Dust in the wind

1 Capítulo único


Notas iniciais
Boa tarde! Esse drama merecia (talvez) bem mais do que um oneshot, mas espero alcançar meus objetivos ao final da leitura. Obrigada ;*

A melodia calma do violino atraiu a atenção da enfermeira chefe, ela sorriu ao espiar pelo vidro da porta e ver seu paciente preferido tocando o instrumento – ou pelo menos tentando. “Ah, ah... o anelar está posicionado errado, o ensinei várias vezes ontem, quantos foram? Quatro ou cinco eu acho”. A mulher ajeitou a prancheta no braço e seguiu pelo corredor com um pensamento divertido: aquelas mãos grandes eram bem melhores para o basquete, bem melhores...

I close my eyes
Only for a moment
And the moment's gone
All my dreams
Pass before my eyes, in curiosity

Dust in the wind
All we are is dust in the wind

Capítulo único: Dust in the wind – a realidade de Kagami Taiga, a melancolia de Aomine Daiki.

- ...hoje me sinto bem, mas está chovendo. Você também não odeia isso, Gin-san? _disse a esmo olhando fixamente para as gotas de chuvas que batiam com força contra a janela _oe, me responda pelo menos, seu preguiçoso.

O ruivo voltou a se jogar na cama, tateou debaixo do travesseiro até encontrar o controle do DVD e apertou play. O anime parado na cena cômica voltou a emitir vozes animadas e uma música agitada de fundo. Taiga suspirou. Não era todos os dias que se sentia forte para sair do quarto, quando isso acontecia nada nem ninguém o impediam de ir até a velha quadra de basquete nos fundos do hospital. Driblar, arremessar e marcar eram suas ações sagradas.

Bom... nada a não ser uma chuva de granizo, claro. As pedrinhas batiam sem ritmo contra o vidro e o vento fazia trepidar a armação da janela, o que diria sua enfermeira chefe se escapasse da construção só para quicar a bola na quadra descoberta? Bom, seria sua primeira e última bronca, pois cairia morto lá mesmo. Restou então ficar de cama outra vez, e assistir Gintama outra vez.

Outra vez...

Ultimamente tinha começado a repetir todas as coisas como ver o mesmo anime, comer as mesmas comidas, tocar os mesmos instrumentos. Era como se finalmente tivesse encontrado o limite de suas ações, após tentar tantas coisas novas na vida, agora tudo o que restava eram repeti-las mais uma vez. Não fazia bem o estilo do homem de 22 anos, mas era como se seu espírito estivesse aos poucos perdendo a força e se rendendo ao comodismo – ou á depressão como seu médico dissera certa vez. O fato é que não tardaria para seu quadro clínico mudar.

Same old song
Just a drop of water in an endless sea
All we do
Crumbles to the ground though we refuse to see

Dust in the wind
All we are is dust in the wind

- Se ao menos não estivesse chovendo _se lamentou pela segunda vez pausando o episódio de número 110 e caminhando novamente para perto da janela _não é, Gin-san?

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- Por favor... ah... preciso de um curativo _disse sem graça ao perceber olhares curiosos à sua direção _mas não preciso que me passe na frente! _se desvencilhou da mão macia que lhe tocou o ombro _não foi nada grave. Está me ouvindo?

- Espere um instante nessa sala, por favor, senhor policial _a enfermeira baixinha abriu um sorriso discreto e deu passagem ao homem _sinta-se a vontade.

- Já disse que não preciso que me passe na frente daquelas pessoas _estalou a língua no céu da boca. Foi ignorado.

Foi ignorado também minutos antes de levar aquele tiro de raspão. Três pessoas armadas com facas e uma pistola invadiram uma farmácia há quinze minutos dali, Aomine era o responsável pela área no momento do assalto e fora chamado pelo rádio a comparecer no local. Ele adentrou o estabelecimento com arma em punho e pediu para que todos se acalmassem, como dito antes, foi ignorado, as vítimas berraram e saíram correndo, o policial pulou em uma delas para a proteger e levou um tiro de raspão. Depois ainda pediu para que seu amigo o deixasse lá e fosse atrás dos bandidos antes que escapassem.

Por que ninguém o escuta afinal?

Agora estava esperando pelo médico numa sala branca estúpida para um curativo estúpido por causa de um tiro estúpido. Retirou a jaqueta com cuidado, agora que toda a adrenalina havia baixado, o ferimento começara a doer pra valer; um ferimento de bala, além do corte ainda é complementado por queimadura.

- Senhor policial? Olá, sou o Dr. Midorima, queira sentar-se aqui, por favor _indicou um banco ao lado de sua mesa devidamente preparada para o atendimento.

- Obrigado.

Estava pior do que parecia, quando a manga de seu uniforme fora cortada, ambos puderam ver o sangue vertendo em abundância e o corte profundo que a bala calibre 38 deixou de presente. Daiki observou o médico ir e vir dentro da salinha com uma seringa nas mãos, aproximou a agulha o suficiente para que a mesma entrasse na ferida e aplicou o liquido transparente. Ele quis morrer. Depois, como se não fosse o suficiente, começou a sutura dando pontos perfeitos e para manter a pose de oficial, o moreno se limitou a olhar para o lado fingindo examinar o consultório.

Entrar para a polícia nunca fora sua primeira opção estava lá por influência de filmes americanos idiotas e também porque atirava super bem. Só isso. Nunca se arrependera tanto de não ter seguido numa profissão mais fácil como... arquitetura por exemplo! Só ficaria sentado projetando coisas e rezando para que elas não caíssem. No fundo Aomine Daiki não queria fazer droga de serviço nenhum, não queria nada, só ficar deitado com uma revista pornô nas mãos.

- Está liberado _terminou o curativo _obrigado por cuidar de nossos cidadãos.

- É o meu dever _resmungou olhando para a faixa _acima de mim tem o sensei que salva nossas vidas _e fez uma reverencia sem se demorar. Formalidades, também detestava aquela parte.

Deixou o consultório apoiando a jaqueta sobre o ombro a fim de cobrir o ferimento e evitar perguntas ao longo do corredor, a chuva torrencial do lado de fora não lhe dava o menor ânimo de voltar ao trabalho então resolveu ir até a cafeteria. O que seria da humanidade sem café? Um capuccino médico com espuma e canela era o que sua boca pedia avidamente naquele momento, seu stress iria embora num segundo.

O local estava bem cheio e precisou de paciência até ser atendido, quando teve o pedido em mãos saiu do local em passos lentos se decidindo onde sentaria; era um hospital, não podia só andar por ai ou se acomodar em qualquer lugar...

- Senhor policial, no andar de baixo tem algumas mesinhas isoladas sob uma cobertura e recentemente foi fechada por vidros a fim de evitar que temporais como esse molhem toda a parte interna.

- ...oh, obrigado _fez um aceno pequeno.

- E seu coturno está desamarrado.

Aomine olhou para os próprios pés verificando os calçados, realmente o cadarço havia se soltado provavelmente durante a ação de minutos mais cedo. Agradeceu novamente esperando uma brecha para se retirar.

Aqueles olhos cor rubi, entretanto, o prendia como se de repente ele fosse dizer mais alguma informação.

- Ah me desculpe ser intrometido assim _disse o ruivo por fim coçando a nuca e desviando o olhar.

- Você poderia me levar até as mesas? Estou mesmo procurando um lugar pra sentar _riu em desconforto _aliás, não é um paciente...? Quer dizer, sua vestimenta é daqui, então...

- Hn... _deu as costas para o homem num pedido mudo que o seguisse _não estou fugindo ao algo do tipo, por favor não me prenda _e ergueu as mãos conseguindo arrancar um risinho do outro.

- Me parece bem saudável.

- E você não parece um policial de verdade.

- Oi?

- Não estou duvidando! _se virou com o rosto assustado _é só que parece mais bem humorado do que os oficiais que já vi entrando aqui. Sabe... ah... esqueça. Chegamos! _disse ao descer o último degrau.

O local era pequeno e quase desconfortável, espalhado pelo salão, algumas mesinhas brancas com quatro cadeiras adornadas por uma toalha de plástico. Ao redor delas a janela panorâmica recém-instalada dava a sensação de frio.

- Sente-se _puxou a cadeira para Daiki afastada da mesa.

- ...o que? _viu o homem se agachar assim que sentou _pare com isso!

- Vai conseguir amarrar com uma mão só, Sr. Esperto? _e com agilidade deu um laço no cadarço solto _prontinho. Não ficou bom?

- Fi-ficou sim, obrigado... senta ai também. Vamos conversar até a chuva diminuir.

Daiki não esperava ver um sorriso no rosto dele tão cedo, tinha dito aquilo apenas para quebrar o clima tenso, mas acabou descobrindo que daquela forma fazia a felicidade do outro.

Now, don't hang on
Nothing lasts forever, but the earth and sky
It slips away
And all your money won't another minute buy

Dust in the wind
All we are is dust in the wind

- Ah… então aposto que foi por causa de um yankee! Aqueles com espada de madeira e cabelos descoloridos.

- Em que mundo você vive afinal?! Isso é só lenda.

Depois de quase 20 minutos numa conversa jogada fora, Daiki já ria totalmente descontraído das ideias mirabolantes de Kagami, aliás, descobrira o seu nome ficando encantando com o significado: Deus do fogo, bom, ainda descobriria se o menino realmente fazia jus a um emblema tão forte. Descobrira também que eles tinham a mesma idade, 22 anos, o que contribuiu bastante para se tornarem mais próximos.

- Vai, me conta como se machucou de uma vez! _perguntou já sem paciência.

- Fui proteger uma mulher de um assalto e a bala pegou de raspão _confessou tirando a jaqueta e deixando a bandagem aparente.

- Caraca _fez uma expressão sofrida _ o-obrigado por nos proteger, senhor! _fez uma reverência rápida deixando o outro sem jeito _levou pontos com o Dr. Midorima, aposto.

- ...dessa vez ganhou a aposta, como sabe?

- Sou guia do hospital _riu de si mesmo _ brincadeira, o Dr. Midorima sempre atende os oficiais, por isso.

O moreno olhou para o copinho vazio a sua frente, o silencio veio deixando ambos perceberem a chuva forte do lado de fora; as informações iam se juntando aos poucos em sua mente o deixando agitado com as conclusões, até onde poderia ir com aquela conversa afinal?

Poucos policiais eram feridos atualmente, o Japão realmente se tornara enfim um país pacífico (a maioria dos assaltos eram provocados por estrangeiros), para um menino de 22 anos saber que o tal Dr. Midorima sempre os tratava só poderia ter um ou dois motivos... e não pareceu que seus pais ou familiares faziam também parte da corporação.

- Agora é a minha vez de adivinhar como veio parar aqui?

- N-não precisa, vai se entediar com essas paradas logo _sorriu _deve ser muito trabalhoso ser policial.

- Ainda sou um recruta na verdade, demorei bastante para entrar na academia... Kagami-san o que você faz?

- Taiga, me chame de Taiga. Ah vamos lá, será a primeira e última vez que iremos conversar, não tem problemas, não gosto de formalidades.

- Oh, temos algo em comum afinal. Quero morrer quando me chamam de ‘Senhor Policial’ _suspirou pesadamente.

- Você é japonês mesmo?

- Não sou tão preto assim po _disse indignado.

Kagami gargalhou e levou as mãos à boca em seguida se desculpando pelo descontrole, não era sua intenção rir, mas acabou escapando de forma natural.

- Minha mãe é estrangeira, sou mestiço.

- Minha mãe é Americana! Parece que o Nihon está se tornando bem global.

- Logo percebi pelas sobrancelhas, que japonês tem sobrancelhas assim?

- Oe, tem certeza que é um policial mesmo?

- Desacato dá apreensão viu _bateu de leve nas algemas presas no cinto.

E mais uma onda de risadas explodiu pelo espaço pequeno, apenas um senhor passava por lá e acabou sendo contagiado pelos garotos rindo de forma discreta.

- ...você não respondeu nenhuma das minhas perguntas _mexeu distraído no copo de plástico _me conta pelo menos o que gosta de fazer então.

- Basquete _disse com orgulho _ sou bom mesmo sabe _fez o gesto de um arremesso de três pontos _pena que está chovendo.

A surpresa poderia ser maior?

- Eu fazia parte do time de basquete da Toou! E antes disso, da Teiko _disse se perdendo em nostalgia _eu sou bom _enfatizou o ‘eu’ arrancando um resmungo de Taiga _ pena mesmo que está chovendo.

- Toou! Espera, espera! Será que eu já ouvi falar de vocês? Não! _disse rindo _só da Seirin mesmo! S.E.I.R.I.N

- Está viajando, sabe como éramos chamados no tempo do fundamental? A geração dos milagres.

- Fundamental é? Nessa época eu já estava abatendo os negões no basquete de rua em Los Angeles. Ouvi o recalque bater? Ouvi?

- Basquete de rua _murmurou admirado _eu era o ás do time, minha especialidade é justamente o basquete de rua!

- Não pode ser, algum de nós dois está mentindo. É muita coincidência não acha? Poxa, que legal! Apesar de achar que esfrego sua cara no chão fácil.

- Está me desafiando, Kagami Taiga? _praticamente rosnou seu nome estreitando os olhos de forma perigosa.

- E por que eu não desafiaria? Está com medo de perder, Aomine Daiki?

Eles se enfrentaram por alguns segundos apenas pela troca de olhares, voltaram a ter 17 anos quando ambos ainda jogavam por suas escolas e aquele tipo de conversa era totalmente corriqueira entre os jogadores. A nostalgia durou pouco, logo Taiga abaixou o olhar sorrindo de forma tranquila.

- Nem parece que temos 22 anos.

- Obrigado pelo elogio, estou mesmo conservado.

- Senhor, conheci um idiota, um policial idiota. Espero nunca precisar dos seus serviços.

- Cale a boca _lhe acertou um tapinha na cabeça _e o que mais você faz ein?

- Gosta de ler a NBA stars?

- Hn devo ter uma ou duas em casa, prefiro revi... ah, prefiro livros e HQs.

O ruivo percebeu que era mentira, provavelmente Daiki ia dizer revista de mulher pelada, mas como oficial se resguardou. Aliás, HQs não combinavam em nada com ele.

- Que pena, tem um bom conteúdo, não é só mais uma revista de fofoca, apesar de alguns escândalos ainda vazarem por ela.

- Pode ser que eu compre a desse mês.

- Kagami-san! _a enfermeira chefe o chamou do outro lado da sala _precisa vir comigo agora. Boa tarde, senhor policial.

- Boa tarde, my bad já é tarde assim? _consultou o relógio de pulso _preciso voltar para o serviço.

- ...leia a NBA star, Aomine, vai gostar bastante e obrigado pela companhia! _olhou para a mulher pedindo apenas um minuto _foi um prazer.

As palavras eram animadas, mas os olhos cor rubi pareciam a beira de lágrimas. Daiki não soube o que dizer ao homem que caminhava em passos lentos para a saída, foram apenas 1 hora e pouquinho conversando, então porque sentia a necessidade de dizer alguma coisa afinal? Não foi o tempo de criarem uma amizade nem nada do tipo, foi apenas conversa jogada fora!

- Espere, enfermeira ele pode me acompanhar até a saída? Ah nós somos velhos conhecidos...? _a afirmação que saiu mais como uma pergunta não enganou a senhora de meia idade, mesmo assim ela concordou com um aceno pequeno _não prenda meu menino, senhor oficial, ele gosta de ver TV no volume alto, mas ainda é um bom garoto.

- Obrigado _fez uma breve reverencia.

A mulher deixou o local sumindo pelo corredor a direta.

- ...por que?

- Ah me desculpe, foi impulso pode ir se quiser _se estapeou mentalmente.

- Obrigado, Aomine-san _se pôs a caminhar _...desculpe não responder suas perguntas.

- Tudo bem, não me lembro de ter visto seu nome no quadro de procurados, então acredito que o motivo não é criminoso.

- Não é _riu baixinho chegando enfim à saída, pararam ao lado da porta de vidro sem saber como dizer o inevitável ‘adeus’ _vai precisar voltar para tirar os pontos _disse hesitante.

- Semana que vem, vai precisar comprar a NBA stars desse mês.

- É, sai todo dia 15.

- Ainda estará aqui? _voltou a jogar a jaqueta sobre os ombros e observou o céu cheio de estrelas, as nuvens de chuva finalmente tinham se dispersado.

- Firme e forte, senhor! _bateu continência.

- Mão errada soldado, trago a sua revista se eu não morrer na hora de tirar os pontos.

Daiki foi embora se lembrando do sorriso largo de seu novo amigo, um sorriso que mostrava todos os dentes inclusive os caninos de aparência afiada. Taiga por sua vez voltou pelo mesmo caminho cantarolando Imagine Dragons e ansioso pela semana seguinte; ele ainda faria aquelas mesmas coisas durante a semana, como assistir Gintama e até falar com o personagem principal, mas de repente essas coisas voltaram a ser divertidas ao invés de melancólicas.

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- Prontinho Sr. Policial _o médico passou uma gaze úmida no corte de forma gentil _está liberado.

- Obrigado _disse fraco ainda vendo estrelas, saiu da sala suando frio pela dor.

- Como foi? _Taiga o esperava ao fim do corredor e veio de encontro ao vê-lo saindo.

- Quase fica sem a sua revista _coçou os olhos, irritado _pra que costurar se vão te arrancar a alma depois?

- Vamos tomar um café, hoje a lanchonete está vazia.

Aomine observou as costas largas do amigo, o pijama do hospital fora substituído por um moletom inteiro branco. “Isso deve ser um bom sinal” Pensou animado olhando para as janelas por instinto, estava um dia bom, talvez até pudessem jogar basquete na quadra dos fundos! Ele também percebeu que Taiga notara suas roupas diferentes assim que saiu do consultório, como estava de folga então trocou o uniforme por um jeans escuro e uma camisa azul marinho. Bom, de certa forma, ainda era bem parecido com seu uniforme e se xingou por não ter escolhido algo mais informal.

Após pedir o tão estimado café, sentaram a mesa mais ao fundo do lado de uma grande janela com vidros adornados pelo símbolo universal da medicina. Daiki perdeu alguns segundos observando o entalho na vidraçaria.

- Esse lugar tem detalhes incríveis _comentou mais para si do que para o ruivo.

- Os vidros do último andar também são assim, é raro alguém admirá-los... _olhou também sorrindo de leve _no geral as pessoas estão muito preocupadas para isso.

- Entendo... ah, aqui está _abriu a bolsa e tirou a edição de número 243 da NBA stars _era a última então dei uma olhadinha enquanto vinha pra cá.

- Obrigado! _tratou de folhar a revista no mesmo instante sem ligar para a confissão do amigo _aah que Jordan irado.

Daiki apenas acenou e continuou a tomar seu capuccino enquanto o afobado Kagami terminava de passar os olhos pelas propagandas e imagens, o ruivo percebeu que estava sendo indelicado então apenas fez uma expressão cômica deixando a leitura para depois.

- Obrigado mesmo, como posso te pagar por isso?

- Ah talvez com um croissant, o que acha? _brincou apontando para os salgados.

- Sim senhor, recomendo o de frango com requeijão, é a especialidade da dona Miko! _bateu continência agora com a mão certa e se levantou indo em direção ao balcão.

Estar na presença do ruivo o deixava muito a vontade, inclusive para fazer brincadeiras daquele tipo, pois sempre era respondido com naturalidade. Se sentiu animado a semana toda para voltar ao hospital, pensou em trazer alguma outra coisa além da revista, mas ainda não sabia nada sobre o homem; decidiu então conversar um pouco mais dessa vez. E daí que amizades surgiam nos corredores de um lugar como aquele? E daí que fora apenas por causa de uma conversa de menos de duas horas? Era assim que as pessoas enfim se conheciam, não?

- Não vai comer? _perguntou Daiki oferecendo o salgado, recebeu apenas um aceno negativo com a cabeça _...isso é muito bom! _se surpreendeu com o sabor, talvez até levasse um para casa mais tarde.

- Não teve mais nenhuma ocorrência com os yankees? _ganhou um olhar de tédio _droga, Daiki, pelo menos finja.

- Bobo, hey, podemos jogar o que acha?

Kagami abriu e fechou a boca sem saber o que responder, o brilho nos olhos safira e a tom de vivacidade na voz eram duas coisas novas em Aomine. Se perdeu por um momento na figura a sua frente sentindo o coração acelerar.

- Eu quero muito, sério, muito mesmo!... me encontra na quadra? Vou pegar minha bola!

- Vou com vo... ah, tudo bem, te encontro lá.

- Dez minutos! Se não estiver lá eu peço para o Dr. Midorima te costurar outra vez ouviu?!

O moreno ergueu o pulso e fechou a mão, como um bom jogador que sempre fora, Taiga entendeu o gesto e tocou num baque seco da mesma forma.

A calça pesada de moletom fora trocada por uma bermuda qualquer, quicou a bola apenas uma vez ainda no corredor sem conseguir conter a ansiedade, sabia se fizesse isso novamente sua enfermeira brigaria consigo mais tarde. O moreno o esperava sentado no chão da quadra sem se importar com a poeira, dobrou a calça até a metade da perna e tirou a camisa ficando apenas com a regata branca que vestia por baixo. Estava pronto.

- Fala sério, acho que esse troço não vai aguentar meu peso _olhou para o aro.

- Não esquenta, você não vai conseguir chegar perto dele para enterrar.

Foi a última palavra antes do ruivo fazer seu primeiro movimento, ele era rápido, os olhos de Aomine foram enganados e o outro passou por si quicando a bola de forma ritmada. O moreno girou o corpo colocando toda a força no pé esquerdo, localizou a posição da bola e estendeu o braço a roubando, mas assim que ergueu os olhos, Taiga já estava à sua frente. Seria um longo jogo.

25 minutos foi o máximo que Taiga conseguiu aguentar antes de pedir tempo e sentar sob a sombra do carvalho ao lado da quadra. Daiki também estava cansado, mas talvez pelo treino pesado no batalhão, mal tinha começado a suar, o estilo de vida do ruivo deveria ser mais tranquilo para ele se cansar rápido daquela forma; no fim o placar fora a favor de Aomine Daiki por muito pouco, mas ele só ultrapassou o ex camisa 10 da Seirin, pois o mesmo diminuiu a altura dos saltos e força nos pés para os giros, caso contrário perderia muito feio.

- Você está bem? _lhe ofereceu uma das garrafas de água que comprara na cantina _pegue.

- ...obrigado _aceitou ao ver que estava lacrada _foi mal, esse é o meu limite. Você joga pra caralho! Não durei 15 minutos.

- Nesses 15 minutos você disparou no placar e depois só consegui encostar... Kagami _disse ainda ofegante _eu realmente era o ás da minha equipe e ainda faço trabalho físico todos os dias no batalhão. Você é profissional, não é?

A pergunta já era esperada, bebeu mais um gole d’água antes de se levantar cambaleante.

- Eu sou. Não, eu era. Eu fazia parte do time de base da seleção, joguei por 1 ano e pouco com eles.

- ... _esperou pelo resto da história que não veio _quer entrar?

- Estou bem, não sou negligente para ultrapassar esse limite _pensou em tirar a camiseta, mas desistiu _senta ai, aliás, já pedi que me chame de Taiga.

- Você não quer me contar agora?

Era demais, não era? Depois de jogar basquete com alguém tão bom, depois de fazer aquela amizade repentina como poderia não aliviar seu coração contando sua vida? Ele abaixou a cabeça escondendo a tristeza. Queria mesmo contar, mas cada pessoa que ouvia deixava para trás o sentimento de pena e apagava o sorriso; e ver aquele semblante sempre sério e sarcástico se transformar em tristeza era a última coisa que desejava na vida.

- Promete que não vai voltar aqui depois? As pessoas sempre voltam e não conseguem mais serem as mesmas comigo.

- Cale a boca, ainda estou inconformado com o basquete, lógico que vou voltar e apagar esse seu sorriso de vitória.

Taiga riu, Daiki estava mesmo o ouvindo?!

- Filho da puta _resmungou _meu nome é Kagami Taiga, tenho 22 anos e aos 17 entrei para o time base da seleção japonesa de basquete graças à boa campanha que fiz nos jogos de inverno com o time da minha escola, a Seirin _começou num discurso já decorado.

“Ah... por isso não nos encontramos” Pensou Daiki agora se lembrando daquela época, não jogou no último ano do colegial.

- ...quando completei 18 fui escalado para a seleção, no banco de reservas, e eu começaria no mês seguinte. Fiz dois testes e um primeiro jogo, entrei no último quarto _disse com um sorriso no rosto _só que era meio tarde pra isso. Eu _hesitou, Daiki tocou seu ombro e pediu que continuasse _eu tenho leucemia e é terminal.

Taiga odiava essa parte da história, todos faziam exatamente a mesma expressão que o moreno: as pupilas dilatavam e então parecia que o ar sumia a sua volta.

- Não tenho uma data pra morrer como parece, simplesmente posso morrer de infecção antes por exemplo. O que aconteceu é que eu escondi isso do mundo por algum tempo só pra poder jogar... não deveria estar contanto isso, mas paguei para um médico mudar o atestado. Não me julgue mal, eu só queria ter a chance de jogar uma vez com eles _mordeu o lábio esperando uma bronca que não veio, aproveitou para continuar _já somou 1 + 1 né? Ou melhor, 22 – 18 _deu os ombros _ faz quatro anos que estou morando aqui. No começo eu ia pra casa sempre que me sentia bem, mas... minha família mora na América, meu pai que veio pra cá comigo está viajando para não faço ideia onde... é eu sou um filho meio que bastardo dele, ele tem outra família. Daiki eu... sabe eu gosto muito daqui e não quis ir embora.

As lágrimas caíram sem aviso e a voz do ruivo falhou.

- Tu-tudo bem, pode parar _tomou o outro nos braços num abraço cheio de afeto.

- Não queria deixar meus amigos aqui _disse entre soluços _ todas as minhas lembranças! Foi um ato tão, tão egoísta! Mas eles disseram que me amavam e então me deram apoio, que não tinha nada eu ser egoísta assim. Fiquei tão feliz _se soltou do abraço _desculpas.

Daiki rolou os olhos.

- Enfim, depois de um tempo ficou difícil ir pra casa porque essa doença te deixa com a imunidade baixa e constantemente eu ficava doente. Por mais que as pessoas fossem em casa, era muito incomodo para elas, resolvi vir pra cá de vez em menos de um ano... depois de quatro anos até as promessas ficam apagadas pelo tempo _disse baixinho _a maioria dos meus amigos foram cursar faculdade em outros lugares e os que ficaram aos poucos pararam de vir. Aniversário e Natal, de vez enquanto fazem uma surpresa no meio do ano... mas tudo bem, dias como hoje, que posso mesmo sair e ficar aqui fora são raros. Amigos vêm e vão, parece horrível de se dizer, só que é um ciclo natural... assim como conheci você, conheci muitos outros que pararam para ouvir a minha história.

“E do mesmo modo fizeram promessas e do mesmo modo foram embora.” Completou em pensamentos deixando seu rosto ser estampado apenas por um sorriso.

- E momentos como esse não me deixam solitário, pude até jogar basquete!... Oe, achei que tinha dito que não ira chorar... por favor, pare...!

- Ca-la boca, você conta uma porra dessas e quer que as pessoas sorriam? Isso sim é o verdadeiro egoísmo.

- ...mas não me sinto vítima ou...

- E daí?! Não precisa se forçar a viver dizendo estar tudo bem, é triste sim e vai ser assim para sempre. Está tudo bem em querer que saibam disso, está tudo bem em chorar também.

Taiga tentou esboçar um sorriso, mas seus lábios não se curvaram.

- Idiota _sussurrou _não vai dizer para eu me esforçar? Não vai dizer que eu preciso sorrir mesmo passando por isso e viver a vida da melhor forma possível?

- ... _balançou a cabeça num gesto negativo.

- E vai fazer o que? Emprestar seu ombro?

Novamente ele estendeu os braços e o tomou num abraço.

Now, don't hang on
Nothing lasts forever, but the earth and sky
It slips away
And all your money won't another minute buy

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Naquela noite, Daiki não pode dormir, rolou pela cama de um lado para o outro pensando nas coisas ditas por Taiga. Óbvio, sua história serviu como lição de vida, mesmo sem querer..., tinha desistido do basquete no final do segundo ano do colegial, pois apesar de ser algo que gostava muito, tinha um problema: ninguém conseguia o vencer e aos poucos seus adversários simplesmente desistiam do jogo. Se cansou daquilo. Se convenceu que o único que poderia vencê-lo era ele mesmo e jogou tudo para o alto.

Idiota.

Se tivesse esperado apenas um pouquinho mais, teria jogado contra aquele homem! Eles estavam estudando em escolas próximas. Tão próximas, aliás! Talvez, numa possibilidade muito remota, aquele poderia ser o jogador a vencê-lo e se isso tivesse acontecido, hoje não estaria na polícia fazendo algo que detesta, teria seguido no esporte.

Teria passado mais tempo conversando com Kagami Taiga.

- Eu não ia te abandonar sabe _resmungou para o nada _...droga Taiga.

Bagunçou os cabelos. Tinha ficado mexido com a história, estava com remorso de ter desistido do basquete, com raiva da vida que levava fazendo as coisas pela metade, se sentindo lixo por não sorrir com frequência e ser forte como Taiga. Aquela coisa clichê!!! Por que era obrigado a de repente viver aquilo?! Isso só não acontecia nas novelas idiotas da tv a cabo?

- É castigo, certo? Certo.

Se levantou e trocou o pijama pela primeira roupa que viu pela frente. Foda-se. Ele ia até o hospital fazer companhia para o amigo. Não teve coragem de contar como levava sua vida diante a vontade de viver de Taiga, porém a mudaria exatamente agora! Isso, sorrisos eram tão fáceis de serem arrancados dos corações das pessoas, por que não fazer isso o máximo possível?! Vivemos tão presos às formalidades que esquecemos as coisas mais simples da vida.

De carro, levou menos de 15 minutos, com o distintivo, levou menos de 10 para conseguir permissão de visita. Caminhou em passos largos em direção ao quarto 34, a luz ainda estava acesa, sorriu. Espiou para dentro antes de bater, queria ver o que ele estaria fazendo.

- ...não!

O ruivo estava deitado com soro ao lado da cama e máscara de oxigênio, entrou afobado sem bater assustando o mesmo.

- Oh! _apontou para o moreno ao mesmo tempo em que tirava a máscara _que susto! _sua expressão variava entre a felicidade e o desespero.

- É, não pergunte. Você está bem?

- Uhum, relaxa, se assustou né? _voltou a se deitar fazendo careta ao sentir a agulha do soro sair do lugar _senta ai, bem vindo ao meu quarto.

- ...desculpa _disse entre lágrimas, tentou esconder o rosto com o braço _desculpa... sei que odeia isso. Nem sei o que faço aqui.

- Depois de quatro anos já vi pessoas fazendo de tudo. Casando, se jogando do último andar, estourando os pontos e inclusive fazendo visitas no meio da madrugada. Hey, se aproxime um pouquinho _Daiki obedeceu e ganhou um afago nos cabelos _obrigado por vir.

- Moro... aqui do lado.

- Imaginei. Sem sono também?

- Totalmente.

- Vamos ver um filme?

- O que? Mas eu preciso sair, não... é... _olhou para os lados secando as lágrimas.

- Nada, senta aqui _deu espaço na cama _gosta de Star Wars?

- ...é o meu preferido.

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Todo o dia depois do expediente, por exatos 19 dias, Aomine Daiki passou pelas portas duplas de vidro da enfermaria em direção ao quarto de número 34. Todos os 19 dias foram dedicados a fazer Taiga sorrir, as vezes com revistas, as vezes com palhaçadas, as vezes com histórias idiotas. Mas no vigésimo dia, o moreno não pode entrar nem mesmo com seu distintivo: Kagami havia sido transferido para UTI. Em meio a essa notícia, muitos de seus amigos vieram lhe visitar, o vai e vem constante das pessoas tornou o lugar agitado e depressivo. Finalmente tinham uma data.

Daiki esperava até o último horário para visitar o ruivo, que ainda consciente, não deixava de conversar e contar as coisas que vira no hospital durante sua longa estadia. Dizia até ser amigos das almas penadas que vagavam no corredor do segundo andar.

No 32ª dia, como sempre, Daiki esperou sua hora e entrou trazendo consigo apenas o que podia: um sorriso.

- Como está se sentindo hoje? _acariciou os fios macios e mal cortados.

- Bem _respondeu como de costume, nunca nos quatro anos, tinha dado uma resposta diferente às pessoas _e você?

- Queria que estivesse jogando comigo agora, a quadra está solitária sem você.

- ...Daiki, quando eu descobri que ia morrer, há quatro anos atrás, eu quis muito que isso fosse mentira. Me conformei como todos nessa condição fazem um dia, mas agora... quero muito que isso seja mentira novamente. Obrigado.

- Por que droga está me agradecendo? Você deveria é me socar por isso, estava tranquilo até eu aparecer.

- Porque a vontade de viver é muito melhor, Ahomine... e pude senti-la mais uma vez.

- Você também fez isso por mim _confessou _ caí naquele mundo clichê de seguir uma vida melhor depois que te conheci.

- Eh... sempre achei que tivesse uma vida boa _sorriu _que bom! Fico feliz em ouvir isso.

- Taiga, amo você.

Daiki achou que Taiga não ligaria para a confissão, mas ele apertou sua mão com força e a respiração se tornou pesada, parecia um colegial sendo correspondido com seu primeiro amor. Uma cena totalmente ilógica para o cenário onde se encontravam.

- Isso é sério?

- Sim, nesse exato momento meu maior desejo é que saia daí e venha morar comigo, quero ir ao parque de diversões, ao cinema, ficar em casa vendo filmes, cozinhar, montar a árvore de Natal, te beijar, transar com você, te apresentar pra minha mãe. Eu te amo... eu te amo do mesmo jeito que amaria se tivesse te conhecido no colegial, entre um jogo e uma conversa. Você é incrível, lindo e gentil. É claro que isso é sério... por Deus, Taiga...

- Eu aceito sair com você _suas bochechas tomaram um tom carmesim e puxou o braço de Daiki pedindo que se abaixasse.

O selar dos lábios foi simples, um beijo inocente que trazia vários novos sentimentos pouco explorado pelo casal. Taiga nunca tinha namorado ninguém e Daiki simplesmente gastava suas energias vendo mulher pelada em suas revistas.

O ruivo riu.

- Quero um beijo Frances _reclamou o moreno.

- As u wish _respondeu num inglês perfeito.

Taiga sabia que não poderia estar perto de Daiki, pois sua imunidade estava em estado crítico e o menor contato agravaria sua situação. Não, seu sistema de defesa não voltaria por nada, evitar o contato seria dar a ele apenas uma ou duas horas a mais de vida e isso não lhe fazia a menor diferença diante os sentimentos que estava presenciando.

Depois daquela visita, apenas dois dias depois, Daiki recebeu a notícia que seu amado tinha falecido no período da tarde. Quando recebeu o telefonema, estava à caminho do hospital com um presente em mãos: comprara um par de alianças, o ruivo não poderia usar, pois a UTI não permitia, mesmo assim seria motivo o suficiente para ele sorrir. O sorriso que tinha se tornado o motivo de seus dias. O moreno estacionou o carro na mesma rua onde estava e chorou, deixou que as lágrimas caíssem uma a uma sem se dar ao trabalho de contê-las.

De madrugada, ficou no velório por algumas horas e deixou o local de manhã após o corpo ter sido cremado. Acendeu um incenso, rezou por sua alma, deixou flores. Mas seu amor não ficou para trás, levou consigo as alianças usando a sua e mantendo a outra numa corrente em seu pescoço: Kagami Taiga estaria para sempre consigo, mesmo que ninguém ao seu redor o conhecesse, como um segredo somente deles.

Ao chegar em casa percebeu um pequeno envelope debaixo da porta: uma carta escrita a mão. Sim, aquele gesto já era esperado, a muito Taiga vinha lhe dizendo que deixaria um presente para si como surpresa. Pegou o papel de cor clara e o abriu com as mãos tremulas, não queria esperar, sentou na porta de casa.

Aomine Daiki... meu Aomine Daiki.

Como você está agora? Espero que essa não seja a pior hora...

Daiki, estou mesmo muito feliz por ter te avisado sobre as mesinhas do primeiro andar. Conheci algumas pessoas dando informações como aquela – não fique com ciúme, amor – mas só você deixou para ouvir minha história no outro dia. No geral elas vinham, me perguntavam o que eu fazia lá e eu contava sem hesitar, então elas me prometiam o mundo, pediam para eu não chorar e iam embora. Já sacou o quanto foi diferente com você, não? Dizendo que eu podia fraquejar... dizendo que mesmo doente, iria continuar me vencendo só para provar que era bom. Mas eu sei que estava me protegendo da sua forma. Obrigado.

Quando disse que te amava, não foi uma mentira, não foi só porque eu queria me divertir até o final com a vida. Eu realmente te amo, mesmo agora, mesmo não estando mais aqui, saiba que levarei esse sentimento comigo para onde for.

O cinema deveria ter sido legal, aposto que não cozinha muito bem, mas eu faço crepes como ninguém! Já vimos um filme, então tenho certeza que acabaríamos assistindo um jogo da NBA. Tenho um palpite quanto a sua mãe, ela deve ser alta e muito bonita, como uma modelo, daquelas bem elegantes! Nos beijamos bastante, mas confesso que não foi o suficiente e diversas vezes senti vontade de transar com você. Você é muito bonito e gostoso, mas num nível alto mesmo de gostoso!

Nosso namoro foi muito mais perfeito do que qualquer outro que eu poderia sonhar em ter. Posso te agradecer só mais uma vez?

Bom, não posso levar fotos comigo, mas você ainda poderá carregar esse tipo de coisa com você. Olhe dentro do envelope, é o meu primeiro jogo na seleção, o uniforme é lindo.

Daiki, quero que continue sendo essa pessoa incrível! Se for o seu desejo, saia da policia – mesmo que nunca tenha me contado, sei que odeia trabalhar lá – e vá jogar basquete! Ainda tem 22 anos, pode entrar em qualquer time que sonhar. Seus arremessos sem formas são fodas-pra-caralho.

Enfim... você me fez viver o mês mais feliz da minha vida. Ainda não agradeci ali em cima né? Então pela última vez...

Obrigado.

De seu eterno apaixonado, Kagami Taiga.

Depois de reler, vagou pela casa em busca de uma caneta e um pedaço de papel, sua visão era tão embaçada que tropeçou algumas vezes nos móveis. Alcançou o bloco que ficava sobre o aparador e começou a escrever sua resposta.

Kagami,

Agora você está conseguindo correr sem se cansar facilmente? Aposto que me venceria fácil. Seus saltos são impossíveis de serem bloqueados, tenho certeza que estaria na capa da NBA stars com apenas um jogo.

Aliás, sabe por que te chamo pelo sobrenome sempre? Porque tem um significado forte e te descreve muito bem. A chama da sua vida nunca irá se apagar, carregando meu amor consigo, carregando seu amor comigo, iremos atravessar eras e nos encontraremos lá na frente...

Kagami, agora mesmo estou usando nossa aliança. Não deu para chegar a tempo para te entregar, me perdoe, mas a carregarei comigo perto do coração, nunca irei te abandonar. Não te deixarei solitário, olhando para o relógio e imaginando se receberia visitas. Taig-

Deixou a caneta escorregar entre os dedos. Ainda tinha tantas coisas que queria ter dito e perguntado. Tantas coisas que queria ter vivido.

- Taiga... obrigado você, meu amor. Meu eterno amor.

FIM.

Notas finais
Se temos a oportunidade de fazer alguém sorrir então... não perca tempo! Não importa se não existe nenhuma doença ou nenhum final marcado, nós nunca sabemos o que pode acontecer amanhã. Não deixe seu orgulho ou "padrão da sociedade" atrapalhar esse sentimento tão desejado. O amor está acima de tudo. A felicidade está acima das nuvens, a felicidade está acima do céu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!