Notas iniciais
Primeiro capítulo do mês!! ♠Obrigada para quem está acompanhando ou só passeando; a vida é assim♠ Todo grande criador tem a sua história contada. Todo grande criador tem a oportunidade de envelhecer. Já disse para mim mesma que, essa história está envelhecendo bem, gostei dos diálogos desse capítulo também, a passagem do tempo está correndo conforme o planejado, conforme está na minha agenda; porém, se não estiver, não sei o que farei... E lá vou eu dizendo: "Porque eu escrevo como se o tempo estivesse acabado? Escrevendo dia e noite, acabando o tempo, ou estou ficando sem tempo? Porque escrevo como se isso me mantesse viva? Porque escrevo cada instante da minha vida?" Por que eu Amo♥ Espero que apreciem esse capítulo que demorou um pouco para ser finalizado... ♪Fall Out Boys ~Centuries ♫ ♪Stromae ~Tous Les Mêmes♫ ♪ Coldplay ~Viva La Vida♫ ♪Owl City ~ Fireflies♫ ~♪♫Enjoy♥♪♫

Victor

Estou em pedaços, me recolha e me recomponha.

Acordei com um grito chamando a monitora, não um grito normal, tinha raiva naquele grito. Não qualquer grito. Era da gaúcha, me sentei na cama e ainda estralei meu joelho.

(...) O ensaio não foi tão ruim ou muito puxado, mas, como ela disse “até um galho de árvore tem mais ritmo que eu. ”
Esperei uns instantes então caminhei até a porta e abri dando uma olhadinha. Na verdade, eu não era o único que estava dando uma “olhadinha”, o corredor todo estava.

—Ele está bêbado. – Kathy apontou para o monitor Mateus e depois apontou para dentro do quarto dela. – Luco invadiu meu quarto! – Eu não vou ficar aqui essa noite. Bonne nuit! – Então ela foi em direção ás escadas.

—Kathy! – Mikaele que havia acabado de sair tentou chamar ela, mas, foi em vão, ela já estava longe. Então ela se aproximou do quarto dela, olhou para Mateus, se aproximou um pouquinho de depois deu um passo para trás. – Sacré bleu! (...)

—Ele está bêbado de verdade? – Luco perguntou rindo. Mika imediatamente fechou a cara, na verdade a partir do momento que ela saiu do quarto ela estava irritada. A confusão deve ter acordado ela, e o grito deve ter assustado ela. – Está?

—Luco vai para o seu quarto! Mateus, entra no quarto da Katherynne.

—O que? Porque eu não posso.

—Porque não! – Ela o interrompeu. – O seu quarto é ali! O toque de recolher é ás dez! É quase uma da manhã!

—Mas.

—Se você não estava ensaiando ou estudando não devia etar aqui!

—Mas.

—Estou mandando você pro seu quarto! – Ela exclamou. – E você Mateus, infelizmente, Guilherme vai saber disso.

—Não, aquele cara não. – Mateus começou a socar o ar. Enquanto Luco começou a rir.

—Seward! Seu quarto! – Luco revirou os olhos e começou a andar em direção ao quarto. – Quer saber? Use sua cara de pau com verniz e chame o Cainan para mim!

—Eu? Logo eu? Acordar seu ex? Deixa eu chamar o Vic. – Que?

—Não! Eu estou mandando você! – Ela respirou fundo, abaixou a cabeça como se pensasse no que fazer naquela situação. – Por favor. Diga que eu estou chamando ele urgentemente.

—Tá bom. Apenas porque você pediu com educação. – Ele disse subindo o lance de degraus acima.

—Obrigada! – Mika por outro lado olhava para Mateus com um misto de decepção e repulsa. – Os demais... Aux chambres, sil vous plaît. Merci.— Todo mundo foi entrando para o quarto, menos eu, que fiquei observando com um pouco da porta aberta. – Você está muito bêbado! Sério Mateus? Por onde você andou por.

—Cadê a Katherynne?

—Fugiu de você, óbvio. Ela nunca te viu assim... E eu muito menos. Céus... É deplorável Mateus!

—Cadê Luco? Kat e ele estão juntos? – Ela joga a cabeça para trás e o coloca dentro do quarto

—Não! – Pouco tempo depois Luco aparece correndo, na verdade, estava correndo do Cainan, então achei super valido essa demonstração de coragem. Mikaele saiu do quarto de Kathy e ele foi até ela.

—Mas o que.

—Seu irmão. Ele está completamente bêbado!

—Mateus não bebe. Não é possível.

—Parece bem possível para mim.

—Você mandou.

—Queria que eu deixasse seu irmão aqui? Sério?

—Vão brigar? – É a voz de Mateus.

—Fique quieto. – Cainan manda. – (...) Cadê a Kurz?

—Foi dormir em outro lugar. Irrelevante. Ele não pode ficar aqui.

—Onde você esteva? Como chegou a esse nível?

—Que?

—Onde você estava?

—Eu saí! Kat estava linda.

Completo silêncio.

—Levanta daí! Vamos, nós vamos subir! Desculpe por isso. Desculpe por ele.

—Não se preocupe comigo. Apenas, isso não pode se repetir.

—Ele estava absurdamente bêbado! – Luco estava dizendo para os outros na hora do café. – Cainan foi buscar ele. Gente, foi vergonhoso!

—Quase uma da manhã? – Audrey pergunta, eu e Luco acenamos. – Ele ficou se debatendo no quarto de Cainan, dava para ouvir, acordou quase todo mundo do andar. – Luco começou a rir.

—Que vergonhoso! – Ele se recompôs em seguida. – Imagino o tumulto que foi em seguida. – Para não dizer o mínimo; humilhante.

—Decadente. – Verônica finalizou. – Eu estou surpresa que foi ele quem fez isso, e não você. – Luco sorriu. – Parece que é besta.

—Então, como acabou tudo Audrey? – Antonie perguntou.

—Eu nem sei, Cainan brigou com ele, e depois de um tempo, as coisas se acalmaram.

—Deus do céu, que vergonha! – Joana disse cobrindo o rosto com a mão, devia estar imaginando a cena. – Por favor, não bebam para ficar assim.

—Nós não bebemos! – Falou Dégel com calma. – Então qual é a ocasião Joana? – Ela arrumou os cabelos, hoje eles estavam soltos, geralmente ela os mantem em um rabo de cavalo ou um uma trança. – Você jamais mostraria essas ondas negras se não fosse uma ocasião especial. – Ela ficou vermelha de imediato.

—Bem... Aan. O 2º andar apresenta hoje. Vou tocar violoncelo para um residente.

—Então suponho que na sua apresentação, o aluno fará algo. – Mi-Cha comentou.

—Como no regulamento, sim. – Ela respondeu tranquilamente. – Aliás, é bom se garantir com nota de participação.

—Nota de participação? – Verônica ergueu a sobrancelha. – Que palhaçada é essa?

—É uma nota a mais. Uns três ou cinco pontos. – Max fala. – Vamos dizer que você foi ruim na sua apresentação. Como imagino que o Young vai ser. – Ele apontou para mim.

—Hey!

—Somando a uma nota que poderia ser tipo; nove. Cinco pontinhos sobem para catorze. – Ele sorriu. – É uma garantia. Nota por participar e ajudar na apresentação de outro aluno.

—Desde quando tem isso?

—Um tempo. – Mi-Cha diz.

—Mas, que palhaçada! – Antonie exclamou. – Cara, precisamos de nota de apresentação!

—Vocês precisam de parceiros. – Joana fala.

—Quantos “parceiros”. – Verônica fez aspas. – Podemos ter?

-Se ambos couberem na apresentação do outro. Está valendo.

—Em todas as apresentações?

—Não. – Começa Joana. – Tipo; não é porque você vai ajudar alguém cantar que esse alguém precise de ajuda para isso. Talvez ele só precise de ajuda em interpretação. Ou dança...

—Aaah! – Exclamaram, ambos foram pegos de surpresa.

—(...) Mas, falando nisso, cadê o Jay? — Luco perguntou olhando pelo refeitório.

—Eu não vi ele hoje. – Max comenta. – Nem ouvi ele passando pelo corredor. Nas semanas de apresentações, nós não conversamos.

—Vocês são estranhos. – Comentou Stefano.

—Hoje nós podíamos tentar achar um parceiro de última hora. – Luco bate palmas que ecoa pelo refeitório. – Precisamos arrasar nas apresentações. – Ele dá uma pausa. – Não dará tempo de fazer algo bom até quinta.

—Você é criativo. – Digo. – Vai pensar em algo para apresentar. – Max estreita os olhos.

—E você? – Minha pressão abaixa. Poha. – Já tem algo criativo em mente?

—(...) Beem...

—Vamos apresentar no mesmo dia. Que tal fazermos uma dupla? – Faço um barulho com a boca. – Você já tem um parceiro?

—Bem, digamos que sim.

—Sério? E não pensou em nos contar que tinha essa regra nova?

—Eu achei que vocês sabiam. – Antonie ia retrucar, mas, Luco respirou fundo.

—De fato, nós somos veteranos se for pensar... – Ele colocou um dedo na boca e pensou. – O que vocês vão apresentar primeiro?

—Vou cantar. – Disse.

—Eu também. – Falou Audrey.

—Tem alguém que não vai cantar? – Joana perguntou cruzando os braços, Jay e Max levantaram as mãos.

—Eu vou dançar. – Falou Jay.

—Irei tocar. – Falou Max e os outros ficaram em silêncio.

—Então, eu, Audrey, Joana e Victor vamos cantar. – Deduziu Mi-Cha. Luco fez um bico.

—Acho que não dá tempo de decorar uma dançar...

—O mais viável é cantar então. – Falou Antonie. – Sem chances de ter um parceiro nessa primeira apresentação. – Eles respiraram fundo.

—Então Young; quem vai cantar contigo? – Perguntou Luco.

—Pardon?

—Quem é seu parceiro? Conheço? – Travei e dei um sorriso sem graça.

—É do dormitório. Então, claro que sim. – Várias vezes sim!

Nós não podíamos usar os teatros, o 2ºandar estava apresentando no teatro Christopher, e havia ensaios para peça no teatro Elisabeth. Kathy não queria ensaiar no nosso andar, até porque pelo incidente da noite anterior, entendo ela.

—Isso não é invasão? Não estamos quebrando as regras?

—Se o dono do quarto não está aqui, não é tão ilegal assim. – Kathy falou fechando a porta do quarto. – Aliás, Rowell não está em Paris, muito menos na França. Ele está na América!

—Ainda sim, é errado. – Ela me encarou.

—Errado é deixar a chave reserva do quarto com um amigo nosso em comum. – Começamos a olhar o quarto. – Então vamos ensaiar aqui!

Não me sentia à vontade estando no quarto do exótico. Porém, mesmo que o quarto fosse dele, não tinha a cara de ser o quarto dele. Na verdade, eu não o conheço bem para dizer se ter a ver com ele ou não.
Todo o lugar parecia um cinema, pois, tinha pôsteres de filmes, de espetáculos teatrais, e imagino que de séries também, todos colocados como uma exposição. Ele tinha uma estante com muitos livros, possuía também alguns quadros, mas, não tinha fotos. Não era cafona, era bem artístico assim posso dizer.

Kathy pôs o violão em cima da cama e colocou as mãos na cintura.

-Será que ele deixou alguma coisa para trás?

—A gente veio ensaiar! – Exclamei. – A gente não vai violar outra regra! – Ela riu. – Isso é muito errado.

—Claro, claro. – Ela disse abrindo as gavetas da escrivaninha dele. – Ouh.

—O que?

—Aih, você também é curioso né? – Meu rosto queimou.

—É que você disse “Ouh”. – Como não quer ao menos saber o que te provocou essa reação?

—Ele deixou algumas partituras.

—Ah. – Não lembro o que significa.

—(...) Ah poha!

—Que foi?

—Eu só vou ler uma parte já que estou bem chocada.

—Claro.

— “Academia Americana de Artes Dramáticas. ”

—Nome chique.

—Armin foi aprovado.

—(...) Isso é bom?

—Bom... – Ela respirou fundo. – Acho que sim. Ele foi embora. Então, deve ser muito importante. – Kathy fechou a gaveta e voltou sua atenção para o violão. – Agora vamos ensaiar...

—Mikaele ficou triste quando ele foi embora? – Perguntei.

—Você quer mesmo falar disso?

—Quero. – Torci a boca. – E agora que você sabe, acho que eu me sinto mais aliviado em falar disso contigo.

—Mas, não significa que eu confio em você. – Ela respondeu ríspida. – Até porque você anda com “eles”! – Kathy fez aspas.

—E você sai com um “deles” – Respondi fazendo aspas também. Antes que ela pudesse dizer algo, continuei. – Até porque eu só entrei naquele grupo para ter coragem de falar com ela.

—E funcionou?

—Não. Parece que agora ela tem medo de mim.

—Com essa listra de gambá, até eu fugiria.

—Tá tão ruim assim? – A interrompi. – Mas, é roxo, e a cor favorita dela é roxa e.

—Quem te disse isso?

—Ela.

—“Ela” quem?

—Mikaele.

—Ela disse isso com essas palavras? – Mordi os lábios.

—Na verdade... Ela disse que “roxo foi a cor do vestido de debutante dela”.

—E automaticamente você ligou essa informação no seu cérebro como sendo a cor favorita dela? – Kathy ergueu uma sobrancelha, e deu um sorriso. Mas, não um sorriso comum, era um sorriso de deboche, visivelmente ela estava debochando de mim.

Acho que eu fiquei vermelho e ela começou a rir de mim.

—Lamento lhe informar e acabar com seu conto de fadas, com algumas falhas, mais a cor favorita da nossa Monitora é azul.

—Azul? – Kathy acenou.

—E verde turquesa. Mas, roxo... Não é não. E respondendo a sua pergunta... Bastante. Ela ficou e ainda está bem triste porque ele foi embora – Ainda? – Agora sem mais delongas, quero sua melhor nota, hein.

-Você acha que se eu pintasse de verde ela ia gostar? – Ela franziu a testa.

—Eu acho que se você quiser continuar no Programa de Cênicas ia se preocupar mais com ensaiar do que cor de cabelo!

—Verdade. – Kathy começou a tocar algumas notas no violão, mas, eu não cantei quando era a hora. – Eu chamei ela para sair.

Ela deu um tapa no violão.

—Como assim?

—Chamei ela em forma de poema. – Ela foi deixando o violão de lado aos poucos e começou a me encarar. – Fui no trabalho dela e entreguei um bilhete com a data e o local.

A gaúcha juntou as mãos e começou a analisar o que eu havia acabado de falar; ou ela podia também me julgando mentalmente, ou rindo de mim. Na pior das hipóteses os três ao mesmo tempo.

—Certoo... E o que ela falou?

—... – Simplifica. – Que não.

—Só isso?

—Talvez ela estivesse mal por causa do Armin?

—Possível. Que dia era esse encontro magnifico? – Senti ironia na sua voz.

—08 de maio, uma sexta.

—Hmm... E o que vocês iam fazer?

—Na verdade, eu tinha combinado de me encontrar com ela na Torre Eiffel.

—Ergh. Que clichê horroroso! – Ela exclamou. – Paris não é só a Torre Eiffel não. E depois?

—Depois?

—O que iam fazer depois?

—Aan... Caminhar pelo Sena!? – Agora eu sei como era um olhar de julgamento, e era mais ou menos esse que eu estava sentindo naquele momento.

—Que tal fazermos assim... – Kathy começou. – Agora nós vamos ensaiar, e depois, eu ensino umas dicas maravilhosas para que ela cogite a sair contigo. Pode ser? –Concordo. – Tres bien!

Nossos ensaios tinham uma duração de umas três horas. Apenas os ensaios de dança, porque os de canto era menos disso e sempre estava ótimo. Mal parávamos para rever a letra ou minha afinação; que não querendo me gabar era muito boa. Mas, segundo a gaúcha, é porque eu conheço a música e me sinto a vontade com ela, fazendo com que, eu cantasse bem.

Eu não desafinava, era um ótimo passo.

Na quarta, ensaiamos a dança dela a manhã inteira já que, no dia seguinte seria a nossa apresentação. E o combinado era que ela me ajudasse primeiro, já que eu não poderia estar cansado para dançar. E já a tarde ela me deu algumas dicas de canto e carisma, o que também era muito importante. E tudo aquilo soava assustadoramente como “vou fracassar”.

Dó!

—É pena de alguém...

—Ré!

—Quem anda para trás.

—Mi

—Pronome que não tem!

—Fá?

—Que falta que faz...

—Sol?

—Nosso Astro rei!

— Lá?

—Tão longe que nem sei.

—Si?

—De sino e de sinal! E afinal voltei ao Dó!

—Aah! Essa adaptação brasileira é tão maravilhosa... –Ela falou caindo na cama. Hoje estávamos no quarto do exótico novamente. – Amanhã, antes de apresentarmos vamos cantar essa música para dar sorte! – Concordo com ela.

—O meu espirito de curioso de brasileiro precisa perguntar... Para ter certeza que você está bem... Mateus voltou a te incomodar? – Ela quis rir.

—Curioso? Espírito de fofoqueiro isso sim!

—Um pouco... – Ela me encarou e depois sorriu.

—Ele tá na dele. Por hora, eu acho... E você e a nossa Monitora, como estão?

—Agora você está sendo curiosa né? – Rimos. – Mas, acho que está dando certo.

—Já pensou se der certo? – Ela falou animada. –Vocês dois rindo juntos, andando de mãos dadas, saindo em encontros... Sendo apenas um casal apaixonado...

—Isso na verdade seria um ótimo presente de aniversário!

—Aniversário? Não me diga que já passou... – De ombros. – Não me dizer mesmo?

—Bom, está passando.

—É hoje? Guri! – Ela berrou. – Seu aniversário é hoje! E você aqui em vez de comemorar!

—E vamos comemorar então? – Kathy deu um sorriso simples.

—Mas, é claro que não! A apresentação é amanhã! E mesmo que eu disse que você estava muito bom na dança hoje... Eu menti. Me desculpa, mas, eu não aguento mais mentir!

—O que? – A olhei sem entender.

—Me perdoa guri, mas, você não tem ritmo! E você sem ritmo, vai tirar uma nota horrível.

—Eu nunca disse que eu sabia dançar... E.

—E o que? Uma apresentação ou outra você vai ter que dançar! – Kathy disse brava. – Essa é pra ser meu parceiro, e quando for a sua vez? Ou você rebola essa cintura, ou “Au revoir, Paris! ” – Antes que eu pudesse dizer algo. – Feliz aniversário e foca na música. Agora!

—Obrigado...

*

Á noite eu estava bem cansado, tanto que não fiquei muito no jantar. Na verdade, eu estava bem além do nervoso, estava ansioso, pensando em tudo o que pode dar errado amanhã... Porque essa é a Lei de Edward Murphy: “Tudo o que pode dar errado, vai dar errado. ” E como a gaúcha disse será Au revoir Paris, Au revoir Mikaele... Então meu peito que ficou a semana inteira apertado começou a palpitar de forma horrorosa.

Eu vou morrer!

Ah cara, eu não devo dançar tão mal assim...

Não tão mal quanto eu me lembro....

(...)

Eu danço bem sim!
Na minha mente. E pelo bem da gaúcha eu devo dançar no ritmo.

Na hora do jantar Dégel disse algo como “Artes Cênicas é uma competição” e que eles eram doidos de serem todos amigos. De fato, são doidos mesmo. Mas, doidos com talento, e eu... Bem... Estou com um nó na garganta.

É quando alguém bate a porta. Alguém não. Kathy, porque eu já conheço a batida desesperada dela. Apesar dela ter sido dura comigo, o dia todo, ela foi legal suficiente a ponto de me comprar um chocolate, e cantar parabéns para mim; então, no final das contas está tudo bem. Foi muito bom para o primeiro aniversário longe de casa. Contando que eu não disse a ninguém que era o meu aniversário, apenas minha família e até o Leo, que eu completamente esqueci de sua existência, me desejaram feliz aniversário. Até porque essa semana está sendo puxada.

—Pois não? – Digo abrindo a porta informalmente.

—Bonsoir. Espero não estar te atrapalhando. – (...) Não é a gaúcha.

Moniteur... – Digo baixinho; e me distraio com seu sorriso. Fazia tanto, mais tanto tempo que eu não a via de tão perto que estou começando a me sentir ridículo de ter ficado quieto. – Boa noite. Desculpe, eu achei que... Aan... Boa noite! – Dou um sorriso.

—Entendo, semana de testes são cansativos. Na verdade, exaustivos. – Ela bostejou. – Pardon. – Aceno. – Se não estiver fazendo algo importante, vim te desejar feliz aniversário.

—Não. Nada. – Respondo.

-Feliz primeiro aniversário de vida na França, Victor Azevedo! Parabéns! – Antes de eu agradecer, ela me entrega uma caixa, e em cima dela um envelope azul, ele está bem cheio, dando a aparência de um travesseiro. – Geralmente eu entrego apenas uma lembrancinha, mas, sinceramente não imaginei que você ia ficar tanto tempo por aqui, já que, a primeira noite foi tão difícil. – Ela sorri.

—Obrigado! – Minhas mãos começam a tremer quando ela me entrega as “lembrancinhas”, meu coração dispara, só que eu me concentro tanto neles que esqueço de Mika.
Por alguns segundos. – Você quer entrar? Você pode? Digo, porque não entrar um pouquinho? Por favor!? – Mika dá uma olhada no corredor e seus olhos se encontra com os meus.

—Só um pouquinho.

—Claro. – Assim que ela entra fecho a porta devagar, e dou uma olhada no quarto para ver se ele não está desorganizado, nojento ou coisa assim. Mesmo se estivesse, o que não está, ela já entrou, nada pode ser feito depois que ela entrou. – Só não olha a bagunça.

E ela deu a risada mais gostosa que eu já ouvi. Deixando o meu coração quentinho.

—Isso foi algo tão brasileiro de se falar!

—Saiu! – Ri. De nervoso! Ela estava tão perto de mim... Como o Luco falou? “Ela deixou o seu coração em minhas mãos quando

—Conversou com seus pais hoje?

—Sim. – Disse enquanto abria a caixa primeiro. Meu estomago está cheio de borboletas, seu olhar está sob mim, eu posso sentir. Na caixa havia um bolo pequeno, junto com uma caneca e colher de porcelana azul. Era meu aniversário mesmo! Já no envelope havia uma bandeira da França; e atrás dela o emblema do Depardieu. Dava para pendurar na parede, meu primeiro enfeite de parede.

—Então; o que achou?

—... Eu adorei! – Ela me dá um largo sorriso, incrivelmente belos. – De verdade! Nunca que eu ia. Nossa, obrigada, de verdade!

—De rien. – Ela coloca os braços para trás. E dessa visão, eu já não consigo me concentrar.

—Monitora... Mika...

—Pois não?

—Você ainda gosta muito daquele veterano engraçado? – Ela inclina a cabeça para o lado. – Armin?

—Ah! Do Rowell... – Ela vira para o lado. – Você não entenderia...

—Mas, ele não está aqui. – Eu consegui ouvir os batimentos cardíacos dela daqui. Preocupante? Assustador?

—De fato, porém...

—Porém, eu estou aqui!

—Como? – Me aproximo de Mikaele da forma mais gentil e calma que eu consigo.

Então envolvo os meus braços em volta dela, e respiro o seu perfume. Dá para ver que os pelos da sua nuca se arrepiaram; ela abriu a boca, ia dizer algo, mas, engoliu para si. Mika então toca duas vezes no meu peito e se afasta com um sorriso de vergonha.

—Espero que dê tudo certo amanhã. Que você quebre uma perna! – Fecho as mãos.

—Obrigado. – Só então que eu percebo que estou mais alto que ela. Respirando fundo, me aproximo e pego em suas mãos. Uma descarga elétrica passa pelo meu corpo de uma forma gratificante

—Era tipo isso que eu queria de aniversário. – Toco minha testa na sua. Ela respira fundo. Como se absorvesse todo o toque. Então ela me encara; talvez, estivesse furiosa, mas, apenas sorriu gentilmente, por fim, toca na minha bochecha direcionando meu olhar para os dela. Ela respira fundo novamente.

—Onde você quer ir? Quanto você quer arriscar? – Meu corpo paralisa. – Querer algo assim é complexo. É como um eclipse... Raro... – Ela se aproxima e me beija na testa. — Não é que foi um erro. Só não foi o certo... – Ela fecha os olhos e se afasta. – Bonne nuit. – E acenando ela abre a porta e sai delicadamente.

(...)

O quanto eu quero arriscar?

Estou aqui, quase morrendo para dizer que eu a amo...

E ela quer saber o quanto quero arriscar?

Notas finais
Obrigada por terem paciência comigo, obrigada por simplesmente lerem, obrigada por me deixarem feliz em escrever... Desde já á amoras e amores, resisdentes parisienses que habitam no Brasil; desde já agradeço ao seu tempo :3 Obrigada pela leitura. J'adore vous tous. Até o próximo capítulo ♥♫♥ ~♠~Eu sempre digo, estou aqui para Mas aqui está. Para vocês. ~♠~ J'aime vous!! ~♥Beijos da Autora♥~