E Eu sou o Amor da Sua Vida?
48 Sobre Estar em um Lugar...
Notas iniciais
Mika
Não há lugar como o lar que eles dizem... Eu não sei você, mas eu preciso de mais tempo.
Eu nunca terminei um relacionamento...
—Estou? – Armin e eu estamos sentados no chão, ele ainda está respirando desregulamente, chorando, ainda está triste, me encarando, esperando o que eu tenho a dizer. – (...) Eu só disse que estou com ciúmes.
—Disse que coisas feitas erradas não dão cer. – O interrompi.
—Disse; mas, não disse isso em tom de término. Ou disse? – Respiro fundo. – Você já discutiu relacionamento Sr. Rowell? – Ele nega.
—Não me chame de Sr. Rowell, por favor.
—Certo. Vamos nos acalmar agora. – Ele me olhou sem entender. Respiramos fundo, para que ele se acalmasse, ficasse menos assustado, tremesse menos, se concentrasse mais. Relaxei meus ombros e sentei próxima a ele. – (...) Está melhor?
—Acho que sim.
—Eu nunca te vi chorando... – Ele sorri.
—... Hãn; eu quase nunca choro. – Ele esfrega as mãos uma na outra, parece nervoso, e não olha diretamente para mim, um ponto do meu carpete no chão é o que prende sua atenção
—Olha Armin; – Ele me olha. – Vamos começar por pontos importantes.
—Claro. – Ele limpa as lágrimas que ainda caiam pelas suas bochechas. – A palavra é sua.
—Não é uma briga, começamos por isso, é só uma discussão. Onde vamos chegar em um ponto para arrumarmos uma solução. – Ele respira fundo e relaxa o corpo saindo da posição de medo.
—E para deixar claro, eu nunca tive vergonha de você; tudo o que aconteceu foi tão inusitado; que eu não soube o que fazer. – Ele diz coçando a nuca. – Não é porque eu não te pego no colo, e te beijo na frente dos outros, que eu não quero isso... Eu nunca tive vergonha de você; nunca imaginei que você quisesse.
—Estou tentando entender isso. Pareceu bem fácil pra você.
—Ela pulou no meu colo! E eu a segurei! – Ele exclama.
—Eu vi; eu sei. Eu percebi!
—Eu imagino que você deve ter ficado furiosa... – O encaro, ele junta as mãos imediatamente. – Ou indignada, confusa; tipo, “como que aquela ruiva tem tanta audácia assim? ” – Disse como se encenasse. – (...) Na verdade eu sempre achei que você soubesse que eu não gosto de desapontar os outros. – O encarei, ele mordeu os lábios. Pânico?! – Eu acho que entrei em pânico, desapontei e.
—Eu ignorei esse ponto, porque ela estava em cima do meu “namorado” – Fiz aspas. – No colo dele! Mas, o fato de você não ter afastado ela de imediato, não ajudou muito. – Ele voltou a morder os lábios.
—Eu sei. Eu só fiquei petrificado. Desculpe, sei que foi errado e tudo mais; em nenhum momento em pensei que só segurar ela seria algo errado. Eu... Não gosto dela. – Ele estralou os dedos. – Eu amo você! Eu não a amo, eu nem gosto dela! Eu te amo. – Eu fecho os olhos, o “eu te amo” saiu tão desesperado e sofrido. – Você acredita em mim?
—...O pior Armin; é que eu acredito... – Porém, ele abaixou a cabeça e respira fundo.
—(...) Antonie disse algo diferente pra você?
—Diferente?
—Vocês conversaram não foi? Depois de tanto tempo... Deve ter rendido momentos bons e. – Bem, parece que alguém também está com ciúmes.
—Conversamos; mas, não vamos falar dele agora.
—Mas, se estávamos falando de Mackenzie, eu. – O interrompi.
—Vocês namoraram, Armin? – Ele me olha surpreso.
—Não! — Ele diz nervoso.
—Então porque quer saber do Antonie? Por ele ser meu ex? Ela é sua ex?
—É porque você não me disse nada sobre o encontro de vocês dois.
—Não foi um encontro! Você não estava lá, e ele estava! – Gritei.
—Eu estava ocupado! – Ele gritou de volta. – Me perdoa!
—Ele só me trouxe pra casa! O que era seu dever! – Virei o rosto.
—E falaram mal de mim. – Ele abaixou a cabeça.
—Falamos sobre você; por um momento
—E suponho que se beijaram. – (...) Estreito os olhos, Armin está com ciúmes e eu quero rir; parece que o mundo capota.
—Não; não fiz como você e a senhorita sangue irlandês. – Digo depois de um momento.
—Desculpa. – Ele eleva o tom de voz. – Ele já foi seu namorado, e seria compreensivo vocês terem... Alguma coisa. – Diz diminuindo ela.
—Não tem nada a ver. – Respondo surpresa que ele pense nisso. – Você está com ciúmes? – Seu rosto fica vermelho e ele olha para a parede.
—(...) Talvez eu esteja. Eu não gostei, nem de imaginar isso, nem de ouvir! Mas, você nem deixou eu te perguntar sobre isso, e foi me bombardeando com perguntas sobre a
—Ahm. – Estendi a mão para ele parar. – Você que começou a falar sem parar para respirar. Esconde algo Armin?
—Não! –Ele berrou. – Eu estou... Com vergonha.
—Do que? – Armin tampou o rosto com os braços e depois olhou para cima.
—Eu só faço coisas erradas.
—Ah, com certeza. — Ele arfou. – Na verdade, onde nós paramos? Eu estou confusa. Ignora o Antonie.
Ele fez um cálculo mental colocando a mão na boca aflito.
—Nós temos ciúmes; eu não gosto da ideia de Antonie e você; e você odeia que Mackenzie esteja aqui, tanto quanto eu odeio.
—Ela parece gostar muito de você.
—Mas, eu não gosto dela. Eu... – Armin passou as mãos nos cabelos. – Não quero fazer as coisas erradas, e se você estiver terminando comigo agora, pelos meus erros, eu quero arrumar. – Engulo em seco. – Eu deveria ser melhor que isso; acaba com essa agonia!
Fico em silêncio, eu não sei como prosseguir; eu nunca terminei um namoro, foi um encerramento em cima do outro, entrando em relacionamentos desenfreados, é algo complicado.
—Eu acho que você devia primeiro resolver as coisas com a outra. Depois, quando tudo estiver resolvido; sei lá.
Aquele silêncio ensurdecedor.
—(...) Isso é terminar? Eu te machuquei? – Nego e as suas lágrimas voltam a cair. – Eu não sabia que doía tanto...
—Doer? – Minhas lágrimas caiam também.
—Terminar. – Ele colocou a mão no peito. – Dói, arde, dá um arrepio e um vazio. Instinto de abandono. – E novamente aquele silêncio assustador, estranho e agoniante.
—Mas, eu não estou te abandonando; você sabe qual é o meu quarto, você sabe
—Eu preciso de você, eu quero casar com você, acordar com você todos os dias da minha vida, na nossa casa, eu penso nisso todo dia, nosso filho, nossas coisas; meu Deus! Eu e você!
Perco a fala.
—Posso te abraçar?
—... Agora? – Ele acenou com o nariz vermelho. Depois de um tempo olhei pra ele confusa. – Acho que pode...
—Merci.
Ele se aproximou de mim e me abraçou, e sinto meu coração bater mais rápido, e protegido com aquele abraço. Sei que ele é uma caixinha de surpresas, mas, nesse momento estou gostando de sentir cada batida do seu coração. Fazendo assim, nossos batimentos cardíacos se tornarem algo poético entre nós dois.
(...)
Eu não queria estar perdendo Armin assim, tão rápido, tão subitamente, de um modo tão arrebatador. E dolorido. Surpreendente e desafiador. Meu coração dá um pulo de angustia e eu o aperto Armin contra mim, e ele me aperta de volta, me dando um beijo na minha testa.
É como Hamlet. Que encerramento de Ato doloroso...
*
Nas férias de primavera, trabalho das 10hrs ás 20hrs; tenho 1h40 de almoço, e 50 minutos de descanso.
Menos Armin; ele sai mais cedo para ajudar com os ensaios, nos teatros e com seu próprio ensaio; então dividimos nossos trabalhos nesse período, nisso Niedja eu temos ficamos com metade do trabalho dele.
Hoje tenho que ver os livros faltantes no sistema, depois tenho um intervalo para elaborar minha apresentação para o dia dos testes. Quando finalmente coloco meu caderno sobre o balcão de informações e depois de um tempo me concentro, alguém tamborila seus dedos sobre o balcão. E fico surpresa em ver Victor, Jay e Max. Controlo minha expressão de nervoso.
—Balcão em intervalo. Se dirijam ao próximo.
—Mas, queremos falar com você. – Max diz, sinto eles me olhando, respiro fundo e fecho o caderno depois de um tempo, dando atenção a eles.
—O que o Trio Ternura quer? – Victor ri, e meu coração se assanha; Victor está tão atraente, parece ter crescido um pouco desde quando chegou na França. Mexo os ombros. – Vocês precisam de alguma coisa? – Ele inclina a cabeça e sorri. Imagino que seja para mim, e não um charme.
—Precisamos sim. – Max começa. – Queremos falar com você.
—É meu intervalo. – Repito.
—Ótimo. – Max diz. – Ninguém vai reclamar com você se der atenção á nós agora. – Dou um sorriso de nervoso.
—Pra que precisariam de mim? – Coloco meu braço em cima do caderno e apoio a minha cabeça com a mão. – E mesmo assim, eu não poderei ajudar em nada. – Victor se aproximou do balcão, consequentemente de mim. Minha respiração é pesada.
—Na verdade, apenas eu preciso conversar contigo. – Mais que garoto safado! Ele estava perto o suficiente para eu sentir sua respiração se misturar com a minha. Max passou a mão nos cabelos e Jay colocou as mãos nos bolsos.
—O que? – Minha voz sumiu e meu rosto queima.
—Que coisa fofa... – Max diz de longe enquanto Jay olha em outra direção coçando a cabeça.
—Seria divertido lhe fazer um pedido pessoalmente. – Divertido? – Para ver a sua expressão de surpresa. – Ele acrescenta se debruçando sobre o meu balcão e dá um sorriso estúpido de lindo, e eu não sei qual foi minha expressão naquele segundo, porque Victor se cora e passa o dedo sobre o meu nariz, deslizando até meus lábios, prendo a respiração, meu coração estava quase estourando de tão acelerado. – E eu estou adorando imensamente essa sua expressão fabulosa, encantadora e tão... – Ele abaixa a cabeça e ri baixinho. – Sexy. – Ele passa mão sobre seus cabelos e em seguida parece querer tocar nos meus cabelos, ou no meu rosto. Eu vou perdendo a respiração.
—*Ne me touche pas!— Exclamo e ele se afasta do balcão. Porém, eu me sinto tonta e dou dois toques no balcão. – **Je suis en pause! – Digo para a garota que está no outro balcão e me levanto.
—Espera! –Victor diz me segurando pelo braço quando eu estou a uma distância razoável do balcão. – Desculpa, eu... – Eu me viro para ele. – Eu; na verdade, estou bem nervoso em falar com você. – Estou me controlando. – Eu nunca te chamei pra sair, na verdade quem fazia isso geralmente sempre foi você; mas, agora que eu já não estou nas suas graças, posso te convidar... – Eu não digo nada, ele respira fundo. – Estou dedicando todos os meus dias à você, e quando você sorri, você me derruba e eu desmorono. – O observo. – Eu darei o mundo para você; pois, você surpreenderá o mundo inteiro. – Ele respira fundo. – E algum dia, você me surpreenderá novamente.
—(...)
—Desculpa se eu fui inconveniente, ou insuportável... Ou sei lá. Luco disse que assim você ia se derreter. – Franzo a testa.
—E o que Luco sabe sobre eu me “derreter”? – Ele coça a cabeça. – Porque você deu ouvidos ao Seward?
—Porque ele disse que Antonie faria assim... E ele concordou.
—Ele quem?
—Antonie. E eu sei que ele já foi seu namorado.
—Antonie...? – Eles estavam se baseando no que supostamente Antonie disse?
—De todo modo. – Ele me deu um papel. – Desculpa te incomodar. Eu sei que não devia ouvir o. – Coloco dois dedos na sua boca, ele se cora e me olha de uma maneira de se tirar o fôlego. O meu fôlego.
—Não seja quem você não é, Azevedo. Não precisa ouvir eles. Você nem está feliz. – Ele se afasta de mim.
—Na verdade; eu estou feliz. – Victor sorri. – E adoraria compartilhar essa felicidade com você. – Ele deu um beijo na minha mão e se afastou. – Me desculpe qualquer coisa. – Eu respiro fundo enquanto ele se junta aos amigos, que riem falando alguma coisa, que deixa Victor sem graça.
Isso me tortura. Porque?
Eu me apoio em uma estante de livros e respirando fundo abro o papel que ele me deu.
“Cansado de esperar, não posso mais aguentar, tenho que te dizer.
Eu não posso aguentar outra noite sozinho, na verdade eu preciso de você.
08/05 Torre Eiffel.
Por Nós sempre precisamos estar nas nuvens. Certo?
Espero que aceite o convite.
Ass. Victor. ”
Ele ainda continua com seus versos românticos, que rimam, que me deixa ansiosa e talvez até mal. 08 de maio, no fim de semana (...) Precisamos mesmo estar nas nuvens? Nós dois? Eu prendo a respiração quando alguém toca no meu ombro me fazendo guardar o papel contra o peito e virar com tudo.
—Oi?! – Nieh dá um sorriso e me olha intrigada. – Nieh! – Ela dá um sorriso.
—Oi. Quer colocar os livros nas prateleiras? – Ela aponta para o carrinho de livros. – Esses devem ser das salas de Literatura e Artes. Se não me engano...
—Oui... – Respirei fundo me recompondo. – Pode ficar no balcão?
—Claro. – Ela me fitou. – Você está bem?
—Estava descansando e.
—Em intervalo?
—Já acabou. Não se preocupe, eu vou lá. – Peguei a folha e guardei no bolso dando um sorriso.
—Está certo. ***A plus tard!
—A plus tard...
Eu respiro fundo, estou tão confusa; mesmo que Victor não disse foi quase como: “Adoraria que nós namorássemos. ” E algo vibra dentro de mim. A “força do poder e da destruição”, minha destruição (...)
Fui vencida por um rostinho maravilhoso; eu ainda me sinto meio ligada à Armin, mesmo que não tendo mais um relacionamento... Então, isso seria ruim? Sair com Victor de verdade mesmo que ele esteja andando com “ELES”?
*
Quando falei que Antonie foi me buscar, porque Armin não foi me encontrar, ele começou a nos acompanhava depois do trabalho, eu não esperava; aquela semana havia sido puxada, trabalho, ensaios, monitoramentos, e a guerra do grupo de Luco querendo acesso aos teatros. Deus sabe lá porquê.
—Estava pensando... – Nieh comenta enquanto nos arrumamos para ir embora. – Armin está se esforçando tanto esse ano. Do que ele precisa mais?
—Tipo?
—Tipo, ele é bom em música, interpretação... Que raios ele está esperando para ir para Cannes?
—Ele não terminou a
—Mateus era mais novo que ele quando foi para Cannes.
—Aan... – Respiro fundo. – Ele é perfeccionista, não? Eu não sei. Não consigo imaginar.
—Estão prontas? – Armin perguntou chegando perto de nós.
—Armin porque você não foi para Cannes ainda? – Pergunto intrigada. Ele dá um passo para trás.
—Que?
—O que você está esperando para ir brilhar na Calçada da Fama? Mateus era mais novo q.
—Ele não se especializou em música, eu sim; e eram outros tempos. – Ele soou confiante. – No geral dura entre um a três anos, quero ser regente. – Ele sorri.
—Regente?
—De Orquestra.
—Gente, eu não sabia que Mateus não tinha se especializado em música. – Nieh diz incrédula. – Ele tem uma cara de músico...
—Do trio, só Cainan quer estudar música. E eu terei uma apresentação mês que vem.
—Uou. Conta mais sobre essa apresentação... – Pedi.
—Não é nada muito exuberante. – Ele riu. – Na verdade estou ansioso demais para isso. – Ele coçou a nuca. – Vou me apresentar para alguns profissionais, eles vão analisar minha postura, apresentação etc.; terei uma nota e talvez depois reger um concerto real.
—Uau! Parece fabuloso. – Disse Nieh.
—Parece mágico. – Ele acena rindo. – Se você passar, conseguir, enfim... O que vem depois?
—Hummm. – Ele estrala os dedos. – Tenho que me formar. Foi o que o meu avô pediu para fazer e.
—Você tem avô? – Eu e Nieh dizemos quase que na mesma hora. Ele ri e fica vermelho. E é tão encantador.
—Caram. – A voz dele é cortada quando pisamos no hall de entrada.
—Armin Cookie Rowell. – A demônia ruiva pulou no pescoço dele. Nieh e eu nos afastamos. – Saudades...
—Aan... – Ele diz. Nieh e eu nos olhamos e nos afastamos dos dois, eu não quero ver aquela cena infernal.
—A plus tard Armin.
—Mika! -Ele me chama, me viro para observar ele se desgrudando dela.
—Deixa eu fazer um convite. – Ele aponta para Niedja também. – No dia que eu me apresentar, quero que vocês estejam lá.
—Nós iremos! – Ele bateu palmas.
—Obrigado! Bom... Eu tenho que voltar ao teatro; nos vemos depois?
—Talvez... – Digo.
—Certo. – Ele se dá um beijo na bochecha de Nieh, e dois beijos na ponta do meu nariz, e em seguida, se afasta surpreso, e sem graça.
—Pardon. Á bientôt.— E então ele voltou correndo para o teatro.
Eu olho para Niedja.
—Ele parece estar cansado. – Ela inclinou a cabeça. – Porém, com vontade de te beijar!
—Estava? – Dou uma risada sem jeito. – Não, talvez nervoso ou – Sou interrompida por Mackenzie esbarrou em nós, nos encarando com um olhar quase maligno.
Eu congelei. Com certeza ela ficou irritada porque ele não deu nenhuma atenção para ela.
—Vontade de te beijar? Por favor... – Damos dois passos para trás. – Não fiquem achando que “ele” estava com vontade. Você não é do tipo dele; talvez, um brinquedo para ele, mas, não do tipo dele, para de se insinuar pra ele. Armin tem um amor artístico! Rowell tem uma paixão, e não é você! – Colocou o dedo no meu peito.
—E muito menos você... – A voz debochada de Kathy ecoou pelo hall enquanto a mesma estava descendo as escadas, e se juntando á nós. – Se não for ela não será nunca você! E outra, sabemos que paixão acaba. Oh tenha dó... Asshole!!
—Athrá... – Kathy riu e estufou o peito.
—Asshole! – Kathy responde com um longo sorriso no rosto. Ela fica sem palavras e vermelha como um pimentão, e aquilo divertiu Kathy por algum motivo.
—Você não é ninguém para falar comigo! É escória, ralé! – Ela estreitou os olhos. – Perdeu o louco do seu namorado de novo? Vai atrás dele, o assunto aqui é de outro nível.
—Claro, nível de imbecil; vulgo você. Se achando o amor perdido de Armin Charles Rowell.
—Armin não tem Charles no nome... – Mackenzie gritou.
—E nem você tem ele! – Kathy retrucou.
—Você não segura nem namorado... Quem é você para falar de paixão comigo?
—(...) Ao menos eu beijo na boca. – Ela deu alguns passos para o lado. – Quando eu quiser, com quem eu quiser! Sua fresca! Fica aí rondando o Rowell que não quer nada com você.
—Ele quer, ao menos ele me quer; não fica de joguinho e
—Uuuaauuh. – O tom foi em forma de deboche. – Claro que quer, mal pode esperar para te beijar loucamente. Hãn.
—A namorada de um louco tem propriedade para dizer isso? – Mackenzie empurrou Kathy com o ombro, que deu uma cotovelada nela, com um sorriso, o que a deixou mais irritada, por alguma razão elas estavam ali, se atracando gratuitamente.
Então Kathy ficou em silencio, a olhou de cima a baixo.
—Luco não é louco!
Minha cabeça deu um estalo. Como é que é?
—Ele só é estadunidense. Ao menos tenho alguém quem me chama de galáxia, e aliás, mais de uma pessoa! Não precisei viajar horas para ficar pagando mico aqui pra França todo saber depois.
A sequência de fatos a seguir foi muito confusa, o estalo cerebral me deixou em choque, então, resumindo; Mackenzie empurrou a Kathy, que empurrou de volta, a ruiva puxou o cabelo da loira, que arranhou o rosto da outra; enquanto várias palavras iam sendo utilizadas, e pelo jeito, elas já tinham brigado antes, mas, a briga estava divertida, segue a descrição...
E Nieh e eu não estávamos na primeira briga. Mas, depois de um tempo tivemos que separar elas. Na verdade, só seguramos Kathy; quando Mackenzie se afastou, ela franziu a testa e murmurou alguma coisa.
—Vai lá horrorosa. – Kathy deu a frase final e Mackenzie saiu dali. Kathy esperou uns segundos antes de se virar e sorrir para nós.
—Então, como vocês estão?
—Porquê da briga?
—Do que você chamou ela?
—De imbecil. – Kathy deu ombros. – Em irlandês. – Ela riu. – Me desculpem, mas, ela me dá nos nervos com esse negócio de “Cookie” – Ela tentou imitar a voz dela. – Insuportável...
—Porque a discussão?
—Ela está me provocando... Imagino que ela percebeu que eu e Jay estamos saindo, e está me irritando. A água com salsicha acha que tem chances com Armin; sabemos que não é verdade. – Respirei fundo. – Então por causa “daquilo” – A leprechaun. – Você e Armin deram um tempo? Daquela?
—Não foi bem isso... Nem dá para explicar...
—Mas, agora você vai! – Kathy resmungou. – Como aquilo, separou vocês dois? – Niedja estralou a língua no céu da boca.
—Verdade; como?
—Meninas, por favor... Dar um tempo é uma palavra branda; quando eles se resolverem, nós estaremos bem.
—Então, vocês terminaram. — Kathy bateu o pé no chão e resmungou. – Eu relevei o que ele fez comigo, porque ele te fazia feliz. Palhaçada!
—Nem todos gostam do encerramento de um Ato.
Principalmente se o ATO teatral não tiver sido muito bom.
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O dia estava com um clima agradável, com um sol e sem chuva. Kathy tinha vindo para almoçar conosco, e criar novas ideias; estamos lidando isso com atenção pois é como receber um prêmio, e depende da nossa apresentação.
—Primeiro que, não sei se estou a fim de cantar novamente. – Ela fala. – Todo ano eu canto.
—Podia tocar um instrumento. – Armin diz.
—Ou dançar. – Niedja fala.
—Interpretar monólogos. – Digo.
—Muita coisa.
—São algumas opções. – Armin falou.
Hoje em especial Armin fechou um dos teatros; até as cinco da tarde, deixou Mateus com o outro e combinou de trabalhar até mais tarde dessa vez. Então, na nossa pausa nos reunimos em uma mesa para conversar sobre as apresentações. Os testes estavam acontecendo em etapas, logo seria a nossa vez. Estávamos com os cadernos de ideias, e o de Kathy estava vazio. Apenas alguns rabiscos.
—É verdade que esse ano pode fazer apresentação em dupla? – Nieh perguntou.
—Sempre pode fazer. – Armin fala.
—Mentira! – Kathy exclamou. – Eu lembro de uma vez que eu quis fazer com o Luco e me vetaram. – Ela se tremeu. – Cruzes.
—Talvez porque vocês só queriam fazer uma apresentação pelos dois. Se fazem duas (...) Sempre pode fazer. – Kathy franziu a testa. – Vai querer?
—Agora eu não quero fazer mais.
—Se quisesse, com quem iria fazer? – Perguntei. Ela pensou um pouco.
—Se você for minha dupla Armin; eu passo? – Ele riu.
—Toca violoncelo?
—Não. – Kathy cruzou os braços revirando os olhos Antes que pudesse dizer mais algo, Armin se virou para trás com tudo.
—O que você está fazendo aqui? – Um rapaz de cabelos acaju havia cutucado Armin, era Alexy Westwall; ele tinha olhos verdes, cabelos castanhos, uma tatuagem com as máscaras teatrais abaixo da orelha, ele estava usando uma camisa branca de botão, uma calça social preta e um colete. Armin o olhou sem entender. – Porque você não está no teatro?
—Teatro? – Alexy fechou os olhos.
—Meninas... – Nós acenamos para ele. – Lafayette não te avisou?
—Diga de uma vez! – Pediu Kathy.
—A apresentação da Orquestra é hoje! Eu disse pra ele.
—É dia 13. – Armin retrucou.
—No... Dia 24! Eu pedi pro Lafayette te falar. Tá todo mundo lá! Maestros, músicos, os donos. – Ele contou nos dedos. – 24 de abril, é hoje! – Armin ficou pálido. – E nesse momento Seward está apresentando algo como “ Hamilton” para eles; e bem... – Silêncio. – Não era pra você tá aqui!
—Os donos... Maestros...? – Ele passou a mão no rosto.
—Tem músicos também.
—Mas, Lafayette disse dia 13 de maio! – Alexy negou.
—Avril!
—Só Armin vai apresentar? – Nieh perguntou.
—Hoje são três. – Ele encarou Armin. – Você é o primeiro.
—(...) Eu não vou conseguir chegar pra ser o primeiro!
—Ué, vai agora! – Disse o empurrando para fora da mesa. – Você não ensaiou à toa; não é? – Ele estava confuso.
—Chispa meu filho!
—Vai Rowell... – Falou Nieh. – Au revoir.
—Nós vamos te assistir. – Falei.
—Vai! – Armin precisou de um peteleco de Kathy na testa para acordar do susto.
—D’accord. Je vais! – Porém ele falou bem baixinho. — I am going. – (...)
Ele foi se trocar; enquanto Alexy esperava.
—E o que você vai fazer? – Nieh perguntou, ele ergueu uma sobrancelha. – Hoje...
—Sou da orquestra do Armin. Eu toco harpa.
—Jura? Pra mim você era outro regente. – Ele negou.
—Não a postura de regente, e não gosto de ser o centro da atenção – Alexy focava no seu relógio.
—E tá no Depardieu porquê?
—Orquestra e roteiros.
—Quem são os regentes que vão apresentar? – Perguntei.
—Não vi isso.
—Maestro e regente não é a mesma coisa? – Kathy perguntou. – Porque pra mim, sempre será maestro...
—Maestro é mestre; não precisa saber ler as partituras, o regente é obrigado a ler a partitura porque interpreta a partir daí. Regente é profissão; Maestro é título. – Nisso Armin cutucou Alexy. – Are you ready?
—Yes. – Ele respondeu respirando fundo. – Vejo vocês depois.
—Quebre um braço. – Falei. Armin estava visivelmente nervoso.
—Nós vamos? – Kathy perguntou.
—Dissemos que ia. E ele está pálido como papel. – Falei. – Não é justo o deixar só.
—Você é mole demais com uma pessoa que te chutou. – Ela retrucou. – Affs. Vou esperar.
Armin não me chutou, nós nos chutamos. Não... Nós só demos um tempo. Ou terminamos? Não sei como Armin vê esse “tempo”.
—Não demoramos!
Eu e Niedja prometemos que estaríamos lá, nós vamos. Como tudo saiu como ele não esperava, seria bom ter um rosto amigo para variar.
—Deixa eu fazer um comentário... – Nieh começou a falar enquanto guardávamos nossas coisas. Prestei atenção. – Espero não ser julgada; porém, preciso de uma opinião reservada.
—Diga...
—Dia 18; foi aniversário do Dégel. – Parei. – E sinceramente, todo mundo tem que lembrar o aniversário dele porque ele esquece.
—Como ele esquece o dia do próprio aniversário?
—Eu não sei. – Nieh riu. – Talvez seja porque ele não goste de comemorar. Então; no sábado eu fui parabenizar ele.
—Nieh...
—Se for julgar, não me julgue por isso. – Oh céus, tem mais... – Ele disse que não queria passar o aniversário sozinho. Perguntou se eu não queria dar uma volta com ele.
—Niedja.
—E bem... Eu fui.
—Onde? Onde vocês foram? Mais alguém sabe?
—Não. E prefiro que seja assim. – Cruzo os braços.
—Onde vocês foram? – Ela riu.
—Passeamos no Jardim de Luxemburgo, fomos no d’Orsay... E bem depois também fomos na Sacre Coeur. – Nieh me olhou e o seu sorriso desapareceu, ela ficou vermelha. – Não que nós dois. Eu. Nós.
—Me pareceu um encontro.
—Mas, não foi. Não é como se; só porque ele voltou para Paris eu iria ficar atrás dele. Não penso em Dégel desse jeito. Só quero saber se. Tem como ter amizade com ex....
—Não sei. Não sou amiga do Antonie, nem do Cainan. – Fiquei em silêncio. – Você lembra que tem namorado? – Ela ficou em silêncio.
—Sim. Mas, quero só saber se é possível, porque você ainda é amiga do Armin.
—Não somos ex-namorados, nós só demos um tempo.
—Dar um tempo é terminar. – Ela fecha a mochila. – Não existe essa de dar um “ tempo”! Tem como ter amizade então; estamos indo ajudar seu amigo. Seu ex!
Eu sinto uma ponta no meu estômago. Mas, eu sinto que eu vou me arrepender tanto; aliás, tínhamos criado um laço, algo mais profundo. Não sei se ele vai ficar com a demônia ruiva, não sei se fiz o certo ou não. Me irrito.
Ele não pode me trocar pela leprechaun...
Não quero que ele fique com ela. Mas, é uma birra minha; agora o foco é se ele vai conseguir apresentar ou não. Ele ensaiou exaustivamente, e merece a recompensa, aquela que seja.
Quando chegamos no dormitório, estava tudo um túmulo. Uma agitação eufórica; havia alunos visivelmente ansiosos porque os donos dos teatros estavam ali. Eu também estaria em pânico se tivesse visto eles chegando do nada. Nieh, Kathy e eu nos dirigimos para os teatros.
Aconteceriam três testes, nos dirigimos primeiro ao Teatro Christopher Goldblum, estava fechado; então um som alto de instrumentos preencheu o local indicando que era no teatro Elisabeth Dorléac que devíamos ir.
Chegando lá, topamos com o Conrado. Regendo!
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