E Eu sou o Amor da Sua Vida?

11 O problema de colocar meus olhos nos seus


Notas iniciais
Hey du; eu ainda tenho amoras e amores para comentarem minha história e meus capítulos?? Ou a história ficou chata? Ah gente, qual é? kkk O capítulo ficou grandinho, mas se pedirem eu diminuo os próximos. ~Enjoy!! PS: Leiam as notas finais. ♥

Victor

Eu fui dormir com o seguinte pensamento “Ela estava segura, naquela noite ela estava segura, estava bem e não estava machucada”. Estaria muito mais segura se eu estivesse com ela ou se ela estivesse no mesmo quarto que eu; descansar no meu quarto, de novo; esse foi meu pensamento na hora em que a gritaria acabou que eu deitei e fui dormir. Dormi ciente de que ela estava bem naquela noite.

Quando eu acordei, não sei se foi nervoso, se foi medo, se foi ansiedade, foi alguma coisa incomum.
Eu caí da cama. Literalmente eu caí da cama enrolado nos cobertores, não foi porque eu quis. Porque além de ser muito cedo e estar muito frio, eu tive que regularizar meus batimentos cardíacos porque eu sonhei com ela naquela noite, não qualquer sonho, o melhor da minha vida; por um momento eu a senti do meu lado, senti seu perfume, seu calor, seu toque, a senti e acordei com a sensação do grandão ter visto nós dois. Jamais teria acordado naquela hora se eu não tivesse caído da cama.

Aquele suspiro de amando, aquele sorriso bobo, aquelas sensações na barriga...

Estou tão gamado nela que quero os beijos dela o tempo inteiro, o tempo inteiro estilo de quando eu estiver acordado e de quando eu estiver dormindo; e o que é mais fofo é que ela é mais velha e é mais baixa e eu sou mais novo e sou mais alto e é uma graça o homem ser maior que a mulher. E eu tenho esperanças, fortes esperanças de que nós dois possamos dormir no mesmo quarto novamente, nossa, quais são as chances disso acontecer novamente? 50% dormir no mesmo quarto, 50% não dormir. E é muita coisa.
Eu acordei meio desnorteado, totalmente desnorteado, nunca cai da cama daquele jeito “violento”, com frio e sorriso igual todo o apaixonado faz; estava confuso por ainda não ter me acostumado com o fuso horário, e também não sei o porquê, mais estava agitado, ansioso, nervoso, desde a noite passada. Eu estava sentindo mil coisas ao mesmo tempo, estava feliz por ter sonhado com ela, feliz por ter visto ela mais cedo e ter ouvido ela, mas eu não vi se ela estava bem, o grandão fez com que tudo aquilo não passasse de um inicio de pesadelo não só para ela, mais para mim também.

Agora com Leonardo, meu irmão de consideração anda grudado naquela garota, a Marjorie, eu não tinha chance de conversar nada com ele. Absolutamente nada, não que eu fosse comentar da nossa monitora super bonita e atraente que dormiu no mesmo quarto que eu; e namora um monitor assustador; mas eu precisava dizer que eu não gostava da garota que eu estava porque eu gostava de outra; mais velha, digamos.

Quando eu deixei o chão de carpete azul, meu carpete era azul cobalto? Sentei na cama e comecei com aquela inquietação fora do comum, eu não sei como ainda estava respirando, e o porquê ainda estava na cama, dentro do quarto, tudo no que eu pensava era “nela”, se ela realmente estava bem, se ele realmente não a machucou, se ele não entrou naquele quarto á força, porque depois que o barulho cessou, eu infelizmente acabei dormindo, apaguei; então se aconteceu algo depois eu fui uma das pessoas que não viu, não ouviu. Eu estava levemente tonto, acho que por isso não conseguia mais levantar da cama depois que deixei o chão, eu nem sabia que horas era; o horário do Brasil para França não me parece mudar muito, já que são apenas entre quatro e cinco horas de diferença, porém, como no Brasil é horário de verão, e aqui agora são quase seis horas, dei uma olhada no celular; são 3hrs no Brasil, então eu estava deveras cansado, eu queria mesmo me virar para dormir mais um pouco, descansar, mas aquele sentimento ruim não deixava, era algo que parecia ser como um “aviso” então eu me sentei, respirei fundo e me deitei de lado na cama. Olhando ao meu redor, como aquele quarto me parecia vazio, sem graça, como seria bom conversar com Leo sobre tudo o que estava me acontecendo, com tudo que estava acontecendo desde que cheguei á França, mais o que ele falaria? Como ele reagiria? Da pior maneira o possível, só pode. Katherynne parecia uma garota completamente louca, mas era bem amistosa, comunicativa e pelo jeito, ela e Éponine se davam muito mal, seria bom conversar com ela; mas ao mesmo tempo em que ela queria arrumar uma namorada para mim avisou, onde eu acho que seja, onde a Mikaele trabalha, e isso é bom; é ótimo ela trabalhar em uma biblioteca, é ótimo saber o quão intelectual ela é. O quão mais magnífica ela pode ser.

Como será ela como bibliotecária? Como ela deve ser atendendo os outros em francês? Claro, deve ser perfeita, a sua voz é totalmente hipnotizante. Eu ri, eu sou o “garoto do chocolate quente”, é assim que ela me conhece, é assim que ela se refere e sabe sobre mim, que sou eu e isso é tão gratificante.

Era segunda feira; dia 19, não faltava muito para começar as aulas, mais eu estava literalmente preocupado. Deitei na cama com o terço na mão, eu queria dormir, mas eu não conseguia porque a ansiedade, digamos ansiedade, não deixava. E talvez porque eu estava acostumado com o fuso horário do Brasil. Eu estava com sono, como eu ia conviver nesse país? Mas por ela, por ela, eu ficaria até na Antártica, no frio, no Egito, no calor; eu ficaria em qualquer lugar, menos longe dela. Menos longe dela; porque ela é especial, ela é única; ela é diferente, apenas isso. Eu só preciso estudar ela mais, conhecer ela mais, está mais ciente de quem ela é, do que ela gosta do que ela faz de quem é ela. E assim, eu estaria com ela. Independente, ás vezes penso que pode ser difícil, mais não, sim; Victor acorda! Você viu o namorado dela, você o ouviu você entende como isso pode ser perigoso? Não entende que você não pode ficar com ela porque ela é mais velha que você?

Maior de idade.

Mesmo que não pareça.

...

Mas, idade não tem nada á ver. Eu me apaixonei por uma garota mais velha; cinco anos mais velha que eu... Maior de idade. Mas, ela me parece ser confiante; pense nisso “garoto do chocolate quente”, pense: “pode parecer clichê, mas a verdade é que a idade está na nossa cabeça. Idade são apenas números” Números! E ela nem parece tão velha assim, mesmo que para muitos seja tabu, você está apaixonado, com ela você se sente feliz, você quer ficar com ela. Ela vai te ensinar o que você não sabe, literalmente, ela tem a opinião própria... Victor; ela tem namorado! Você quer se arriscar apanhar? Você não liga para os riscos? Sim; arrisco-me. Não; eu não ligo. Você vai ficar bem, você talvez surte até achar o que fazer...

Eu beijo mal?

Não quero beijá-la mal. Primeiro; conhecê-la por completo, saber do que ela gosta, de como ela gosta de ser chamada, do que ela gosta de assistir, do que ela gosta de ouvir, do que gosta de ler, se tem algum hobbie, se tem alguma preferência... Eu preciso descobrir quem é a minha monitora; quem é Mikaele. Sentei-me na cama, peguei meu caderno e comecei á fazer o perfil dela; com nome, apelido, data de nascimento, cor dos olhos, cor dos cabelos, altura, tipo de sangue, alergia, cor favorita, banda de preferência, animal, musica, artista, cantor, número, doce, livro, filme, jogo, vicio, time, calçado, roupa, estação...
Eu ri. Até parecia que eu vou descobri tudo isso em alguns segundos, que é o máximo que nós ficamos juntos. O máximo que eu olho nos olhos dela e me perco. Que sonho que ela estará um dia em meus braços, eu sentindo o calor dela e ela me aquecendo.

Vamos aos que eu sei; o nome dela é Mikaele, suponho que o apelido dela é... Revirei os olhos porque eu não saberia mesmo o apelido dela e eu não daria um. Poderia, mais; qual? Mih; Minha? ... Cor dos olhos, castanhos escuros, tão brilhantes quanto um diamante, tão hipnotizantes quanto uma safira azul; tão chamativos quanto esmeraldas; e isso sendo apenas castanhos, com um toque de serem castanhos claros... Cabelos, pretos; altura... Será que o que estou fazendo está sendo mais eficaz? Sendo seguro?

Ela tem que entender que desde que eu a conheci não estou exatamente me imaginando sem ela; mesmo que não fiquei mais do que algumas poucas horas falando com ela e dormindo com ela. Por mais idiota que isso possa parecer eu sou frágil; e pelo visto enquanto eu não a tiver eu não conseguirei ser feliz. Eu só penso nela, eu gosto dela, parece que eu só respiro ela, eu não posso desistir de nós dois, eu quero viver com ela, eu quero namorar com ela, quero noivar com ela, casar, morrer dando um beijo suave, que seja a nossa última declaração de amor.

ELA NÃO AMA VOCÊ. SEU TROUXA.

Larguei o caderno no colchão e respirei bem, respirei fundo, á quem eu estou querendo enganar? Ela fez uma gentileza e você simplesmente está sentindo atração, ilusão, paixão, obsessão, tudo, absolutamente tudo menos amor. Então novamente eu senti dor. Uma dor insuportável, no meu coração, eu coloquei a minha mão sobre o meu peito e respirei fundo para sentir bem aquela sensação. Ok; que isso não seja um infarto. Ao menos eu sinto que a artéria não teve uma obstrução, eu acho que estava normal. Mas eu sentia uma dor estranha no peito, pareceu uma descarga de adrenalina, ficou por um tempo, mais passou.

Porque infelizmente ela é cinco anos mais velha? Porque ela é veterana? Porque eu me encantei por ela só de olhar em seus olhos? Naqueles olhos que parecem o horizonte para um lugar divino. Porque eu me deixei levar por uma garota que namora um lutador de boxe ou qualquer outra arte perigosa e assassina? Como eu gostaria que ela não estivesse junto com ele, ele é tão melhor que eu; eu sou apenas... Eu... Um nada; um cara pessimista, nada vai dar certo comigo, literalmente agora mesmo que nada vai dar certo para mim. Tão complicado olhar naqueles olhos e a ver gaguejar e cair. Sentir o corpo dela colado ao meu fugindo do grandão. Meu Deus; eu preciso de um conselho.

Com certeza ela quer caras mais velhos para poder sustentarem ela, não para ela sustentar. Eu só ia piorar as coisas, eu sou uma criança, ela é uma adulta. Ela nunca pensaria em ficar comigo, eu traria apenas problemas para ela, ela está fazendo a vida dela, está ingressando para a faculdade e vai se tornar uma bela atriz, enquanto eu ainda estou muito confuso. Mais são só cinco anos. Se fosse dez ou quinze... São apenas cinco. Cinco.

Abracei meu corpo e deitei na cama novamente, eu precisava de um abraço, de carinho, de afago, de qualquer palavra, talvez, precisasse apenas dela fazendo tudo isso, como é triste ter carência, como é triste cair da cama e não conseguir dormir depois. Mais, por incrível que pareça ficar na cama era tão bom. Estava frio, lógico, eu estava com uma regata e uma calça do pijama sendo ambas finas, lógico que eu estava com frio, é o inverno da Europa. Levantei-me e abri a mala para pegar algo mais quente, ainda não desfiz as malas completamente, coloquei poucas na gaveta, mas as de frio nem pensei em colocar no guarda-roupa de três portas e seis gavetas, muito chique; então tive que com toda a calma do mundo abri e tirar roupa por roupa para ver algo que me aquecesse num dia de hoje, em que eu ainda pretenderia dormir, ficar aqui sozinho, não ver Éponine, nem ver ninguém. Mas, não coloquei a roupa de inverno, nem o casaco nem nada, apenas deitei.
Estava me lamuriando quando ouvi o som de alguém bater na minha porta, eu revirei os olhos, eu havia dito comigo mesmo “que não queria ver ninguém”. Esfreguei os olhos chateado, levantando-me da cama com sono, ainda tremendo pela queda, eu estava bem confuso em relação ao que eu sentia por Mikaele e sobre esse quesito não sabia mais o que fazer, nem o que pensar, mais eu necessitava urgentemente de falar com alguém, eu estava tão refém dela que...

Quando abri a porta me tremi, arregalei os olhos, engoli secamente, respirei pesado, arfei surpreso e ouvi um francês perfeito.

Bonjour. – Ela fez um biquinho ao pronunciar a palavra, e que lábios. – Êtes-vous d’accord? Avez-vous bien dormi?— Eu pisquei. Os seus olhos estavam tão brilhantes, tão encantadores, sendo tão atraentes e naquele momento eu estava mais do que nervoso, era ela, ao menos ela poderia me incomodar de manhã, ao menos ela poderia ficar comigo. Ela estava perfumada e o cheiro do seu perfume me preencheu por inteiro, ela me olhava com um olhar tão recepcionista, otimista e de proteção; porém com um ar de preocupação, mas tirando isso, ela estava linda, a melhor visão daquela manhã depois do sonho, a melhor visão. Eu pisquei saindo do mundo de imaginação que estava criando com ela entrando no meu quarto e me beijando então pisquei para ela voltando para o mundo real.

—O que? – Ela deu uma risada tímida, ela se corou um pouco, ela não era negra, era uma mestiça escura, uma pele marrom chocolate, marrom bombom, eu suspirei, ela encanta.

—Bom dia. – Ela começou á dizer delicadamente, pois, seus dedos deslizavam suavemente pelo are enquanto ela explicava o significado da frase. – Você está bem? Você dormiu bem?

Eu ia me corar, porque eu sou muito estúpido, ela deu um sorriso delicado, então eu foquei nela, a olhei de cima á baixo, observei a roupa, se parecia muita coisa para um dia de frio e parei no seu rosto. Fiquei olhando, observando, com certeza deixando ela nervosa, eu precisava falar, eu queria falar, mas por onde começar? Ela ia ficar impaciente, irritada, ia brigar comigo, não podia esperar ela perguntar o motivo, então eu tive que tomar a iniciativa antes que ela ficasse furiosa.

—Você disse que não estava machucada. – Mais estava ela estava machucada, na região lateral inferior do crânio, na parede lateral do crânio, estava bem visível, estava roxo, um roxo escuro, a pancada foi forte, violenta, ele machucou ela. – Disse que ele não te machucou. – Respirei fundo. – Disse que estava bem. – Oi? Acesso de ciúmes? Para; para com isso, ela não tem obrigação de te dar explicações.

—Não; não foi ele, ele não tocaria em mim e... – Ela arregalou os olhos.

—Você mentiu pra mim? – Falei irritado e pronto para espancar aquele grandão idiota que eu não gosto nem um pouco.

—Não foi ele, escut... – Ela tentou me acalmar, mas na verdade eu não queria a ouvir defendendo ele, não mesmo.

—Eu achei que eu podia confiar em você... – Aquilo acabou com as minhas esperanças, ele passaria a noite machucando ela e ela apenas diria “eu machuquei na cama”, “eu bati na porta” “ele não tocou em mim”. – Ela respirou fundo, me olhou profundamente e relaxou os ombros revirando os olhos.

—Azevedo. – Ela me chamou com firmeza, eita Azevedo, deixou ela brava, furiosa, perdeu a chance seu estúpido; eu sabia que eu era estúpido nem tanto assim. – Não foi ele quem fez isso; eu me desequilibrei e bati na cama, foi hoje de manhã. – Ela mente muito bem, franzi os olhos. – Há diferença de machucados depois de um tempo, mais esse é recente, toca. – Eu hesitei, eu estava chateado com ela, ela mentiu para mim. – Toca, é recente, foi hoje de manhã. – Passou uns segundos, respirei fundo, eu ia tocar sim eu ia tocar como se fosse para cuidar, mas não, quando eu fiz minha mão voltar para trás parece que ela ficou nervosa e pegou meu pulso levando até seu machucado que estava inchado. – Viu? Sentiu? É recente!

Ela segurou no meu pulso fazendo com que a minha mão tocasse em sua testa, no seu machucado, perto de seus cabelos, ela fez com que eu tocasse nela, aquilo foi um fogo repentino subindo sobre mim, me fazendo me arrepiar por dentro, me congelando, eu estremeci, estremeci de verdade, fiquei parado, intacto, ela segurava meu pulso e olhávamos nos olhos um do outro, aquele toque era mais do que especial pra mim, tenho que admitir; finalmente eu toquei nela, não ela em mim. Aquilo foi diferente, foi como se ela desse o machucado para que eu pudesse não só tocar como também para cuidar.
Literalmente, era um machucado recente, estava inchado, se estivesse aberto estaria saindo pus, não parecia que ela havia dormido com aquele machucado, literalmente foi de manhã, ela não mentiu.
Foi um toque incrível, não tinha como eu me afastar dela mesmo que ela estivesse com aquele cara; sim, eu poderia me envolver com ela. Como eu queria os lábios dela nos meus, por um segundo, por um único segundo sentir o mundo parar e só ser eu e ela, queria saber o que era possível de sentir quando eu a tocasse. Meu membro ficou duro, só de tocar na cabeça dela, poxa vida, como é que essa garota consegue isso? Ela nem faz um esforço, acho que por enquanto só ela consegue isso.

Então de repente ela soltou o meu pulso como se tivesse levado um susto ou tivesse visto algo errado, ela se afastou de mim como uma rapidez e um sorriso de que estava sem graça, deixando-a de uma cara emburrada, fechada, como se estivesse brava por eu ter duvidado dela; queria abrir um buraco no chão e me esconder ali.

—Viu? Recente. – Ela falou sem graça pegando alguns papéis enquanto eu olhava para ela, eu também acabei ficando sem graça, ela me deu um sorriso e entregou uns papéis para mim. – Espero que tenha dormido bem, tenha um bom dia e... – Ela ficou em silêncio. – Não perca os horários. Salut. – Ela deu as costas e deu as costas para mim, mas eu fiquei na porta, quietinho, parado, eu tinha que pedir desculpas. – Pois não? – Ela se virou para mim.

Respondi negativamente olhando para o chão e para os papéis, sem ter coragem para dizer e entrei no meu quarto. Eu precisava pedir desculpas, mas estava com frio; depois que fechei a porta dei uma olhada direito no papeis, eram Guia do Intercambista (Guide d’échange d’étudiants), Programação (Programmation) e Horários (Heures) com o português e o francês, respirei fundo, eu estava encrencado; o que eu faço? Fiquei revendo tudo o que eu devia fazer naquele dia; ou seja, eu não ficaria dormindo na minha cama.

+Não envolver-se em relacionamentos românticos ou atividades sexuais durante o intercâmbio”

Não se envolver? Como assim não se envolver? E tem como não se envolver com uma pessoa tão mágica como ela? O frio aumentava e eu fui obrigado á colocar uma roupa mais quente, na verdade eu queria tomar outro banho, eu havia tomado um depois do jantar, mais precisava de outro banho, eu nem sei por que, talvez porque no Brasil eu tomava banho três vezes no dia. Coloquei uma roupa aparentemente toda preta com cachecol, preto ia colocar uma touca também, porque eu estava com frio, e eu devia ter horários á beça hoje, era uma coisa boa e ruim e ao mesmo tempo.

Então ouvi os passos dela voltando ao quarto dela, como eu sei? Ora, quando você gosta de alguém você vai decorar cada passo e o barulho do que eles fazem. Assim que eu abri a porta eu engoli o orgulho como se fosse uma tortura e a chamei sem jeito.

—Monitora... – Ela se virou para mim, parecia que estava com pressa, mais olhou para mim, como na minha primeira noite, me deu atenção. Engoli secamente e respirei fundo, não queria fazer ou falar algo errado, então eu tive que me esforçar para não estragar tudo como naquela manhã que a vi. – Me desculpe. Eu achei que...

Ela revirou os olhos enquanto respirava fundo.

-Tudo bem Azevedo... Victor; está tudo bem, eu também acharia a mesma coisa, mais eu estou atrasada para conversar agora. Eu gosto de conversar com você, você tem uma inteligência fora do comum, não há como lhe apreciar, um ser perfeito para conversar, até os seus defeitos devem ser premiados. – Fiquei em silêncio, como é? O que ela quis dizer? Isso foi um elogio? Own; oh... Engoli aquele sorriso de felicidade. Não demonstre que quer agarrar-la e beijar-la com voracidade. – Aan; estou atrasada para ir á igreja, se você puder entender...

—Igreja católica? – Eu precisava acabar com aquele clima tenso.

—Aan... Sim. – Acaba com o clima tenso, se desculpe direito, crie um clima agradável.

—Posso ir com você? – Não ia cara; fique sério.

—Ir comigo? – Eu estava quase rindo de felicidade, cara; ela iria concordar eu iria sair com ela, acenei positivamente. – Olha; eu te levaria sem problemas, mas... – Mas? Anão pode haver um “Mas”. – Eu prometo que te levo na próxima, são 50 minutos andando e...

— Eu não me importo de andar. – Seja insistente, seja brasileiro.

— Eu tenho que ir trabalhar em seguida. – Seja responsável, seja estilo cara mias velho.

— Eu saberei voltar. – Seja um brasileiro na França. Como eu adoraria acompanhá-la, em todo lugar e ela não estava com “ele”.

— Você é minha responsabilidade! E o seu dia será cheio hoje. Confia que depois eu levarei você? – Responsabilidade? Eu? Respirei fundo, aquilo foi um choque, eu estava tentando arrumar o clima, não fazer aquilo, não demonstrar que eu estava chateado.

— Confio. – Sim; eu confio em você, eu devia ter acrescentado isso, seria tão fofo, daria clima para nós nos beijarmos.

-Essa semana eu irei levar todos vocês para um tour por Paris, então não se preocupe. Você vai decorar e poderia ir sozinho. – Com todo mundo? Franziu os lábios, depois dei um sorriso de que eu nem fiquei desapontado, que entendi; eu entendi, mais também fiquei desapontado.

—Obrigada. Até depois.

Fechei a porta e me joguei de cara no colchão. Mais que droga! Eu só queria ficar com ela, eu só queria ficar ao lado dela, eu não precisava falar com ela ou tocar nela, só estando no mesmo lugar que ela estava de bom tamanho. Faria-me eu me sentir melhor, me faria eu me sentir protegido, tranquilo, simplesmente eu ficaria bem. Ai que droga! Como se fala “que droga” em francês?
Respirei pelo nariz e soltei pela boca depois de tirar a cara do colchão, um tour; com todo mundo... Fui obrigado á me arrumar dignamente para ir tomar café, me preparar para alguns exercícios, dar um passeio pelo dormitório e um passeio até a escola na qual estudarei até o terceiro ano e verei em qual sala eu cai. Como eu estava mal humorado, como eu estava chateado por ter recebido um “não”.

Troquei-me, me arrumei e em seguida me senti frustrado; eu precisava conversar com alguém. Pensei em bater na porta do Leo, mas ela quem devia me chamar. Ele tem namorada, Marjorie na qual eu não fui com a cara, vai ou não vai? Deitei na cama pensativo, o dia prometia ser “cheio” mesmo. Funguei, estava ficando resfriado. Mas, antes de qualquer coisa, eu arrumei minhas coisas e sai do quarto antes que Éponine fosse lá bater na minha porta. Assim que sai do quarto dei de cara com a gaucha e dei um passo para trás batendo na porta.

—Aarh, oi.

—Bonjour! – Ela me cumprimentou fazendo um biquinho também, acenei com a cabeça. – Cadê sua namorada? – Dei ombros.

—Ela não é minha namorada! – Ela deu um sorriso de deboche. – Não é.

—Ok; então vamos arrumar uma? – Um calafrio passou por meu corpo.

—Não. Agora não, eu preciso estudar. – Ela riu, parecia muito animada.

—Está com seus horários e programações? – Acenei positivamente segurando em minha mochila de alça única que se coloca de lado. – Me deixa ver... – Entrei os papéis para ela que deu uma folheada, e ficou ali na minha frente impedindo a minha saída, eu mordi os lábios aflito, muito mais do que aflito, agoniado.

—Podemos ir para o refeitório? Eu... – Não quero ver Éponine hoje.

Katherynne foi à frente e mesmo assim ainda parecia animada. Como posso dizer que o refeitório e o dormitório são impressionantes? É impressionante, o chão era coberto de carpete azul escuro, há imagens feitas de porcelana, gesso, nas janelas há mosaicos de casais apaixonados, e não como eu não me imaginar ali com Mika; pronto peguei o apelido dela, fim, acabou-se, gosto do apelido, encurtar nomes, deixar mais bonitos com a expressão de intimida entre nós.

Foi aí que a gaucha loira parou, me fitou de cima á baixo e ficou me encarando.

—O que foi?

—Não leu o guia do intercambista? Não pode sair sem o uniforme. – Estreitei os olhos. – É uma lei, e isso você não pode desobedecer. – Ela falou me parecendo animada. – O seu primeiro horário é ás 13h15min, tem curso de francês. – Respirei fundo e voltei para ir colocar meu uniforme, ao menos a parte de cima, quem se importaria que minha calça fosse de um tecido diferente da blusa? Ela me acompanhou. –Não se preocupe a professora Luiza não é muito ruim. – Exatamente no momento em que voltávamos para o meu quarto, uma ruiva esbarrou em Katherynne a fazendo bater na parede, eu me afastei delas pelo susto que levei e a garota a encarou, parecia minha velha, mais nova... Sei lá, ninguém aqui parece ter a idade que tem.

—Luiza? Ela não é muito ruim, ela é péssima!

—Agatha, anjo. – Falou Katherynne com um sorriso e as duas se abraçaram e deram o típico abraço gangorra, abraçadas e balançando de um lado para o outro, fiquei olhando, mas como o comprimento demorou muito eu abri a porta, troquei o agasalho preto pela parte de cima do uniforme, um casaco azul escuro e sai ainda me deparando com aquela cena.

—Agatha... – Katherynne parou de fazer o abraço gangorra e ria. – Me deixa apresentar; esse é Victor; um calouro chegou esse fim de semana, e pense no calouro mais fofo e corajoso daqui. – Ela se virou para mim e colocou a garota de frente para mim; e não, eu não sou corajoso, se possível uma criança de cinco anos é mais corajosa do que eu. – Victor... Essa é Agatha. – Ela sorriu e eu fiquei bem sem graça. – Ele é carioca...

—Paulista. – Corrigi.

—Ela é Mineira...

—Capixaba. – Ela a corrigiu, eu dei uma risada interna.

— E se tudo ficar bem, quero os dois saindo juntos.

—Eu gosto do Shin; — Ela não parecia muito feliz com a idéia, nem eu porque eu gosto da monitora.

—O Shin não é para você; nem para ninguém, pega ele, e sexta saímos juntos.

—Se está se referindo eu sair com C.S. Mikaele, você, Matheus, Alex e Pierre; acredite isso está fora de cogitação. – Íamos em direção ao refeitório, que parecia um restaurante, por ser lustroso, luxuoso, com tudo parecendo novo e parecendo cena de filmes antigos, ou de hotéis luxuosos. Estava entrando quando dei de cara com o grandão cara roxa machucada. Ele me encarou de cima á baixo, eu gelei imediatamente, fiquei em silêncio alguns segundos sem me mexer.

—Victor! – Berrou Leo do outro lado do salão, que alivio, salvo pelo gongo, pelo Leo; eu o encarei mais uma vez e ele respirou para dizer alguma coisa, porém eu dei as costas, não estava muito á fim de escutar o que ele iria falar para mim. – Bonjour. – Eu o encarei e coloquei minhas coisas, minha bolsa com uns utensílios que o guia disse que eu precisava andar sempre, embaixo da mesa e me debruço sobre ela de tanto nervoso, eu não imaginava ver o grandão me encarar daquele jeito e se Leo não tivesse me visto, quem sabe se eu não estaria como ele.

—Obrigado por me chamar. – Olhei para o resto da mesa, vi Marjorie e ela me deu um sorriso, correspondi. – Por guardar lugar para mim...

—Cadê a sua namorada? – Dei ombros.

—Ela não é a minha namorada, ela é uma garota com quem eu fiquei e ficou na minha cola. – Ele olhou para mim e fez um olhar de quem não se importava muito.

Aquele foi o café da manhã, como eles chamam “petit déjeuner” mais silencioso e sem graça da minha vida. Marjorie e Leo me deixaram no vácuo, eles dois tinham uma boa sintonia, parecia até que um terminou a frase do outro. Eu estava sozinho, apreciando o meu tartine beurre confiture, o famoso pão com manteiga e geléia, croissant, uvas verdes e suco de laranja; o que importa foi que eu tive uma refeição farta e que até o almoço conseguiria me agüentar. Será que se eu ficasse com a Mikaele deixaria todos sem graça? Ou deixaria todos completamente satisfeitos com nossa companhia?

—Ok, onde está a garota que você ficou e depois ficou na sua cola?

—Eu não a vejo desde que ela saiu para cuidar do grandão...

—Cainan. – Revirei os olhos, falar o nome dele me dá uma ânsia de vomito, uma angustia algo ruim. – O nome do grandão e Cainan.

—Ah... – Fingi concordar.

—Na verdade, eu não a vi... Nem o Cainan. Você os viu Marjorie? – Ela acenou negativamente; meu Deus! Os dois dormiram juntos, eu me segurei para não comemorar, nem rir ou demonstrar felicidade sobre não estar vendo eles separados e pelo fato deles terem saído juntos. Contive cada batida desesperada e alegre do meu coração, se por acaso eles tivessem passado a noite juntos, seria um excelente motivo para ele terminar com ela.

Quando terminei o café fui para o meu quarto, Marjorie tinha alguma coisa muito importante pra fazer, eu e Leo queríamos dormir, porque, com o fuso horário daquele, era melhor dormir sempre que dava ficar de pé das seis até as oito era muito difícil. Entre satisfeito, eu estava com sono.

—O que você vai fazer se aquela garota não falar mais com você? – Investirei na nossa Monitora.

—Uma garota do nosso andar, chamada Katherynne... Apresentou-me uma outra garota; quem sabe. – Quem sabe nada, revirei os olhos quando ele me olhou com um olhar malicioso. Então eu percebi; Leo ficou chato.

Notei comigo mesmo no meu quarto que apesar de Leo estar sempre comigo, em Paris, na França, Katherynne a gauchinha estava se tornando uma amiga para mim. Eu tive que arrumar um caderno, pois haveria uma palestra após o lanche da manhã, ás 09 horas no caso haveria uma palestra para os calouros, então lá paras 13h15min começaria nosso curso obrigatório de francês, já que as aulas da oitava série começariam em setembro; tudo o que aprenderíamos entre 09 á 10 meses fazendo a Sétima série, faríamos a sétima serie entre 04 á 05 meses; ao contrário do ensino brasileiro, eles apostam alto no ensino francês.
Eu deitei na cama para tirar um cochilo pensando como doía não poder ter contato com a minha monitora; que vou continuar chamando assim respeitosamente até que ela me deixe a chamar de “Mika”, se apresentando assim. Estava deitado tendo que esperar até a hora do lanche da manhã nisso tive uma idéia absurda; como sempre desde que eu cheguei aqui não tive uma idéia ou pensamento que não fosse; eu queria ir atrás da Mikaele.
Só tinha um probleminha, eu não sei aonde, não sabia se eu ia à catedral ou iria á biblioteca. Eu precisava ir a um dos dois lugares, ela devia estar trabalhando, então eu devia ir á biblioteca. Só que eu não sei andar por Paris, não mesmo, nem prestei atenção quando Éponine me arrastou pelas ruas e indo para aquela padaria. Eu não sou distraído, acontece que quando você está com outra pessoa você não repara no caminho. Eu podia ir com Leo e Marjorie iria com ele ensinando onde seria a biblioteca; ou á Catedral. Pense Victor, onde ela estaria agora? Eu tinha medo de confiar e andar pelo GPS sem ter 100% de certeza de quais eram os nomes das ruas aqui na França. Eu emburrei. Emburrei e dormi, estava cansado, com frio e com sono.

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A Palestra foi teoricamente bem explicável, sem drogas, sem bebidas, sem sexo, sem roubos, sem fugas, sem trazer animais para o dormitório, ter cuidado com o patrimônio público, que visitaríamos com o nosso monitor, que há diversas coisas diferentes na França, que o respeito e a consciência são uma delas. O que deveríamos saber até estarmos preparados para ir para Cannes; eu não aprendi ou entendi muita coisa; Leonardo conversou a palestra toda. Foi cada momento em que me vi que não me daria bem em Paris, que aqui é tão respeitoso. O resto do dia seguiu agitado, tivemos que voltar para nossos quartos e preencher horários de aulas, o que faríamos nas horas extras, preencher o nosso perfil novamente para serem entregues para os responsáveis franceses, deixar tudo confirmado e isso deixou os calouros agitados no hall de entrada na qual nos deram as boas vindas e tivemos que esperar o nosso professor chegar; eram calouros até o sexto andar cada andar tinha um professor.
Será um curso comum, com o básico ao médico e ao difícil, para aprendermos a conviver um ano ou talvez mais de um ano na França. Uma garota do quinto andar, caloura como eu e Leo, estava dizendo que terá testes de sobrevivência em fevereiro, nisso eles nos jogaram nas ruas e nos farão desafios. Creio que não seja verdade, eles não seriam tão idiotas de tal feito; ou seriam?

Enquanto esperávamos vi alguém entrar correndo na porta central com uma pressa fora do comum, era ela, a garota mais bela que já vi em minha vida, até sorri. Ela estava com os cabelos cheios de neve e andava com uma bolsa de lado na qual estava caindo, ela chegou ao balcão falando alguma coisa rapidamente, ouvindo uma resposta áspera e em seguida nervosa batendo a mão no balcão, ela não gostou da resposta e cruzou os braços ao lado do balcão. Foi então que ela olhou para o aglomeramento de calouros com o olhar irado, não era uma surpresa ver uma garota irritada, mais vê-la assim, eu não ouvia nada, não estava no meio da multidão, só estava eu e ela, naquele hall enorme, sou tão encantado por ela que para minha surpresa olhou para mim dando meio sorriso. Isso me deixou feliz, mas deixaria mais feliz se um outro cara; estivesse ao lado dela a deixando sem graça.

Ela deixou o grandão. Ela está com outro.

Notas finais
>>Pretendo postar o mais rápido possível. >>> Não sei se vocês gostam de capítulos mais longos ou curtos, me avisem... Bom até o próximo capítulo... ~♥~ Beijos da Autora.~♥~