Eu não soube o que fazer, eu gelei, ela estava com tanto medo quanto eu.

— “Inevitavelmente; você é muito criativo. Eu gostei.” – Ela cochichou baixinho, só para eu ouvir, e quando soltou nossas mãos, delicadamente, passou a mão na minha cabeça. – Não se preocupe você vai se acostumar. – Acenei positivamente sem palavras, eu fiquei sem reação. – Guilherme irá fazer a chamada e se você não estiver lá...

—Sim.

Eu dei as costas e sai correndo, com a mão fechada, com o coração prestes á saltar pela boca, tremendo, consegui alcançá-los antes de dar a volta completa no prédio, eu quase cai na calçada por causa da neve, mas eu estava muito nervoso, ela simplesmente me deu um longo contato físico. E como eu estava sem luvas naquele dia, e ela também seus dedos frios fizeram os meus dedos quentes por estarem escrevendo, dar um pequeno choque elétrico. Quando achei que não podia melhorar, ela deixou um papel entre meus dedos, com o frio não teve como perceber.

“Seus versos me fazem dormir para ter sonhos."

Na vida todo mundo tem o direito de encontrar o amor da sua vida... Eu já posso morrer porque eu acabei de encontrar e confirmar isso. Só preciso tirar ela daquele tal de C. S. para fazê-la voltar á sonhar.

Notas finais
Espero que tenham gostado, não deixe de comentar (críticas construtivas) porque isso ajuda muito! Estou tentando diminuir o numero de palavras, mas... Não tem jeito amoras... :3 Até o próximo capítulo... ~♥~ Beijos da Autora.~♥~