Duelo de Emoções
6 Sorriso, irritação e sedução
Notas iniciais
— Nunca estive aqui antes — disse Rin, tomando mais um gole de seu vinho. — É agradável.
Ela olhou ao redor, prestando atenção aos detalhes do lugar. Não sabia por quê, mas a escolha do restaurante que Sesshoumaru fizera tomara-a de surpresa. Estavam em uma velha mansão totalmente restaurada, em um lugar distante do burburinho comum na noite da cidade. A luminosidade bem dosada e o fundo musical suave ofereciam aos frequentadores um ambiente refinado e aconchegante. As mesas redondas e ornamentadas com toalhas bordadas ostentavam peças de fina e delicada porcelana e estavam colocadas de forma que ficassem distantes umas das outras, proporcionando privacidade às conversas.
Assim, o efeito geral era de uma discreta elegância, semelhante à que se via no carro cor de vinho com que Sesshoumaru a fora apanhar.
Ele ergueu de leve o copo e fez uma breve saudação gestual, dizendo em seguida:
— Eu sabia que ia gostar.
Rin não sabia ao certo o que concluir de tal observação, mas também não compreendeu por que sentiu vontade de rir para ele nesse momento. Não deveria sentir-se bem ao lado daquele homem!
— Como descobriu este lugar? — quis saber. — Viu algum anúncio na estrada?
Ele sorriu.
— Não. Estive aqui há alguns meses, em um jantar de negócios para o qual me convidaram. Também estavam tentando me agradar.
— "Também"? Não entendo...
— Eu sei. A propósito, gostei de sua casa. Na verdade, é a primeira casa em que entrei aqui.
— Obrigada — Rin aceitou a mudança de rumo na conversa, mas ainda não entendia a observação que ele fizera. — Mas aquela casa não é minha. É de meus pais.
— Não vive com eles?
— Não, há muitos anos. Desde que me formei na faculdade.
— E onde mora?
— Mais próxima ao centro da cidade.
— Sim, mas onde? Vive sozinha?
A tensão que ela sentira em relação a Sesshoumaru tinha diminuído um pouco, mas agora, diante daquele interrogatório com questões pessoais, sentia-se irritada novamente. E foi com cautela que respondeu, soando fria:
— Não acho que seja de sua conta.
— Pois está enganada. Estamos aqui a negócios. "Meus" negócios, para ser mais exato, e negócios de seu pai também. Será que preciso lembrá-la de que se envolveu nesse assunto por vontade própria?
Rin não gostou da observação, mas preferiu calar-se, por fim, sorriu.
— Bem, agora que deixamos este ponto mais claro, poderia me dizer onde vive? E está atualmente dividindo sua casa com alguém?
Mesmo querendo dar-lhe um tapa, Rin manteve a calma. Estava zangada, mas não furiosa, tentava lembrar-se.
— Tenho um apartamento — revelou, em voz baixa. E em seguida deu-lhe o endereço completo, para só então acrescentar: — E moro lá sozinha.
— Não foi tão terrível assim dizer-me isso, foi? — Sesshoumaru indagou, em tom de ironia.
Ela segurava o copo com dedos firmes. E a chegada providencial do garçom impediu-a de levar adiante sua vontade de arremessar o copo com vinho e tudo no rosto daquele ser desprezível.
Calada, baixou os olhos para a sopa que estava sendo servida. Precisava controlar-se, lembrou-se ainda mais uma vez. E foi só quando soltou o copo para pegar a colher que percebeu que Sesshoumaru não perdia um só de seus movimentos.
— Que bom que decidiu não jogar o vinho em mim — disse ele. — Ainda mais porque gosto bastante deste meu terno.
— Vá para o inferno e leve seu terno com você — Rin sussurrou, levando a colher aos lábios, certa de que ele não podia tê-la ouvido. Mas estava enganada.
— É quase certo que eu irei, sim — comentou ele, com um sorriso enigmático. — E espero ter muita companhia por lá.
— Sei. E todos em seus ternos de negócios, eu suponho.
— Mas com certeza! Alguns de calças, outros de saia. Mas todos companheiros de negócios. — Ele experimentou a sopa, e observou: — Boa, não acha?
— É, sim — na realidade, a sopa era um manjar dos deuses, ela tinha de reconhecer. — Deliciosa.
Sesshoumaru a estava encarando e assentiu gravemente, como se não estivesse se referindo à sopa. E isso só fez aumentar a tensão que já era enorme dentro de Rin. O que ele estaria pensando? Conseguia ter uma ideia... A atração que sentia por ele, mesmo sem querer, parecia ser correspondida.
Rin estranhava a situação. Tudo nela era novo. Tinha se sentido atraída antes, é claro, mas nunca da forma como se sentia agora. E principalmente em relação a um homem que mal conhecia, que era perigoso!
— Então... O que vamos fazer a respeito? — ele perguntou, pegando-a desprevenida.
Olhou-o e deixou a colher pousada à borda do prato. Então engoliu e passou a língua pelos lábios.
— O que vamos fazer a respeito do quê? — tentou esclarecer.
Mais uma vez, ele sorriu e, agora, esse sorriso não pareceu perigoso a Rin, mas sedutor. E ela sentiu, de repente, que Sesshoumaru poderia, se quisesse, conquistar o mundo inteiro com um sorriso.
— Estou falando sobre os negócios de seu pai — ele explicou. — Ele está metido em uma grande encrenca, e você sabe muito bem disso. De meu ponto de vista, ele não consegue resolver um problema simples, quanto mais esse em que se meteu.
— Espere um pouco... — Rin sentia uma responsabilidade moral de defender o pai, mesmo sabendo que Sesshoumaru dissera a verdade sobre a situação dele.
— Não. Espere você! Não costumo usar de delicadeza nos negócios. Mesmo não gostando da ideia, seu pai é um péssimo homem de negócios.
Não havendo como lutar contra uma verdade patente, Rin escolheu permanecer calada desta vez.
— Muito bem... — Sesshoumaru entendeu aquele silêncio como a aceitação dos fatos. — Portanto, repito minha pergunta: o que vamos fazer com essa confusão que ele criou?
— Minha mãe...
— Espere, espere! Vamos ser práticos. Pelo que sei, tudo que sua mãe pode fazer é repor o dinheiro que ele... tomou emprestado. Ah, a propósito, sua mãe é adorável.
Rin cerrou os olhos por frações de segundo. Sua cabeça estava começando a doer.
— É, ela é, sim. Tanto em sua personalidade quanto em sua aparência. E não quero que ela seja magoada com essa história.
— Não pretendo magoar as mulheres. Sejam elas jovens ou de meia-idade.
— Mas, se continuar insistindo em causar problemas a meu pai...
— Causar problemas a ele? Bem, pois isso é o que pretendo fazer, se considerar que causarei problemas a ele ao tomar sua firma.
— Mas a companhia tem estado na família de minha mãe há mais de cem anos! Ela não vai suportar! Vai ficar muito decepcionada e ferida!
Sesshoumaru ia responder, mas o garçom veio mais uma vez, agora trazendo um carrinho de metal, sobre o qual estavam alguns pratos. Com eficiência e rapidez, ele os serviu e depois se retirou.
— O salmão parece bom — Sesshoumaru comentou, olhando para o prato diante de Rin.
— É, e o seu bife parece... cru — ela rebateu, mas no mesmo tom amistoso que ele usava.
Sesshoumaru riu.
Não era fácil estar diante de um homem assim, ela analisava. Forte, decidido, e com aquele sorriso devastador, era praticamente impossível não se sentir atraída por ele.
— Muito bem, onde estávamos? — ele retomou a conversa.
— Minha mãe.
— Ah, sim, é claro — ele experimentava a carne com prazer. E só depois de mastigar e engolir o primeiro pedaço, continuou: — Eu acho que vamos ter de arranjar uma solução para este caso sem magoarmos sua mãe.
Com um pequeno pedaço de salmão na boca, Rin apenas o encarou, sem conseguir imaginar como isso poderia ser feito.
— Exatamente —Sesshoumaru prosseguiu, colocando outro pedaço de carne na boca. Depois engoliu, tomou um bom gole de vinho e completou: — Não vou voltar atrás em minha posição. Vou tomar o controle da firma das mãos de seu pai porque, se não o fizer, ou se outra pessoa não o fizer, ele vai conseguir falir a companhia. E em pouco tempo.
Rin baixou os olhos para seu prato.
— Eu sei — murmurou, quase sem perceber.
— Muito bem, então. — Sesshoumaru respirou fundo, como se estivesse aliviado. — Talvez haja outra maneira.
Ela não podia acreditar no que acabava de ouvir. Estava ainda mais tensa e sabia que devia perguntar logo, ao invés de ficar sofrendo:
— Acredita que há outra maneira de resolver a situação sem magoar minha mãe?
— Ou, talvez, até com ela sabendo de tudo...
A vontade de Rin era de soltar uma risada de incredulidade, mas preferiu controlar-se e perguntar, com tranquilidade:
— Como?
— Bem... — ele fez uma careta, não agradável, mas incerta. — Tenho uma vaga ideia, mas preciso amadurecê-la primeiro — ele tornou a sorrir, partindo para atacar a batata assada na qual colocara montanhas de manteiga.
Rin tinha certeza de estar engordando só em observá-lo. Voltou-se para sua salada e seu peixe, mas, de alguma forma, não sentia satisfação alguma no que comia.
Assim, quarenta minutos depois, ela deixava o restaurante, sentindo-se absolutamente vazia. Em todos os sentidos. Comera menos da metade do que pedira, não conseguira compreender nada do caráter do homem com quem jantara e não tinha a menor ideia do que poderia ser feito para salvar os negócios da família.
— Então? Voltamos para a casa de seus pais? — Sesshoumaru perguntou, assim que entraram no carro.
— Sim, por favor. Vou passar o fim de semana com eles. Ela preferiu não explicar mais nada. Afinal, não era da conta dele se sua visita fora um tanto inesperada, muito menos se ela tinha levado a mãe para almoçar para anular a mentira que dissera no escritório ou se tinha passado a noite em casa dos pais pelo mesmo motivo.
A volta para a casa dos Styer foi feita praticamente em silêncio total. Sesshoumaru parecia estar pensando em outros assuntos e Rin não tinha a menor intenção de retirá-lo de suas abstrações.
— Rin — a voz dele soou calma, de repente, provocando um arrepio na espinha dela.
— O quê? — perguntou, surpresa e tensa novamente.
— Nada. Só estou dizendo seu nome. Gosto dele — minutos depois, ele parava o carro diante da casa dos Styer. Desligou o motor e voltou-se para encará-la. — Não foi um jantar muito agradável, não é? — indagou, quase afirmando.
— Por quê? Esperava que eu fosse extremamente gentil? — Rin rebateu.
Mais uma vez, ele sorriu, fazendo-a quase perder o fôlego.
— Imagino que não vá me convidar para tomar um café, então... — comentou.
— Acertou.
— Muito bem, então... Posso encontrá-la amanhã no escritório, caso esta ideia que estou pensando realmente se torne aceitável?
Rin encarou-o por longos momentos. Não queria vê-lo, nem falar com ele novamente. Nunca mais, na realidade. Nem queria viver no mesmo Estado em que ele. Sesshoumaru a irritava profundamente. Estava cansada e nada disposta ao tipo de sensações que ele lhe provocava.
Mas sabia que precisava pensar em seus pais e também nos negócios da família. Lembrou-se de sua mãe, da suavidade que ela emanava, de sua doçura, seu sorriso sempre presente e lindo. Um sorriso que aparecera assim que ela vira Sesshoumaru à porta de sua casa, na intenção de levar sua filha para jantar.
Com certeza, Janeth sempre desejara um bom casamento para Rin.
— Está bem, eu posso telefonar para você à tarde — Sesshoumaru insistiu, vendo que ela vacilava. — Posso passar por aqui, também...
— Não, é melhor não — ela se arrependia do tom frio e distante. Sabia que não podia ficar em uma posição antagônica em relação a ele. Abriu a porta do carro, avisando:
— Não precisa abrir para mim.
— Vou telefonar — Sesshoumaru quase que ameaçou, parecendo divertido e não aborrecido com a atitude dela. — Boa-noite, Rin.
O tom dele irritou-a ainda mais. O que havia naquela voz, afinal? Ou naquele homem? Voltou-se, já fechando a porta, e alertou-o:
— Eu farei qualquer coisa por minha família, Sesshoumaru. Mas não se atreva a me provocar além do limite.
Ele riu, e o som daquela risada, que era uma mistura de deboche e sensualidade, seguiu Rin pelo caminho do portão até a porta da frente da casa e depois, muito depois, quando entrou no quarto que fora seu durante toda sua infância e adolescência.
Notas finais
Reencontro... bom, vou ter que rrler toda a fic para pegar novamente o fio da meada, pois haviam quatro capítulos prontos para a postagem, mas meu HD queimou e eu perdi tudo... só tenho o que está aqui no site, então, ela vai demorar mais um pouquinho para ser atualizada. peço desculpas pelo transtorno, mas procurarei terminá-la logo.
Espero que entendam minha posição!
Beijos da Nanda =*
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