E Eu sou o Amor da Sua Vida?
28 Tudo o que sempre quis, tudo o que sempre precisou
Notas iniciais
Mika
“ (...) —Meu coração bate.
—Eu odeio ficar sozinho. Porque eu vou derreter nesse mundo solitário. Eu adoro estar com você.
—Porque isso me aquece...
—Ei, garota! – Aquele menino, de prédio ao lado que tinha os cabelos roxo e turquesa agora tinha os cabelos apenas da cor roxa. Me chamou com um tom charmoso, que só ele sabe fazer.
—Eu? – Perguntei apontando para mim. Estava sentada na biblioteca escrevendo algo; não era lição, era para deixar minha imaginação fluir.
—E você está vendo outra menina por aqui? – Parei o que estava fazendo e olhei em volta, e vi que realmente só tinha nós dois na biblioteca.
—O que foi? – Como os Colorés eram a Elite; então, digamos que era uma honra receber a atenção de algum deles.
—O que você está fazendo? – Parei de olhar para ele e olhei para o meu caderninho.
—Aan... Escrevendo...
—O que?
—Inventando, deixando a imaginação me levar. – Ele sorriu.
—Interessante. – Ele foi se aproximando de mim e sentando ao meu lado. – Então você cria? – Minhas bochechas começaram a queimar. Acenei positivamente. – Eu também crio.
—Que ótimo! – Não sabia o que dizer.
—Você não gostaria de criar algo comigo? – A pergunta me pegou de surpresa.
—Como assim?
—Na verdade, eu gostei de você; e não tenho uma nova companhia para escrever faz um tempo. E você é nova; porque não expandir as suas ideias? – Tremi, ele tinha um jeitinho suave de conversar de tentar interagir. – Não é chato escrever sozinha? – Pensei um pouco.
—Talvez...
—Talvez? – Ele pegou meu caderninho. – Licença... – Ok né... – Eu quero fazer uma coautoria com você;
—Porque?
—Porque você escreve bem, porque você tem uma grande imaginação. E ser seu co-autor me deixaria lisonjeado. – Sorri. – Mas, eu já tenho um co-autor; o Antonie; — ele virou os olhos. – Dois projetos, dois co-autores; que acha?
—(...)
—Por favor...
—Porque quer tanto isso? – Ele me olhou nos olhos.
—Porque eu não posso deixar Antonie passar por mim criando algo. Eu também tenho que criar algo; e ele me disse que você tem uma excelente imaginação.
—Uma competição?
—Óbvio... – Ele sorriu. – E eu quero muito que uma história minha vire uma peça, que se torne um musical, um filme... Eu quero algo assim. Eu já estou aqui a uns cinco anos e eu não apresentei nada plausível ao olhar crítico. – Céus.
—Tem data para entregar essas coisas?
—Não. – Ele disse. – Mas, eu, tenho que apresentar algo. Meus pais são rigorosos e investiram caro em mim.
—Você está vivendo o sonho dos seus pais?
—Não. – Ele se levantou. – É o meu sonho! Com as regras deles. – Ele virou para o lado. – Se você é tão criativa como Antonie falou; talvez também seja a minha musa inspiração.
—Ouh... Eu nunca fui a inspiração de ninguém.
—Pode ser a minha... O que acha? – Ele estendeu a mão para mim. – Você pode pegar os meus dois braços e saltar para fora da janela; vamos ver o que o futuro nos reservas?
—Dizer algo como “Eu tenho medo de fantasmas” é algo um tanto infantil – Disse apertando a sua mão. E nisso, nós inventamos nossa promessa em forma de poema. ”
***
Depois de 14 dias no hospital sob observação, retomando os remédios direitinho, estava quase que praticamente de alta. Depois do nono 9º dia, Guilherme não apareceu mais, não sei exatamente o porquê; e sem contar que eu vi Cainan só umas três vezes, e estava até me sentindo tranquila e feliz em não ter um acompanhante. E além do mais; meu coração estava calmo. Sempre de noite eu via Armin, ele vinha me ver, sem falar nenhuma besteira, só vinha me ver, dizia que os Colorés estão dando uma de alunos normais. Mas, talvez estejam dando uma de alunos normais mesmo. Talvez depois de tanto tempo fora eles se cansaram de ser o centro das atenções.
Era só talvez.
Um desejo que nós sempre queríamos; que eles só se comportassem como alunos normais. Considerando tudo o que eles faziam antes... Mas, não era isso que me incomodava, não era “eles” e sim a expressão de Armin quando me veio pedir socorro outro dia; como se realmente todos eles estivessem com facas e veneno em mãos para machuca-lo. Mas, na verdade, eu estava tão cansada; estava bem, mas, estava cansada. Eu queria ter alta, mas, estar no hospital era tão bom, tão relaxante, tão tranquilo que eu estava considerando aquilo as minhas férias; o ano letivo nem tinha terminado e eu já estava de férias. Mas, como tudo é bom dura pouco, e para que eu possa voltar a minha rotina normal, eu precisava de duas coisas: um; da alta prescrita pelo médico; e dois; de Françoise para assinar a minha alta. Como o médico precisa me dar ala para eu poder entrar em contato com o Françoise; embora, eu ache muito mais provável Guilherme aparecer para fazer isso já que foi ele quem assinou a minha internação. Então, cá estava eu esperando minha alta.
—Oi Mih... Como você está? – Niedja entrou no meu quarto além de alegre, e emanando uma energia que só ela sabia fazer.
—Nieh; oi! – Como eu estava feliz em vê-la. O fato de ela mal aparecer aqui foi porque eu pedi para ela ficar no meu lugar como Monitora. De fato, não há ninguém mais responsável, compreensivo, calmo e totalmente tranquilo mentalmente e espiritualmente como Niedja; ela é boazinha, e nada ignorante. (...) Não que Kathy fosse ignorante; mas, ela era impaciente, e eu morro de medo dela fazer alguma coisa muito “audaciosa” com o pessoal do meu andar. Com Victor com certeza... Ela é muito bonita. – Como você está?
—Eu? – Ela deu um suspiro como se estivesse aliviada. – Se eu te disser que entrou gente nova no seu andar como você se sentiria? – Ergui uma sobrancelha.
—Não sei... Feliz? – Dei um sorriso para ela. – É o que eu devia fazer né? Ficar feliz? – Ela parecia querer me falar o que era, mas, ao mesmo tempo não queria contar. – O que foi Niedja? O que aconteceu?
—Bem... Por onde eu começo?
—Pelo começo, por favor. – Disse. Ela levantou um ombro como se concordasse comigo.
—Na noite em que você passou mal; dia 14. Hoje já é dia 26. – Caraca; dia 26; basicamente fim do mês essa com certeza foi a minha pior internação fora de casa. – Na mesma madrugada como eu posso dizer sem te assustar?
...
—Luco Seward voltou para o dormitório. Tipo; ele apareceu do nada, com aquele sorriso macabro dele, com aqueles olhos, com aquela marca no pescoço, simplesmente se achando o maioral; brigou com a mesa de Elite, mexeu com uns calouros, e causou o maior espanto naquele lugar desde que ele foi embora.
—Como assim? – Reagi assustada, mas, reagi muito mais surpresa do que revoltada. – Luco tem uns, 19 anos; vinte... Porque... Céus... Como ele ficou no 4 º anda se é de treze até os catorze anos? – Parei um instante. – E Kathy? Como ela está? Estressada? Nervosa? Calma? Ela deve estar em pânico! Ela deve estar muito assustada, no mesmo andar que ela... Niedja como isso aconteceu?
—Primeiro; se acalme. – Ela pediu se aproximando de mim. – Segundo; não tem mais vagas no disponíveis no 7º andar. Estavam cogitando em ter que dividir os quartos; ou... – Ela olhou para o lado. – Reabrir o outro prédio novamente.
—Acho que isso está fora de cogitação. – Disse. – Ele foi fechado para evitar confusões. O prédio universitário é o único que dá para mandar aberto. E abrir só para o Luco? Desnecessário!
—Aan...
—Mas e a Kathy? Como ela está? Me diz...
—Seu coração... Você vai super ventilar. – Disse Niedja segurando no meu braço. – Se acalme. – Respirei fundo. Calma, não me venha passar mal de novo não. Precisamos de você. – E ele estava na França faz uma semana... – Disso eu já sabia; quem dera se fosse apenas ele. – Como uns alunos desistiram ainda na primeira semana; alguns quartos ficaram vagos, e isso foi no seu andar.
—Ah não...
—Quando a Kathy viu ele; antes dele entrar no dormitório, ela pediu para trocar de quarto. Temporariamente, ou permanentemente até resolverem o lugar de Luco.
—E para qual quarto ela foi?
—Conhece a Katherynne; ela conhece muita gente, ficou doze dias alternando de quartos, só para não ter a surpresa de Luco bater na porta do quarto dela. Nem no refeitório ela aparece.
—Mateus sabe? Que Luco está de volta?
—Essa é a pior parte.
—Tem pior parte(...) – Me sentei na calma, quase me levantando por completo.
—Mateus não está em Paris. – Ela se sentou na poltrona de acompanhante e juntou as mãos. – Ele teve que voltar para Lyon depois do dia dos namorados. Ele teve que retornar ao trabalho e olha que nem foi de ônibus; foi de metro. Acho que algum coisa ruim aconteceu. O que foi; não sabemos. – Meu coração deu um nó.
—Ain; coitada da Kathy; ficar no mesmo dormitório que o ex namorado maluco. O que podemos fazer? Aliás, porque ele voltou?
—Eu não faço a menor ideia. Achei que você soubesse.
—Porque eu saberia?
—Armin também está fugindo dele; e vocês são amigos. – Fugir e se esconder são duas coisas diferentes aplicas em pessoas diferentes em situações diferentes dirigidas pela mesma pessoa. Katherynne está se se escondendo para não ter que trombar com o ex namorado e passar por algum constrangimento ou pior, ter que se submeter a alguma coisa decadente.
—Eu não sei realmente o que Armin tem; sinceramente, tenho medo disso se tornar pior. E está pior?
—Doze dias é muito tempo fazendo confusão. Eu não vejo o Armin faz uns dias. Estou preocupada. O atestado dele já valeu, e ele não foi trabalhar; se em dois dias ele não der uma resposta, um atestado ou o que for; ele vai ser demitido! – Armin não pode ser demitido, ele ama aquele trabalho, e é o único jeito que ele arrumou para dizer aos pais que consegue arrumar dinheiro sozinho; sem uma ajuda dele.
—Isso. É um problema... Não sei como ajudar nesse quesito. – Pensei um pouco. – Nieh; você sabia que o Luco e o Dégel viviam na biblioteca com o Armin antes dele conseguir o trabalho? – Nieh acenou positivamente.
—Acha que ele está com medo do Luco? – Virei-me para o lado, fechei as mãos com força e mordi o lábio inferior, estava com um mal pressentimento. Não um mal pressentimento como quando eu vi os Colorés, nem quando o Stefano me disse aquela frase que saiu como uma “quase” ameaça. – Está tudo bem Mih?
—Nieh; eu não fui sincera com você... – Seja forte, seja forte, ela vai precisar. – Não é só Luco que está de volta... – Engoli em seco. – Dégel também está em Paris. E faz dias que eu o vi. – Nieh se levantou da poltrona como se tivesse sido espetada de repente.
—Eu não acredito...
—Eu ia contar mas(..)
—Quando eu penso que estou livre, que me livrei totalmente dele, aparece ele lá; passando pendurado em um urubu pela janela da minha vida. – Ela passou a mão no rosto. – Mas, como? Não era permanentemente? Eternamente? Pra sempre longe da França? – Eu olhei para ela e fiz uma expressão com certeza indecifrável porque; ela me olhou esquisito e eu achei estranho essa minha expressão. – Eu não me importo que não me falou... – Ela olhou para a porta. – Mas, como o Guilherme não me disse nada?
—Porque provavelmente ele não sabe...
—Bonjour petit(...) Niedja?!
—Ora; esse ano você não morre. E olha que ele acabou de começar. – Armin, tinha aparecido de surpresa, e quem foi surpreendido acabou sendo ele. Ele estava com um pacote em mãos e um buquê; no que ele viu Nieh ele colocou tudo para trás, respirou fundo e em seguida deu um sorriso constrangido.
—Oi Nied... – Armin quase se sufocou nessas duas palavras... E olha que ele chama ela de Nied na maior facilidade. Mas; não naquele momento. –Como você está?
—Quando você ia me contar que o Dégel estava em Paris? Quando você ia me contar que estava se escondendo do Luco e não foi trabalhar por causa disso? Eu estou com o trabalho dobrado e(...)
—Sobre o Dégel? Aan; nunca porque não achei que fosse precisar.
Ah pronto.
—O Dégel está em Paris também?
—Não fosse precisar? Dégel é me ex namorado mas problemático que eu já tive. Acho que a pessoa mais complicada com quem já convivemos. E(...) O que nós estamos fazendo? – E se eles mudaram? Armin mudou não mudou? – Ela o encarou e ele respondeu freneticamente um “sim” mexendo a cabeça com rapidez. – Talvez eles tenham mudado...
—Mas...
—Sem mais. – Disse Nieh. – Acho que podemos dar uma chance para eles, certo?
—Eles disseram que iam me matar!
—Bobagem... Eles não iam matar ninguém. – Armin me olhou assustado e eu dei ombros, não podia fazer nada. – você mataria alguém, Armin? – Eles se olharam até que ela se afastou um pouco. – Apesar de que você não só quebrou o braço do Nan como também deslocou...
—Pra ele não sentir muita dor. E eu me defendi!
—Se defendeu de algo que você mesmo provocou... – Ela parecia pensar. – Você ama a Mih... – Ela olhou para mim com ternura. – Sei disso a muito á muito tempo. – Ela então, me pareceu nervosa; seria por isso que ela estava falando muito? Falando rápido? Agindo de forma histérica; digamos assim... Agitada demais. – Você disse isso á ela? – Ele então me olhou, entre aspas “aflito”.
—Sim, eu já falei...
—Mas; — cortei o assunto. – E você Nieh? Você está bem?
Houve uma pausa. Tudo ficou em silêncio, ela hesitou por um segundo.
—Como ele está?
—Ele? Ele quem? — Ela olhou para o lado meio sem jeito. Dégel?
—Isso! Como Dégel Rosseau está? ‘O Vermelho do gelo’, o “Um pouco de cabelo Vermelho de Gelo” está?
Dégel significa gelo ou de gelo. Bem óbvio. Mas, Rosseau significa muita coisa, mais uma delas é “um pouco de cabelo vermelho” em algum idioma para a família dele. E ele se apresentava dessa forma: “Um pouco de Cabelo Vermelho, Dégel Rosseau”. E com o tempo chamamos ele de “O vermelho do gelo” por ser menor e mais fácil de pronunciar.
Claro que na hora que ela falou: “o Vermelho do gelo”, sua voz saiu mais... Diferente... Lógico que ela sentiu falta dele... Dégel foi arrancado dos braços de Niedja de uma forma cruel por assim dizer. Ao menos imagino que é isso para ela querer saber dele. Nieh não é, e nem seria capaz de odiar alguém. Parece inacreditável para um ser humano, mas a raiva dela passa em alguns dias, ou horas; ou ela simplesmente perdoa sem guardar nem rancor. Ela é muito calma, pacifica, tranquila, então creio que realmente ele esteja preocupada com ele. Eu não sei...
—Aan... Eu...
—Em eu sentido Nied? – Perguntou Armin. – em que estilo? O que você realmente quer saber? (...) Tudo?
—Só como ele está...
—... Como sempre... Sorriso no rosto e.
—Parecendo um morto. – Falei. – Como se não dormisse á um tempo. Como se estivesse...
—Infeliz? – Ela completou.
—Coisa assim... – Falou Armin. – Não deu para conversar com ele direito.
—Ah...
—(...) Na verdade Nieh; eu falei com ele.
—O que?
—Falou de verdade? – Ela perguntou. – Como foi?
—A voz dele era assustadora, rouca... Mas, com o jeitinho sarcástico de sempre; eu de boas-vindas a ele, quando ele disse que ia para o dormitório. “Quando você for” eu disse já que ele disse que não sabia quando ia. Estava com os lábios roxos, (deprimente) mas, como sempre, belos olhos e aparência impecável e de cor única. – Armin me olhou confuso. – O que foi?
—Quando você viu eles?
—Na verdade, quando eu vi e conversei com ele; ele estava sozinho. Não tinha mais ninguém com ele. – E ele parecia cada vez mais confuso, mais intrigado. – O que é? O que foi?
—Porque não me falou?
—Porque vocês não me falaram que viram ele? O cara é meu ex namorado.
—Por causa da sua reação aí! – Respondeu Armin. – Ela seria pior do que essa de agora. Com certeza...
—Mas, eu gostaria que me avisassem. Nó somo amigos. Não somos?
—Me desculpa Nieh, Eu andei muito aérea nesses últimos dias que (...) – O celular dela tocou.
—Um minutinho... Salut! Oh! Sí; sí. Sí mon’amour. Não se preocupe fofo. – E ela desligou e olhou para nós dois, parecia apreensiva, mas, se conteve. Se levantou e fez uma pose como se estivesse se acalmando. – Eu vou sair com o Gui; e sério agora, eu vou querer saber de onde o Dégel vai estar onde ele estiver. E outra... Não escondam mais nada de mim. Eu confio em vocês
—Não vamos... – Disse.
—Quando eu disse que sei que você não gosta do Cainan á um tempo; o que custa você e Armin ficarem juntos? – Não dá para negar que esse sempre foi o desejo da Nieh desde que nos viu juntos e rindo pela primeira vez; e não tinha nenhum coloré ao nosso redor. Ela fazia acho que ainda faz de tudo para ficarmos juntos. – Ele te trouxe flores. Não era o que você sempre quis?
Ela se despediu de nós dois, e meio que deu um sorriso que significasse algo, como uma ‘deixa’ para ficarmos juntos.
*
Juntos... Em um mesmo espaço, como não fazíamos a um bom tempo.
Juntos... Porque alguém achou melhor nós dois juntos do que qualquer outra pessoa.
Juntos... Porque nós dois escolhemos assim, por vez; por hora, por opção.
E aqueles olhos me olhavam de uma maneira como se quisesse conversar; mas, também como se quisessem que ficássemos quietos saboreando o momento. Ter o Rowell como companhia nunca foi mal, mesmo depois do que aconteceu, independente de tudo, vejo que ele só queria ficar comigo. O que foi da maneira mais errada. Mas, existe maneira certa de tentar lutar po alguém? Tem, mas, nossa razão e emoção se explodem de uma maneira tão filha da mãe que nem dá tempo de raciocinar que estamos fazendo até depois de ser feito.
(...)
E nisso tudo eu sentia que estava esquecendo de algo muito importante. Além de estar quase traindo Cainan; eu não sei exatamente o que devia fazer. Ou o que eu estava fazendo. Eu só queria poder dizer que agora eu era feliz, estava caminhando aos poucos para minha felicidade.
Desde que Nieh saiu, isso faz uns dez minutos e pouco que ficamos só nos olhando sem trocar uma palavra sequer. Só nos olhando, sorrindo, ele desviando o olhar; em primeiro momento ficamos sem jeito, depois não tínhamos nada para falar; Nieh conseguiu dizer todas as palavras para nós. Ou algumas palavras que Armin quis muito dizer.
—Naquele dia... – Depois de um bom tempo ele falou algo. Ele estava sentado e mexendo a poltrona de um lado para o outro, todo inquieto, sem graça. – Em que eu fiz; você se sentir mal. E no outro dia que eu te beijei; e naquele dia em que eu te fiz fazer uma promessa sem você querer. E todas as coisas que eu fiz e você odiou. – Ele suspirou, e suspirou fundo. – Eu sou um garoto péssimo.
—Sim, você é. – Respondi. Ele pareceu surpreso, mas, deu uma risada. – Se você está dizendo...
—É... – Ele sorriu. – Eu sou. Muito péssimo. Parece que eu nunca vou me perdoar e nunca serei digno do seu perdão. Porque não me deixaram levar você primeiro para o dormitório? Assim, eu poderia(...) Não fazer do jeito errado. – Ele estava inquieto. – Eu sei que você não gosta totalmente de mim...
—Não é bem verdade(...) – Ele parou se se mexer de um lado para o outro.
—(...) O que? Não? Espera; como assim?
—Você é bonito, esperto, inteligente, incrível... Sempre talentoso e dando sempre o melhor de si. – Basicamente eu ofereci a minha mão para ele pegar; e ele a segurou, depois de um tempo hesitando, pensando, sem entender. – É romântico. E mesmo que eu te evitei, sei que quer algo para mim, algo para dizer nós.
—Mas...
—Não vou mentir que estou em cima do muro. Que fiquei brava, chateada, nervosa, com medo; mas, analisando... era você quem estava lá, não era mais ninguém... – Respirei fundo. – Sabe; eu achei que poderia ficar com uma pessoa... Mas; não vai dar. Eu pensei... Devia dar essa chance para você? – Ele encostou a cabeça no meu ombro bem devagar, respirou e suspirou quando eu encostei a minha cabeça na dele também.
—Você ama muito essa pessoa?
—Bem... – Fiz uma cara que significava que sim.
—Sabe uma coisa engraçada? Eu mesmo imaginei que nunca teria chances com você. Se eu trocasse de lugar com Antonie, ou o Silva... Independente. Não me vejo no lugar de nenhum dos dois. Nem no meu próprio lugar. – Ele colocou a cabeça na curva do meu pescoço; quase me abraçando. – Porque você é tão difícil de conquistar? Porque eu não consigo te conquistar?
Porque? Uma pergunta interessante. Porque Armin Rowell não conseguia me conquistar?
Ou ele já me conquistou e eu nem me toquei? Porque mesmo com medo, eu sempre me preocupei com ele.
Mas, tem Victor.
O meu melhor sorriso eu dei ao lado de Victor. Mas, eu sou a Monitora dele, e mesmo que soe como um elogio, um eterno e amoroso elogio, mesmo que eu sinta a respiração dele no meu peito...
Eu não sentia mais nada por Cainan!
Mas, não significava que eu não sentia nada por Armin e Victor.
Hãn; que atire a primeira pedra que nunca gostou de mais de uma pessoa. “Ah se gostasse de fulano não teria a segunda pessoa”. Mas, é muito comum encontrar pessoas que estão encantadas por duas outras pessoas ao mesmo tempo. Isso ocorre por eu gostar de algo em uma pessoa, e me encantar com outro aspecto também positivo, em outra. É como se uma suprisse o que falta na outra. Por que se eu gosto de algo em um, e me encanto com outro.
No entanto, eu não posso confundir gostar e amar, o que são sentimentos diferentes. Ainda não se trata de um amor verdadeiro. É possível gostar, mas não amar profundamente duas pessoas ao mesmo tempo. E tenho para mim que; eu posso estar gostando de Armin e Victor ao mesmo tempo.
De formas diferentes. Mas, significantes.
—Armin... – Chamei fazendo ele tirar a sua cabeça da curva do meu pescoço; o fazendo se afastar um pouco, então pude olhar em seus olhos. Seus lindos olhos azuis. – Porque você pensa desse jeito?
—Porque deve ser muito legal conquistar você. Sei lá; com um olhar, um sorriso, uma frase, uma palavra... Seja o que for, como for... Deve ser legal. Te conquistar e estar com você todos os dias.
—Me conquistar então... – Eu sorri. – Deve ser legal?
—Me diz aí; como o Silva te conquistou? Como o Mengoni te conquistou? O que esse “outro” e conquistou? O que falaram? Disseram de especial? É impossível namorar com você. – Eu ri. – Sério!
—Você acha que é impossível namorar comigo? – Aqueles olhos me encantam, e olhar neles diretamente era tranquilizador, e me deixavam feliz. Eu nunca soube o porquê, mas, independentemente do que ele fazia, dia, agia, e gostava da energia que ele emanava. – Assim? Só achou? Acha?
—Não ri assim... parece que está zombando de mim.
Mais eu sou uma filha duma puta mesmo. Como você age com essa loucura Srta. Sales? Você gosta disso? Como acha que isso tudo vai acabar? Quem é que você pretende fisgar? Machucar? Se machucar?
—Não estou não. E não é difícil me conquistar...
—Certeza. É impossível!
—Nossa, mas, ao menos eu vejo que não... – Ele me olhou surpreso, ou confuso. – Sei que parece impossível, mas, não é. – Passei a mão em seus cabelos e sorri, ele me encarou. Seus cabelos sempre foram tão macios assim?
—Como não é?
—Não é difícil me conquistar. Sinceramente não vejo essa dificuldade que você vê. O único problema é chegar até mim. – O que não era mentira; e eu vou dizer o motivo, Cainan; os Silva em geral. Porque antes do Cainan me “conquistar”, ele teve que enfrentar Antonie. E por aí vai.
Imagino que Armin entendeu porque ele fez uma cara e acenou positivamente com a cara de que era a coisa mais ÓBVEA do mundo. E nisso eu não consegui conter o riso fazendo ele rir em seguida. Foi um alivio; aquela risada era um alivio para ele, pois, havia uma “esperança”, e esperança para ele era tudo. Lembrei onde ele estudou, que estudou... Era sempre uma esperança de aprender mais e ele conseguia. Conseguiu muita coisa. Mas, perdeu muita coisa também.
—Tá ok. Então... –Ele parou. E em seguida passou a mão na minha bochecha fazendo um carinho bem simples. – Você sabe quando terá alta?
—Achei que era hoje; mas, entre sexta e no fim de semana eles não dão alta. Creio eu, no mais tardar segunda ou terça. Eu ainda não sei.
—Certo... – Ele olhou para a janela e ficava assentindo com a cabeça, algo como “ok, ok” com a cabeça, concordando com sei lá o que. – Então se esse é o caso; seu caso; vou querer uma resposta...
—Resposta? Uma resposta? Que?
—Para o que eu vou fazer agora...
Dei um sorriso constrangedor sem entender e quase falando “sem promessas” e antes de dizer algo, segurando minha bochecha, ele juntou nossos lábios, em um beijo. Foi um toque simples e delicado. Completamente diferente da vez do refeitório que foi nas pressas e desespero. Nessa segunda vez em que ele me beijou, não foi só ele quem beijou, nós nos beijamos. Não neguei ao toque dele, mas tinha medo do que fazíamos. Foi algo com significado dessa vez. Mas, eu afaste meus lábios dos seus, bem devagar, o suficiente para ver a sua cara, rosto vermelho. Olhos semicerrados, como se estivesse em topor; meio sorriso no rosto, cabeça levemente inclinada para o lado. E eu com os olhos arregalados boca semiaberta em admiração e surpresa. Á muito tempo que eu não sou surpreendida. E eu gostei daquilo. Surpreendida! Era a segunda vez que ele me surpreendia.
—Eu nunca me enjoaria de beijar esses lábios. –E o pior de tudo, era que eu estava internada á dias, então estava péssima. – Nem de olhar nesses olhos, nem de nada...
Eu podia abraça-lo, podia. Podia dizer algo, podia. Mas... Se eu não quisesse beija-lo, eu poderia apenas empurra-lo; não foi como no refeitório, porque dessa vez eu fiquei tão feliz que meus pensamentos sumiram; e no refeitório eu estava apenas surpresa e assustada. Mas, dessa vez, eu precisava daquilo. Não sei como exatamente, só sei que precisava daquilo. Senti o meu rosto queimar. Ouvi ele suspirar, ele estava um pouco afastado e me fitou intensamente, fiquei hipnotizada por uns segundos, ele estava corado, todo vermelho, o que me fazia o admirar mais. E eu fiquei nervosa.
Armin percebeu.
—Desculpe-me. Eu sei que nem devia fazer isso; mas, era o que eu mais queria fazer na minha vida. E pode ser errado e tal e que você nunca mais vai querer olhar na minha cara e.
—Se eu não quiser ver o seu rosto... – Eu disse tampando os meus olhos e o aproximando de mim. – Sinta... – Sussurrei tomando os seus lábios em um beijo; eu não precisava de mais palavras, nem de confirmar nada; aquele beijo era a resposta. Coloquei as pernas para fora da cama, o aproximando de mim e com a outra mão coloquei em sua nuca para aprofundar aquele beijo. E daquela vez aquele era um beijo. Lento, profundo, apaixonado. Ele me abraçou com força, e nessa hora eu respirei fundo, era como se me entregasse aos seus braços. Até que os monitores que verificam os sinais vitais começaram a apitar descontroladamente. Nós nos afastamos e começamos a rir, e eu também recomecei a respirar. Encostei a minha testa na testa dele, de olhos fechados, respirando fundo para controlar a minha respiração; e quando consegui estabilizar-me abri meus olhos que logo que se encontraram com os dele, sorri. Creio que essa era a minha resposta.
—Ei Mikaele, o que você pensa de mim? O que quer que sejamos? – Ele pausou. – Você ainda gosta de outra pessoa? – Acenei que sim enquanto voltava para deitar na cama. – Mas, me beijou... – Ele sorriu. – Só uma pergunta... Entre ele e eu; você tem mais chances de ficar com quem? Na verdade, reformulando a pergunta; “quem tem mais chances de ficar com você? ”
Fiquei sem reação. Meu coração bateu forte, minha barriga e pulmão fizeram um movimento estranho, eu me senti estranha na verdade, como uma ansiedade, angustia; essa não deveria ser uma pergunta que ele deveria fazer; mas, era uma resposta que eu deveria pensar. Bom; sei que Armin tem mais chances de ficar comigo. Mas, eu imaginava que tinha mais chances de ficar com o Victor; mas, no momento... era fora de cogitação. Porque eu sou a monitora dele. E isso além de errado, é fora de ser algo profissional.
E a respiração de Armin estava tão perto de mim, e meu peito pesava pela escolha; agora era real, não uma coisa que eu queria e estava necessitando. Era realmente uma escolha.
—Hãn, certo. – Falei meio ofegante ouvindo os monitores apitarem, foi o único momento que deu para falar. – Antonie me “conquistou”, – Aspas. – depois Cainan o enfrentou. – Os aparelhos pararam, e eu o encarei. – Você consegue enfrentar o Cainan? – Ele colocou a mão no maxilar me dando um sorriso. – Se é isso que quer dizer, se é essa a resposta que quer ter?
—Digamos que já fiz isso... Lembrando que eu desloquei e quebrei o braço dele. Você quer que eu vá contigo dizer que você não vai mais namorar com ele igual a Katherynne e o Mateus fizeram com o Luco. – Revirei os olhos, mas, nem lembrava disso.
—Talvez...
—Huum... – Ele voltou a acariciar a minha bochecha. – Por mim tudo bem, eu não me importo de duelar com uma fera para ficar com você para sempre.
—Para sempre é muito tempo, não?
—É tempo suficiente... – Acenei positivamente recebendo aquela caricia de Armin no meu rosto, que ia das bochechas para meu cabelo, iam para meu pescoço e que de repente juntavam nossos lábios em um beijo, com abraço, apertado, caloroso, carinhoso; cheio de pequenos detalhes que incluíam apertar as bochechas, mexer nos cabelos, passar os dedos na ponta dos nossos narizes e depois, olhar um para o outro e sorrir. Porque querendo ou não, eu estava feliz.
—Não... – Cainan murmurou incrédulo na porta do meu quarto fazendo nos dois nos afastarmos.
Bem, se aquela era a minha resposta para ficar com o Armin, eu esperava mesmo que Armin não quebrasse mais os dentes. E foi muito clichê eu colocar a cabeça na volta do pescoço de Rowell naquele momento.
—Oui... — Disse Rowell para o Silva.
Agora sim se eu tinha algo á perder; perdi. Mas, o carinho era tudo o que eu sempre quis.
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