E Ainda Assim, Amor
24 Capítulo 24 – Expectativa e Surpresa
O sábado amanheceu claro e fresco em Hogwarts. O ar carregava a promessa de verão, mas dentro dos muros do castelo, a tensão dos exames finais e do último jogo de quadribol do ano pairava como uma sombra silenciosa.
Harry levantou-se cedo, sentindo a energia pulsar nos braços e nas pernas. Hoje seria o treino decisivo para Grifinória, que no dia seguinte enfrentaria Lufa-Lufa. A vitória significaria o título de campeã, a derrota deixaria a Sonserina no topo. Cada passe, cada desvio e cada voo contavam.
— Vamos lá, Harry! — gritou Ron, ajustando-se na baliza, os olhos atentos. — A snitch não espera por ninguém!
Ginny estava concentrada, desviando bludgers e dando instruções para a defesa. A vassoura parecia prolongar cada movimento, e Harry sentiu o coração acelerar a cada manobra, tentando imaginar os reflexos da adversária, antecipando cada lance de Lufa-Lufa no jogo de amanhã. O treino durou horas, intenso e exaustivo, e nem uma vez pensou em Hogsmeade ou no que Lucy teria feito por lá, ontem tentou perguntar mas a namorada e a amiga não disseram grande coisa sobre o passeio. Descreveram apenas o cheiro característico de hogsmeade, os bolos que comeram na pastelaria e pouco mais.
Enquanto isso, Lucy e Hermione passaram a manhã na Sala Comunal da Grifinória. Hermione ajudava Lucy a rever apontamentos de História da Magia e Poções, enquanto a jovem mãe se esforçava para absorver cada detalhe sem se deixar distrair pela excitação que lhe crescia dentro do peito.
— Concentraste-te mais do que eu pensava — comentou Hermione, espreitando o pergaminho à frente de Lucy. — Mas devias descansar um pouco… ainda te lembra do que aconteceu ontem?
Lucy sorriu timidamente, baixando o olhar.
— Sei… mas quero tentar. Preciso de aproveitar cada momento antes do jogo e antes de contar a Harry… quero que seja perfeito.
O salão comunal estava animado, mas os seus pensamentos estavam fechados num pequeno mundo privado.
No início da manhã, Lucy encontrou um pergaminho pousado sobre a cama. O selo era familiar, mas a ansiedade subiu de imediato.
"Encontra-me na Sala Precisa depois do treino."
O coração disparou. Nem por um instante questionou quem poderia ter enviado a carta; assumiu que era Harry. Guardou a mensagem com cuidado, segurando a pequena roupinha que comprara na manhã anterior, imaginando o momento em que a entregaria.
— Hermione… — murmurou, os olhos brilhando — depois do treino, vou contar-lhe tudo. Quero que seja especial.
Hermione sorriu, percebendo a intensidade da amiga, e apenas assentiu.
— Tudo vai correr bem, Lucy. Apenas respira e prepara-te para o momento.
O resto do dia passou lentamente. Harry continuou no campo de quadribol, ensaiando lançamentos, desvio de bludgers e perseguindo a snitch imaginária. Cada minuto era crucial, cada queda ou desvio treinado inúmeras vezes. A sua concentração não permitia pensar em mais nada, nem mesmo na namorada que tanto amava. O amor que sentia por ela era tão intenso que quase não cabia no peito.
Lucy, por sua vez, manteve-se na Sala Comunal, revisando feitiços e teorias com Hermione. Cada vez que olhava para o pergaminho com a carta, sentia um arrepio de antecipação. Pensava em como Harry reagiria, imaginava-o sorrir, segurando a sua mão, a emoção nos olhos dele. A cada segundo, a surpresa tornava-se mais real na sua mente, mais urgente e palpável.
— Já imaginaste como vais reagir? — perguntou Hermione, baixinho.
— Imenso… não consigo pensar em outra coisa — respondeu Lucy, sorrindo nervosamente, os dedos entrelaçados na borda do pergaminho.
O resto da manhã foi preenchido com sorrisos tímidos, risos contidos, e a certeza de que algo mudaria naquele sábado à tarde. Hermione ajudava, corrigindo, apontando detalhes nos pergaminhos, mas respeitando o silêncio de Lucy quando ela se perdia nos pensamentos sobre o filho e sobre Harry.
Ao final da tarde, Harry regressou do treino, exausto mas satisfeito com a sua performance. Tomou uma refeição rápida, trocou algumas palavras com Ron e Ginny sobre estratégias e detalhes do jogo decisivo, e voltou a concentrar-se nos últimos apontamentos de quadribol. Nenhum deles sabia que Lucy recebera a carta de Ginny e que planeava usar a Sala Precisa para uma surpresa especial.
Lucy esperou pacientemente, cada minuto carregando a tensão e a excitação do encontro que se aproximava. Preparou cuidadosamente o espaço na sua mente, imaginando a expressão de Harry, o momento certo para entregar a roupinha, as palavras que o coração insistia em sussurrar.
Quando o relógio indicou a hora combinada, Lucy levantou-se com cuidado, respirou fundo e caminhou até à Sala Precisa. O corredor parecia mais longo do que realmente era, cada passo aumentando a antecipação. O coração batia descompassado, as mãos apertando a roupinha como se dela dependesse a segurança do mundo inteiro.
— Agora ou nunca — murmurou, fechando os olhos por um instante antes de empurrar a porta.
Ao empurrar a porta, Lucy sentiu o coração disparar. A Sala Precisa parecia acolhê-la, mas o seu olhar procurava apenas uma pessoa: Harry. Ele estava lá, encostado à parede, com aquele sorriso que sempre a derretia. O ar entre eles parecia carregar eletricidade, cada respiração acelerada, cada olhar prolongado.
Harry avançou alguns passos assim que a viu e, antes que Lucy pudesse dizer qualquer coisa, beijou-a. Não era um beijo habitual, era urgente, quase desesperado, como se cada segundo que estivessem separados tivesse sido roubado do mundo. Lucy correspondeu, deixando-se levar, sentindo o coração acelerar ainda mais. Um pensamento atravessou-lhe a mente — algo estava diferente — mas ela afastou-o, concentrando-se apenas na sensação daquele momento.
Depois de se separarem, sorriram um para o outro, respirando fundo. Sentaram-se à mesa improvisada que Lucy preparara, onde pequenas velas lançavam luz suave sobre o espaço. Conversaram calmamente, entre risos contidos e toques delicados, cada gesto carregado de ternura. Mas ainda assim, Lucy sentia um formigueiro estranho, uma sensação que não sabia explicar, como se algo invisível estivesse ali, observando-a.
Quando o jantar terminou, Harry aproximou-se da janela para contemplar a lua cheia, deixando Lucy com a pequena caixinha que segurava nas mãos. O momento parecia perfeito, mas ela sentia um nervosismo crescente. Respirou fundo, aproximou-se dele e disse, com a voz trêmula:
— Abre… espero que gostes da surpresa.
Harry olhou-a, curioso, franzindo ligeiramente a testa antes de abrir a caixa. Lá dentro estava uma roupinha branca delicada, minúscula, perfeita. Seus dedos tocaram o tecido com cuidado, quase reverência.
— O que significa isto? — perguntou, a desconfiança misturada com curiosidade na voz. — Tu estás…?
— Sim, meu amor — respondeu Lucy, emocionada, os olhos brilhando de felicidade contida — estou grávida.
O “Harry” sorriu e abraçou-a, mas havia algo subtilmente diferente. Um gesto que Lucy não percebeu, um instante em que o sorriso parecia murchar, disfarçado num movimento natural. Ela não notou, entregando-se à alegria, ao calor do abraço, à sensação de ternura e promessa que o momento carregava.
Sentaram-se juntos, conversando sobre planos futuros, imaginando o bebê, a casa em Glenshire, os pequenos detalhes do dia a dia que ainda seriam descobertos. Cada palavra, cada toque, reforçava o vínculo deles. Aos poucos, o espaço entre a emoção e a paixão foi-se estreitando, e, como era costume, entregaram-se ao amor na cama que sempre tinham reservado para si naquele refúgio.
Enquanto Lucy se deixava levar, envolvida pelo calor do corpo do “Harry”, uma sensação estranha voltou a percorrê-la, um arrepio súbito e inquietante, quase como se outra presença estivesse ali, invisível, observando cada gesto. Ela tentou afastar o pensamento, mas ele ficou gravado na mente.
Exausta, mas feliz, Lucy adormeceu nos braços dele, o coração acelerado, o corpo aconchegado, e com aquela sensação persistente pairando como um sussurro silencioso na sala, preparando o terreno para o que viria a seguir.
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