Dungeoneer - Interativa
30 Vinte e um dias para o fim... não no mundo real pra deixar claro.
Notas iniciais
Os heróis caminhavam apressados rumo à Vila da Areia. Junpei e Hyugi haviam se ferido na última batalha mas já estavam bem, apenas o Sony se encontrava em um estado mais grave, sem uma das pernas e com um grande sangramento. E por falar no Sony, ele estava em sua forma hollow, porém dessa vez ela não estava querendo comer seus amigos (a Loren não conta), apesar de estar um tanto mal humorado se compararmos com a sua forma humana.
Enfim, eles chegaram aos portões da aldeia. Eles se preparavam para passar, quando dois guardas com elmos e lanças impediram à passagem.
– Ei, estrangeiros não são permitidos – disse um dos guardas, enquanto apontava a lança na direção dos aventureiros.
Braquistócrona carinhosamente quebrou a lança do soldado.
– Olha aqui, eu estou com pressa e sem paciência, avise à senhora Chyio que a Braquistócrona quer vê-la. Ah, e consiga um curandeiro com urgência, antes que você precise de um.
O guarda ficou totalmente amedrontado, então ele correu para dentro da cidade. Os heróis finalmente entraram na vila, que era feita de casas redondas aparentemente feitas de terra, e pessoas andando pelas ruas de terra, vestindo roupas cor de terra e carregando jarros de barro cheios de...terra.
– Eu acho que aquele guarda não vai chamar a sua amiga – comentou Beatrice.
– Ainda lembro onde ela mora, só espero que não tenha se mudado – informou Braqui.
Todos andaram mais um pouco, até chegar a uma casa com a mesma arquitetura das outras, porém muito maior. Eles foram novamente interceptados por um guarda, mas antes que a ruiva usasse novamente o seu poder de persuasão, uma velhinha apareceu diante deles.
– Bráqui, é você? – perguntou a idosa, olhando para nossa ferreira.
– Sou eu mesma, senhora Chyio, há quanto tempo!
As duas se abraçaram rapidamente, e logo a ruiva foi falar mais seriamente.
– Antes de tudo, um dos meus amigos está seriamente ferido, vocês têm algum bom curandeiro?
Chyio olhou para o Junpei e fez uma careta.
– Nossa rapaz, você está realmente muito mal, o que fizeram com a sua cara?
– Tá esclerosada mulher, não tem nada de errado com a minha cara!
– Então você já nasceu assim? Nossa, coitado...
– Desculpe interromper, mas é ele quem precisa de ajuda – Hyugi apontou para o Sony, que se mantinha em pé com ajuda da Loren.
– Vixe, você também está horrível, mas pelo menos tem a sorte de estar sendo carregado por uma garota tão bonita, é impressão minha ou estou vendo uma mão boba aí?
– Eu estou sem uma perna, dá pra ajudar ou tá difícil? – brigou Sony.
– Venham comigo, sei quem pode ajudá-lo.
Eles andaram pela casa, que não era bem uma casa, estava mais para um palácio. Enfim, ela abriu uma porta que dava pra uma espécie de enfermaria.
– Sakura, venha aqui!
– Sim senhora – uma menina de cabelos rosa e uma testa realmente muito grande veio ao chamado da senhora.
– Esse rapaz está sem uma perna e com uma cara horrível, veja se consegue fazer alguma coisa por ele.
– Isso é moleza, vocês têm a perna dele?
– Está aqui – Braquistócrona tirou a perna dele de dentro da bolsa e entregou à garota.
– Ótimo. Eu posso curá-lo, mas vai demorar um pouco.
– Obrigada querida! – disse a senhora, sorrindo para Sakura – vamos deixá-la fazer o seu trabalho. Enquanto isso podemos ir à praça, teremos um enforcamento hoje, vai ser muito divertido.
– Que horror! – comentou Beah.
– É nessas horas que eu acho que deveria ter ficado em Etérnia – completou Hyugi.
– Já vimos coisas piores aqui nesse mundo. Não é o meu programa preferido, mas em Roma, faça como os romanos – falou Loren.
Enfim todos foram até a praça, que não ficava longe dali. Ao chegar, viram uma aglomeração e finalmente, um homem alto e magro com o rosto coberto por um capuz preto e uma corda no pescoço.
– Esse estranho tentou invadir nossa aldeia por um portal demoníaco, depois fez gestos obscenos para nossas jovens puras, então foi capturado e será executado – anunciou um arauto.
– Eu sou inocente, me mandaram pra cá por um senta a mon, e eu só elogiei as garotas ora – disse o prisioneiro, choramingando.
Um carrasco tirou o capuz que cobria o rosto do prisioneiro e todos viram que era... vocês estão certos, era o Kon.
– Kon! – gritou Beatrice.
– Temos que salvá-lo! Me dá um impulso Junpei! – pediu Hyugi, um tanto esbaforido.
Junpei entendeu o recado, então segurou seu companheiro menor e mais leve e o arremessou na direção do outro amigo que estava em uma situação desesperadora. Hyugi aterrissou no patíbulo e usou sua espada para cortar as cordas que prendiam o Kon.
– Corre Kon!
Tanto o Kon quanto o Hyugi começaram a correr, enquanto o arauto gritava “Motim” e vários soldados vieram tentar detê-los. Imediatamente, os demais heróis entraram na briga, e assim, o caos se tomou conta da praça.
– Todos quietos! – gritou a Chiyo.
Todos ficaram em silêncio e imóveis, então a senhora voltou a falar.
– Sabemos que esse garoto foi acusado de um crime, mas pelo que estou vendo, a minha velha amiga Braquistócrona o conhece. Vamos levá-lo ao conselho dos Anciãos e decidiremos o que fazer com ele. Venha garoto, venha turminha da pesada também.
A velha, os heróis e também alguns guardas, muitos deles machucados pela briga, partiram em rumo do tal conselho, que aliás ficava no mesmo palácio que a enfermaria.
– Beah que saudade! – Kon se aproximou da garota – lembra daquele nosso trato?
– Trato? Que trato? – ela fingiu que não lembrava.
– Que se eu sobrevivesse você ia me mostrar os seios. Sem censura.
– Não me lembro disso não...
– Mas eu lembro – Loren se meteu na conversa – prometeu tem que cumprir.
– Ela ta certa, Kon sortudo da porra – reforçou Junpei.
– Sortudo? Você não faz ideia do que eu passei naquele treinamento maluco com aquele Urahara, apanhei de um molequinho com taco de baseball, enfrentei um mais pequeno, entrei numa casa mal assombrada e apanhei que nem boi ladrão de um gato de pelos brilhantes que chegou a me matar. Ele me matou, ta entendendo? O mínimo que eu mereço é ver um par de peitinhos.
– Por falar nisso, onde está o Uroro? – perguntou Beatrice, mudando de assunto.
– Bem, ele...morreu.
– Como assim? – estranhou Junpei.
– O treinamento com o gato foi tão foda que eu e ele morremos. O Urahara tinha umas bolas que podem ressuscitar uma pessoa apenas, e ele me escolheu!
– Urahara e suas geringonças, ele não muda nunca – comentou Braquistócrona, dando um sorriso discreto.
– Bem, vamos fazer um minuto de silêncio pelo nosso companheiro morto – sugeriu Hyugi.
Todos concordaram, mas como eles são um bando de farofeiros, em menos de dez segundos todos voltaram a falar.
– Estamos chegando, e tenho uma coisa importante a declarar – falou Chiyo, enquanto todos ficaram calados, esperando pela revelação tão importante – se você falou que ia mostrar os peitinhos pro rapaz, então deve mostrar!
– Tá bom tá bom, eu mostro mais tarde e em um lugar reservado pra mais ninguém ver – falou Beah, com uma mistura de vergonha e conformismo.
– Vai ser o dia mais feliz da minha vida! – disse Kon, com uma lágrima descendo dos olhos.
Eles voltaram ao palácio e foram conduzidos pela velha até um sala, na qual havia uma mesa e dois homens idosos sentados ao redor dela.
– O que você faz com esses jovens Chyio? – perguntou um homem verde, com um turbante branco, capa e muitas, muitas rugas.
– Esse garoto de cabelos enferrujados surgiu de um portal dentro da nossa cidade, e algumas das nossas donzelas o denunciaram por conduta pervertida – contou a velha.
– Hein? – perguntou o outro velho, com a mão perto da orelha.
– Isso não é verdade, eu apenas perguntei se elas eram piso molhado e elas perguntaram por que, então eu respondi porque te passo o rodo – contou Kon, e logo depois levou um soco da Beatrice.
– Hein? – perguntou novamente o surdo.
– Não estou entendendo o porquê de você o defender Chyio, aposto que se ele tivesse dado essa cantada na Sakura você não estaria querendo salvar sua pele – falou o verde.
– Se ele tivesse desrespeitado a Sakura eu arrancaria suas bolas, mas não o mataria, pelo menos não até saber como ele veio parar aqui, ainda mais portando uma zampakutou – argumentou a velha.
– Eu sou inocente, um cara chamado Urahara pegou o meu dinheiro e depois me mandou pra cá por um portal pra encontrar os meus amigos e a Beah – contou Kon.
– Existe um bom motivo para não executarem esse garoto, ele é um dos heróis que vieram de outro mundo para salvar Dungeoneer, cumprindo assim a antiga profecia – contou Braquistócrona.
Tanto Chyio quanto o homem verde ficaram boquiabertos, enquanto o terceiro apenas perguntou “Hein?”.
– Você está certa disso Braqui? – perguntou Chyio.
– Tenho absoluta certeza. O sortudo os trouxe para nosso mundo há alguns meses, e nesse tempo, Zerus Rose, o antigo chefe da guarda da rainha da matéria, transformou a rainha em planta, tomou o castelo e já tentou matar os heróis várias vezes – informou a ruiva.
– Se é você quem está dizendo, eu acredito – falou a velha.
– E o que vocês estão fazendo aqui, não deveriam ir atrás desse tal Zerus e matá-lo? – contestou o homem verde.
– Esse era o meu plano desde o início – comentou Loren.
– O problema é que eles ainda não estão fortes o suficiente para enfrentar um inimigo tão poderoso. Além disso, ainda existem detalhes da profecia que não estão muito claros, e é por isso que vim procurá-la senhora Chyio, gostaria de saber se você pode nos ajudar com esse assunto.
– Primeiro, nós do conselho dos anciãos devemos votar se absolvemos o garoto estranho, eu voto contra – disse o homem verde.
– Eu também faço parte do conselho e voto a favor – disse a idosa.
– Só falta o velho surdo votar – falou Junpei.
E o velho surdo sequer percebeu que estavam falando sobre ele, então Beatrice fechou os olhos, e mesmo estando com seus poderes psíquicos praticamente esgotados pela última batalha, realizou um esforço sobre-humano e falou telepaticamente com o senhor.
– “Você é a favor da sobremesa ser pudim de ameixa?”
– Eu sou a favor! – disse o surdo, empolgado.
– Por maioria de votos, o conselho decidiu pela absolvição do réu – declarou Chyio, sorrindo bastante – e sobre o que me pediu, venham à minha biblioteca.
Os heróis começaram a segui-la, mas no primeiro passo, Beatrice desmaiou, não se estabacando no chão porque Kon a segurou.
– Não é melhor levá-la para aquela curandeira de cabelo rosa? – sugeriu Hyugi.
– Ela vai ficar bem, foi só a emoção de encontrar o Kon novamente – falou Loren.
– Desmaiou de emoção ao me encontrar? – Kon estava confuso, enquanto a segurava com uma das mãos nas costas da Beah e a outra na bunda.
Enfim, eles foram até a biblioteca, que ficava no subsolo do palácio. Chyio ficou procurando alguma coisa em uma estante repleta de livros, e parecia não encontrar.
– Querida Bráqui, por que você não tira suas dúvidas com o Sortudo, afinal, aquele macaco vagabundo não é considerado o maior profeta de Dungeoneer?
– O problema é que... – a ruiva hesitou por um instante, e enfim continuou – não temos notícias dele desde a sua luta contra Zerus Rose.
– Não se preocupe, o pior que pode ter acontecido é ele ter morrido. Bem, achei o livro que estava procurando, veremos se há alguma informação útil nele.
Ela se sentou e começou a folhear um livro muito grosso e mofado, enqunto todos ficaram em torno dela. Repentinamente, a porta se abriu e Sakura entrou por ela.
– Senhora Chyio, eu terminei de curar aquele garoto e ele está bem, precisa apenas repousar mais um pouco.
– Ele já pode receber visita íntima? – perguntou Loren.
– Segura a calcinha aí, o Sony tá num hospital e não na cadeia – disse Junpei.
– Obrigada minha flor, fique conosco, eu quero que você também ouça o que discutiremos aqui – falou a idosa para Sakura, enquanto ainda folheava o livro.
Chyio continuou procurando sabe lá o que nos livros, enquanto os outros esperavam (im)pacientemente. Beatrice acordou, percebeu que estava no colo do Kon, suspirou apaixonada e depois levantou reclamando, fingindo estar brava.
– Achei! Venham meus jovens, se minha memória ainda não me abandonou, esse é o mais completo resumo sobre a profecia do possível fim do mundo que existe. Vou ler para vocês.
No princípio, a Deusa criou Dungeoneer e todos os seres que aqui vivem. Ela mesma governava o mundo e cuidava para que nada saísse do controle, porém um dia ela se encheu de ser babá do planeta todo e foi embora. Mas como ela era infinitamente piedosa, ela criou três rainhas, cada uma sendo a expressão de um dos seus aspectos: a rainha da matéria, que representa o aspecto físico da deusa, a rainha da energia, representando seus aspectos mágicos e a rainha bestial, a expressão do seu lado mais selvagem.
Apesar de serem mortais, as rainhas fazem o papel que a deusa fazia até então, elas cuidam do equilíbrio de Dungeoneer. Isso faz a existência desse mundo ser muito frágil, pois se alguma delas morrer antes do surgimento da sua sucessora, o aspecto do mundo que ela cuida entrará em colapso e por consequência, o planeta todo será destruído. Aqui está dizendo também que a sucessão das rainhas se dá por hereditariedade, a nova rainha deverá ser filha da rainha anterior. A exceção é a rainha bestial, sua sucessora pode ser sua filha, mas também pode ser outra meio-humana-meio-outro-troço do seu reino e que a tenha vencido em um combate justo na frente de pelo menos quatorze testemunhas.
Enfim, antes da deusa partir completamente, ela deixou uma profecia sob os cuidados das primeiras rainhas. Essa profecia diz que em um futuro distante, um ser maligno vindo de outro universo irá ameaçar as rainhas e, consequentemente, nosso mundo. E ninguém em Dungeoneer, por mais poderoso que seja, será capaz de vencer este vilão, porém quatro heróis também vindos de outro universo poderão fazê-lo. Esses heróis deverão ser transportados para cá antes do dia do alinhamento, um fenômeno astronômico no qual a Galáxia Muito Distante irá se alinhar com o planeta Vegeta. Se os heróis não eliminarem o mal antes que esse fenômeno cósmico ocorra, o mundo estará perdido.
– Não seriam templos dos quatro elementos? – Beatrice quis corrigir.
– Não, são quatro alimentos, cada um deles dedicado a um dos grupos alimentares – informou Chyio.
– E o que pode acontecer de tão terrível por causa desse fenômeno? – perguntou Hyugi.
– Estou procurando, espere... – a idosa folheava o livro – olha, descobri que no início do livro tem os títulos dos capítulos e em que páginas eles estão!
– Isso é uma tecnologia avançada chamada índice – comentou Loren.
– Tecnologia, achei – Chyio continuou.
O motivo para que apenas pessoas de outro universo sejam capazes de eliminar esse vilão é que ele só pode ser vencido com o auxílio de uma tecnologia que Dungeoneerianos não conseguem utilizar. Antes de enfrentarem o vilão, os heróis deverão procurar os quatro templos, dedicados a cada um dos quatro alimentos, e assim, despertar completamente os seus poderes.
– Beleza, vamos nos tais templos, depois porramos o boiola e podemos meter o pé de volta pra casa – falou Junpei.
– Nunca achei que diria isso, mas o Junpei está certo – concordou Loren.
– Mas ninguém respondeu a minha pergunta ainda – lembrou Hyugi.
– Obrigada pelas informações Chyio – agradeceu Braquistócrona – mas eu gostaria de saber quando será o alinhamento, para saber quanto tempo ainda temos.
– Minha filha, infelizmente não tenho essa informação. Com exceção do Sortudo, acho que a única pessoa capaz de prever com exatidão quando ocorrerá esse fenômeno é o Urahara.
– Falaram de mim?
Todos olharam para a entrada da biblioteca e viram o cara do chapéu listrado, se apoiando na sua bengala.
– Urahara? – Kon deitou em posição fetal e começou a chupar o dedo.
– Ora, é você mesmo? – Chyio o olhava, como se quisesse examiná-lo – Como você envelheceu e engordou.
– E a senhora continua a mesma – o homem sorriu – Braquistócrona, continua linda como sempre! Não sabia que você conhecia o meu discípulo, esse que está no chão e chorando.
– E você continua um mentiroso, é claro que você sabia que eu mandei o Kon procurá-lo pra forjar sua zampakutou. Desde quando está aqui? – falou Braqui.
– Eu vim logo atrás do Kon, pra não ter que abrir outro portal.
– Quer dizer que você viu me prenderem e me mandarem pra forca e ficou na moita? – falou Kon, enquanto levantava.
– Isso não tem importância. Eu vim até aqui porque é o único lugar que possui o instrumento necessário para calcular quando ocorrerá o alinhamento, ou seja, quando a Galáxia muito distante irá se alinhar com o planeta Vegeta.
– Então vai logo, precisamos saber disso pra meter o pé – apressou Loren.
O shinigami camelô segurou a cabeça da Sakura, e mesmo sob os protestos da garota e também da Chyio, ele a levou até uma janela e fez com que a luz solar incidisse na testa da moça. Uma sombra enorme foi projetada na biblioteca, então Urahara rapidamente mediu o seu raio e realizou alguns cálculos mentais.
– Já sei quando ocorrerá o alinhamento.
– Poderia dizer quando será? – pediu Beatrice.
– E vocês terão que salvar o mundo antes disso...
– Tá, quando vai ser? – insistiu Hyugi.
– Um dia que poderá ser catastrófico, não quero nem pensar...
– Fala logo porra – Junpei se irritou.
– Daqui a exatos vinte e um dias.
– Só vinte e um dias? – Kon se desesperou.
– Temos pouco tempo, precisamos nos apressar! – falou Hyugi.
– É verdade. Acredito que o amigo de vocês que eu tratei já esteja melhor, então vocês poderão partir sem preocupação – informou Sakura.
Todos os presentes saíram da biblioteca e foram caminhando pelo palácio, indo em direção à enfermaria.
– Alguém sabe onde ficam esses templos que os livros diziam? – perguntou Beatrice.
– Não se preocupem, eu sei como encontrá-los – respondeu Braqui.
– Chegamos – Sakura abriu a porta da enfermaria, onde eles puderam ver Sony deitado em um leito.
– Sony! – Loren correu até ele o apertou até quase esmagá-lo.
– Hora de levantar bela adormecida, temos que encontrar uns templos sei lá de que – disse Junpei.
Sony deu um beijo na Loren e se levantou. Enfim, Chyio convidou os heróis para comer antes de partirem, e eles foram para uma espécie de refeitório.
– Vou mandar prepararem algo bem forte pra vocês, gostam de massa? – perguntou a velha.
– Prefiro momento de inércia – respondeu Beah.
O silêncio reinou, até que foi quebrado pelo Urahara, que começou a rir.
– Há há há, essa foi ótima, tenho que contar pro pessoal lá da minha banca!
Os dois ficaram rindo, enquanto os outros olhavam sem entender. A comida chegou e eles se sentaram para comer, enquanto conversavam.
– Parece que foi ontem a última batalha não é? – Urahara puxou assunto com a Braquistócrona.
– Isso foi há sessenta anos, mas não sei porque você está falando em batalha, que eu me lembre você apenas fez umas bugigangas malucas e depois sumiu – falou Braqui.
– Mas foram as minhas bugigangas malucas que a maioria dos guerreiros usou para vencer a guerra não é verdade? – completou Urahara.
– Isso não importa agora. A maior batalha de todas começará em breve e esses garotos que irão travá-la. Coitados, provavelmente não sobreviverão... –disse Chyio.
– Não sobreviveremos? – estranhou Beah.
– Faz parte do trabalho de um herói correr riscos – comentou Hyugi.
Enfim, eles terminaram a refeição.
– Obrigada por tudo. Agora precisamos ir aos templos com urgência – falou Braquistócrona.
– Eu os acompanho até a saída da cidade.
Chyio foi andando com o grupo de amigos, agora completo, bem como o Urahara e a Sakura em rumo à saída. Pouco antes de deixarem a vila, todos puderam ver várias pessoas tentando linchar um rapaz.
– As coisas estão animadas por aqui hoje – comentou Urahara, sorrindo.
– Quando vemos uma aglomeração só tem uma coisa sábia a se fazer: ficar em volta e ver o que é – falou Loren.
Todos se aproximaram e viram um cara com as roupas rasgadas lutando bravamente contra várias pessoas que o atacavam. Ele usava uma corrente que parecia mover-se sozinha.
– Kenta? – estranhou Beatrice.
– Conhece esse sujeito? – perguntou Loren.
– Ele me ajudou quando eu estava na floresta.
– Parem, o que está acontecendo aqui? – perguntou Chyio.
– Esse idiota olhou pra mim e falou exatamente como eu sou sem roupa, ele andou me espionando! – falou chorando uma das moças da cidade.
– Desculpe, eu não posso controlar, eu tenho os olhos do pervertido. Eu vim trazer um pedido de socorro do povo de An-Hava – contou Kenta, todo estrupiado.
– Vai todo mundo caçar o que fazer, tenho que ouvir o que esse garoto tem a dizer – ordenou a velha.
– Velha chata, não deixa a gente enforcar nem linchar ninguém, tomara que morra logo – as pessoas resmungavam enquanto se dispersavam.
– Hum, tantas mulheres bonitas que consigo ver nuas... a Beatrice eu já vi mas não me canso de olhar, essa ruiva linda é espetacular, a testuda dá pro gasto, essa velha arggg, meus olhos doem pensava Kenta.
– Desembucha logo, que história é essa do povo de An-Hava estar em perigo? – insistiu Chyio.
– Eu estava procurando a Floresta das Amazonas e fui parar em An-Hava, quando a cidade foi tomada por hollows muito poderosos. O líder deles me meteu a porrada e me mandou vir aqui, ele falou que se os heróis do outro mundo não fossem até lá ele ia comer o povo inteiro, principalmente mulheres e crianças.
– Infelizmente não podemos ajudar, temos pouco tempo até o alinhamento – Braquistócrona cortou a conversa.
– Mas Bráqui, sei que temos essa missão, mas nem eu sou tão dura a ponto de ignorar um pedido como esse – argumentou Loren.
– Eu vou até lá – disse Hyugi, tranquilamente.
– Mas você também é um dos heróis da profecia – comentou Sakura.
– Isso não é verdade. Eu sou apenas um terráqueo que sem explicação foi parar em Etérnia e aproveitou pra pegar uma carona com os heróis da profecia e tentar voltar pra casa. Mas agora chegou a minha vez de ser um herói, vou até esse lugar e livrar a população de ser devorada, assim vocês terão tempo para irem aos templos dos quatro alimentos e acabar com esse tal Zerus que todo mundo tanto fala – discursou Hyugi.
– É uma decisão nobre e muito sensata, mas tenha em mente que não conseguirá vencer tantos inimigos poderosos sozinho – falou Braquistócrona.
– Os melhores guerreiros no combate aos hollows são os shinigamis. Urahara, você poderia...
Todos olharam em volta e perceberam que o homem do chapéu não estava mais ali.
– Caraca, o cara fez igual ao mestre dos magos – comentou Junpei.
– Eu vou com ele – falou Sony.
– Nem pensar, você fica comigo – ordenou Loren.
– Eu tenho certeza que esse líder que ele falou é o rei dos hollows, que vê os humanos apenas como comida. Mesmo que ele vença o Hyugi pensando que é um herói da profecia, irá devorar os humanos de An-Hava e não irá parar por aí. Sem nenhum shinigami para combatê-lo, o único que poderá fazer isso serei eu – explicou o garoto.
– Você já foi mais humilde – comentou Kon.
– Eu também vou voltar, ouvi dizer que o mapa verdadeiro pra Floresta das Amazonas está nessa cidade – falou Kenta, olhando fixamente para a Loren com uma cara de estranhamento.
– Se você, ilustre estranho, também for um bom guerreiro, vocês três terão boas chances – disse Braquistócrona.
– Fique tranquila, eu já o vi em ação e ele luta muito bem – contou Beah.
– Humph, aposto que eu luto muito melhor do que ele – resmungou Kon, enciumado.
– Tá bom então, já que tem que ir vai logo, tô nem aí pra tu – disse Loren para o namorado, com rispidez.
Sony se aproximou da loira e segurou suas mãos.
– Não se preocupe, eu vou ficar bem. Quando eu voltar vou querer aquilo que você me falou quando eu estava quase morrendo no deserto tá?
– Vou pagar com juros.
Os dois então se beijaram.
– Vamos Sony, temos que ser rápidos – apressou Hyugi.
– É sério que só macho vem comigo? – reclamou Kenta.
– Veja pelo lado bom, depois de vencer os hollows você vai pra Floresta das Amazonas – Beah tentou animá-lo.
– Vambora então.
O trio partiu, sendo guiados pelo Kenta, que era o único que sabia onde a tal cidade ficava.
– Deixa eu ver se eu entendi, aquele sujeito só olha pra uma mulé e vê ela sem roupa? – perguntou Junpei.
– Eu ficaria com inveja dos tais olhos do pervertido daquele cara, mas hoje a noite eu vou ter a melhor visão da minha vida não é Beah? – falou Kon, fazendo a garota ficar muda e com o rosto corado.
– Temos que deixar os heróis partirem, vamos pra casa Sakura – Chyio se dirigiu à garota da testa descomunal.
– Obrigada por tudo dona velha – agradeceu Junpei.
– Que a senhora e a sua neta fiquem bem – falou Beatrice.
– A Sakura? Ela não é minha neta – disse Chyio.
– Não? – os terráqueos estranharam.
– Ela é a minha novinha. Vamos Sakura – a mulher deu um tapa na bunda da garota – é hoje que a giripoca vai piar!
– Ai senhora Chyio, na frente dos outros não – a garota estava envergonhada.
A senhora e sua novinha foram em direção ao palácio, e os heróis olhavam sem reação.
– Me dêem licença, vou ali vomitar e já volto – disse Loren.
Finalmente, eles deixaram a vila. Quando voltaram ao deserto, Braquistócrona olhou para direção para a qual Hyugi, Sony e Kenta partiram e ficou pensativa.
“Sony, você está conseguindo transitar entre a forma humana e hollow conscientemente, mas ainda não controla seu lado monstruoso totalmente, por favor, não faça nenhuma besteira. E Hyugi, você ainda aprenderá que não existem coincidências, se você foi para Etérnia e pegou carona para Dungeoneer tentando voltar para casa, certamente existe algum motivo para isso.”
*****
Zerus estava desfilando pelo castelo, quando uma pétala de dentre de leão veio flutuando até ele. O vilão então a aspirou e deu um sorriso.
– Então faltam apenas vinte e um dias para o alinhamento. Obrigado Urahara, suas trapalhadas sempre acabaram me favorecendo. E então quer dizer que os malditos alienígenas irão se dirigir aos quatro templos, preciso fazer alguns contatos urgente. De toda forma, o rei dos hollows está cumprindo bem sua missão. Há há há, como eu adoro ser uma bicha má.
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