Dust in the Wind
27 Nascimento e Morte - parte I
Notas iniciais

Palo Alto — Califórnia.
— O que? — perguntou Hotch ainda confuso ficando em pé e levando as mãos à cabeça aflito.
— Ela passou mal — respondeu JJ — eu a trouxe para o hospital e os médicos disseram que terão que antecipar o parto, pois o volume de líquido amniótico está diminuindo e se eles não realizarem o parto, corre o risco de perder os dois.
Aaron ficou apreensivo e sem saber o que decidir. Ele calou-se ao tempo que JJ esperava uma resposta. Hotch se sentia impotente por não poder ajudar a própria família e, naquele momento difícil, decidir o que seria mais prioritário: salvar a filha de um psicopata ou ficar ao lado da esposa e do filho num parto que seria muito difícil. Foi quando Rossi percebendo a aflição do amigo resolveu opinar.
— Vá, Aaron — disse Rossi — sua esposa e seu filho precisam de você.
— Mas e a Wendy?
— Confie em mim — falou Rossi colocando a mão no ombro do amigo — eu vou trazer a sua filha sã e salva, nem que custe a minha própria vida.
— Dave, eu...
— Não argumente... vá logo. Ou não confia na própria equipe? — insistia o colega enquanto Hotch ainda aparentava estar hesitante— eu prometo que volto com Wendy.
— Wendy é minha filha — retrucou Hotch — não posso fazer isso com ela... eu sempre fui tão ausente da vida dela.
— Ela vai entender. Confie na gente.
Hotch que até há pouco esboçava uma expressão abatida, conseguiu dar um leve sorriso. Ele confiava muito no amigo em todos os outros membros da equipe e sabia que eles cumpririam sua palavra. Por isso, mesmo contrariado, ele concordou de ir para Los Angeles.
— JJ, estou indo para o aeroporto agora — falou Hotch convicto e em seguida desligando o celular.
***
Após ouvir toda aquela história do vídeo que saiu da boca de Jessyca. Wendy caiu de joelhos no chão e começou a vomitar, pois suas lembranças voltavam aos poucos. E lembrar-se de tudo que ocorreu deu-lhe uma sensação de nojo que lhe embrulhou o estômago.
Reid agachou-se do lado dela e segurou os cabelos da garota.
— Depois foi tudo muito fácil — disse Jessyca — só precisamos dopar você e aquelazinha da Lilly Parker. Pegamos vários vídeos aleatórios na internet. Fizemos uma sequência de fatos e colocamos vocês duas para assistirem enquanto aplicávamos altas dosagens de propranolol para confundir a memória de vocês. Então nada daquilo que vocês lembram aconteceu de verdade.
— Sua vaca — disse Wendy levantando a cabeça ainda ficando agachada — o tempo todo eu me sentindo culpada pelo que aconteceu a Rachael. Minha vida foi um verdadeiro inferno nos últimos dois anos... por que eu acreditava que havia matado uma pessoa, uma pessoa inocente.
— Cala a boca, sua vadia — retrucou Jessyca — ou eu mato você.
— Pois me mate logo — disse Wendy levantando-se e a encarando — você já acabou com a minha vida.
— É tudo que eu quero — respondeu a ruiva — mas infelizmente não posso agora.
— Eu pensei que você desse as cartas — provocou Wendy. Reid a segurou pelo braço tentando afastá-la de Jessyca.
— E sou eu quem dou mesmo.
— Não — falou Wendy voltando a ficar perto de Jessyca enquanto Reid queria afastá-la — Phillip faz você pensar que é você quem dar as ordens. Mas é ele quem dita as regras, você não é nada. E quer saber, eu sempre fui melhor do que você em tudo.
— Se acha tanto — respondeu Jessyca — se não fosse por Daniel você nem era respeitada naquela escola...
— Nossa, eu era tão pouca coisa assim? Então por que você tinha tanta inveja de mim? Sempre quis tudo que eu tinha... por que você era incapaz de conquistar as coisas. E por isso se tornou uma bandida da pior espécie.
As duas se encaravam, enquanto Reid permanecia entre elas, com a incumbência de separá-las de uma possível briga. Depois que soube da verdade, Wendy mudou o comportamento, estava tomada de ódio e qualquer passo em falso, poderia ser o fim dela. Já que Jessyca também estava também totalmente fora de controle.
Porém a ruiva engoliu seco a última provocação da rival e saiu do quarto sem dizer nenhuma palavra ou sem esboçar qualquer tipo de reação. Como se dissesse que esperaria o momento certo de dar o troco.
Reid sentiu que isso não era um bom sinal, Jessyca era totalmente fora de controle, agia motivada por ódio. Ao contrário de Phillip que era frio e organizado. Uma dupla um tanto contraditória. E o rapaz se via ali, no meio dos dois e ao mesmo tempo tendo que fazer de tudo para proteger Wendy.
Após a saída de Jessyca, Wendy ficou em pé totalmente atormentada e perdida lembrando-se do que havia descoberto. A sua tormenta dos últimos dois anos foi uma armação. Durante todo esse tempo, carregando um peso que não era seu... parecia tão surreal que ela custava acreditar.
Reid colocou as mãos nos ombros da garota, fazendo com que ela sentasse no chão e sentou-se do lado dela, a abraçando. A garota então não conseguiu segurar as lágrimas. Lágrimas de alívio por saber que não havia feito nada para culminar na morte da Rachael e ao mesmo tempo lágrimas de dor por imaginar a dor e o sofrimento daquela garota nos últimos minutos de vida.
Wendy ainda se arrependia de ter sido tão má com ela durante aquele ano. Ainda mais que Rachael era uma menina tão boa e tão meiga que não merecia ser tratada da forma como Wendy a tratava. E muito menos merecia aquilo que Phillip e Jessyca haviam feito com ela.
Ela abraçou o rapaz procurando consolo. E ele retribuiu... Spencer também ficou estarrecido com toda a revelação, mas ele controlava-se. Se alguém tinha que manter a cabeça no lugar, essa pessoa era ele. Por isso a abraçou consolando-a e segurando as lágrimas.
O tempo estava correndo e ele precisava dar um jeito para saírem logo dali. Assim que Wendy se acalmou. Ele a deixou no quarto e foi verificar o que Jessyca estava fazendo.
***
Los Angeles — Califórnia.
Depois de duas longas horas de voo, finalmente Hotch chegara ao hospital onde Emily estava internada. Ele correu por todo o corredor apreensivo, quando chegou na sala de visitas, estavam JJ e Sean. Ambos cabisbaixos. Assim que JJ o viu, foi a seu encontro.
— Como está minha esposa? — perguntou Hotch totalmente abatido.
— Já está sendo operada — respondeu JJ prontamente.
Hotch sentou-se no sofá levando as mãos à cabeça em desespero. JJ e Sean ficaram ao lado dele tentando acalmá-lo.
***
Emily mal conseguia manter os olhos abertos. Uma luz clara a impedia de fazer isso. Ela ouvia uma conversa ao fundo. Era a conversa da equipe médica, mas não conseguia vê-los. Ouvia a conversa como se eles estivessem distantes e ora os que eles diziam parecia ser confuso. Emily tentava falar algo, mas apenas balbuciava algo que não dava para entender.
— Nasceu — disse o médico.
Ao fundo ecoou um choro de bebê. Emily deu um sorriso fraco. O seu bebê estava bem. Todavia assim que ele nasceu foi levado imediatamente para incubadora e ela não pode vê-lo. No mesmo instante os batimentos cardíacos de Emily caíram. Seu bebê estava bem, então ela se entregava. Nada mais importava para ela.
— Nós estamos a perdendo — disse uma das enfermeiras.
— Tragam o desfibrilador — pediu o médico.
***
Já se passavam 45 minutos desde a hora que Hotch havia chegado. E ele caminhava de um lado para o outro tenso. Até que JJ reconheceu uma das enfermeiras que passavam como sendo da equipe médica que atendia Emily.
A loira tocou no ombro de Hotch para que ambos fossem até a enfermeira, que era uma mulher baixa, cerca de 1,60 m, cabelos pretos, lisos, presos num coque.
— A gente quer saber da paciente Emily Prentiss Hotchner — disse JJ se aproximando dela.
— Err... — falou a enfermeira fechando os olhos — sinto muito, eu não posso falar.
— Por favor, é minha esposa. Não me esconda nada.
— Eu queria poder ajudar, mas não posso — lamentava a jovem enfermeira.
— Por favor — insistia Hotch não a deixando terminar de falar.
A enfermeira baixou a cabeça e respirou fundo. Depois levantou a cabeça e encarou Hotch.
— Já faz cerca de 10 minutos que a equipe médica está tentando ressuscitá-la. Se ela não responder nos próximos 5 minutos, eles vão dá-la como morta.
***
Reid caminhou pela casa como quem pisasse em ovos. Ele foi até a cozinha, que era onde julgava que Jessyca estava. E sim, era exatamente onde ela estava. Ele ficou a observando da porta sem que ela notasse.
Lá havia uma panela enorme no fogo. E a garota servia uma porção de sopa num prato fundo. Depois colocou o prato em cima da pia. E logo depois, ela retirou um vidro pequeno do bolso da calça e jogou o conteúdo dentro da sopa. Era um pó branco. E a medida que jogava, ela mexia com a colher a fim de que o conteúdo se dissolvesse.
O rapaz olhava apreensivo e assim que ela terminou de jogar o conteúdo dentro do prato, Reid resolveu fazer com que sua presença fosse percebida.
— O que faz aqui? — perguntou Jessyca.
— Eu estou com fome — respondeu o rapaz — vim procurar algo para comer — em seguida ele olhou para o prato de sopa — de quem é isso?
— É da Wendy — respondeu prontamente ela — Phillip disse que era para alimentá-la bem.
— Eu levo a comida dela — disse Reid querendo pegar o prato.
— Claro — ela respondeu desconfiada entregando o prato — eu vou com você. Quero ver se ela vai comer tudinho.
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