Dungeoneer - Interativa
32 Comida é mais lucrativo do que ornitorrincos
Notas iniciais
Após uma boa noite de sono e mais algumas horas de caminhada, Beatrice, Braquistócrona, Junpei, Kon e Loren chegaram a um grande lago.
– Bem, pelo que eu me lembre o caminho pro Templo dos Alimentos Gigantes era nessa direção – Braqui coçava a cabeça, parecendo confusa.
– O quê? Quer dizer que você não tinha certeza do caminho? – Junpei se desesperou.
– Eu já li sobre os quatro templos em um atlas, mas nunca fui neles pessoalmente. E é melhor ficar satisfeito, se dependesse de você nós teríamos morrido no deserto – brigou a ruiva.
– É isso mesmo Junpei, devemos ser gratos à senhorita Bráqui, ela está nos ajudando muito – completou Beah.
– É isso mesmo, obrigado Braqui – agradeceu Kon, abraçando encoxativamente a Beatrice.
– Ei, a Bráqui é ela – Beah afastou o Kon com uma cotovelada.
– O caminho está certo, o templo fica em uma ilha no meio desse grande lago – informou Loren, com bastante seriedade.
– Como você sabe disso? – estranhou Beatrice.
– Não me pergunte como, mas eu tenho total certeza de que no meio desse lago tem uma ilha cheia frutas, vegetais e animais comestíveis gigantes e deliciosos, mal posso esperar – a loira lambeu os lábios.
– Talvez ela esteja certa – falou Braquistócrona – mas ainda precisamos de algum animal aquático pra nos levar até lá, será que tem algum golfinho ou hipopótamo por aqui?
– No nosso mundo existe uma coisa chamado barco. Podemos construir uma jangada com troncos e galhos de árvore, o que acham? – sugeriu Beah.
– Pode dar certo. Ao trabalho!
Junpei se empolgou e foi logo derrubar uma árvore com seu martelo. Os demais também foram ajudar, e assim cortaram, quebraram, amarraram e em menos de uma hora tinham uma balsa de segurança duvidosa.
– Prontinho, está perfeita! – comemorou Loren.
– Não querendo ser estraga prazer, mas como essa coisa vai se locomover na água? – indagou Braquistócrona.
– É fácil, é só ligar o moto... – Kon desistiu do que ia falar no meio da frase.
– Eu posso resolver isso. Entramos todos e eu conduzo a balsa com telecinese – Beah se ofereceu.
– Você é linda e inteligente, por isso que eu te amo – disse Kon, fazendo Beatrice ficar vermelha.
– Viu Beah, ele te ama, fala que você o ama também! – provocou Loren.
– Eu não amo esse idiota tarado, e sei bem o que ele ama em mim – retrucou a garota.
“– Oh Kon, sabia que você me amava, eu também te amo, quando voltarmos pra casa vou casar e ter três filhos com você, meu amor” – pensava Beah.
– Ei, pára de sonhar e vem logo pra balsa! – chamou Junpei.
Foi assim que a Beatrice percebeu que ficou delirando por mais tempo do que imaginou, então voltou ao mundo real e subiu na balsa que, incrivelmente, flutuou. Beah foi movendo o veículo com seu poder de telecinese, embora ninguém soubesse ao certo qual direção deveriam seguir. Finalmente, após algum tempo navegando, eles avistaram uma ilha.
– Terra a vista! – comemorou Kon.
– Estou vendo umas árvores com frutas gigantes, não é que a Loren tava certa? – comentou Junpei.
– Não vamos perder tempo, continue nos guiando por favor, Beatrice – disse Braquistócrona.
Beatrice continuou movendo a balsa até fazê-la parar na areia. Todos desceram, empolgados.
– Nós poderíamos ter feitos remos não é verdade? – comentou Loren.
– Agora já foi, vamos nessa – chamou Bráqui.
– Só falta encontrar esse templo – disse Kon.
– Tá, mas não antes de fazer uma boquinha, olha o tamanho dessas bananas – Junpei apontou para uma enorme bananeira, repleta de bananas com dois metros cada uma.
Kon e Junpei correram para pegar as frutas, e quando a Loren também se preparava para ir junto, Beatrice a segurou pelo braço.
– O que foi Beah, você sabe como eu fico de mau humor quando não me deixam comer.
– Chegamos exatamente ao lugar que você falou, nem com a minha super intuição dá pra prever esse tipo de coisa, vai me dizer o que está acontecendo ou não?
– Arff, é isso? – Loren suspirou, então continuou – eu não faço ideia de como eu sabia e acredite, estou muito mais assustada do que você. Mas em vez de ficar aqui tentando entender, é muito melhor comer, procurar o templo e ver o que tem de especial nele, comer mais um pouco e procurar o próximo antes que o dia do alinhamento chegue, seja lá o que for isso.
– Você está certa – Beah deu um sorriso.
Loren correu para comer bananas gigantes junto com os garotos, deixando as outras mulheres pra trás.
– Eu ia dizer pra eles comerem depois, mas não vou me atrever a interrompê-los agora – comentou Bráqui.
– Muito sábia essa decisão – Beah concordou.
Após acabarem com as bananas, os heróis começaram a vasculhar a ilha, procurando alguma pista que pudesse levar ao Templo dos Alimentos Gigantes. Eles chegaram a uma mata fechada, mas felizmente havia uma trilha pela qual era possível adentrar nela.
– Essa trilha certamente foi aberta por um ser inteligente, provavelmente ela nos leve até o templo – supôs Braquistócrona.
– Ser inteligente? Quer dizer que se fosse o Kon não ia conseguir fazer esse caminho – zombou Junpei.
– Qualé Junpei, saiba que agora eu sou um shinigami e posso te meter a porrada – falou Junpei.
– Que foi? Cai pra dentro, nem preciso de martelo pra te descer o cacete – Junpei fechou os punhos.
– Parem com isso, vamos entrar logo nessa trilha escura e assustadora – chamou Beah.
Todos concordaram e foram seguindo o caminho. Passaram por árvores com frutas gigantes, pés de legumes gigantes e foram atacados por um caranguejo gigante. Eles o venceram facilmente, e a Loren o torrou com um raio da sua espada, e eles o comeram logo depois.
Enfim, já no fim da tarde, eles chegaram a uma grande construção feita de... carne. Olhando de fora, parecia uma das doze casas, porém suas paredes e escadarias eram feitas de um carne lindamente vermelha.
– Será que é aqui? – perguntou Kon.
– Veja, tem uma placa na entrada – observou Beah.
– Deixa eu ver...está escrito Bem vindo ao secreto Templo dos Alimentos Gigantes – leu Braqui.
Eles chegaram mais perto, e perceberam que havia apenas uma porta que dava acesso ao templo, e estava trancada. Kon bateu na porta, porém ninguém atendeu, e Junpei tentou derrubá-la, sem sucesso.
– Esperem, tem uma coisa esquisita nessa parede – Braquistócrona apontou para uma telinha presa à parede, bem ao lado da porta.
– Isso parece um tablet – falou Beatrice.
– Demorô, vou jogar Angry Birds – disse Junpei.
– Sacanagem, não tem True Love pra android – reclamou Kon.
– E tem alguma coisa desenhada, parece alguma língua desconhecida – Braqui olhava, sem entender.
– Está escrito Se você é o herói desse templo, arraste esse ícone. Nossa, tá na nossa língua – Loren ficou empolgada.
– Deixa eu tentar!
Junpei tocou na tela, que realmente era touch scream, e arrastou um ícone que tinha o desenho de um martelo. Assim, apareceu escrito na tela “Bem vindo, herói do outro mundo”, e assim a porta se abriu.
– Que coisa diferente, eu nunca teria pensado nisso – comentou Braquistócrona.
– Ainda não consegui jogar Angry Birds, mas vamos entrar logo!
Junpei entrou, e a porta se fechou logo atrás dele.
– Eita, a porta fechou com ele lá dentro – Kon se assustou.
– Deixa eu tentar abrir de novo.
Beah tentou arrastar o ícone, porém ele havia desaparecido. Kon também tentou, sem sucesso.
– Pelo que parece apenas um dos heróis da profecia pode entrar em cada templo – concluiu Braqui.
– Você está certa. Vamos esperar que esse cabeça dura do Junpei consiga encontrar seja lá o que tiver lá dentro – falou Loren.
Não restou mais nada que eles pudessem fazer, a não ser sentar e esperar.
*****
Junpei se viu dentro do templo, com a porta fechada atrás dele.
– Ei, todo mundo, cadê vocês? – o carateca batia insistentemente na porta, sem ser ouvido – Kon, Loren, Beatrice, Dona pega banana do macaco, respondam!
Depois de ficar com a garganta arranhando de tanto gritar, nosso amigo grandalhão desistiu e resolveu procurar outra saída. Andou pelos corredores de carne, se perdeu entre as colunas de carne, até que ouviu um estanho agradecimento.
– Obrigado pela comida!
Junpei avistou um homem tão grande e forte quanto ele, de cabelos azuis e vestindo um macacão laranja.
– De nada, mas eu não te dei nenhuma comida.
– Não é isso estúpido, esse é como nos cumprimentamos na minha profissão.
– Beleza, você deve ter um emprego interessantíssimo sobre o qual não quero ouvir, mas sabe me dizer se existe algum poder oculto ou coisa parecida nesse templo de carne? É que eu sou um herói e tenho pressa em resolver uns assuntos, sacomé.
– Hum, então você é o herói do templo dos alimentos gigantes, quanta honra! Meu nome é Tô Riko, e o seu?
– Junpei.
– Prazer. Agora prepare-se para morrer!
– Morrer? Pensei que você ia me ajudar.
– Você irá pagar pelo que fez ao meu irmão.
– Pára, pára tudo, quem é o seu irmão e o que eu fiz a ele?
– Vou refrescar sua memória, meu irmão era o Tô Duro.
– Tô Duro, peraí... por acaso não era seria aquele dragão com a cabeça do tamanho de um bonde?
– Claro que não, veja uma pintura dele.
Tô Riko chegou mais perto do Junpei e tirou uma pintura do Tô Duro do bolso, mostrando ao seu adversário.
– Ah, lembrei desse cara, não é nada pessoal, mas é que ele tentou matar a mim e aos meus amigos, melhor ele do que eu não acha? – argumentou o terráqueo.
– Cala a boca. Ele aceitou o serviço de eliminá-los porque estava em um estado deplorável de pobreza e precisava do dinheiro da recompensa, se ao menos ele tivesse aceitado trabalhar no meu negócio enquanto era tempo...
– Lamento mas tô indo, foi bom te conhecer.
Junpei deixou Tô Riko falando sozinho e continuou buscando sabe-se lá o que no templo, quando foi atacado pelas costas com um poderoso soco, que o acertou e o fez cair no chão.
– Não estou brincando, realmente vou te matar! – o homem ameaçou com um olhar de ódio.
– Há, quer me matar? Então vem que tem!
O herói se levantou e rapidamente pegou seu enorme martelo, se preparando para o combate. Ele ergueu sua arma e atacou o inimigo várias vezes, enquanto Tô Riko apenas se esquivava.
– E aí, não acha melhor desistir? – Junpei zombava.
– Nem morto.
Assim, Junpei continuou dando suas marteladas, até que o inimigo parou o golpe com suas mãos espalmadas. O impacto entre o martelo e as mãos do Tô Riko foi tão grande que emitiu um intenso barulho.
– É amigo, acho que suas mãos já eram. – comentou Junpei.
Tô Riko deu um sorriso, então ele puxou o martelo, o arrancando das mãos do Junpei. Em seguida, ele quebrou o cabo e jogou os pedaços em um canto do templo.
– Comequeé? Você parou minha super mega power martelada só com as mãos? – o carateca gritava, não acreditando no que havia acabado de acontecer.
– Até que o seu golpe foi bom, mas nem se compara à mordida de um Tubarão de Sogóvia que, aliás, é o peixe mais deliciosamente gostoso que eu já cacei. Mas agora é minha vez de atacar.
O gourmet deu uma pequena corrida e em seguida, uma voadora. Junpei saiu da frente, fazendo o inimigo passar direto.
– Olé! – vibrou Junpei.
Tô Riko se estabeleceu no chão, rangeu os dentes e voltou a atacar, dessa vez com uma sequencia de poderosos socos, dos quais Junpei conseguiu se esquivar de todos.
– Você é lento até pro seu tamanho, acha mesmo que pode me derrotar?
– Olha só quem fala, não consegue nem me atacar sem aquele martelinho ridículo.
Agora foi o Junpei quem ficou putinho, então se aproximou do inimigo, abaixou e deu uma rasteira, acertando a canela dele. Porém, para sua surpresa, Tô Riko nem saiu do lugar, parecendo não ter sentido a mínima dor.
– Surpreso? Desde que eu entrei no pântano flamejante para caçar um caranguejo dourado, minhas canelas ficaram duras como aço.
– Ahrg, como você é chato, mas ainda tenho uma arma secreta CUCUI!
Junpei deu uma cabeçada no peito do adversário ao melhor estilo Zidane, o deixando com falta de ar. Em seguida, ele deu um chute giratório que o arremessou contra uma parede.
– É, acho que você já era.
Quando o herói começou a andar para buscar algo que nem ele sabia o que era, o grandalhão de cabelos azuis se levantou.
– Nossa, essa doeu! Se você fosse comida, seu nível de captura seria pelo menos quinze, não é a toa que a rainha havia oferecido uma recompensa tão generosa pela sua captura.
–Rainha? Se liga, foi o Zerus bichona que transformou a rainha numa samambaia e colocou nossa cabeça a prêmio porque eu e meus amigos somos os únicos que podemos vencê-lo.
– Mesmo que isso seja verdade, não muda o fato de que você matou o meu irmão, agora deve morrer!
– Tecnicamente, quem matou seu irmão está lá fora, mas dane-se, se quer minha carne vai ter que pegar na marra.
Assim, a luta prosseguiu muito equilibrada. Junpei conseguia acertar mais golpes, mas por outro lado, as pancadas do Tô Riko eram mais pesadas. Após um bom tempo de luta, os dois estavam cansados e bastante machucados.
– Olha cara – Junpei puxava ar desesperadamente – eu não tenho nada contra você, e estou tentando salvar o seu mundo pra voltar pro meu, por que não paramos com isso agora?
– Me disseram que você era o mais combativo de todos, mas acho que fui enganado – Tô Riko cambaleava, com algumas fraturas pelo corpo – parece que você está com medo deu te matar.
– Medo é? Toma essa!
Junpei deu um soco na direção do rosto do adversário, então o Tô Riko segurou seu braço, ergueu o corpo do nosso aventureiro no ar e o atirou contra o chão, como se fosse um Tele Catch real. O herói ficou no chão se contorcendo, ainda consciente, porém sem conseguir levantar.
– Olha rapaz, você é um lutador esplêndido – Tô Riko sentou no chão, exausto – se tivéssemos nos conhecido em outra ocasião, poderíamos ter sido amigos, talvez até sócios, quem sabe nós até completaríamos o menu perfeito juntos...
– Sabe que não sei do que você está falando – Junpei falava com dificuldade.
– Nossa, parece que você é realmente de outro mundo. Eu sou um caçador gourmet, busco comidas raras, caras e extremamente deliciosas, e foi assim que eu abandonei meu antigo nome e passei a ser chamado de Tô Riko, porque ganhei muito dinheiro vendendo esses pratos raros.
– E porque deixou o seu irmão duro? – perguntou Junpei, enquanto rastejava para longe dali.
– A história é longa, mas basicamente, nosso pai era um comerciante e tinha uma boa quantia em dinheiro, não eram milhões mas dava um bom pé de meia. Quando ele morreu, deixou metade das suas posses para mim e a outra metade para o meu irmão, e nós dois prometemos que multiplicaríamos aquele dinheiro. Eu investi em viagens, equipamentos e treinamento para caçar as mais raras comidas de Dungeoneer, mas ele preferiu apostar em corridas de ornitorrincos. Eu fiquei milionário, enquanto ele perdeu tudo e virou mendigo, eu até quis acolhê-lo, mas ele era orgulhoso demais e preferiu passar a vida fazendo pequenos serviços como mercenário e sendo chamado de Tô Duro.
Enquanto Tô Riko contava a triste história, Junpei pegou o seu martelo quebrado e o examinou. Verificou que o cabo estava esmigalhado, mas a parte metálica estava intacta, então o encaixou na sua cabeça, que cabia perfeitamente, se ergueu e partiu pra cima do inimigo
– Seu desgraçado, aproveitou que estava contando a minha história para...
Antes de terminar a frase, Tô Riko foi atingido pela cabeçada colossal bem no crânio, que se partiu e em seguida, morreu.
– Como já disse antes, nada pessoal, mas antes você do que eu.
O vitorioso foi se arrastando pelo templo. Finalmente, avistou um brilho dourado e o seguiu, chegando a uma espécie de altar. Ao se aproximar, seu martelo começou a brilhar também.
“Parabéns herói, poucos chegariam até aqui. Irei curar suas feridas, apenas feche os olhos e relaxe”
Uma voz feminina muito sexy, vinda do altar, disse tais palavras.
– Vá lá hein, você não vai aproveitar que eu não vou estar de olhos fechados e me atacar?
“Faça logo o que eu mandei, o caminho estelar não vai ficar aberto pra sempre.”
– Tá bom, nervosinha, eu fecho!
Ele fechou os olhos, e a luz emitida pelo martelo envolveu todo o seu corpo. Simultaneamente, um feixe de luz dourada muito intensa saiu do altar, abriu um buraco no teto do templo e subiu infinitamente.
“Agora siga para o Templo dos Alimentos Saudáveis, a luz os guiará”
Junpei abriu os olhos e percebeu que seu corpo estava totalmente curado, e logo a luz do altar se apagou. Seguindo por um corredor, ele encontrou a saída do templo, percebendo que já era noite. Ele contornou pelo lado de fora até encontrar os seus amigos.
– E aí bando de desocupados, me deixaram entrar pra me ferrar sozinho – falou o herói.
Braquistócrona, Beatrice e Kon olharam para o amigo e começaram a rir.
– Que foi, de que vocês estão rindo? – Junpei estranhava.
Loren, que estava dormindo, acordou com a risada dos outros, então olhou para o Junpei e começou a rir também.
– Caraca, tem um capacete gigante dourado na sua cabeça – contou a loira.
– Eu tive que colocar ele de volta na cabeça, vou tirar logo – o guerreiro tentou tirar o martelo da cabeça, sem sucesso – dá uma ajuda aqui!
Os amigos terráqueos tentaram tirar o capacete do Junpei até quase arrancar a sua cabeça, porém o martelo continuou grudado nela.
– Vocês não conseguirão tirar essa arma, agora ela faz parte do corpo dele – falou Bráqui.
– Quê? Explica melhor que eu não tô gostando dessa história – disse Junpei, muito nervoso.
– Armas de Cristal de Prata evoluem junto com os seus donos, e quanto maior o nível de evolução, maior a sincronização entre o guerreiro e sua arma. Eu li em antigos manuais que no nível máximo de sincronização, a arma passa a fazer parte do corpo do seu dono, é o que acabou de acontecer com você. Estou certa de que esse é um grau de evolução que apenas os heróis da profecia são capazes de alcançar, você deveria estar feliz.
– Feliz? Como eu posso ficar feliz estando capado e com esse troço na minha cabeça o tempo todo?
– Isso pode ser muito útil, e se precisarmos pregar um quadro na parede e não tivermos um martelo? Você será a nossa salvação – falou Kon.
– É verdade, e com esse brilho, nunca mais vamos precisar pagar conta de luz – completou Beatrice.
– Brilho? Que brilho? – perguntou Braqui.
– Também não estou vendo brilho nenhum – completou Loren.
– Esse brilho dourado saindo do martelo dele – Kon apontou para a cabeça do amigo.
Loren e Braquistócrona se entreolharam, sem entender sobre o que os amigos estavam falando.
– Já sei, o poder do nosso amor nos faz enxergar o brilho reluzente da cabeça dura do nosso companheiro – poetizou Kon, logo em seguida levando um cascudo do Junpei.
– Obrigada Junpei, se você não desse esse cascudo eu mesma daria – disse Beatrice.
– Bem, uma voz tesuda lá dentro falou que temos que ir pro Templo dos Alimentos Saudáveis e que essa luz nos guiará – contou Junpei.
– Então a direção que a luz está apontando deve ser o caminho que devemos seguir – concluiu Beatrice.
– De toda forma está tarde e é perigoso atravessar o lago essa hora. Vamos dormir, amanhã cedo continuamos – falou Braqui.
Todos se aconchegaram e, em pouco tempo, estavam dormindo.
*****
Em algum lugar do mundo, Zerus Rose se encontrava sentado dentro de uma luxuosa carruagem, quando olhou pela janela e deu um suspiro.
– Um facho de luz dourada subindo aos céus... quer dizer que aquele brutamontes mentecapto perdeu a luta para o outro brutamontes mentecapto.
– Mas do que o senhor está falando, não estou vendo luz nenhuma – comentou o cocheiro, que conduzia a carruagem naquele momento.
– É uma daquelas coisas que apenas as pessoas inteligentes conseguem ver. Mas não fique triste querido, poderia ser você puxando a carroça ao invés do cavalo, concorda? – ele deu uma risada – mas agora preciso voltar ao castelo o mais rápido possível.
O cocheiro não disse mais nada, apenas fez os cavalos puxarem o veículo o mais rápido possível em direção ao castelo.
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