E Eu sou o Amor da Sua Vida?
46 Veneno Cítrico, Temporal de Sentimentos...
Notas iniciais
Mika
Devolva o meu coração, que seu corpo recusou!
Posso ficar em choque o tempo que eu quiser. Eu tenho esse direito! Aguentei a cena daquela “leprechaun”... Aparecendo magicamente, do nada, e ruiva, bem vestida e com um sotaque estranho, escorregando feio no francês. Meu nariz até torce só de relembrar da cena, é muita confusão acontecendo e.
Armin segurou ela no colo! A quantidade de gente que viu aquilo, não tínhamos nem tirado a roupa do serviço, e aquela palhaçada iria se estender se Simone não tivesse entrado no meio dos dois e dito algo com os olhos que fez Armin se afastar. Simone sabe. Sabe que nós dois namoramos.
Eu posso ficar chateada, irritada, furiosa. Me senti traída! Por uma garota muito mais bonita que eu. Poxa; se fosse Simone... Não que ela fosse feia, mas, a leprechaun; ela está de parabéns. Parece uma patinadora do gelo, com aquela graça, confiança, para pular no colo dele e lhe tascar a droga de beijo; meu cérebro está gritando, estou tonta. Aquela leprechaun não é só irritável. Ela é linda; seja lá quem ela for. E tem sardas. Armin uma vez me disse que amava sardas. Achava atraente.
(...)
Filho da puta! Então ele acha ela atraente!
Á quanto tempo eles se conhecem? Respiro fundo, me jogo na cabeça contra meu colchão, e começo a gritar contra o travesseiro; eu estava com raiva, ciúmes, ódio ou o que? Eu não gostei de ver ela e ele juntos. Porque tinha que ser ele? Não entendo como isso aconteceu!? (...) Ela tem um mordomo? Sério?
Pele perfeita, cabelo brilhante perfeito, pose perfeita quase pacifica, demoníaca.
Ao contrário de mim.
Quero morrer de raiva. Eu nunca senti ciúmes com Cainan, até porque ele era diferente. Como diferente? “Não me dê motivos para ter ciúmes de você, e você não terá ciúmes de mim”. Soa mais como ordem. Mas, já passou, ele não é o foco.
Volto a berrar no travesseiro.
—Mikaele... – Me assustei com alguém me chamando. Geralmente batem, raramente me chamam; já batem como uns desesperados. – Eu sei que você está aí! Podemos conversar? – Oh, que milagre, Katherynne voltou a falar comigo?! Esperei um pouco; me acalmei. Tudo já foi do topo e está descendo ladeira a baixo, então abri a porta.
Me deparo com uma Katherynne totalmente vermelha. E não é de frio! (Ela é do sul do Brasil, é óbvio que -5°C não é nada pra ela. Mas, não está tudo isso.) Eu fico a encarando, decifrando o que sua expressão queria me dizer. Ela me encara. E preciso levantar a cabeça porque ela é maior que eu.
—Então... – Digo depois de um tempo.
—Posso entrar?
—(...) Nada a dizer? – Ela olha pra cima.
—Eu não devia ter brigado com Simone, eu deveria pedir desculpas; não deveria ceder as cantadas de Luco, e eu preciso agir como uma pessoa mais responsável. – Ela para de falar subitamente. – Esqueci algo?
—Desculpas?
—Porque?
—Está sem falar comigo!
—Ah. Mas, eu já esqueci. – Ela olha para o corredor. – Posso entrar? (...) Pardon!
—Pode! – Kathy entra quase correndo no meu quarto sentando-se na minha poltrona, eu a observo. – Está fugindo de quem?
—De ninguém! – Olho sem entender. – Olha, eu preferia deixar isso de lado, mas, não dá!
—Certo...
—Não sei se sabe que hoje não jantei aqui. – Então ela não viu a leprechaun. Aceno positivamente. – Não queria ver ninguém hoje; estou completamente envenenada de ódio.
—Eita.
—Eu achei que seria péssimo Mateus estar saindo com outra pessoa senão, eu. – Sentei na minha cama. – Achei uma coisa meio ruim a ideia dele sair com Simone. Porém, nunca me passou pela cabeça que Éponine pudesse sair com ele.
—Oi?
—Surpresa?
—É sério?
—Eu jamais... – Ela ficou sem voz. – Eu vi.
—Ouh... – Ela estava inquieta, sua voz saiu trêmula. – Isso é péssimo!?
—Existe uma expressão para “pior do que péssimo”?
—Você está com ciúmes?
—(...) Estou indignada! – Esse seu tom me parecer ser de surpresa.
—Éponine Waters? – Ela me olha indignada.
—E tem outro Éponine nessa porcaria?
—Tem a Porter.
—Não conheço! – Responde áspera. – Só sei que isso é um absurdo! Como ele me deixa pra sair e ficar paparicando “poraí”? Eu sei que ele não é mais o meu namorado. Mas, por 3 anos ele foi! E acho isso uma “trairagem” descabida! Agora se ele pedir para voltar, eu não vou querer!
— Você queria? Você quer?
—Não sei! Quero? Não! Ah eu não sei. Devo? Aaargh!
—Mas, porque você não jantou aqui? – Mudei de assunto enquanto a via totalmente se enrolar em suas próprias dúvidas.
—Ah... Tive um encontro.
—(...) Um encontro?
—Sim.
—Com quem?
—Aaah, talvez não seja interessante.
—Kurz, você me ignorou, uma ou duas semanas porque eu te dei uma advertência, aí você se fez de difícil e tal. Aparece do nada, e não vai me contar?
—(...) Não?
—Foi com o Seward? – Disse de súbito.
—Por Deus! Não! Eu não saí com ele! Nunca.
—Então... – A olhei esperando ela dizer algo. Kathy olha em volta e seu rosto fica corado. –Quem é o príncipe secreto?
—Não é lá um príncipe. É cortês, gentil e bem disciplinado. – Hãn, Luco que não é mesmo. Mordi os lábios esperando ela dizer algo.
—Vai Katherynne, conta; quem é?
—Não ria.
—Não irei.
—(...) Jay Amajiki. – Hesito por alguns segundos, talvez quase um minuto, e só daí eu fico boquiaberta e um sorriso começa a se formar. – Pronto. Está feliz? – Eu estava sem palavras, e ela estava sem jeito.
—Como você está saindo com Jay Amajiki, e não me diz isso? – Digo quase eufórica e me aproximo dela.
—Bom, porque você está com Armin Rowell, ele é amigo da Simone Kutzman e ela é uma babaca. – Ergo uma sobrancelha. – O que? Ainda estou com ódio dela. Não vou bater; mas, também não vou alisar.
—Ok. – Reviro os olhos, e fico entusiasmada de novo. –Como isso aconteceu?
—Eu não sei, ocorreu.
—Nada ocorre assim... Do nada. – Ela se espreguiça.
—Certo; ele me mandou uma carta. Estava em japonês.
—Kanji.
—(...) É, é, isso aí. Enfim... Pedi para traduzirem pra mim.
—Quem?
—Pro guri. – Meu coração dispara; eu sei quem é o guri, me arrepio toda. – Era um poema bem fofo; aceitei cordialmente, aliás, porque não? Ele mandou outra, outra, a 3ª já veio com uns docinhos maravilhosos e a 4ª com um convite para sair. Então fomos no cinema e tomamos café no La Belle Équipe.
—Sério? – Estou chocada. Até hoje sei extremamente pouco sobre Jay Amajiki, mas, sei que ele e Conrado (o Coloré original) chegaram praticamente juntos. Com uma diferença de três semanas. Ao contrário de Conrado, que era habilidoso, comunicativo, ágil e bilíngue. Jay parecia desajeitado, tinha hábitos peculiares, de pessoas desacostumas a socializar. O que o fez sair do programa por nove meses, ele voltou depois, visivelmente mais sociável, porém, não falava francês bem, Conrado sempre era um tradutor pra ele. Se ele é bilíngue foi graças aos seus pais. Mas, ele não é sociável. Então, estou chocada.
—Ele me levou, tomamos um café, com uns doces e foi isso. – Hesito por alguns segundos.
—Vocês se beijaram? – Ela começa a rir. – Sim?
—Não!
—Não?
—Não. – Ela diz tranquilamente.
—Porque não?
—Não é um costume para ele beijar no primeiro encontro. Tem que ser em um lugar e em um momento adequado e especial. – Ela olhou para suas unhas. – Ele perguntou se eu ficaria ofendida...
—Você ficou?
—Não. – Parecia que realmente não ficou. – Na verdade, eu estava curtindo a noite; ele tem uns assuntos legais a abordar, tipo: mistérios não solucionados, guerras mundiais, teorias da conspiração. Mas, daí “pow” Mateus e Éponine passeando pelas calçadas de Paris. – Estreitei os olhos.
—Tem certeza que eram eles?
—Eu sei o que eu vi; e era Éponine e meu ex! – Ela grita.
—Mas, você está saindo com Jay; e isso não é ótimo? – Ela fica sem palavras. – Kathy?
—Não é justo! Eu só queria ter Mateus de novo. – (...) – Mas, não quero mais! Ele me dispensou e me trocou duas vezes! (...) Eu só não queria me sentir só. Eu. – Devo admitir que é doloroso ver Kathy sofrendo assim. E é um sofrimento genuíno. Porque as lágrimas correrem por suas bochechas e sua voz sumiu no meio da frase. E quando ela estava inconsolável, eu a abracei.
—Vai ficar tudo bem...
Eu pedi pra Kathy dormir no meu quarto; nós fizemos um tipo de festa do pijama, que no outro dia teria aula, e deveríamos acordar cedo no dia seguinte. Comemos quase todo o meu estoque de doces e descobri mais sobre o misterioso “Jay”. O que foi uma surpresa; porque pra mim, ele não socializava, nem sair do dormitório ele saia, então ele faz isso; convida ela para sair mesmo com Luco ainda louco por ela?
Ela disse que ele não mencionou em nenhum momento sobre os Coloré, fez origamis de guardanapo para ela, e é diferente. No melhor sentido, ele a convidou para um chá em um dos salões de chá de Paris. E ninguém iria descobrir.
Nessa hora, com certeza ela ficou vermelha; e eu soltei um “wount”. Quando ela perguntou como foi o jantar; eu apenas disse que haverá novidades, talvez surpresas. No momento eu estava apenas querendo esquecer.
Acordo atrasada dez minutos e não consigo me arrumar direito, na verdade, eu quero só estar linda, chamo Kathy em um pulo e estou colocando o uniforme em outro, ainda não sei o que fazer sobre o meu cabelo, mas, nessa hora alguém bate a porta, me sinto completamente inapropriada para abrir a porta logo de cara.
—Quem é?
—Desculpa te incomodar, me perdoe. É o Armin. – Silêncio. – Rowell. – Mas, que diabos... – Abri a porta com tudo o encarando. – Ah! Você ainda está brava... – Ele olhou para o chão, esfregando uma mão na outra. Estava nervoso. – Trouxe uma coisa pra você. – Armin tirou algo do bolso e me entregou. –Eu não sabia que ela iria aparecer. Sei que um presente não vai te acalmar, que não vai apaziguar as coisas, que não vai melhorar o que sente, sei que... – Ele parou me olhou por uns segundos.
—O que? – Ele mordeu os lábios.
—Quer ajuda com os cabelos?
-Não.
—(...) Desculpa.
—Você quis?
—O que?
—Por algum momento beijar... ela?
—Não. Eu fiquei sem reação porque, era uma das últimas pessoas que eu imaginei ver na minha vida. Aqui, em Paris. – Respiro fundo. – Eu passei a noite pensando se você iria me odiar hoje de manhã. – Houve um longo silêncio. Eu abaixei a cabeça.
—Não te odeio hoje de manhã. Ainda te amo. – Porque eu ainda amava. Ou só gosto muito? – Mas...
—Eu sei. – Ele colocou a mão nos bolsos da calça. – Não era pra ter acontecido, não era pra eu ter deixado. Então estava pensando se você não queria sair para comer algo, passar ou assistir algo depois do trabalho e. – Ele tinha o brilho de esperança nos olhos, e sua voz emanava dor, angustia. E cabeça baixa, o tempo todo.
—Dessa vez terei que recusar. – Ele me olhou confuso. – Semana que vem são as férias de primavera. Terminar as lições antes, antes de receber mais.
—Verdade. – Ele disse em um suspiro. – Esqueci disso. – Ele olhou para o corredor, ele arrastou os pés; não sabia o que fazer. – Eu amo você; sou apaixonado por você, e não quero que esse episódio te deixe com raiva de mim. – Estou no ódio.
-Mantenha ela no cantinho dela. E pronto. Diga não, e se afaste dela.
—Claro. – Ele ficou em silêncio e depois deu uma risada sem graça. – Eu só te dou trabalho e te deixo nervosa.
—Sim. – Disse séria. – Pare com isso!
—Pode deixar. – Ele me virou devagar e começou a mexer no meu cabelo. – Não vou mais te deixar nervosa. Me perdoe, eu não gostaria de ser assim. – Acenei positivamente. – Então só vamos poder sair durante as férias, não é? – Concordo com ele. – Então, vai ser especial.
—Se você diz. – Nós não nos beijamos como sempre, foi um beijo na bochecha e um bonjour. – Assim que fechei a porta Kathy está de braços cruzados.
—Certo, belo cabelo, um presente de desculpas, e humilhação... O que ocorreu?
—Oh.
—Desembucha! – E conto sobre a leprechaun...
Nos últimos oito dias, (contando sábado e domingo) Eu não tive muito tempo para fazer outras coisas senão monitorar, trabalhar e fazer lição de casa. Principalmente pesquisar sobre Jogos Teatrais e Expressão Vocal. Ninguém teve muito tempo para fazer bagunça. Porém, Armin teve tempo de sobra, diariamente me dava algo como pedido de desculpas. Já estava me sentindo estranha; o assunto foi resolvido, não foi? Porque ele ainda se sentia culpado?
É o últim dia de aulas, pois, oficialmente estamos de férias de primavera; onde estudantes vem a biblioteca para estudar; eu devia fazer isso. Meu turno acaba mais tarde do que o de Niedja e mais cedo do que o de Armin, que precisou ranger o pessoal da peça. E a punica coisa que me vinha à cabeça; era como aquela ruiva me dava um certo medo de perder Armin, mesmo que ele não estivesse nos mesmos lugares que ela. Uma hora eles iam se encontrar. E isso me dava medo.
—Ele tem sido bom pra você?
A voz me surpreende antes de eu sair da biblioteca pra rua. Minha alma congela e eu paro no meio da entrada, me deparando com Antonie; que estava perto da entrada, perto o suficiente para vê-lo, identifica-lo e ouvi-lo.
-(...) – Ele estava bem agasalhado, com touca, cachecol, luvas, casaco, ambos da cor vermelha.
—Ele tem sido sua felicidade e retribuído seu amor? – Respirei fundo, o observei. Antonie dá um sorriso, não sarcástico, meigo, calmo, na verdade, é apenas um sorriso. – Os bons idiomas e as más línguas contam que vocês estavam namorando; mas, a sereia ruiva estragou tudo.
—De quem você está falando? – Me fingi de desentendida. E ele me olha com uma expressão nova. Nunca vi essa. Uma mistura de sorriso com dúvida e reflexão.
—Eu sei que você gosta dele; mas, Armin é muito perigoso para você.
—Perigoso? – Ele tem a minha atenção.
—Sabemos que Armin Rowell é problemático. Nossa, como ele é complicado e indeciso. – Continuo parada na entrada da biblioteca, não vou ligar para ninguém, e não vou entrar em pânico. – Eu gostaria muito que nós déssemos uma volta.
—Não posso.
—Nós vamos pelo Sena. – Ele fez o movimento de andar com os dedos. – Temos que voltar pro dormitório de todo o jeito. E preciso conversar com você. – Quero evitar conversar com Antonie. – Eu quero só saber se está feliz. – Ele levanta as mãos. – Não vou tentar nada, não vou me aproximar mais do que devo, nem invadir seu espaço. E só vou oferecer meu braço para apoio se; você estiver muito cansada... – Fico observando ele, depois de um tempo sem dizer nada, por consideração, e precisar ir embora, caminhamos em direção ao dormitório. Com um braço de distância.
—O que quer conversar comigo? – Digo depois de um bom tempo quieta.
—Tenho sua atenção? – Ele pergunta.
—Sim. – Estou olhando para frente, então, ele pode estar rindo.
—Você está feliz. – Antes de eu responder, ele continua. – Mesmo com aquela sereia no dormitório?
—Porque está me fazendo essas perguntas?
—Ele é uma caixinha de surpresas. Ele não tem a noção de machucar uma pessoa; mas, quando se dá conta, lá está ele cometendo o mesmo erro. – Olho para ele que está sem expressão. – Não é lá muito legal ficar com má fama antes de ser famosa.
—Não estou com fama alguma. – Eu estou?
—Sendo traída é ruim. – Prendo a respiração. – Mas, sobre isso, não tem muita gente que sabe disso. – Ele olha pro Sena. – Eu sei porque, é nítido.
—O que é nítido?
—Que vocês estão juntos. Pouca gente sabe, mas, muita gente viu o beijo.
—Ele me pediu desculpas. – Ele dá uma risada.
—Ele nunca nos pediu desculpas. Devia, mas, não o fez.
—Armin não estava errado. Vocês estavam! – Ele para de andar. E depois continua.
—Certo; todos estávamos, onde estávamos errados? – Agora eu me sinto envergonhada, eu sei, porém, eu dou de ombros. Não sei exatamente o que responder. Eu travei! – A verdade é que, ele sabe jogar muito bem.
—Jogar?
—Você pode estar em um jogo, e não perceber, sabia? – Silêncio. – Eu estou em um jogo? – O que u tenho a te dizer, é para você tomar cuidado. – Paramos na frente do dormitório, e faz menção de tocar no meu coração. – Você não precisa ter mais feridas aqui. Digo isso porque me importo.
—Se importa? – Duvido. Porém, Antonie dá ombros e entra no dormitório.
—Bonne nuit; bons revês.
—E o que você quis dizer com tudo isso?
—Pra você ter cuidado com Armin, talvez ele tenha mais histórias com ela, do que aparenta. Ao mesmo tempo que ele te faz carinho, ele te dá veneno.
Não quero dar ouvidos ao que Antonie diz, mas; porque? Não tem uma lógica concreta; ou tem e eu estou ignorando? A única coisa que faz certo sentido é que, Antonie ainda está magoado com Armin, se ele está os outros também estão... Porque raios eu travei? Era só ter dito porque eles machucaram e venderam uma coisa dele. Tão óbvio. Mas, ao mesmo tempo, talvez ele estivesse certo. Mas, também penso que ele esteja rancoroso. Ou...
—Mas, eu não tô acreditando nisso! Mais que palhaçada é essa? – Quando chego no meu andar, vejo a leprechaun tentando agarrar Armin na escada que dá para o 5º andar, que aparentemente tentava afasta-la, ou sei lá. Era uma confusão; porém, quando Armin ouviu a minha voz ele se afastou dela.
—Mika, deixa eu explicar... – Interrompi.
-Porque você não foi me encontrar? – Ele ficou mudo, então a leprechaun disse algo que eu não entendi; e ele retrucou com raiva. Ela inflou as bochechas, como uma criança birrenta faria. – Eu sabia que eu era corna, mas, olha, está de parabéns. – Antes que ele parasse de brigar com a garota que correu para abraça-lo, pura pirraça, o ignorei, entrei no meu quarto e bati a porta.
(...) Não importa!
Ele faz carinho, e dá veneno ao mesmo tempo.
Que droga! Antonie o conhece melhor do que eu. Ela o conhece melhor que eu. Eu não o conheço. Eu... O que foi que eu fiz da minha vida? Me encostei sobre a porta e deslizei até sentar no chão; e chorar tudo o que tenho direito.
—Eu sei que pode me ouvir. – Armin diz depois de trinta e quatro minutos, quando eu já me acalmei, e parei de chorar. – E está brava com a Mackie. – Abro a porta com tudo, ele se assusta.
—Vocês usam apelidos? – Ele entra no quarto enquanto eu caminho longe da porta de braços cruzados. Hãn, Antonie tinha razão. – Ele fecha a porta.
—Com o que?
—Ele me falou... – Digo procurando o livro mais grosso para jogar nele.
—O que ele te falou? – Ele está assustado!? – Quando o viu?
—Ele falou; só digo isso. E ele tem razão. – O vi quando você estava esqueceu de ir me encontrar.
—Ok. – Ele está confuso. – Mas, Deus... O que você quer saber? A quanto tempo nos conhecemos? Qual foi a última vez que nos vimos? A última vez que conversamos? – Ele começa a falar sem parar para respirar.
—Você escolhe... – Dei ombros.
—Oh. Bem, a gente se conheceu quando eu tinha 6 anos e meio. E depois, trocamos apenas mensagens de: Feliz Ano Novo e ás vezes Feliz Natal. Raramente aniversário. E só! – Ele mexe as mãos nervoso. – Eu e Mackie (...)Mackenzie – Ele se corrigiu. – Nos conhecemos desde pequenos! Tipo, quando a minha mãe.
—Sua mãe? – Ele não fala dos pais. Agora vai falar?
—Minha cuidadora! – Ele coça a cabeça. – Nossa cuidadora! Ela aceitou olhar uma criança a mais. Ela cuidou de mim e da Mackenzie. Nos conhecemos assim...
—Ah! Você tinha uma babá! – Exclamei.
—Claro. – Ele prendeu a respiração. – Você não teve?
—(...) Não Armin, quem é que tem babá?
—Eu. Luco. Dégel. Nós tiv.
—Crianças ricas! – Digo sarcasticamente. – Crianças “pobres” se viram entre si! (...) – Ele fica vermelho. – Então vocês compartilhavam da mesma babá! Algo mais?
—Não. Não que eu me lembre! – Ele começa a coçar o cabelo. – Você está brava porquê? Eu não a beijei, ela me beijou só naquele dia. – Ele morde os lábios. – Você também beijou uma pessoa estando comigo.
—Aaah!! – Vou pra cima dele. – “Agora eu poderia beijar também”, você pensou. – Ele fica sem palavras.
—Não. Olha; ela me beijou! Só naquele dia! Hoje, eu a afastei e.
—Se beijaram na frente de todo mundo, discutindo com ela em. Em. – Estrelei os dedos tentando descobrir o idioma.
—Escocês!
—Ela é escocesa?
—É. Com sangue irlandês. – Fico em silêncio.
—(...) Está dizendo isso para me deixar mal?
—Lógico que não!
—Pois está deixando! Porque pelo visto os dois cães de raça aí; vulgo você e ela já estão familiarizados. E eu sou uma: vira lata!
—Não! Por Dieu Mika. Non! Tu n'es pas. Vous êtes splendide! – Ele diz com dor. Desesperado.
—Não sou rica como ela...
—Não tem nada a ver ser rica ou não! Não ligo pra isso. Eu não gosto dela, como eu gosto de você! – Ele estava se desconcentrando.
—Você tem vergonha de mim sr. Rowell? – Então ele paralisa.
—O que? Não! – Ele segura a nuca com força. – Nunca tive vergonha de você.
—Porque não me pega no colo e beija como ela fez?
—Aan... Nunca surgiu uma oportunidade.
—Ou nunca quis?
—Porque você está nervosa? Eu não fiz nada...
—Nada?
—Mi... Estrelinha... – Seus olhos azuis parecem estar marejados.
—Não me dê apelidos! – Berro o encurralando na parede. – Isso é uma coisa de vocês dois! Por Dieu!
—Desculpe. Quis dizer que não foi minha intenção. – Ele fica sem palavras. Ele se encolhe no chão. – Digo... – É um misto de vergonha, que o fez coçar a bochecha com a mão fechada. Um misto de medo, que o deixa respirar desregulamente. – Eu não sei o que dizer, tudo o que digo está errado. Sempre é errado. O que sinto é errado, o que penso é errado... O que estou fazendo de errado? Porque você me odeia? (...) Eu preciso falar com Simone. – Ele sussurra.
É porque é o Armin! Ele não está feliz, e isso é tão estranho.
Tudo neste momento está errado. Isso é um fato.
Era para eu estar calma, feliz. Nós deveríamos estar no quarto dele, sorrindo, mostrando que Antonie estava apenas magoado. Porém, ele parece estar agonizando, porque ele está tremendo.
Só que agora ele está chorando. O que me assusta. Eu não sei o que fazer, então agacho um pouco para olhar em seus olhos.
—Eu não te odeio. Só estou... Com ciúmes. – Ele me olha com lágrimas nos olhos. – Isso é um discursão de relacionamento. E eu acho que a gente não se conheceu muito bem... – Ele olha mordendo os lábios. – Acho que começamos do modo mais errado do mundo. – Ele acena. – Coisas feitas erradas, não dão certo.
—Você está terminando comigo, não é? – Ele fecha os olhos; talvez espere algo, então quando ele abre os olhos, estou mergulhada naquele azul que eles têm. Eu não sei o que dizer.
—(...)
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