Dust in the Wind

47 Isso, eu não perdoo


Notas iniciais
Eu prometi, não foi? Se bem que foi bem rápido mesmo. Então aqui está!

Washington — DC

Elizabeth olhou para Emily que estava atrás dela com olhar de reprovação.

— Algum problema, vó? — perguntou Wendy percebendo um clima pesado no ar.

— Problema algum — respondeu Elizabeth voltando a olhar para Evilyn — eu só achava que seria somente uma reunião com membros da família, não sabia que teria estranhos aqui.

— Ela não é estranha, vó — falou Wendy — ela é secretária do meu pai.

— Mas ela não é da família — retrucou Elizabeth firme e até um pouco grossa.

— Vamos nos sentar para tomar o café da manhã — disse Emily querendo encerrar a conversa. Nessa hora Wendy sentou-se do lado de Reid. Emily chegou perto da mãe que ainda estava em pé e falou baixinho — depois a gente conversa.

Falando isso, Emily pegou o Jack dos braços de Sean e sentou-se do lado de Evilyn. Elizabeth contrariada sentou-se do outro lado, perto de Wendy. Hotch foi para a ponta.

— Como dormiu, querida? — perguntou Emily para Evilyn.

— Foi difícil, mas consegui dormir — respondeu a garota encarando Emily que a olhava com ternura. Ela podia sentir o amor vindo de sua mãe. Então a garota olhou para Jack, seu irmão mais novo e ficou encantada.

— Emily, hoje é dia das mães — falou Elizabeth percebendo o cochicho das duas — não acha que deveria ficar do lado sua filha?

— Hoje é dia das mães e ela faz o que quiser — retrucou Wendy como uma forma de dar o troco pela forma como ela havia falado com ela anteriormente.

— Wendy — falou Hotch repreendendo a filha — isso é jeito de falar com sua avó?

Okay, o senhor tem razão — ela respondeu se arrependendo do que havia falado — desculpe vó.

— Tudo bem, querida.

— Mas minha mãe está comigo todos os dias — ela respondeu olhando para a mãe — não precisa ser dia das mães para a gente está juntas.

Emily apenas sorriu para a filha jogando o beijo para a garota.

— Sempre juntas — falou Emily.

— Como sempre foi e sempre vai ser — completou Wendy — obrigada por ter cuidado de mim esses todos esses anos. Eu sei que não é fácil ser minha mãe, mas você tem feito um trabalho incrível.

Wendy já falava para mãe com os olhos lacrimejantes. Ela não havia preparado discurso nenhum, simplesmente aquelas palavras vieram a sua cabeça e ela foi dizendo. Emily se emocionou com as palavras da filha, então levantou-se, entregando Jack para Hotch, para dar um abraço nela.

As duas ficaram abraçadas por um longo tempo. Evilyn chegou a ficar emocionada com a cena e queria de alguma forma participar, mas se conteve. Quando desfizeram o abraço, todos foram tomar o café da manhã e aquela tensão inicial foi embora.

— E como ficou a questão de Phillip? — perguntou Elizabeth quebrando o silêncio.

— Isso agora é problema da Divisão de Assuntos Internos que investiga se os tiros que Evilyn deu foi limpo — respondeu Hotch enquanto tomava uma xícara de café.

— Mas e o Anthrax e o ataque que ele planejava para hoje? — insistiu Elizabeth — vai ficar por isso mesmo?

— A célula antiterrorismo está averiguando. Mas até onde sabemos, Phillip não tinha outros cúmplices — respondeu Hotch.

— E aquele pessoal que guardava aquela casa em Palo Alto, não eram cúmplices dele?

— Não. Eram somente capangas da máfia russa. Eles estavam lá por que tinham interesse na Wendy por causa das contas no exterior. Esse ataque seria algo mais pessoal do Phillip — retrucou Hotch.

— Então esse pesadelo acabou? — perguntou Elizabeth como se não acreditasse.

— Sim — respondeu Hotch.

— Nem acredito que acabou — completou Wendy respirando aliviada — depois de tantos anos.

— Ainda não acabou — respondeu Emily — falta ainda inocentarem Evilyn. Pelo menos para mim, até lá, não terei paz.

— Eu não acredito que estão investigando isso — falou Wendy ficando um pouco nervosa — ela só fez o que nem o FBI e nem a CIA conseguiu fazer durante anos na cola desse monstro.

— Wendy, eles só querem saber se atirar ela única alternativa que ela teve — disse Hotch.

— Alternativa? Pai, ele ia atirar em mim. Ele queria me matar.

— Eu sei, mas temos que seguir o protocolo. Isso tem que averiguado.

— Não entendo... e se ela quisesse ter matado ele? Aquele monstro já fez mal para muita gente. O que ela fez foi um favor para a humanidade.

— Eu sei que falhamos na qualidade de proteger e proteger as outras vítimas de Phillip. E isso causa essa sua “revolta” e eu entendo perfeitamente isso. E não só você, mas a maioria dos cidadãos comuns aprovam essa prática de se fazer justiça com as próprias mãos — falou Hotch firme — e a princípio parece ser a solução para acabar com o mal que está impregnado na sociedade. Ocorre que, fazer justiça com as próprias mãos, além de ser crime, é algo muito temerário e que nos remete a mais arcaica história da justiça, onde se aplicava a lei do “olho por olho”.

— E também, Wendy — completou Reid — o ser humano é movido por sentimentos, nós na qualidade de agentes da lei temos que agir seguindo a razão, sem nos deixar envolver por emoções. Fazer justiça com as próprias mãos, nos remete a um passado sombrio e nos afasta das conquistas democráticas. E não é hora de retrocedermos, temos que melhorar e evoluir. Devemos lembrar que "a moeda tem dois lados". Se um pode fazer tal justiça, o outro, também pode. Não é essa a solução. Todo indivíduo tem o direito de um devido processo penal democrático e constitucional.

— Esse discurso de vocês não me convence — falou Wendy — talvez se fosse aplicado num caso em que não estivesse envolvida, eu concordaria, mas pensando em Phillip, em tudo que ele me fez passar, eu só penso que independente da motivação da Evilyn, que eu acredito que tenha sido as melhores possíveis, ela me fez um favor. E não foi só a mim. Foi a todas as vítimas desse monstro.

— Vamos parar de falar de Phillip — pediu Sean estando incomodado com o assunto — tantas coisas interessantes para se falar.

— Verdade, tio — concordou Wendy.

— E você? Quando vai voltar para Nova Iorque? — perguntou Elizabeth a Sean.

— Acredito que nos próximos dias — respondeu ele.

— Nãoooo — lamentou Emily — estou tão mal acostumada com você aqui.

— Infelizmente meu descanso acabou, tenho que voltar a realidade. Minhas economias estão acabando e tenho que voltar a trabalhar — respondeu ele — mas venho visitar sempre que puder.

Eles continuaram conversando normalmente, mas Evilyn permanecia distante. Ter Elizabeth tão perto dela a deixava nervosa. Mas a matriarca da família Prentiss não disse nada, talvez para não entrar em atrito com Emily que estava muito carinhosa com Evilyn.

***

Passado o café da manhã, Hotch foi para seu escritório terminar alguns relatórios do caso Phillip e saber como andava o restante da investigação. Até que Wendy e Reid entraram após a garota dar uma batida leve na porta e escutar o pai dizer “entre”. Hotch que lia alguns papéis, levantou a cabeça assim que ouviu as batidas e ficou olhando ambos entrarem.

— O que querem? — perguntou Hotch fechando a pasta que estava sobre sua mesa.

— Pai, temos uma coisa importante para falar com o senhor — falou Wendy bastante nervosa.

— Pode falar — ele falou apontando para as cadeiras na frente da sua mesa para que os dois sentassem.

Wendy e Reid se entreolharam antes de sentarem.

— Pai... o Spencer e eu decidimos morar juntos — Wendy foi logo falando sem enrolar.

Hotch ficou parado olhando para os dois de boca aperta.

***

Emily levou sua mãe para o jardim para que pudesse conversar com ela sem ser interrompida. As duas ficaram em pé no meio da grama, praticamente discutindo.

— Eu não sei o que essa garota te disse — disse Elizabeth — mas ela não é flor que cheire...

— Ela não me disse nada, eu que sinto...

— Essa menina é uma golpista — retrucou Elizabeth — deve ter sido mandada pelo imbecil do pai dela para arrancar nosso dinheiro e a nossa paz.

— Não inventa — falou Emily engrossando um pouco a voz — eu sei muito bem o que a senhora fez — Emily levou as mãos as cabeças — como eu não percebi o que senhora fez, como eu pude ser tão ingênua.

— Tudo que fiz foi para te salvar — falou Elizabeth já ficando na defensiva.

— Me salvar? — indagou Emily — você quis salvar sua carreira política que é a única coisa que sempre importou para você.

— Não fale assim, eu sempre me importei com você, com meus netos e também com seu marido — retrucou Elizabeth — filha, você era jovem demais. Não tinha como criar um filho, ainda mais daquele marginal.

— E a solução foi abandonar um bebê à própria sorte? — perguntou Emily.

— Eu deixei com pessoas de minha confiança. Eu paguei as melhores escolas, dei cartas de recomendação, fiz tudo que para que nada faltasse a ela... talvez, eu não devesse ter feito isso, pois foi através disso que ela encontrou a gente.

— Como sempre acha que o dinheiro resolve tudo.

— Não, mas fiz o que era melhor para todo mundo e por isso não me arrependo.

— Para todo mundo? Eu queria muito ter tido aquele bebê, ter criado ela.

— Ela filha de um vagabundo, não posso deixar que esse tipo de gente faça parte da nossa família.

— Pois eu não faço mais parte da sua família — falou Emily decidida e se sentindo traída ao tempo que as lágrimas corriam pelo seu rosto — pois eu escolho ficar do lado da minha filha. Vou fazer por ela tudo que ela podia ter tido durante todos esses anos.

— Emily, eu te proíbo e fazer isso.

— A senhora não me proíbe mais de nada. A senhora me separou da minha filha e isso eu não perdoo.

Emily saiu e foi para o seu quarto, deixando Elizabeth furiosa.

***

Reid e Wendy ficaram olhando para Hotch esperando uma resposta, enquanto ele continuava de boca aberta. Hotch começou a respirar com dificuldade, o que preocupou ambos.

— Pai? — falou Wendy indo para o lado dele.

— Que história é essa? — indagou Hotch finalmente conseguindo dizer algo — eu não permito.

Wendy respirou fundo, ela imaginou a resistência do pai.

— Eu não estou pedindo — falou Wendy firme — eu estou te informando.

— Vocês são muito jovens para isso — disse Hotch — é muita burrada fazerem isso.

— Burrada? Pai?

Hotch respirou um pouco, acalmando-se.

— Deixe-me conversar a sós com Reid — ele falou olhando para a filha que estava do seu lado.

— Não — a garota foi enfática — a gente já decidiu.

— Wendy — falou Reid pela primeira vez — pode ir, eu falo com ele.

— Eu não vou deixar vocês conversando a sós decidindo qual será meu futuro. É minha vida.

— Wendy, eu só quero te proteger — falou Hotch.

— Essa sua maneira de me proteger está ficando ridícula. Eu não sou mais uma criança.

— Confia em mim, Wendy — pediu Reid — deixe-nos a sós.

Diante do pedido, a garota saiu em direção a porta, mas resmungando bastante.

“Isso não é justo, é minha vida. Eles não tem o direito de me excluir dessa forma”.

Assim que ela saiu, Hotch virou-se para Reid.

— Está vendo esse comportamento — falou Hotch — tem certeza que está pronto para conviver com uma menina imatura dessa forma?

— Hotch, eu te respeito muito... — disse Reid um pouco incrédulo com a fala de Hotch — e te considero um dos maiores analistas de perfis que conheci, mas você péssimo quando se trata da sua filha.

Hotch franziu a testa olhando para Reid.

— Wendy é uma ótima companheira. Mesmo com todos os problemas que ela passa, ela ainda arruma tempo e jeito para lidar com meus problemas. Sabe escutar, é compreensiva. Às vezes ela meio louca — Reid falou rindo — mas eu adoro isso nela também. Ela me faz feliz como nunca fui e sei que também a faço. A gente completa um ao outro.

Hotch ficava olhando sério para Reid enquanto o rapaz falava. E riu quando ele terminou de falar.

— Tudo bem, Reid — ele falou — você passou no meu teste, tem minha aprovação.

— Teste? — indagou o rapaz.

— Sim, teste — ele respondeu em seguida curvou o corpo olhando para porta — e Wendy pode sair de trás da porta e entrar.

A garota abriu a porta rapidamente.

— O senhor não é analista de perfis, está mais para vidente.

Todavia Wendy foi em direção ao pai dando-lhe um beijo no seu rosto.

— Obrigada, pai — falou Wendy e em seguida voltou a se sentar do lado de Reid.

— Só não entendi por que me mandou sair — retrucou Wendy.

— Reid, não teria coragem de falar isso na sua frente.

O rapaz ficou rubro e baixou a cabeça.

— Só cuidem bem um do outro — pediu Hotch.

— Nós faremos isso — disse Reid segurando a mão da garota.

— Agora vão que eu preciso voltar a trabalhar — falou Hotch.

Wendy e Reid deram um abraço no Hotch e em seguida saíram.

***

Emily adentrava a casa bastante nervosa quando deu de cara com Evilyn que estava de saída.

— Eu já estou indo Senhora Hotchner — disse Evilyn — muito obrigada pela hospitalidade. E logo eu vou devolver as roupas de Wendy.

— Você não precisa ir embora agora — falou Emily — pode ficar o tempo que precisar.

— Eu já acho que já dei trabalho demais — retrucou a garota desviando o olhar.

— Olha para mim — pediu Emily segurando o queixo da garota — você não vai embora, eu não vou deixar.

— Eu... eu — Evilyn olhava para Emily e percebia aquele olhar de cheio de amor e arrependimento — você sabe quem eu sou? — perguntou a garota emocionada.

— Sei e não vou te deixar ir embora nunca mais.

Notas finais
Então, o que acharam? Mais cedo que pensam estarei postando o próximo capítulo. Lembrando que a fic encerra no capítulo 51, porém terá uma continuação. Conto com vocês, beijo!