E Eu sou o Amor da Sua Vida?
25 Um milhão de Dúvidas
Notas iniciais
Victor
Estava imóvel.
Eu estava completamente confuso.
Eu estava com medo. Apavorado para ser exato.
Foi tudo muito rápido e mesmo assim, demorou muito.
Ela não queria que o grandão “quebrasse” o meu rosto; entre aspas: “bonito”, que não é tão bonito assim. Ela também passou a mão no meu rosto; ela acha o meu rosto bonito, ela, me protegeu, ela me deu carinho com as mãos sobre o meu rosto. E o mais importante de tudo. Negou minha ajuda...
Mas, porque? Porque se nega ajuda de alguém quando precisa? Por medo?
Ela sabia que estava mal; Sabia? Ela devia se sentir mal! Ela devia saber; sentir.
Ela podia sentir que estava ruim antes de passar mal?
Eu praticamente não me contive de tanta felicidade que que tive quando estava com ela a poucos minutos atrás. Ela me deu carinho, foi carinhosa; de verdade! Estávamos fascinados por Paris... E no nosso caso, seria possível estarmos fascinados um pelo outro?
Com certeza!
Seria possível que apenas EU estou pensando em ter mais contato com os lábios dela?
Só EU que imagino nós nos abraçando e nos beijando?
só EU?
Assim como o meu coração se acalmou ao lado dela; é possível que o dela também se acalmou?
Remédio(...) Tudo para ela se resolve à base de remédios?
o grandão disse algo sobre ela ter tomado um remédio... Talvez para o coração, ou fosse ansiedade, ou fosse qualquer outra coisa que a fez passar mal, ela só precisava de uma coisa.
Remédio.
Que aflição; confusão, incomodo, desespero e raiva. Mas, porque ela sorriu? Ela estava com dor, com incomodo, com mal estar, com qualquer coisa que fosse... Mas, simples assim, ela sorriu. Ela só sorriu, como se não fosse nada demais... Era na verdade a mais. Era tudo demais!
As pessoas ao meu lado perguntavam algo, mas, eu não conseguia ouvi-los, entende-los, interpreta-los... Estava concentrando nela...
Foi uma parada cardíaca.
Simplesmente uma parada cardíaca. E ela sorriu! Como se não fosse nada; como se fosse uma simples “parada cardíaca”. Não era simplesmente uma parada cardíaca daquela rítmica e rápida; uma geral...
Mas o que realmente acontece com o corpo e com o cérebro nos momentos que se sucedem uma parada cardíaca? Morte? Chega um doutor fala “hora da morte(...)”? É aflitivo ver alguém morto ser aparentemente “trazido à vida”. Uma dúvida: Ela morreu? Morreu?
Eles faziam inúmeras compressões em seu peito, ligaram para a ambulância, mas, parecia que ela nunca chegava. Eu estava muito nervoso, e eu sabia que não podia começar a passar mal, eu não podia tremer, arfar, não podia passar mal, devia esperar que ela ficasse bem sem surtar, gritando e chorando, mas, eu estava preocupado, eu estava quase surtando, e era estranho, aparentemente todo mundo estava tranquilo, menos nervoso que eu, talvez preocupados, mas, não mais desesperados do que eu. Eu estava travado, porque eu precisava dela, eu precisava ter ela, eu precisava muito ficar com dela. Eu preciso da companhia dela. Sentir novamente aqueles lábios; só que agora mais longamente. Mais delicadamente, sem pressa... Em frente à Torre Eiffel dessa vez, como ela queria. O último desejo e eu não pude cumprir.
Só que agora, naquele momento eu não sei porque, eu não podia dizer que estava com ela. Porém, no meu coração, eu precisava dizer que estava com ela. Eu...
Me sentia estranho. Nem sei porque. Aflito e confuso, fora do ar.
—Onde você estava? – De repente, do nada, do além mesmo; Éponine gritou a frase, e me empurrou, toda nervosa. De onde essa alma saiu? A encarei e me afastei. A olhei de cima a baixo, quem ela pensava que era para gritar daquele jeito comigo? Na verdade, só o fato de me empurrar já me irritou bastante. E agora estava nervoso pela Mikaele estar morrendo ou morta sei lá, então fiquei quieto, na minha porém, Éponine continuou me empurrando. – Estou te perguntando onde você estava? Hein? Você é surdo?
—Para de me tocar. Para de me empurrar! Pra que você quer saber? Onde é que “você” estava? – Sério mesmo que eu estava fazendo aquela pergunta? O que por Deus eu estava fazendo?
Respirando fundo de cabeça baixa.
—Eu estava do seu lado. O tempo todo...
—Sei... – Resmunguei. – Espera... O tempo todo?
—O filme inteiro...
—O filme, não estav(...) – Eu não consegui raciocinar muito. Não é possível que ninguém me viu saindo. Não é possível que ela não me viu. Ah! Mano! Como? Tenho certeza que isso não é uma outra dimensão e tudo o que vivi aconteceu.
Respira.
É um filme Victor! Ninguém vai prestar atenção em você.
Penso assim primeiramente... Ela estava ocupada com outra pessoa... Penso assim segundamente.
—Eu estava do seu lado sim. Porque eu mentiria? – Ela continuou. – Você até foi no banheiro, e depois voltou... Porque é que você acha que eu mentiria? Aprontaria?
—Porque é a sua cara fazer isso. – Disse quase tremendo.
—Uooooou! – A gaúcha berrou do outro lado da rua, do nada, demorei um segundo pra eu perceber que ela olhava e acenava euforicamente para mim.
—Está falando que eu minto? – Deu para ouvir um “SIM MENTE SIM! ” do outro lado da rua. – Hãn, idiota. Onde você estava então? Parece que quem estava aprontando era você...
—Independentemente; eu não quero saber de você agora. – Disse a encarando. – Ela está passando mal – apontei para Mikaele que já estava sendo socorrida. – e você só quer saber do seu lado!
-Hãn; problema! Ela sempre passa mal, ela sempre quase morre e... – Sempre? Sempre passa mal? Sempre está quase morrendo? É tão sério isso? Ou é um blefe? Respirei fundo. Quando de repente ela disse algo e então me abraçou e quis me beijar.
-Você tem algum problema... Não é possível. – Do outro lado da rua eu podia ouvir a gaúcha gritar “CONTA PRA ELA GURI! FALA TUDO PRA ELA! ” Éponine se virou pra ela do outro lado da rua com a cara irritada, Katherynne riu, porém, ela não retrucou, ela se virou pra mim, se aproximou e sussurrou.
—Qual é o seu problema? — Ela apertou o meu braço com força. – Está tendo algo essa menina?
—Eih! Me larga. E não, não e não. Nada! – Eu disse bravo e respirei fundo. – Éponine, de verdade o que você quer comigo? – Seria isso que a gaúcha queria que eu falasse? – Sério mesmo que você quer ter algo comigo? Porque em minha opinião, você gosta do tal de ‘Cauã’ ali.— Senão for assim o nome dele, agora vai ser. – Ele tem namorada, que é a Monitora; e você tá gritando enquanto a Monitora do 4º andar está passando mal; e você não respeita ela dizendo que é problema.
—Para a sua informação; é Cainan... – Ela riu e se afastou um pouco. – E primeiro, admirar não é gostar... – Ela elevou a voz. –Sabe a diferença de Admirar, Gostar e Amar?
—No seu nível é amar! – Retruquei.
—Como é? – E assim, já tinha bastante gente prestando atenção em nós. Falasse francês, falasse português, falasse o c*$#io á quatro de idioma; era algo interessante de olhar. Discussão – Eu admiro ele, tá legal? E outra, eu respeito a Mikaele. Está insinuando que eu não respeito a Monitora do 4º andar?
—Não, você não respeita em minha opinião; você ficaria com ele, o namorado dela sem pensar duas vezes se ela ficasse internada agora.
—Aan? Qual o problema de cuidar de uma pessoa quando a outra está fora? – Hahaha! Eu podia deixar, podia ter a Mika só para mim; mas, ela gosta daquele grandão e eu quero ver ela feliz. Quero que ela fique comigo, mas, quero ela feliz.
—No Brasil, isso se chama “Talarica”. Ficar com o namorado dos outros. Porque é bem a sua cara; você pegaria o namorado da gaúcha – Apontei para o namorado dela sem perceber que havia uma plateia, eu não prestei atenção. Ou prestei? – É capaz de você ficar com a França... Não; a Europa inteira! Porque você não tem exa(...) — E antes que eu pudesse dizer mais, passasse mais vergonha ao pronunciar qualquer coisa que fosse; Marjorie e Katherynne me seguraram pelas costas me puxando para trás. Primeiro Marjorie, depois a gaúcha.
— Ok. Já chega... Acabou. Ela já foi socorrida, ela já está bem. Ela vai ficar bem, já tá tudo bem. Se acalma! – Éponine me encarou eu me afastando e ficou ali, em silêncio arfando de raiva, de medo, de descontrole, e eu não sei exatamente o que eu estou sentindo. As meninas me afastaram de Éponine e do grupo todo. – Olha; pardon. Você não pode discutir com ela.
—Eu adoraria! Mas; é bem errado... – Disse Kathy fazendo um “xô” com as mãos para o grupinho.
Éponine rangeu os dentes para as meninas que apenas continuaram a andar para trás.
—Sei que você adoraria, Céus, como você adoraria um ... Um... Como se diz?
—Briga? Barraco? Confusão?
—Barraco com Éponine. – Disse Marjorie para Kathy. – Mas, hoje; isso não vai rolar. Não no meu dia especial!
—Seria especial para mim! – Marjorie suspirou fundo. – EI, SAÍ DE CIMA DO MEU URSÃO! – Ela não perde tempo mesmo.
—Victor... – Marjorie me virou, segurou em meus ombros e me olhou nos olhos. – Você quer que eu e Leo — O sotaque dela ficava diferente quando ela pronunciava “Leo”. – Te levemos para o dormitório? Não quero que você fique perto de Éponine...
—Não, eu vou sozinho... Não precisa interromper o dia “especial” de vocês. – Kathy ergueu uma sobrancelha.
—Sozinho? Tá escuro, é perigoso, e é longe.
—Não sou uma criancinha. – Kathy revirou os olhos e sorriu.
—Criancinha ou não, uma companhia é sempre bem-vinda. – Marjorie respirou fundo, não sei se as duas se davam bem. Ou era efeito dia dos namorados?
—Eu e Katherynne te levamos lá.
—Não levamos não! Nada contra guri, mas, eu não vejo o meu namorado sempre assim de graça e com facilidade.
—Katherynne!
—Marjorie...
-Meninas, não precisa! Agradeço, de verdade.
—Katherynne você é do andar dele.
—Aaargh! Matheus! Vamos dar uma volta?
—Sério Marjorie?
—Olha... – Ela deu um sorriso.
*
Eu, Marjorie e o namorado da Kathy começamos a andar, Kathy cuidava de Leo e o namorado da Kathy cuidava da Marjorie, isso porque, ele era de maior e não precisava de duas pessoas com um de maior para me levar até o dormitório. Matheus, o namorado da gaúcha ficava á uns passos atrás de nós, porque assim, segundo ele, iria vendo qualquer perigo e podia nos alertar.
Eu não perdi a noite, eu fiquei na companhia dela. Eu ganhei a noite, a semana, o mês, o ano... Como não ganhava á muito tempo.
— Eu sei que é chato; mas, não se meta com ela... – Enquanto andávamos, ela tentava conversar comigo, achando que eu estava chateado, eu não estava, estava aliviado, tipo liberto. – Éponine só se importa com o seu próprio umbigo. – Eu sorri.
—E você acha que eu não sei? – Perguntei cruzando os braços e olhando para os lados, devíamos estar perto do dormitório, não queria roubar muito do tempo deles. Que devia ser pouco. – Ela quer ser o sol, e nem todo mundo deve girar ao redor dela. – Acenei positivamente.
—O que está sentindo agora? – Livre!
—Estou preocupado...
—Preocupado com Éponine? Não se preocupe vai ficar tudo bem. – Ergui uma sobrancelha. – Eu sei que ela é bem possessiva, mas, não vai guardar muito rancor por muito tempo, não é para se preocupar. Se ela tentar alguma coisa é para avisar, não é para se alterar e dar show para os outros. – Ela sorriu.
Eu estava agitado, nervoso, olhando para o céu e para o chão. A noite estava linda, porém, nada mais tinha muita importância, Mikaele estava a caminho do hospital; o dormitório ainda estava longe, e eu não queria que eles perdessem mais tempo com seus pares, só que não adiantava falar nada com eles; eles estavam convictos de que eram responsáveis por mim.
E confesso, estava desamparado, com medo, e aos poucos
—Acho que daqui eu posso ir sozinho para o dormitório. – Abaixei a cabeça e Marjorie pareceu surpresa, ainda faltam umas quatro ruas.
—Ela vai ficar bem. – Olhei pra ela sem entender. – Mikaele. Vai ficar bem.
—O que significa... – Fiquei mudo. – Éponine disse... – Hesitei, estava nervoso.
—O que Éponine disse? Quoi? Quoi elle a dit?
—Aan? – Ela respirou fundo.
—O que ela te disse? – Ela me encarou séria.
—Ela disse que... A Monitora... Sempre passa mal, que ela sempre quase morre... É verdade?
—Não; não... – Ela se virou para Matheus. – Matheus, erh; a Mika; ela, tipo...
—O coração para, tecnicamente, ela morre por alguns segundos. Só é grave, mas, não ocorre direto.
—Não?
—Se ela tomar o remédio direito e evitar de sofrer fortes emoções, está tudo bem. – Eu fiquei muito tentado a perguntar que doença ela tinha para ter que ficar evitando morrer toda hora. Mas, como se ele lesse minha mente, ele continuou. – Só perguntar pra ela; que ela sabe explicar melhor que ninguém; e daí você ajuda ela á evitar ter uma outra, ou outras futuras paradas cardíacas.
Futuras paradas cardíacas? Fiquei boquiaberto, mas, respirei fundo. Eu podia saber que remédio ela toma, mas, é algo complicado de se pensar.
—Você não ia pro hospital?
—Guilherme foi. Deixa ele ir. Eu não vou discutir com o meu irmão mais velho, se ele quer ir, que ele vá. Está certo... Ela é minha cunhada também, mas, ele é muito melhor que eu nesse lance de responsabilidade.
Entre o grandão e Guilherme, Matheus era o mais tranquilo e sensato entre os irmãos. Nem mandão, nem obsessivo; na dele. Algo como muito maduro, distraído e simpático. Eu não era fã de nenhum dos irmãos Silva, mas, especificamente, Matheus era diferente, até o modo dele falar era diferente.
Ele nem ia andando colado na gente; ele andava com a gente, mais em uma distância razoável, então não ouvia o que eu e Marjorie conversava, ou ouvia e não se importava, pois, só falava quando era direcionado a ele. BEM educado.
—Victor, porque você não larga Éponine de uma vez? Vocês brigando é catastrófico...
—Eu sei... – Abaixei a cabeça. – Mas, não sei o que ela quer da vida dela.
—Eih! – Matheus chamou. – O dormitório é ali na frente, consegue atravessar a rua? – Olhei para ele com a maior cara de calma que eu tinha. – Se não se sentir seguro eu atravesso contigo até o dormitório.
—Não, não; precisa não. Claro que consigo. – Daí ele fez com a mão pra eu atravessar e ficou olhando.
—Tchau e obrigado. – Eles ergueram as sobrancelhas (...) francês. – Au revoir, merci beuacoup. – Marjorie sorriu e Mateus acenou.
—Bonjour. – Respondeu Matheus virando já para voltar.
—E não deixa a Éponine fazer a sua cabeça. Deixa ela e foca no francês. Ela é muito estranha, em uma forma, hãn; luxuriosa... – Afirmei com a cabeça; eles esperaram eu entrar no dormitório e então eles foram embora. Respirei fundo assim que entrei no prédio e sentei na escadaria.
Meu coração travou. Como será que a Mikaele estava? Em que hospital ela foi? Para onde é o hospital? Será que o hospital era bom? Será que vai dar tudo certo? Vai! Vai sim! Difícil pensar nas coisas assim, desse jeito, qualquer jeito.
Meu coração nunca tinha batido tão forte como ele bateu hoje, nem tinha batido com tanta felicidade, nem ansiedade; agora... o jeito em como ele estava batendo naquele momento, era sofrido. Eu devia ter dito para ela que eu gostava dela? Dizer que eu gostava dela de verdade, não como minha monitora, nem apenas como uma amiga. Como algo a mais que uma amiga...
Como digo, que mesmo sendo impossível ocorreu? Me encolhi na escada do hall de entrada e queria chorar, mas como alguém poda me ver então fui para o meu quarto. O dormitório estava praticamente vazio, todo mundo saiu para festejar esse dia, então, aos meus olhos não tinha mais ninguém. Eu não matei ela. Não fiz nada para isso.
...
Ela ia se matar sozinha? Essa frase foi estranha, deixa eu reformular.
Era; seria um suicídio? Reformulada.
Porque ninguém ia ver ela. Ninguém saberia onde ela estaria.
Ninguém...
Se eu não fosse atrás dela, ela não ia voltar com vida... Ela teve a responsabilidade de
Não ia ter um socorro ou ajuda...
Morta? Morrer? Porque?
Eu comecei á correr escadaria á cima quando do nada, tombei em alguém e ia caindo pra trás, escadaria a baixo se não tivesse segurado no corrimão.
—Oh! Désolé! Ça va? Vous avez été blessé? – Estreitei os olhos e tentei me recuperar do susto e do esbarrão, olhei pra cima. AH SÉRIO? Não pode ser! – Vous parle francês? – Exótico? Mas, o que? Oi?
—Aan... – Ele tinha uma cicatriz no rosto agora, desde que ele brigou no refeitório, eu não tinha visto ele; na verdade, eu nunca me deparei com ele de tão perto, só de vista, pelo cabelo dele e de como identifica-lo. Só assim eu sabia quem ele era, tirando isso; nunca tinha visto ele de perto. – Eu... Aan... – Palavra para “falo pouco francês” eu não lembrava e acho que minha cara dizia tudo.
—Desculpe. – Ele retomou. – Tudo bem? Você está ferido? – Sacudi a cabeça que não. – Então está tudo bem. – Ele olhou para os lados e depois de um tempo deu um sorriso. – Prazer, sou Armin Rowell, do 7º andar. E você? — ... – Novato? – Acenei positivamente. – 1º andar? – Acenei negativamente. – 2º? – Neguei. – 3º? Ok; qual? – Nem sei porque ele queria saber, talvez pelo fato de eu ter dito que era novato. Meio óbvio. Mas, eu estava meio sem graça em responder, na verdade eu estava constrangido. Era o exótico bem ali na minha frente
—5º andar?! – Falei sem pensar e depois, pensei no porque eu falei sem pensar. Visando isso, eu não penso muito sobre pressão. E me dei conta, bem no andar do grandão? Talvez meu subconsciente disso isso para proteger a informação que eu era do andar da Mikaele e assim evitar de dar qualquer informação para ele. Ele porém, estreitou os olhos.
—Ahm; 5º entendo. Não me lembro de te visto no quinto andar, mas; tá tudo bem. Eu não tenho nada a ver com isso. Até mais. – Ele deu um sorriso meia boca e foi descendo para o hall; quando ele parou de novo, não havia descido muito, ainda sentia a presença dele nas minhas costas. – Você sabe se o Cainan saiu hoje? – Fiquei imóvel. – Você sabe se ele saiu com alguém aleatoriamente? – Agora pensa!! – Eu vi ele saindo, mas, não vi se ele estava acompanhado. – Ele não pode ir encontrar com a Mikaele, poder, ele pode; só que tem o fato de eu não querer que isso ocorra.
—Eu... – Ele me encarou com uma leve expressão de analise, eu encarava as pessoas assim; analisando seu modo de agir para ver se estavam mentindo ou falando a verdade.
O engraçado era que eu nunca analisei a minha monitora. Em nenhuma das vezes em que estava perto dela.
—Tá tudo bem você querer proteger o seu “Monitor”; mas, ele não é um cara em que se deve proteger, então, se tem alguém que devemos vigiar é ele. Você me entende?
—Não.
—É complicado. – Ele suspirou e passou a mão nos cabelos, aparentemente pensativo. – Você não me parece tão ingênuo quanto demonstra; eu realmente só quero saber se você viu ele, se ele saiu, se ele estava acompanhado, só isso... – Então eu respirei fundo.
—Eu acho que as coisas que o Monitor do 5º andar faz, não são da minha conta. – (...) Corre! – Então não vi nada assim, de anormal. Não sei dizer se ele estava acompanhado ou tal...– Respirei fundo, eu estava com um pé na cova mesmo, então estava tudo bem.
—Interessante e inteligente a sua resposta. – Por um segundo pareceu que ele havia sorrido, mas como ele virou as costas não deu para ver, então em seguida acabou estralando os dedos. – Merci. Bonne nuit!
...
—Bonne nuit.
...
Jesus, Maria, José, o que acabou de ocorrer aqui? Corre Victor! Ignora tudo o que aconteceu e vai pro seu quarto antes que ele te siga!
Quando eu cheguei no meu quarto quase dei um grito, primeiro sentei no chão, respirei fundo e em seguida fiquei me perguntando sobre como o dia de hoje foi tão intenso, tão surreal; foi tão sorte, e um pouco de azar por um dia só; nem parece que tudo isso aconteceu hoje. Como se ele foi dividido em uma dúzia de partes.
Eu fui das nuvens ao chão em um curto período de tempo e assim estou eu. Em um quarto, me perguntando coisas sobre aquela monitora tão inesperada que faz a magia acontecer e faz eu me sentir o que nunca senti antes. Ela me fazia me sentir melhor de todas as formas e formatos.
Mas, só para reformular... O que aconteceu hoje? Como eu estou confuso, foi um soco dado no meu estomago, uma falta de ar estranho.
O que havia de errado?
O que é que foi esse dia de hoje? Aliás, essa noite de hoje?
Você gosta dela! Fato. Você brigou com Leonardo porque ele falou mal dela! Fato; e estava brigando com Éponine porque...
Éponine!
Se Mikaele foi para o hospital, Éponine ficou com o grandão. Infeliz! Olha só... Que belo plano. Nem eu teria um plano tão maravilhoso como esse.
Mas, para começo de tudo, ela gosta de mim... Impossível não gostar de mim. Eu Victor Azevedo sou tão amável... E ela Mikaele Sales é tão adorável. Daríamos um excelente casal, melhor que o casal que ela finge formar com aquele grandão lá. Por inúmeros motivos, primeiro;
Primeiro?
Pode se gostar de mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Digo ela.
Naquela noite no refeitório; ela poderia muito bem ter metido a mão na cara do exótico quando ele lascou o beijo nela. Ela tem cara de quem bate, de quem discute, de quem fica nervosa e de quem agride quando precisa, ela não me parece tão indefesa assim. E tá tudo bem ser meio agressiva, se proteger. Tá tudo bem.
Então porque ela não se defendeu?
Ela deveria se defender. Não é?
É.
Que tipo de remédio ela toma? Ela toma remédio para o coração? Claro que deve ser pro coração; porque ela teve um infarto. Só pode ser isso, ou talvez outro, para pressão; as pessoas ficam muito péssimas se sua pressão arterial subir demais ou abaixar demais. Mas, e ela? Ela vai ficar bem? Bom; ela foi para o hospital, então está bem.
Ou está morta.
Como eu consigo pensar em tantas coisas ruins em um curto período de tempo? Porque eu penso em tanta coisa? Porque eu menti para o exótico? Por que eu menti para Éponine? Porque? Porque? Eu estou surtando!
Eu continuei sentado na porta do quarto batendo minha cabeça contra a porta nervoso, confuso, assustado. Era muito estranho o que eu sentia naquele segundo, naquele dia... Noite, digamos assim; ver alguém entre a vida e a morte e eu estou seriamente com medo por ela. Eu não quedo perder ela.
*
—Ô guri! Guri! – Acordei no susto com alguém gritando e batendo na minha porta com força e bem nervoso.
—Ein? – Eu estava zonzo.
—Guri, sou eu! Katherynne. – Eu acabei dormindo no chão e acordei meio atordoado. Claro que era a gaúcha. – Abre aqui que eu tenho uma imensa notícia para te dar. Vai! – Ela gritou. Demorei um pouco para me mexer, e levantar.
—Espera um pouco.
—Esperar um caramba! – Ela bateu na porta com força. – Gira esse trinco agora! Agora!
Abri a porta com tudo, e ela se assustou, eu estava sem camiseta e com uma calça que eu achei no escuro, ela riu, e em seguida já foi entrando, me empurrando, ligando a luz e fechando a porta em uma rapidez assustadora.
—Senta aí. – Ela sentou na minha cama e mexeu a mão para qualquer lugar do quarto. Observação; ela estava no meu quarto. — Eu estou em choque.
—Choque? – Levantei uma sobrancelha, ela era meio confusa ao conversar rindo e batendo palmas, fazendo poses na cama; eu estava procurando uma camiseta; na hora que ela chamou, não queria que ela me visse com a mesma roupa que sai de casa; aliás, tinha o DNA da Mika. – Porque está em choque?
—Uh; você e Éponine brigando; Aah que delícia!
—Normal. – Estreitei os olhos. – Acho que foi normal.
—Óbvio que foi normal, o foco nem foi esse, foi depois que você foi embora. — Ela mantinha um sorriso no rosto, eu não sabia decifrar ainda.
—Matheus é bem legal. – Que horas será que era agora? Olhei para o relógio em cima da escrivaninha do meu quarto: 02:27 da madrugada. Gente do céu.
—Perdão? – Ela parou de falar e me encarou.
—Ele é bem legal; seu namorado. – Ela pareceu surpresa. – É calmo e nada insuportável.
—Claro que ele é legal, é meu namorado, eu sou legal; seria injusto ele ser chato. – Ela falou sorrindo. – Mas, não vim falar disso, e sim da grande revelação. – Ela pausou. – Que só eu descobri, não tem tanta graça assim; por isso vim contar para você. – Abri a boca com sono. Meus olhos estavam fechando e ela estava ali na maior animação.
—Porque contar pra mim? Você não tem amigas? – Ela ergueu uma sobrancelha irritada com minha frase.
—Ah! Você é muito idiota. Mas, ouça... Mikaele teve um infarto porque Cainan deu o remédio errado para ela. – Ela sorriu.
O que?
Perae, como ela pode sorrir nessa situação? Eu a olhei incrédulo. Ela estava morrendo!
Como?
—Não faça essa cara guri; eu não achei graça, pelo contrário; quem busca os remédios para ela na(...) Como se fala mesmo? (...) na farmácia! É ou ele, Cainan ou a Niedja, a namorada do Guilherme; já que eles como monitores tem que escrever relatórios do dormitório e com o trabalho. – Ela pausou. – Eis que, ultimamente quem tem feito isso foi sua namoradinha.
—Éponine não é minha namorada!
—E saiu com ela. Ah tá! – Ela bateu as mãos uma na outra e em seguida estralou os dedos. – Mas, tá aí um fato curioso, se a receita vence você não pode pegar o remédio; enfim, ele dispensou Niedja e deixou Éponine fazer isso.
—Hãn.
—Tu não tá entendendo né? – Acenei que não.
—Tá tarde.
—Afs; Guri; escuta, um remédio errado: causa infarto. Vários errados: causam parada cardíaca! Entendeu?
—E o que Éponine tem a ver?
—Nada. Ela não avisou pra Mika que os remédios estavam em falta. Isso tudo é culpa do Cainan. E ninguém sabia!
—Como você soube?
—Guilherme foi no hospital, e contou pro Mateus.
—Que Cainan estava dando remédios errados?
—Não, que ela tomou remédios errados.
—E como descobriu?
—Eu ouvi Cainan e Époputa conversando sobre isso depois que você foi embora. – Ela ergueu a cabeça com uma aparente raiva. – Imagino que ele teve a melhor das intenções em substituir alguns remédios, acredito que sim. Mas, não justifica não avisar a ela...
“Mas, ele não é um cara em que se deve proteger, então, se tem alguém que devemos vigiar é ele. ”
—Meu Deus! – Aquela frase do exótico não fizeram tanto sentido como fizeram agora. Talvez seja coincidência. – Mas, ela não sabe ver quais são os remédios dela? Que ela ta tomando remédio errado?
—Ela toma dois em um só horário, aí pensa assim: se o namorado dela diz; é tal e tal, e estão em um copinho você toma. – Ela me olhou com aquele ar de “lógico”, e nisso foi deitando na minha cama aos poucos. – Porque quando não estão nas cartelas pode colocar em um copinho. Ela sempre fez isso, facilita.
—E porque contou isso pra mim?
—Porque você odeia ele. – E ela riu deitando no meu travesseiro. – Quando ela sair do hospital pode contar pro Guilherme, se eu contar vai ser conspiratório. Mas, você não conhece ele direito. – Era uma péssima ideia; na verdade, ela me parecia estar um pouquinho alterada. Muito mais feliz do que eu já vi.
—Ei... – Chamei. – Acho melhor você ir pra sua cama, pro seu quarto.
—Não posso dormir aqui?
—Eu acho melhor não. – Ela fez uma careta e se levantou abrindo a porta e antes de sair olhou pra mim. – Você está melhor?
—Eu sempre estive bem. – Ela gargalhou. – Mas, é sério, ele quase matou a minha melhor amiga! – E ela saiu do quarto bem nervosa. Ela parecia irritada, mas também parecia feliz por ter descoberto isso.
Ele quase matou o amor da minha vida. Mas porquê? Eu tenho tantas dúvidas e nem ao menos tenho uma resposta para qualquer uma delas. Na verdade, por agora, eu só quero que ela esteja bem, que ela esteja segura; acho que essa é a parte mais importante de tudo.
Eu estou com medo por ela; e se eu não tivesse vindo para Paris? O que seria dela? O que eu posso fazer para ajudar?
Eu tenho que ajudar ela!
Quero pensar o óbvio. Que nem é tão óbvio assim; que ela vai se apaixonar por mim, que na verdade é um segredo.
Quando deitei para poder dormir, ouvi alguém batendo na minha porta. DE NOVO. Como assim?
—Quem é?
—Sou eu. Leonardo. – Congelei, como assim? O que ele quer, depois de um tempo sem falar comigo? – Preciso falar contigo. Abre aí, por favor.
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