E Eu sou o Amor da Sua Vida?
6 Em um mundo real?
Notas iniciais
Victor
Quando a monitora Mikaele saiu do quarto Leo começou á falar sem parar, como sempre fazia quando descobria algo novo, eu acalmei o coração, regularizei os batimentos cardíacos e encarei ele enquanto chutava a sapatilha que ela havia esquecido em baixo da cama e em um movimento rápido escondia a xícara que estava em cima de escrivaninha dentro da gaveta.
—Como pode dormir até agora?
—Insônia; já falei. — Respondi resmungando, se Leonardo não tivesse chamado por quanto tempo eu ficaria dormindo com ela? Uma manhã inteira? Uma tarde? O resto do dia? Será que eu acordaria e ela não estaria mais ali?
—Onde será que aquela monitora se meteu? Ontem ela estava aqui, hoje não estava...
—Deve ter perdido a hora? — Lógico, no meu quarto ao lado da minha cama.
—Batemos no quarto dela, ela não atendeu. — Engoli em seco. — Daí a Andreía do andar de baixo nos monitorou; cada um de nos do quarto andar.
—Legal...
—Então eu conheci uma francesa fantástica! — Não mais fantástica do que a brasileira que dormiu comigo, isso eu tenho certeza. — Marjorie o nome dela; simplesmente fantástica. — Acenei positivamente para ele concordando com tudo enquanto arrumava a cama e colocava uma roupa, sempre concordando com ele. — Nós dois fomos em uma padaria bem legal, você sabe que os franceses comem aquelas baguettes grandes né? — Acenei positivamente. — Eles andam com aquilo embaixo do braço. É um nojo só; imagina no verão; mais Marjorie disse que é um costume daqui, que essa atitude é super natural, não existem sacos como lá no Brasil; também não existem "pães franceses" na França; e a Torre Eiffel não é só uma torre, é um restaurante e... Uma antena de rádio. — Ela parou. — Há tanta coisa que eu nem sabia e fiquei sabendo agora; eles não comem queijo no café da manhã; é mais comum comer queijo depois do almoço.
Definitivamente eu estava longe dali; estava ali; mais no ali de ontem em um ontem, em um momento tão mentiroso quanto verdadeiro, será que ela queria ficar ali? Ela estava se sentindo bem?
—Está bem distante Victor... — Disse Leonardo reparando de verdade que eu não estava no meu normal, tudo bem que era o primeiro dia, que era a primeira vez, era tão inusitado tudo era tão incrível, mais o fato de eu não estar retrucando com meu "irmão" o incomodou, ele não reparou que eu estava em uma noite divina; ele só reparou que eu não estava retrucando ou falando com ele.
—Um pouco... — Comentei.
—O que há de errado?Não quer voltar para casa né? — Perguntou com um olhar ameaçador. Hey Victor, você não estava sozinho naquele país; estava com seu amigo, que considera seu irmão... Sorri e neguei, na verdade que eu não queria voltar, ainda mais agora, mais do que nunca eu não queria voltar.
—Não. Nada á ver... É com outra coisa... — Conto ou não conto?
—É com o que então? — Então ele me levava para tomar o café, descemos escada por escada comigo pensativo
Vamos ver, ela não queria ser vista,com toda certeza também não queria que eu falasse sobre ela, vejamos que ela não podia ser vista, ela é de maior, ela é monitora, ela é veterana, eu sou calouro, sou de menor... E lógico que ninguém veria como uma noite de boa companhia e sim como algo á mais, o que não seria bom para ninguém, incluindo eu que acabei de chegar.
—Eu não consegui dormir ontem, estou cansado e pensativo; será que vai valer a pena esse grupo de francês? Esse tempo de aulas básicas até a aula real?
—Tá difícil mais não impossível. Você tem que ver como aqui tem garotas que dão uma motivação para estudar o francês e dominar tudo. Elas são simplesmente lindas.
—Se você está dizendo, quem sou eu para não acreditar?
Assim que chegamos ao refeitório uma garota de cabelos longos brilhantes castanhos escuros, tão belos quanto atraentes, prenderam a minha atenção, ela parou na frente da entrada do refeitório com uma tesoura e um pente em cada mão e nos olhou.
—Problem?- Sua voz não enganava, ela falava francês, mas não o francês da França, de qualquer outro lugar, assim como os brasileiros falam português e os portugueses também, porém, diferente. — Boys? — Sua pronuncia soava engraçada.
—Café da manhã? — Falou Leonardo e ela logo riu.
—Brasileiros. — Ela prosseguiu. — O refeitório só irá abrir novamente para o almoço. — Ela piscou. — Meu nome é Éponine Waters; énchate! Estou aqui á quatro anos e a minha melhor amiga é brasileira! — Ela se curvou para nós alegre, de um jeito que se estivesse de decote, daria em uma imagem muito obscena. -É um prazer.
—Eu sou Leonardo.
—Meu nome é Victor.
—Mas, já passou da hora do almoço.
—É que eu ainda não tomei café. — Disse. — E não estou me sentindo bem; eu sei que é fome.
A garota riu e se aproximou de mim fazendo um cafuné em meus cabelos e rindo, pude verificar que em nenhum momento ela aproximou de mim aquela tesoura em direção aos meus cabelos; ela estava me fazendo carinho.
—Ótimo calouro... Então eu te levo para tomar café na minha padaria favorita pra comer nem que seja um pão para te manter de pé; isso porque não falta muito para o almoço. Quer?
Curvei os lábios em um sorriso leve, meu irmão me encarou, podia sentir seu o olhar em mim, algo como "A garota tá te dando mole rapaz! Faz alguma coisa."
—Vamos ter uma hora e meias para conversar até o almoço, se você se sentir incomodado com alguma coisa quando voltarmos, me contento em dar uma ajeitada no seu cabelo. Caso contrário, podemos almoçar e jantar juntos. O que acha?- Éponine ergueu uma sobrancelha e me deixou nervoso.
—Está combinado. — Falei sem jeito, eu não sabia o que falar; nem como agir; eu queria estar ali com outra pessoa e ela não estava colaborando.
—Porque a tesoura e o pente? — Perguntou Leonardo e erla pareceu animada para responder.
—Eu vou ser cabeleireira! Amo mexer com cabelos, amo fazer penteados e se estou aqui é para arrumar os cabelos desses futuros atores e atrizes, veteranos, calouros...
—Haaa muito boa! — O sotaque era um francês com gaúcho em tom de zombaria, era uma garota de cabelos longos loiros com batom roxo escuro chamativo, acompanhada de uma ruiva natural, cabelo acobreado; elas duas estavam cheias de flocos de neve . — Adoro suas piadas Éponine.
—Kurz. — A loira deu um sorriso provocante.
—Mon cher! — A ruiva se aproximou de Leo com uma rapidez e o abraçou, eu me afastei por pura segurança. — Ça va bien? — Leo ficou encarando por uns segundos.
—Ela perguntou como você está. — Respondeu Éponine recebendo um olhar feia da loira que se retirou do local já que sua companhia estava acompanhada e ali; basicamente vendo de longe ou perto; ela estava de vela.
—Estou bem. — Antes de Éponine traduzir a ruiva pegou Leonardo pelo braço se afastando dela; como se ali ninguém quisesse ficar perto dela. -Eu vou... — Antes de Leonardo terminar de falar ele completamente foi arrastado para longe de mim.
Éponine arfou de raiva, pegou a minha mão e me levou para fora do dormitório com força, eu não sabia o que estava mais estranho, ela me puxando ou eu indo atrás dela me esforçando para não tropeçar pois literalmente ela anda muito rápido e fala rápido também, quem que que seja a amiga que lhe ensinou o português brasileiro fez um mau danado aos ouvidos alheios. Ela desviava dos pedestres com agilidade e habilidade como se aquilo fosse sua rotina normal;com um sorriso sempre dizendo: "Bonjour, Excuze-moi, Sil vous plaît, Merci!", ela falou tanto que eu acabei decorando o que não que não foi difícil já que ela falou bastante. Paramos em frente á um farol esperando ele abrir, olhei para trás e senti falta do Leonardo. Eu estava mais sozinho do que devia.
—O que você vai pedir? — Ela passou uma mecha do cabelo para trás da orelha. Não vou negar, sou homem e ver uma coisa gostosa dessas...
...
—Eu não sei. -Ela começou á fazer um biquinho provocante, meu coração foi á mil, sem saber o que fazer; porque ela estava me provocando daquele jeito? — Eu não sei o que tem; nem sei como são as coisas aqui. Está quase na hora do almoço.
—Bem; isso é verdade; mas eu posso fazer o seu pedido do jeito que todo mundo aqui gosta e que alguns pediram na primeira vez. — Acenei admirado pelo seu doce sotaque. — Ótimo; vamos.
Assim que o farol abriu ela continuou á me puxar pela rua e por mais dois quarteirões até chegar á uma rua ao que eu julguei ser uma cafeteria. Entramos nela que tinha o aspecto de anos 90, era completamente chique e atraente por dentro, delicada, dava uma visão razoável da Torre Eiffel. A garçonete veio até nós e Éponine mostrou seu cartão do Instituto Macmilliam Depardieu Le Rouge e a moça acenou esperando que ela fizesse o pedido.
—Tartine beurre confiture. — Ela pensou um pouco. — Et café.
—D'accord. — Ela respondeu e então ela se voltou para mim me tirando do clima que eu estava tendo com a Torre Eiffel.
—Você é de qual andar? Só um novato não saberia pedir ou muito menor entender que o almoço está para chegar. — Sorri.
—Sou do 4º andar; vou frequentar a 8ª série. — Ela ergueu uma sobrancelha.
—Você? 13 anos?
—Bem. — Fiquei vermelho sem querer, mais quem quer ficar vermelho? Eu estava aproveitando o momento, claro. — Eu tenho treze anos sim, porém, faço catorze em abril; não parece? Eu pareço mais novo?
—Não... Que surpresa! — Ela esticou os braços para tocar em minhas mãos que estavam em cima da mesa. Estremeci e arregalei os olhos aquele toque. — Eu sei lá; eu não julgo por idade, eu deveria? Mas, parece mais velho... Tipo uns dezessete anos, dezoito. — Sorri sem jeito. — Estou falando sério.
—Obrigado. — Respondi mais sem jeito ainda. — E você está em qual andar?
—Sou do 5º andar, eu vou frequentar o 1º ano, logo, logo irei partir para o curso de Artes Cênicas! — Ela sorriu.
—Esperai, você tem quantos anos?
—Vou completar quinze! Eu sei; não parece... — Ok; né. Porque todo mundo é mais que e sempre são as mais interessantes?
—Aan não. — Abaixei a cabeça e ela pegou em minha bochecha para me fazer reparar nela. — Eu sou novo demais.
—E daí? Mais velho, mais novo é realmente isso que lhe faz ser uma gracinha! — Dei risada, sério mesmo que eu era uma gracinha?
Quando o café quase almoço chegou na mesa, que foi após o elogio seguiu com dois minutos de silêncio, com o meu rosto quente, vermelho, sem jeito encarei Éponine e em seguida o café. Era dois pães com manteiga e geleia, eram feitos com pão baguete e uma xícara de café que pelo que eu entendi era um costume apreciado pelos franceses assim como os brasileiros amávamos café eles também admiravam.
Ela pôs as mãos sobre o queixo e ficou me olhando enquanto eu dividia o pão com as mãos comendo em pequenos pedaços. Parei de súbito e encarei ela, eu estava ficando constrangido.
—O que foi?
—Você é muito bonito! — Me corei. — Eu estou encantada de conhecer e passar esse momento com você.
—Obrigado. Você também é bonita! — Exclamei começando á comer, pois, mais um segundo e eu ia desmaiar de fome.
—Oh;eu sei;merci beaucoup! — Um pouco convencida. — E então como passou a noite?
—Bem; digo; um pouco mau. — Disse bebendo o café. — Na verdade eu não dormir bem. Talvez o nervoso, porque eu não esperava que acontecesse o que aconteceu. Que um anjo fosse ficar comigo na minha primeira noite na cidade luz.
—A França lhe agradou? — Ela perguntou de uma forma tão suave quanto fofa, tudo nela me admirava e como estava na cara de que a monitora não fez mais do que o seu trabalho de me acalmar, não seria ruim dar uma chance para a garota que era bem convencida, mas não era única como a monitora. Mikaele era única em um aspecto estranho e esquisito , ela era única, diferente das demais, estranha e esquisita das outras, mas ela era ideal; ideal para mim.
—Ela não é ruim. É bem gostoso . Romântico,é o que dizem , certo?
—Acha mesmo? Sim; pode até ter aquele ar de romântico; porém, eu não a vejo assim... Quem eu queria que estivesse tornando isso romântico para mim gosta de outra; ama outra pessoa. Ou ao menos acho.
—Se quiser, eu posso tornar isso romântico para você. — NÃO! SAIU, SAIU! ELA NÃO. ELA NÃO ERA A MONITORA. MAS SAIU. A MONITORA NÃO ME QUERIA. ELA FEZ O TRABALHO DELA. Éponine ia me chamar de idiota, abusado, soltinho... Mas... Foi de momento. ela riu. — Desculpe. — Ela riu novamente.
—Ora, se quiser tornar isso romântico para mim eu aceito. — Suas bochechas ficaram vermelhas e ela teve que desviar o olhar, ambos fizemos isso porque acabou sendo constrangedor. O que eu estava fazendo? O que eu estava falando? No que eu estava me metendo?
—O almoço... — Comecei, ela se voltou para mim animada. — Erh... É só lá no refeitório ou se pode sair para almoçar igual estou — hesitei — estamos fazendo? — Ela pensou um pouco.
— Ás vezes; como chegaram muitos novatos há pessoal na cozinha; porém há fins de semanas que eles estão de folga e nós comemos fora. Esse cartão... — Era o mesmo cartão que ela apresentou á garçonete, reparando bem, tinha também a identificação dela e aparentemente era de crédito também. — Serve para pagarmos um almoço ou janta, mais fácil e pela metade do preço; bem encontra. Quando não há ninguém na cozinha saímos e isso aqui banca a nossa refeição. Já tem a sua? — Neguei.
—E eu não trouxe dinheiro.
—Eu pago pra você! — Arregalei os olhos, não podia deixar ela pagar para mim.
—Não, eu... — Ela tampou a minha boca com a tesoura que ela havia trazido; eu me assustei imediatamente e calei a boca.
—Não; eu pago sem problemas, aliás quem te puxou e chamou fui eu; na verdade lhe arrastei. Então; como o almoço é daqui á pouco e se quiser me pagar,abra a mão da sua sobremesa e a dê para mim. — Acenei com um sorriso; ela era bonita. Apenas isso que eu podia falar, porque ok; não tinha mais palavras para falar. Uma pena, ela aparenta ser educada, gentil, ter classe; porém, não vejo mais nada para chamá-la além disso, porque só a beleza é o foco; ela não me demonstrou nada mais disso. O que ela queria de mim? Minha companhia ou á mim? Ela nem te conhecia; então a pergunta do "porque eu?" ficou rodando na minha cabeça
—Pode ser. — Disse. — Só que não por muito tempo, também gosto de doce.
—Por uma semana; paga a sua conta. E não se pode repetir a sobremesa e eu amo as sobremesas do começo do ano. — Acenei, ela anão tinha muito assunto; preciso puxar assunto desse jeito.
—Bem; você disse que não acha Paris romântica; isso lhe dá monotonia e vontade de ir embora?
—De jeito nenhum; não é porque não é romântica que eu não gosto daqui, veja bem; eu estou estudando com futuros ganhadores de Oscar's, atores, atrizes, críticos, maquiadores, diretores, roteiristas, cineastras, produtores; gente de alto escalão. E nenhum dia é igual ao outro, até porque as confusões e encrencas no colégio e no dormitório não são iguais, não são de se jogar fora; tipo os que querem ser críticos tem o "dom" começar as brigas, e os que querem ser atores ou atrizes aparecem com a "raiva". — Rimos.
—Que tipo de encrencas e confusões?
—Épicas e até bobas, sem sentido, estúpidas e interessantes. — Hesitei um pouco antes de continuar á falar. — com tanta coisa para ela se tornar, ela só queria ser cabeleireira e ver os outros ganharem "Estatuetas Douradas", menos ela? Porque sei é que há a categoria "maquiagem", mas não "penteados"; nem sei se se encaixa na mesma categoria. Mas qual o propósito? Talvez o dinheiro que ela irá ganhar se fizesse o cabelo de uma atriz de sucesso, uma amiga; talvez fosse isso. — E você? Pretende se tornar o que?
—Roteirista. Gosto de ler e escrever e ler histórias... Porque quer ser apenas cabeleireira? Esse curso não é apenas para quem vai fazer Artes Cênicas?
—Sim, mas além de tudo sou uma boa estilista; só no desenho... — Ela abaixou a cabeça. — Perdi cinco uniformes tenta os refazer. Quando entrei pensei em ser diretora, se nada me atrapalhar eu continuo nesse pensamento. E cabeleireira também.
Ficamos muito tempo em silêncio, mesmo que aparentasse ser pouco, o meu café da manhã quase almoço, eu não estava conseguindo não comer devagar para sentir o gosto de tudo.
—Onde posso comprar livros aqui? Em português de preferência e bons?
—Bem; não querendo te desanimar nós não podemos comprar nenhum livro que não seja para estudo. — Fiquei desapontado e desanimado, agora eu não sabia o que fazer; ficar sem livros? E eu só havia trazido três, que acabariam de serem lidos antes do fim do mês. — Mas se gosta tanto de ler histórias te garanto que vai conseguir boas histórias. No dormitórias grande parte dos veteranos escrevem, principalmente os que querem ser roteiristas, se duvidarem fazem suas próprias cenas. Pode escrever uma história ou se juntar á outro escritor e se tornar co-roteirista.
Dei um sorriso, será que Mikaele, monitora do meu andar gostava mesmo mesmo dessas grandiosidades de escrever? Isso seria algo interalmente novo e ao mesmo tempo perfeito. Hã, eu só podia estar sonhando, se os veteranos escreviam porque eu não poderia me juntar á um trio de veteranos e fazer um Quarteto Fantástico, onde no final eu pegaria a atriz assim como Tim Burton fez com Helena Bonham Carter e nisso ficaríamos a eternidade juntos como Bella e Edward Cullen. Mentira. Sério? Será? Ah, para que eu tava desacreditado, louco, pois acho que tinha encontrado um bom jeito de me aproximar dela. Se ela escrevesse, claro. Senão seria meio impossível
—Co-roteirista? Mas, eu não conheço nenhum deles.
—Olha só; nessa sexta, vamos sair na sexta; vamos ao cinema, que coincidência não é? Vários veteranos, nós vamos todas as sextas á tarde; daí você pode pedir para ler e escrever pessoalmente. — Revirei os olhos ansioso, era como andar com um grupo de elite na verdade; eu vou andar com o grupo de elite, porém....
—Não posso, infelizmente eu terei que recusar.
—Como recusar? — Terminei de comer e a vi aguardar alguns segundos antes de pegar meu prato e minha xícara antes de se levantar. -Vou pagar; eu já volto.
Deus! Como eu fui me envolver com essa garota? Eu não estou arrependido, apenas desfocado, ela realmente aparenta ser solitária e estranhamente apaixonada por mim. Pelo jeito dela, ela nunca foi correspondida no amor e bem que nisso tínhamos algo em comum,isso resume em tudo a minha vida. E eu gostaria de dar uma chance para ela mesmo que aquilo fosse inusitado; eu estava decidido á me envolver com ela; porque com a monitora não estava progredindo (Quanta pouca fé Victor; que feio). Leonardo tem a francesa dele e eu tenho essa aqui. Comecei á rir mentalmente, só que acabei rindo alto e Éponine viu eu dando risada, quando ela se aproximou passou amão em meus cabelos.
—O que é tão engraçado? — Fiquei vermelho. — Vamos? — Me levantei e ela colocou o braço em volta do meu braço e começamos á caminhar de volta para o dormitório.
Seu coração estava pulando de alegria, ao que eu podia imaginar ou ela estava nervosa ou coisa assim; apenas sei que quando começamos á andar o céu se fechou.
—Porque recusar tal proposta? — A encarei sem saber o que dizer.
—Aan... Eu tenho um irmão... — Comecei á coçar os cabelos com a mão livre. — Eu não gosto, nem devo deixar-lo sozinho, seria muita falta de atenção e consideração com ele.
—Ele não tem Marjorie?
—Aan...
—E eu e Marjorie não nos tamos muito bem; então ele está em boa companhia; mas sexta Marjorie também nos acompanha, ela com certeza levará seu irmão. — Ela sorriu e colocou a cabeça em meu ombro e continuamos á andar. — Não haverá problemas. Vamos; não vai ser perdida; não vamos sair perdendo. Ir ao cinema e assistir o primeiro filme que estiver começando é vida, vamos? Sil vous plaît, que "Por favor". — Eu sorri, tem como dizer não para olhos tão chamativos? Mas... Tão; muito... Vazios...
—Ok, ok; eu aceito! — Só vou ver com meu irmão; não vou garantir nada, só vou fazer o máximo, pode ser?
—Claro.
Continuamos á caminhar, e como não estávamos na correria era possível ver cada detalhe belo da cidade luz. Bistrôs decoravam as ruas, pessoas andando com roupas chiques, posturas corretas, delicadas, basicamente bem educados o que me admirou. É algo que eu estava agradecendo der ficado por aqui mesmo. Porém mesmo que Éponine fosse uma boa companhia; a de ontem foi inconfundível e amei desde o começo, desde que ela ficou de pernas bambas e me deu chocolate quente, eu fiquei admirada.
Ah, ontem foi a melhor noite da minha vida, mesmo por tão pouco tempo. Eu gostei, teve um toque de romantismo, carinho, inocência, delicadeza e entretanto algo que eu não consegui e não conseguirei mentir para mim mesmo, eu me apaixonei pelo olhar enfraquecido e frágil, é possível que eu precise tanto de uma pessoa que eu mal conheço mais ao mesmo tempo conheço tanto, apenas de a olhar, de conversar, de sentir, seu toque, seu corpo mesmo não querendo tanto, foram correntes elétricas que eu não sentia com o toque de ninguém, nem mesmo com Éponine. A não ser que seja questão de nos conhecer; o que eu gostaria de fazer?Beijá-la? Pedir para ela dormir do meu lado? Talvez não fosse certo, ela estava cada dia mais longe; mas Éponine estava perto. Qual é a diferença?
Eu me apaixonei pela monitora do 4º andar que vive na cidade luz.
—O que está pensando? — Ela apertou meu braço, então voltei ao meu normal ao mundo real. — HEY!
—Em nada de especial. Só nas possibilidades de ser legal; ou não. — Ela ficou me encarando. — Você é bem... Bonita! Encantadora. — Ela abriu um sorriso gratificante.
—Ouh. E você é sensacional! Espetacular! — Nossa, ninguém nunca disse que eu era encantadora...
Será que eu nunca mais irei dormir com ela? Puxa vida; eu devia ter pedido para ela voltar,por quanto tempo nós não iremos nos ver? Sei que na verdade como monitora ela tem muito o que fazer e com certeza a única chance de ver ela ou vai ser ir no quarto dela ou dando a sorte de vê-la no almoço ou na janta ou o mais possível, o cinema.
—Obrigado pelo elogio.
Quando estávamos chegando aos dormitórios um rapaz de roupa bem chique passou por nós como um vulto; bem nessa hora Éponine se afastou um pouco.
—MATEUS? — O rapaz ignorou e continuou andando. — URSÃO!! — E então o rapaz virou com tudo e se assustou quando viu Éponine. Ele possuía barba, alargadores nas duas orelhas, cara de mau; ele parecia apreensivo.
—Waters? Meu Deus; já mandei se afastar de mim... — Ela se soltou de mim e se aproximou dele. — Você sabe que se tentar qualquer coisa vai dar problema e...
—Ora Silva me dê um abraço aqui... — Ela foi se aproximando e ele foi se afastando foi aí que ele colocou a mão na frente dela.
—Toma vergonha na sua cara Waters; volta com garoto com quem você tava andando. — Ela ficou parada até eu chegar perto dela e continuarmos andando em direção aos dormitórios; porém não estávamos mais andando de braços colados.
Ele chegou andando conosco até os dormitórios, lá a loira que implicou com Éponine na hora em que eu estava saindo, estava o esperando, era a hora do almoço e fofamente ele ia levar ela para almoçar... Ainda levarei Mikaele para jantar fora; sim, de noite, na cidade mais iluminada do mundo. Own. Como aquele café da manhã quase almoço foi bom mais não o suficiente, nós fomos direto para o refeitório e nos juntamos á Leonardo para ir pegar o almoço.
—Ah; você vai almoçar comigo! — Exclamou Leo todo brincalhão perto de Marjorie.
—Vou tentar arrumar meu relógio com Paris para sempre fazer refeições com você. — Sorri.
—"Pergunte Victor..." — Cochichou Éponine no meu ouvido; levei um susto, não esperava por aquilo.
Eu só precisava arrumar uma boa brecha. O almoço era purê de batata, carne ou frango desfiado, á escolha, arroz integral, molho e macarrão. Um prato de dar água na boca. Enquanto comíamos meus olhos variam pelos são á procura "Dela"; porém era aceitável que ela ainda não havia chegado, porque o salão estava vazio, fomos os primeiros á chegar, ou ela podia estar no quarto dormindo; confortavelmente.
—Nós poderíamos comer no quarto? Ou vamos comer todo ano letivo comendo aqui? — Perguntei.
—Bem, só comemos aqui nas férias e feriados, na época escolar comemos no refeitório da escola. Período integral, jantamos aqui ou na rua. — Esclareceu Éponine, Marjorie não parecia estar ouvindo, estava ignorando completamente enquanto Leo pareceu abismado, eu também.
—Período integral? — Perguntou Leo. — Como assim? Ninguém disse que seria período integral!
—Oras; para vocês é mais aqui é período normal; sendo das oito ás cinco e meia... Temos uns intervalos durante as aulas, não se preocupe baixinho. — Foi dizendo sem tirar o sorriso do rosto. — Aliás, se você se sentir muito cansado, pode pedir um recesso e fazer outros trabalhos escolares até se acostumar com os horários, demora um pouco para se acostumar, mais não uma eternidade.
Não posso dizer que não gostei de almoçar com Éponine; ela fala bastante, gosta mesmo de chamar a atenção, o incrível foi que quando estávamos na lanchonete ela falou muito pouco, mais aqui no refeitório ela falou demais e assim como eu ficou varrendo o salão várias vezes atrás de alguma coisa, ou de alguém. Eu comi tudo, menos toda a carne, ela estava muito salgada; e após isso ficamos nas mesas ainda conversando. Perguntei se Leo ia querer ir no cinema conosco, ele aceitou, mas Marjorie quis negar, mas também aceitou. —Ás vezes é possível furar os monitores e dormir nos quartos uns dos outros. Seria legal fazermos uma festa do pijama! — Comentou Éponine toda animada. Eu já sabia disso e "talvez até a monitora poderia dormir comigo"; pensei e ri.
—Éponine... — Uma garota parda se aproximou de nós e se abaixou ao lado dela com olhar vazio, triste e talvez preocupada. — Eu sei que você gosta muito de mim para não dizer o contrário, mais vou pedir para você não se atirar em cima de ninguém aqui no refeitório. — Incrível como ela viu Éponine com as mãos em volta da minha cintura e do meu pescoço, fiquei vermelho.
—Aah Andréia, como você é chata. — A garota falava espanhol, seu sotaque era inconfundível, e eu já fiz espanhol, a tal de Andréia ficou nervosa e franziu a testa. — Eu dou em cima dele sim e eu quiser e se ele também acertar. Certo Victor?
—Hãn... — Eu engoli secamente, onde eu fui me meter? Eu quero voltar atrás pra ficar com a monitora. ELA NÃO GOSTA DE VOCÊ! ELA FEZ O TRABALHO DELA! ELA TE ACALMOU! -E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela me beijou, colocou uma mão nas minhas costas e a outra passou pelos meus cabelos, então eu coloquei as mãos na sua nuca e cabelos e começamos á nos beijar; claro que no primeiro momento eu fiquei sem reação. Eu pude ouvir uma confusão passar pela minha cabeça, ouvia palmas do meu irmão, mais ao mesmo tempo ouvi um grito sumir para longe, aparentemente foi uma confusão. Mas, eu não conseguia parar de beijar a Éponine por que ela não queria me largar, mas então alguém nos separou com força. Graças á Deus!
—Sua assanhada! Tu et Vous... — O tal de Pierre, o monitor chefe apontou para mim e para ela, bravo, enfurecido. — Éponine... Grh... — Seus olhos voltaram para a entrada do refeitório. — Pode levar comida pro "C.S", ele não vai almoçar e some antes que eu torça teu pescoço! -Ela se levantou rápido e saiu correndo.
—Me desculpem... — Pediu a jovem parda. — Meu nome é Andréia, sou a monitora do 3º andar; perdoem Éponine, ela não consegue se controlar e ás vezes chega á ser obsceno.
—Claro. — Falei sem graça; no primeiro dia eu levei uma bronca. — Eu vou me comportar. — Ela acenou e se retirou, foi aí que eu fiquei meio que sozinho no refeitório, Éponine foi dar comida não sei para quem e Leo foi ficar com a Marjorie. Então me levantei em direção ao quarto; esperando o lanche e ver a minha amável monitora.
*
Era a hora do jantar e se todos os dias forem conturbados como esse, eu estou disposto á ficar; mesmo com Éponine me engolindo, uma imagem não saía da minha cabeça.
Ás 15h25m, houve uma chamada de procura, a monitora do 4º andar, Mikaele havia sumido, eu me desesperei cerca de trinta minutos acharam ela; do lado de fora do dormitório, com hipotermia, ou coisa assim; ela foi levada ás pressas para dentro, ela estava cheia de neve pelo corpo, de lábios e dedos roxos, tremendo, soluçando, aparentemente inconsciente; aquilo me afligiu por completo, como alguém estaria e aguentaria ficar praticamente sem agasalho num frio desse? E confesso que queria me aproximar dela,mais não deixaram, Éponine não permitiu. Eu queria; só olhar para ela, ver; por um segundo; mais não deu. Depois Andréia disse que ela estava na enfermaria e estava sobre cuidados. Então voltando ao meu mundo real, estava sentado na mesa do grupo de elite, junto com meu irmão; Éponine, Marjorie, Leonardo, Andréia, Pierre, Françoise, Simone, Alex, Shin, Mi-cha, Hael, Christovan e faltava dois lugares para serem ocupados.
—Achei que já tinham pedido, comido e enfim saído. — Éponine se debruçou na mesa para falar com o rapaz alto e moreno, que aparentava ser igual ao cara que Éponine tentou abraçar mais cedo.
—Ora, somos da Elite Francesa. Não seria justo, né? — Respondeu o moreno com um sorriso.
Mikaele realmente estava bem, com uma roxidão nos lábios e na ponta dos dedos, estava de pé, sendo agarrada pela cintura pelo rapaz moreno, como se a segurasse para ela não cair ou desequilibrar. Ela parecia distante, não parecia que estava ali, quando ela me olhou, prendeu o olhar no meu por segundos e depois o desviou o com rapidez e disse alguma coisa no ouvido dele.
—Ela não está se sentindo bem, vou voltar pro quarto. Se importariam de levar para nós depois? — Éponine e Andréia acenaram positivamente.
Leonardo se aproximou de Éponine e perguntou quem ele era; ele era o monitor do 5º andar e em seguida veio a resposta que eu não estava esperando, seguindo de uma cara emburrada de Éponine.
A garota que eu gostava, desejava e passei a noite a admirando tinha namorado.
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