E Eu sou o Amor da Sua Vida?
14 Antes sonhava, agora já nem dorme
Notas iniciais
Mika
“Seus versos me fazem dormir para ter sonhos.”
Ele me deixa sem jeito, eu fico toda desnorteada, eu não penso e não raciocino bem. Como minha mente ficasse sempre ocupada ou parasse, mesmo que eu tento prestar atenção, ele não deixa a minha de mente limpa e tranquila. Ela sempre fica á mil. Eu nem sei explicar, só sei dizer que a mão dele é como um calmante para a mente, para alma, para o corpo, para o ser.
Idiota você hein Mikaele; não tinha mais nada á escrever? Olha, tinha “Eu te amo”,mais era muito ousado de se dizer sendo que eu praticamente mal o conheço.
Ele...
Ele.
Victor Azevedo.
Ele tem dedos tão macios, são tão gostosos de pegar e de se segurar, a minha mão completamente se encaixa na dele, mesmo que a mão dele seja um pouquinho maior que a minha, é como uma caixinha de guardar jóias do estilo acochado, protegendo a pedra. Eu nem acredito no que eu fiz, nem acredito no que falei, não acredito no que escrevi e entreguei para ele. Eu só conseguia pensar em “não solte ele, deixe ele te soltar, não o solte por nada desse mundo. Não perca ele, não o perca de maneira nenhuma.” Eu poderia segurar aqueles dedos e olhar naqueles olhos até morrer. Um belo último pedido na hora da morte da morte. Ninguém jamais será tão romântica quanto eu estou sendo. Será que o amor dele por mim não é o suficiente? Passei a mão no rosto, eu preciso voltar ao mundo real. Eu sou uma pessoa sonhadora, que literalmente sonha muito alto. Que tem uma imaginação fora do comum, que está imaginando e sonhando que vai ficar com um garoto que nem conhece direito. Baque de memória, coração disparado, mãos tremendo, nervos á flor da pele, cada fibra do corpo gritando.
Porque tão lindo?
Tão novo? Nem tão novo; o que é 13 numa escala numérica?
Tão encantador?
Ele me deixou tão á vontade de segurar meus dedos nos dele. E eu nunca fiz isso com Cainan. Não fazemos esses atos de segurar as mãos em locais públicos, Cainan não gosta, ele tem agonia. Mas com o Victor, isso me pareceu normal; pareceu que ele também não queria soltar, ele estava tão á vontade, gostando daquilo tanto quanto eu.
Victor; consegue ser um garoto que só de me olhar me faz me apaixonar por ele. Só de o olhar sou refém dele. Ele me faz perder a razão, enrolar na fala, perder noção do tempo, eu estava olhando tanto para o corredor para evitar ficar secando ele nos deixando vermelhos de vergonha. Porque se eu ficasse olhando para ele sempre, toda hora, todo segundo, ele iria perceber e nem iria prestar atenção na aula. E ele precisava aprender o francês; ele precisa. E eu preciso dele.
—Que droga de demora foi essa? – Eu fiquei observando o calouro dar as costas saindo de um jeito apressado, eu esperei até ele sumir da minha vista para poder me virar e olhar para Cainan; mas não pude e nem consegui responder, respirar nem nada; assim que virei para ele fui surpreendida me puxando com força e em seguida sendo de repente beijada. Ao nos separar-nos o olhei assustada, porque ele fez isso? Ele nunca me beijaria em um local público. Antes de eu formular qualquer palavra ele já foi falando. – Talvez Guilherme nos castigue. Porém eu queria mostrar que ainda me preocupo com você e ainda amo você. – Eu fiquei tonta. Que tipo de comportamento e palavras que surgiram do nada, eram aquelas? Como e ele soubesse de tudo e tivesse afirmando tudo conosco. Eu juro que me senti tonta então balancei a cabeça afirmando. – E além do mais, o que mais eu preciso fazer para não perder você? – Eu engoli secamente, ele sabia de alguma coisa? Porque pelo o que eu conheço Cainan Silva; Veterano, Monitor do 5º andar; ou ele sabia de alguma coisa, ou suspeitava de alguma coisa. Voto por ele estar suspeitando de alguma coisa.
-Talvez nos castigar? – Ergui uma sobrancelha. – Porque ele nos castigaria? – E cada vez mais eu estava confusa. – Porque acha que você vai me perder? – Oh Mikaele, eu não sei; ele viu você grudar naquele menino. Aquele anjo, aquele garoto doce, aquele poeta, calouro que me faz suspirar. Ele deve ter sentido que desde que aquele calouro chegou você anda em outra dimensão, em outro plano de vida, desconectada, desligada. Você acha que ele não percebeu?
Acho.
—Primeiramente; você pergunta o porquê ele nos castigaria? Eu não sei... – Sarcasmo. – Nós estamos com o rosto machucado como se nós tivéssemos passado por um octógono de MMA, ele é meu irmão, somos namorados, você é minha namorada, vocês são cunhados, estamos machucados no rosto... – Ele hesitou e respirou fundo. – Aliás, como é que você se machucou? Que eu saiba, não toquei em você.
—O que? Só você pode me machucar?
—Não. Ás vezes eu dou aqueles empurrõezinhos que te machucam. E você sempre está mal.
—Cainan, eu... – Fiquei sem saber o que responder na hora, eu não estava pensando muito bem no momento. Aliás, tinha um tempo que eu não estava pensando bem. – Armin me derrubou em cima da cabeceira da cama hoje de manhã quando entrou no meu quarto... – Eu já o vi nervoso, mais depois que eu falei me arrependi amargamente, Armin iria confirmar e contar da carta que eu ganhei do Azevedo, então fiquei em silêncio.
—O que? Ele fez o que? Ele teve coragem de fazer isso com você? – Lembrei porque Armin não gostava de Cainan, ele é meio em paciência.
—Não. – Respondi primeiramente. – Na verdade ele observou eu me desequilibrar e bater na cama hoje de manhã. – Ele cerrou os olhos e me encarou, sou uma atriz; provarei que sou uma. Sairia menos patético se eu falasse que ele me derrubou do que falar, que eu cai.
—Mas você é uma idiota mesmo! – Ele retrucou. – Como você caiu? Como se desequilibrou? Está mentindo pra mim?
—Caindo, desequilibrando. Acontece. – Respondi o encarando, ele fez cara feia.
—Se estiver mentindo... – Eu não deixei ele terminar a frase.
—Pra você eu sempre estou mentindo; se eu falar que eu estou resfriada, mais não estiver com febre ou tossindo, não estou resfriada; se eu estiver com cólica e não estiver menstruada eu não estou com cólica; se eu não estudar com você ou alguém da Elite eu não estudei. Tudo; absolutamente tudo o que eu falo ou faço é mentira para você. Quando; quando é que você irá acreditar em mim e parar de falar “se você estiver mentindo, eu viro as costas para você e nunca mais falo contigo.” Quando é que você vai... – Hesitei o que eu estava fazendo? Eu estava me expondo? – Quando...
—Quando?
Fiquei parada olhando para ele e para o chão. Naquele momento eu estava pensando se minha vida será assim para assim. Ouvindo os desaforos do Cainan, lhe dando desculpas e explicações. Aquilo era um namoro? Eu amo o fato de todos pedirem um ao outro em namoro e não sair duas vezes e estar namorando. Independente do jeito que eu me apaixonei por ele, independente do jeito que eu saí com ele pela primeira vez, eu não sabia ao certo se havia passado de colega para amiga para qualquer outra coisa, ou era a carne nova que ninguém havia tocado. Eu sei que sem essa do meu mundo caiu; relacionamentos são finitos; seja em vida ou por morte que seja eterno enquanto dure; mas, ao me relacionar com ele se tornou uma desilusão. Não do dia pra noite, vinha acontecendo á um tempo, mas como uma gota pode fazer o copo transbordar, foi só para ver os meus olhos se abrirem. Só olhar em outros olhos; pela luz dos olhos de um calouro.
—Quando vai demonstrar que me ama? – Respirei fundo, qual é. Preciso disso.
—Eu demonstro! – Ele praticamente berrou.
—Não. – Respondi. – Você demonstrava; á quase um ano atrás. Depois parou.
—Então é porque você não está merecendo.
—Não estou?
Sabe o que é choque anafilático? Anafilaxia? É uma reação que pode ocorrer em segundos ou minutos depois da exposição a um alérgeno (substância que provoca uma reação alérgica em certos indivíduos); nesse caso o meu alérgeno é o Cainan, os sintomas incluem náuseas, vômitos, dificuldade respiratória e pode causar inconsciência ou morte. Aquele “é porque você não está merecendo” me golpeou de um jeito cruel; como é que eu não estou merecendo?
...
—Eu nunca mereço mesmo. – Dói. Doeu. Sempre doeu. Estava doendo e machucado por um longo tempo.
Eu virei às costas para ele sem falar mais nada, tranquei a porta e caminhei para sair do prédio, talvez eu seja muito egoísta; mas naquela noite, bem naquele dia em que eu vi aquele garoto alguma coisa aconteceu; apesar de tudo o que eu passei com Cainan, absolutamente tudo, ele era, é, sempre será obcecado na minha virgindade que ele tanto almeja. Mas; sabe? Victor pode ser igual ou pior que ele, mas você sabe o que significa o seu namorado fala que você se acha demais, que se acha perfeita, principalmente te chamar de vadia. Humilhar-te entre quatro paredes em vez de te elogiar como faz na frente dos outros? É uma boa explicação de que por esse motivo eu nunca me senti á vontade á cantar para Cainan; qualquer coisa, qualquer melodia... Mas, Victor me deixou á vontade pelo simples fato de... Ter ficado com medo. Ter sorrido. Ter se preocupado... Ter vindo para cá para deixar os meus dias mais felizes, confusos, turbulentos, claros, divertidos. Cainan já os fez felizes, mas o clima entre nós estava me matando. Muito mandão, muito quero para pouco toma.
Eu sei que eu estou fazendo tudo errado, querendo do nada ficar com o Victor; mas estou fazendo errado, digo com o Cainan, ele é meu namorado, pedindo ou não pedindo, ele é meu namorado, reclamando se eu faço errado, se decoro errado, se me arrumo errado, se simplesmente sou errada e ele é o certo. Mas infelizmente ele é meu namorado. Pronto, acabou. E Victor era apenas o novato que fez o simples milagre de aparecer e me fazer sorrir. Eu estou mais do que confusa no momento, entre errado e certo, entre um e outro, pela felicidade e a obrigação, entre uma noite e uma vida.
A rua estava deserta, passavam pouquíssimos pedestres e quase nenhum carro, a calçada estava completamente cheia de neve e tudo estava branco. Olhei para o céu e arfei. Cainan era meu namorado. E ficar pensando em Victor era muito egoísmo da minha parte, aliás, era errado. Independente dos nossos problemas, nós éramos namorados e estava repetindo isso para mim várias vezes. Aquilo tinha que entrar na minha cabeça e a partir de agora, eu precisava fazer por merecer antes que o dia terminasse e continuássemos brigados, por quê? Porque sim. Quando cheguei ao hall de entrada Guilherme estava me encarando, suspirei, Cainan é meu namorado; Guilherme meu cunhado. E eu nem sei por que ele estava me encarando.
—Pois não? – Ele me barrou, então tive que olhar. – Pode falar. – Ele cruzou os braços e olhou para o portão principal.
—Estou esperando Cainan.
Eu estava cansada, ele havia dispensado a minha turma, e só os veria na hora do jantar, ou seja, daqui á uma hora mais ou menos. E eu teria que esperar Cainan aparecer com seu charme e toda a sua glória, com seus cabelos castanhos, corpo forte, desejado por todas, temido e aquela sua cara azeda. Eu não estava mesmo com cabeça para aquilo, sabe quando está cansada? Eu fiquei um tempo olhando para hall de entrada que estava quase vazio, todo mundo devia estar em seu quarto e eu estava no portão do lado de Guilherme, mesmo que ele estivesse um pouco mais longe que eu; estávamos no mesmo lugar. Houve um longo tempo de silêncio, quando ele viu que eu não falaria nada, ele tomou a frente.
—E esse machucado? Onde o fez? Como?
—Na cama.
—Quando? – Revirei os olhos após a pergunta dele, eu estava de costas para ele.
—De manhã!?
—Que dia?
—Hoje.
—Vai me ajudar ou não?
—Estou. – Ótimo, continue nessas perguntas atravessadas curtas e mal educadas que você vai longe Mikaele, mas aquele assunto não era tão importante. Cainan é seu namorado. Guilherme ficou em silêncio, por um tempo, no máximo segundos, porque ele não sabe exatamente ficar muito tempo em silêncio.
—Você viu o rosto do Cainan? – E quem não viu o rosto dele? – Aliás, Guilherme foi meio responsável por nós dois estarmos juntos. Ele meio que viu nós dois e nos encaixou, nos denominou como um casal perfeito na mente estranha dele. Daí que veio a idéia de me levarem ás Catacumbas de Paris junto com o grupo em que o Cainan estava e o clima foi ficou fofo, bonitinho... – Mikaele você está me ouvindo?
—Sim.
—Então me responde.
—Já respondi.
—Quando? – Guilherme consegue ser irritante quando quer, e no momento? Ele estava sendo insuportável.
—Sim; eu vi a cara do Cainan, eu vi como o rosto dele está. Quem não viu como o rosto dele está? Aquele queixo e aquele olho? São impossíveis de não se olharem. Eu vi o rosto dele, o que você quer? Torturar-me? – Ele me encarou assustou.
—Não! Jamais! – Ele exclamou. – Porque bateu nele? Você está gostando de outro garoto? – Ri em minha mente, Cainan é meu namorado. Não posso gostar de outro garoto que errado seria! – Se estiver, pode me contar.
—Não. – Resmunguei. – Foi sem querer, um acidente; auto defesa, pura defesa. – Até parece que eu iria dizer ao meu “cunhado” que eu estava apaixonada, não gostando, mais literalmente amando um garoto, que era um menino pela idade, sendo que eu não contei nem para uma amiga minha, porque eu contaria justamente para o meu cunhado?
—Auto defesa? Como assim? – Respirei fundo e passei a mão sobre o cabelo, inspira e expira, Guilherme estava insuportável.
—Auto defesa, eu me defendi, ele começou á me imprensar contra a parede e me beijar com força, foram apenas dois socos e um empurrão, não era par ficar daquele jeito. Era só pra ele se afastar.
—Ele nunca faria isso.
—Não mesmo! Ela me beijou e depois me deu os socos. – Era tudo o que faltava, Cainan chegando à boa hora, como sempre dando o seu show mais fantástico que ele tem, eu te amo, eu te odeio, eu quero te matar. – Foi bem tranquilo, mas... – Revirei os olhos e dei as costas.
—O que foi que aconteceu na verdade?
—O que eu falei, ele beijou com força e eu o empurrei. – Eu disse cansada, eu estava me dando por vencida e levantei as mãos. – Posso ir agora?
—Ela bateu em você e você revidou? Foi isso que aconteceu? – Cainan ergueu uma sobrancelha.
—Revidar? Foi o que ela disse para você? Ela me disse que quem a machucou foi o Armin. Depois desmentiu dizendo que ela bateu na cabeceira da cama. – Ele falou bravo.
—Armin? Armin Rowell?
—Eu? – Disse Armin aparecendo acompanhado de Niedja, argh como eu quero morrer nesse instante. Um pesadelo atrás do outro. – O que têm eu?
—Você machucou a Mika? – Perguntou Guilherme se aproximando de Armin com uma agressividade voraz, acompanhado do Cainan. Eu olhei para o Armin e para Niedja que estavam cobertos de neve, eles estavam carregando livros e pareciam felizes; correção, eles estavam felizes e aquela voz do Guilherme. Oh Mon Dieu!(Oh Meu Deus)
—Eu? – Armin sorriu com seu ar debochado e animado. – Foi uma brincadeira... – Começou. – Nós sempre brincamos; mas, dessa vez foi sem querer. Um acidente, desequilíbrio. – Guilherme olhou para mim e para Cainan.
—Eu realmente não sei o que fazer. O porquê você bateu no meu irmão e... – Na hora que ele se aproximou do Armin, Niedja se aproximou dele.
—Gui... – Ela o chamou com a sua voz graciosa, nem parecia humana. Nih era mais baixa que Gui uns 17 á 10 cm; eles eram um casal fofo, era tão difícil vê-los juntos, mas quando os via; qualquer um se apaixonava. – Guilherme, o que você está fazendo?
—Como assim?
—O que está fazendo? Está interferindo na decisão de um casal? – Gui ficou mudo e se afastou de Armin e pelo visto notou a namorada. – Gui...
—Niedja?
—Sim, sou eu.
—É que...
—Armin, Cainan e Mika devem resolver as coisas deles sozinhos. Qual é o problema se Armin tem uma queda irresistível pela Mika? Aliás, esse é o casal mais fofo depois do Matheus e da Kathy. – Cainan estreitou os olhos. – É a verdade.
—Armin tem o que? – Eu olhei pra Nih e fiz o gesto de corta passando o dedo no pescoço e acenando negativamente. Ela parou e me olhou.
—Aan... – Ela hesitou. – Gui não entra na briga da Mih e do Cay, deixa os dois se resolverem, você sabe que quando nós dois surtamos você odeia opinião dos outros. – Nih se aproximou dele o envolvendo em um trabalho. – Dengão meu...
Putz meu; o apelido do Guilherme desse mês é “dengão”? Segurei o riso.
—Espera um pouco; Armin tem uma queda irresistível pela minha namorada? – Meu coração pulsou tão forte que se eu não estivesse segurando meu peito ele teria para fora, eu revirei os olhos, aliás, pelo jeito que Nih falou; estava pensando, como seria se eu falasse que eu e o calouro ficássemos juntos. Bom, mas no meu estado de pânico atual para não correr nenhum risco, Armin mesmo deu uma risada.
—Cainan; Guilherme; olhem dentro dos meus olhos; dos meus belos olhos... – Irônico? Sarcástico? Trabalho com a Sales á um bom tempo, brincadeiras á parte, ela escorregou dos meus braços e bateu na cama. E sim, ela é linda, inteiramente bela, chama mais do que atenção, ela é da Elite, você acha mesmo que eu a machucaria porque eu simplesmente quis? É amizade.
—Meu irmão está com o rosto machucado. – Quando Guilherme começou a ladainha, Armin fez um sinal mexendo nos cabelos, apontando para a escadaria; Nih me puxou sem que eles percebessem e subimos para os dormitórios.
—Obrigada. – Ela sorriu.
—Agradeça á Armin. – Meu coração disparou; eu estava subindo as escadas normalmente, olhando para o chão sem pensar em nada enquanto Nih falava comigo. Simplesmente ouvir Armin me elogiando, sendo confirmado que ele tem uma queda por mim...
—Mih? – Me virei para ela. – Está tudo bem?
—O que Armin disse sobre mim para você? – Ela me deu um sorriso.
—Elogios, elogios sobre elogios. É só isso que ele fala nos andares, no trabalho. Ele literalmente gosta de você. O que é bom pra você.
—Por quê?
—Você não gosta mais do Cainan. – Eu a encarei e meu corpo se arrepiou. – Eu estou vendo no seu olhar; seu coração não pertence mais á dele, mais o coração dele é seu. – Eu não soube como reagir ao que ela falou. Quando chegamos ao meu andar dei um sorriso sem graça para Niedja e disse que a veria na hora do jantar.
Ela pediu desculpas se disse algo que não deveria, disse que não tinha nada e abri a porta do meu quarto, mas antes de entrar nele me virei para ver o quarto do Victor, e minha surpresa foi maior quando vi que Éponine estava na porta com dele. Aquela tontura básica, aquela raiva, aquele ciúme. Eu fiquei na porta por um tempo, rezando para que ele olhasse para mim, e me desse um sorriso. Apenas um sorriso.
Victor não saiu na porta e Éponine entrou no quarto dele; na verdade, invadiu o quarto dele. E foi ótimo eu ter visto aquilo. Primeiramente foi bom; segundamente foi péssimo. Meus planos ultimamente têm dado um pouco errado, ou nem dão errado, pois não são executados. Entrei no quarto e olhei para o relógio, mordi os lábios e pensei um pouquinho. Sim ou não? Vai ou fica? Sim! Vai! Estava quase na hora do jantar mesmo. Tirou o uniforme de monitora e coloquei uma roupa estudantil, comum, quentinha e sai pelo corredor batendo de porta em porta; quatro toques.
—Dîner! L’heure du dîner (Jantar! Hora do jantar.) – Bati de porta em porta, os chamando para o jantar; até que bati na porta do Victor. E amavelmente para minha sorte, quem abriu a porta foi Éponine.
—Oh! Mika... – Dei um sorriso falso. – Eu já estava saindo, literalmente saindo, estávamos só conversando – Pela rubor na face dela, não foi uma conversa normal. – Você entende né? – Fiquei em silêncio e ergui uma sobrancelha. – Já estou saindo. – Ela deu um sorriso e bateu a porta atrás indo para o seu andar. Falsa, eu bati na porta indignada, como é que ela me faz isso com ele? Entrar no mesmo quarto que ele? Bem no dele? – Victor?
Um minuto...
Mas, eu abri a porta, com o coração pulsando, com a ansiedade me queimando.
...
Talvez eu devesse ter esperado um minuto como ele me pediu.
—Eu... — Assim que abri a porta, o vi com os cabelos bagunçados, com rubor na face, ofegante, fechando o zíper da calça, e ao mesmo tempo abaixando a blusa e recolhendo a jaqueta do chão; eu fiquei paralisada com a visão e ele também.
—Aan... — Eu não consegui falara nada.
—Espera. — Ele falou antes de eu fechar a porta do quarto dele e sair correndo para o meu quarto.
Eu entrei no meu quarto. Eu não podia pensar no mais óbvio o mesmo rubor na face dele, melhor assim. É mesmo melhor assim; não, né é; eu pensava assim e as lágrimas rolavam pelo meu rosto, minhas mão tremiam, meu coração disparado, eu ia começar á soluçar de tanto chorar, de tristeza, de um sentimento de coração partido, rasgado, traído, não sei explicar, é uma sensação horrível. Conforme o tempo foi passado eu tive que saiu do quarto para o jantar, não que eu estivesse animada, porque eu estava arrasada e odeio pensar no que aconteceu naquele quarto e odeio pensar o que mais poderia ter acontecido se meus instintos e ciúmes não tivessem ido até.
Na hora em que sai do quarto o que me ocorre? Éponine e Victor juntos. Que droga!
—Aqui está você... Porque saiu de repente? – Era Cainan me cutucando, dois pesadelos de uma vez só. – Há algo que você está me escondendo Senhorita Sales? – Respirei fundo para encará-lo quando vejo Armin colocando algo na parte de trás do joelho de Cainan o fazendo dar uma falsa caída; já que apenas empurrou a flexão do joelho. Ele o encarou que fez reverencia. Arrisco-me olhar para ele e olhar para o que ele estava carregando. – Qual é o seu problema? – Ele me olha fixo e dá um longo sorriso, ignorando que Cainan esteja ali, aliás, ele está despercebido por mim também.
—J'aime, vous aimez, nous aimons.
Armin colocou um violão, sim; um violão nas costas. E eu gelei. Mais eu sorri, ele não iria fazer isso; há tempos ele não fazia aquilo e com certeza, depois não faria mais. Ele é incrível!
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