Dust in the Wind
12 O drama de Rachael Baxter Collins
Notas iniciais

Washington — DC
FLASHBACK ON
Spencer acordou, exatamente, ás 5h18 da madrugada. Levantou-se e saiu caminhando descalço pela casa deserta, segurando os comprimidos que pegara no vidro que estava e em cima criado mudo ao lado da sua cama. Eram os remédios que tomava para suas dores de cabeça. Ela ia até a cozinha pegar um copo d’água para, assim, tomar os três comprimidos.
Tudo que ele queria era voltar a dormir, mas suas preocupações em relação à Wendy não deixavam e isso que fez com que sua cabeça latejasse de dor. Por isso resolveu tomar os comprimidos, pois naquela situação, não estava fácil.
Enquanto tentava voltar a dormir, olhava para a escuridão e seus pensamentos o atormentavam. Apesar da tranquilidade no ambiente, sua cabeça estava a mil. O silêncio foi quebrado pelo som de mensagem do celular do rapaz.
“Uma hora dessas?” se perguntava enquanto se virava na cama para pegar o celular em cima do criado mudo. “Só pode ser um caso” pensava alto. Ele pegou o celular e viu que se tratava de um número desconhecido dizendo o seguinte: “Leia edição desta manhã do Washington Examine, não vai se arrepender”.
O rapaz ignorou a mensagem e voltou a dormir. Dessa vez conseguiu, já que os remédios fizeram efeito.
Quando deu umas 7h30, o despertador tocou e o rapaz se levantou imediatamente. Logo tomou um banho rápido se vestiu e foi até a cafeteria na esquina próximo de sua casa tomar seu tradicional café da manhã. No caminho viu uma banca de jornal e se lembrou da mensagem que veio para ele na madrugada. Então resolveu parar e procurar o jornal. Não foi muito difícil encontrar e logo na capa uma foto de Wendy abraçada a Hotch na porta do Banco de Miami, era a foto de quando a garota fora resgatada, e com a seguinte matéria: “A verdadeira face de Wendy Hotchner”.
Reid ficou por alguns segundos desnorteado, tentando entender o que era aquilo, mas resolver abrir e ler o jornal:
Wendy Prentiss Hotchner, a garota doce e inocente que todo o país conheceu e se comoveu com a história. Mas mesmo assim vamos lembrar um pouco dessa história: a garota foi simplesmente sequestrada pelo seu ex-padrasto que, além de tudo, a torturou psicologicamente por exatos sete anos.
Esse drama me comoveu e a todo povo americano, mas o que não sabíamos, era que essa garota, não é tão pura e inocente quanto imaginávamos. Isso por que, após uma investigação minuciosa de uma fonte segura em Londres (cidade onde ela cresceu), descobrimos um passado obscuro dessa garota.
Primeiro a garota foi descrita por todos os ex-colegas de escola como uma pessoa egocêntrica, manipuladora e malvada. Alguns alunos chegaram a afirmar que o que aconteceu com ela (ser sequestrada pelo ex-padrasto) foi pouco perto do que ela fez.
“Regina George (antagonista do filme Meninas Malvadas) é fichinha perto de Wendy Hotchner” disse um aluno que não quis se identificar, porém revelou ter sofrido diversos abusos por parte dela.
Sei, meu caro leitor, que deve está se perguntando qual a finalidade desta reportagem. Pois bem, eu vou dizer. Estou aqui somente para denunciar um crime, na verdade vários crimes que Wendy Prentiss Hotchner cometeu.
Rachael Baxter Collins, filha de Bryan Collins, um dos principais diretores do FBI, foi a principal vítima de uma garota mimada e sem limites.
Todos conhecem a triste história da filha de Bryan Collins que supostamente cometeu suicido em Londres (ela e a filha de Aaron Hotcher estudavam juntas) após sofrer bullying dos colegas de escola. Digo supostamente, pois o que estou prestes a revelar põe em dúvida essa teoria.
Rachael Baxter Collins não cometeu suicídio e sim foi assassinada e de forma fria e premeditada.
Como tudo na vida, vou começar pelo começo e deixar de enrolar. Wendy Hotchner era a garota mais popular da escola e em contrapartida, Rachael Collins, digamos, não era tão popular assim, pelo contrário, era muito desarrumada e desajeitada, por isso era uma vítima em potencial de bullying de outros colegas, principalmente da parte Senhorita Hotchner. Sendo que a Senhorita Collins não fazia nada a ela ou tão pouco respondia as provocações.
O estopim da briga das duas foi quando a garota desajeitada “roubou” o namorado da garota popular. Parece até história de sessão tarde, mas foi a mais pura verdade. O namorado, trata-se de Daniel Parker, filho de um importante empresário de Londres. Mas que manteve em segredo o relacionamento, pois tinha vergonha de namorar com uma garota feia e desajeitada.
Então na noite do baile da primavera, depois de ser rejeitada pelo ex-namorado, Wendy Prentiss Hotchner, o seguiu depois que o viu sair sozinho antes do baile acabar. Ele estava indo para a casa da então atual namorada. E como todos jovens na flor da idade, se entregaram ao amor.
Porém o que era para ser uma noite inesquecível para o jovem casal, se tornou um pesadelo. Isso por que a Senhorita Hotchner filmou a relação dos dois e espalhou por toda a escola, o que fez com que o bullying sofrido pela Senhorita Collins aumentasse ainda mais.
A pobre garota foi motivo de piada e vários insultos por parte dos colegas. Ela entrou em depressão profunda. A Senhorita Collins chegou a pedir a ajuda para a direção da escola, mas obteve a seguinte resposta: “É só uma fase, logo passa”.
O que na verdade eles não queriam dizer, era que o que prevaleceria era o interesse da família que tem maior poder aquisitivo e influência política, e nesse caso, era Phillip Froster, ex-padrasto da Senhorita Hotchner (sim, o mesmo que depois a sequestrou. Irônico, não acham?).
A vida da Senhorita Collins estava destruída, mas vocês acham que a Senhorita Hotchner estava satisfeita? Não. Essa garota só tem maldade dentro de si. E como se não bastasse a divulgação dos vídeos e término do namoro de Parker e Collins (o rapaz não aguentou a pressão dos colegas que o zoavam por ele namorar uma garota feia). Wendy Hotchner colocou em prática a segunda parte do seu plano.
Quando a mãe e o padrasto de Rachael Baxter Collins viajaram para os Estados Unidos, Wendy Prentiss Hotchner inventou de fazer uma festa do pijama na casa da Senhorita Collins como uma forma de trégua. A coitada da Collins, era muito inocente, acreditou nas palavras dessa garota maléfica e aceitou que ela fosse para sua casa, mal sabendo que estava assinando sua sentença de morte.
Pois é, nessa noite, Wendy Hotchner aplicou uma injeção de ecstasy em Rachael Collins e a matou friamente, como um desses psicopatas que o pai dela prende. E adivinha quem protegeu a menina malvada? Sim, o padrasto malvado que a sequestrou.
Sei que essa história ainda tem muitas pontas soltas. Como por exemplo qual o real interesse de Froster proteger a enteada e depois ajudar a sequestrá-la, porém prometo investigar tudo e publicar neste jornal.
Reid lia tudo e não conseguia acreditar no que acabara de ler. Ele precisava tirar a história a limpo.
FLASHBACK OFF
E era isso que ele estava fazendo, diante da garota esperando uma explicação.
— Não, eu não a matei — dizia Wendy — aconteceu que...
— O que Wendy? — insistiu Reid quando percebeu que ela se calou.
— Eu pratiquei bullying com ela, e eu me arrependo muito... eu não queria que ela tivesse morrido.
— E por que aplicou uma injeção de ecstasy nela? — indagou o rapaz em um tom elevado e muito decepcionado.
— Eu não... — a garota mais uma vez desistiu de falar, pois estava muito nervosa — por favor, Spencer. Eu te pedi um voto confiança. E eu queria que a gente continuasse nesse trato, essa história toda vai ser esclarecida, eu prometo.
— Quando você me disse que tinha feito algo grave, não imaginei que seria algo tão grave assim... matar uma pessoa, Wendy?
— Spencer, essa história vai se esclarecer... não foi assim que aconteceu. Eu não...
— Você humilhava essa garota, fazia ela se sentir a pior pessoa do mundo...
— Spencer, as coisas não aconteceram assim — tentava argumentar Wendy em vão.
— Bem que seu ex-namorado já havia dito: você é falsa, Wendy.
— Me escuta, não foi assim que as coisas aconteceram...
— Pois me conte agora a verdade. Eu só quero a verdade. O que aconteceu? É sua chance.
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