Dublê de pai!

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Esse capítulo tem muitas emoções... Sabrina tirando lágrimas dos meus olhos!! Dedicado a todas vcs que comentam sempre :) bjs no heart

A campainha tocou. A Sra. Belle se levantou, sorrindo.

— Ora, ora, imagino quem pode ser. — Foi até a porta, abriu e virou-se para Regina. — Olha quem veio nos visitar, Regina. É Robin. Procurando por você.

Que conveniente. A Sra.Belle provavelmente mandara uma mensagem telepática para ele vir. Aquela vizinha parecia querer se certificar de que todas as pessoas do bairro tivessem um final feliz. Apanhou a bolsa de fraldas, pegou Sabrina e se levantou.

— Vou levá-la para casa agora — disse, ignorando Robin. — Obrigada por cuidar dela, Sra.Belle. Foi bom sair um pouco.

— Disponha querida.

— Regina, eu quero falar com você. — disse Robin.

— Vou para casa — enfatizou-a, então passou por ele e foi embora. Em seu ombro, Sabrina se mexia, tentando alcançá-lo.

Ela ignorou tudo e só continuou caminhando, atravessando a rua, apanhando as chaves na bolsa enquanto andava. A noite começara a cair. Os pais chamavam os filhos para dentro, os casais estavam sentados nas varandas, aproveitando uma última xícara de café e conversa, enquanto outros vizinhos passeavam com os cachorros.

— Você vai simplesmente sair andando? — disse Robin, alcançando-a.

— Já disse tudo o que tinha para dizer no restaurante.

— É, disse. Mas saiu antes que eu pudesse responder-lhe.

— Você deixou seus sentimentos claros, Robin. Não vou perder meu tempo nem o seu. — Em seu colo, Sabrina pulava, tentando alcançá-lo. Ele estava piorando as coisas, abanando um dedo para ela. Inseriu a chave na fechadura, abriu a porta e entrou na pequena casa, esperando que Robin entendesse a dica e fosse embora.

Mas ele a seguiu.

Tudo bem. Se ele insistia em entrar, então teria que assistir à rotina noturna. Deixou a bolsa de fraldas perto da porta e foi até o trocador. Ela ia mostrar-lhe o que era fazer parte da vida do bebê, já que a brincadeira tinha acabado. Isso o faria ir embora.

Afinal, sabia que, sempre que ele tinha que se aproximar de Bri, Robin inseria mais espaço pessoal, em outras palavras, fugia com alguma desculpa.

— Você vai conversar comigo?

— Não. Vou dar um banho em minha filha e prepará-la para dormir e depois farei o mesmo.

Em vez de sair, ele deu de ombros.

— Tudo bem. Então vou ajudar.

— Faça o que quiser, mas você provavelmente vai acabar com o terno molhado e baba no ombro.

— Tenho outros ternos.

Não estavam falando de banhos. Ou da hora de dormir. Nem nada do gênero. E sabiam. Estavam continuando a conversa do restaurante. Regina estava dizendo em termos diretos essa é minha vida, goste ou não, e Robin estava mostrando que queria fazer parte dela.

Bom, ela não estava acreditando em nem uma palavra.

— Não diga que não avisei. — Tirou o suéter e levou Sabrina até o trocador. Ali, tirou as roupas do bebê, o que absolutamente encantava Bri, que riu e pulou. Então foi até a cozinha. Diferentemente da casa de Robin, a sua era mínima, com cinco cômodos apertados.

Alguns minutos depois, um dos lados da pia estava cheio de água morna, e uma Sabrina pelada sentava na bacia prata, brincando feliz enquanto era ensaboada. Robin se afastou.

— Não estava brincando sobre o quanto isso molha. — Riu.

— Ela adora tomar banho.

— Percebi. — Ainda assim, ele ficou mesmo se afastando para não se molhar.

Apanhou um brinquedo que Bri deixara cair e deu a ela, apertando o elefante de plástico. A tromba do animal jorrou água, encantando Sabrina, que riu e bateu na água, molhando a pia.

E os sapatos de Robin.

— Fico lhe devendo essa, criança — disse, e apertou o elefante outra vez. Outro jorro.

Sabrina riu e esperou que ele fizesse novamente. Ele fez, mais duas vezes, mesmo enquanto ela ria e o molhava.

Regina assistia, impressionada. Isso não estava indo de acordo com o plano. Robin estava brincando com Sabrina? Molhando-se propositalmente?

— Você quer tentar?

— Tentar?

— É, dar banho nela. Esqueci de pegar uma toalha e...

— Não, não. Você dá o banho. — Ele sorriu. — Regra do bebê lembra?

— Regras do bebê?

— Você estava segurando-a quando a colocou na pia.

Riu.

— Injusto.

Robin aproximou-se.

— Lembro perfeitamente de alguém sendo injusta alguns dias atrás. Agora estou encharcado. — Apontou para o peito molhado. — Então vou pegar a toalha.

Ótimo. Talvez agora que as roupas dele estivam molhadas, ele fosse embora, e ela não teria que explicar outra vez porque eles eram errados um para o outro. Nem teria que ficar imaginando porque Robin se divertia brincando com Sabrina e, ao mesmo tempo, dizia que seria um péssimo pai.

— As toalhas estão na... — Parou de falar ao vê-lo pendurar o paletó numa cadeira. Ele ficava lindo vestindo uma camisa. Incrível sem camisa. E agora, numa camisa molhada, ficava totalmente sexy.

— Onde estão as toalhas?

— Hum... — Concentrou-se, segurando Sabrina com uma das mãos, enquanto o bebê continuava a fazer uma fonte caseira. — No closet, perto de meu quarto lá em cima. Primeira porta à direita.

— Volto num segundo. Antes que ela te encharque.

— Obrigada.

Andar sozinho pela casa de Regina lhe dava um retrato íntimo da mulher que, até agora, só esteve em sua casa. Era uma casa confortável, um ambiente muito aconchegante.

Se morassem juntos, pensou, sua casa seria assim. Em vez dos móveis masculinos em couro e madeira escura, veria mais tons claros, tecidos suaves e paredes de cores pastéis.

No topo das escadas, foi abrir a porta do closet, mas virou-se, espiando o quarto dela.

Sabia que não devia entrar ali, mas, antes que pudesse voltar ao closet, pegou-se entrando, imaginando-a naquele lugar.

Travesseiros grandes e amarelo xadrez. Uma cama convidativa, como um lago ao fim de um dia quente.

Esse era o quarto de Regina Mills. O espaço, decorado com móveis brancos e uma única poltrona, rodeava-o com uma sensação confortável que não encontrava há anos.

Desejou repentinamente fazer uma dentre duas coisas...

Virar-se e fugir.

Ou virar-se, trazer Regina para cima, deitá-la naquela cama e nunca mais sair dali.

— Robin? — chamou ela. — Já pegou a toalha?

— Já estou descendo. — Correu, deixando o quarto para trás. Mas desejando, estranhamente, que não tivesse que deixá-lo.

Regina tinha feito de propósito, decidiu.

Deixara-o para vestir o pijama na criança, o que era parecido com tentar colocar uma cobra numa bolsa. Supostamente, Regina tinha muitas roupas para lavar, então pedira para ele vestir o bebê. Pensou que seria mais fácil do que lavar roupa.

É. Não era.

Robin demorou bastante para vestir o pijama cor-de-rosa no bebê. Então a colocou no cobertor que Regina tinha arrumado no chão.

— Você podia ter avisado — disse ele, quando ela voltou.

— Avisado o quê?

— Que essa coisa de pijama é difícil. Muito. — Sentou-se no chão e fitou Regina, que tinha colocado uma cesta de roupa suja ao lado da cadeira. — E que você iria fugir de mim esta noite.

Silêncio. Ela o ignorou e dobrou uma toalha. No chão, o bebê chutava.

— Já parou de me evitar, para podermos finalmente conversar?

— Não vejo razão. Como disse antes, você quer algo diferente do que eu. Por que levar isso adiante, Robin? Não vou perder meu tempo me apaixonando por um homem que só me quer para uma coisa: — Aqueles olhos castanhos encontraram os dele. O fogo que incendiara entre eles desde o primeiro dia faiscava naquele olhar. — Não podemos continuar com esse jogo.

— Não, não podemos. — Apesar de querer continuar beijando-a, não querer parar de vê-la, para onde isso iria? Não era justo com Regina nem Sabrina. Mas não queria ser justo. Queria tudo, droga. Danem-se as consequências.

O bebê começou a murmurar novamente, passando por todos os sons que conhecia, enquanto chutava e mexia as mãos.

— Ba-ba-ba. Mu-mu-mumma.

O sorriso suave que o atingia nas entranhas apareceu naquele rosto. Regina soltou a toalha e ajoelhou-se perto do bebê.

— Diga mamã, Bri. Diga mamã.

Bri chutou e grunhiu.

— Mamã, mamã, mamã.

Regina iluminou-se e virou para ele, a felicidade no rosto larga è explosiva.

— Ela disse. Ela disse. — Regina apanhou o bebê e segurou-o contra o peito, enterrando a cabeça na de Sabrina, no pescoço. — Ah, boa menina, Sabrina, boa menina.

Tentou sorrir, compartilhar aquela alegria, mas algo pesado caíra dentro dele. Foi um momento incrível, espetacular.

Familiar.

Ele nunca se sentira tão fora da família quanto naquele momento. E nunca quis tanto ser uma parte dela. Por mais estranho que fosse.

Estava falando de Regina. Por isso, ela saíra do restaurante. Porque ele só queria se envolver com ela pela cereja da cobertura, e não para se enrolar nas complicações da família.

Pensou em seu próprio filho, vivendo com outras pessoas, estranhos em outra parte do país, já crescido. Perdera os primeiros passos. O primeiro dente. Tudo. Por escolha própria.

Tinha tomado a decisão certa? Dalton observou Regina, viu aquele coração flutuar enquanto Sabrina repetia a palavra e sentiu o próprio peito rachar.

Sabrina revirava-se nos braços da mãe. Pulava e olhava para Robin.

— Pa-pa-pa.

Regina fitou Robin.

Robin fitou Regina.

— Ela disse o que acho que ela disse? — perguntou Regina.

— Não — respondeu Robin. — Acho que não.

Sabrina pulou mais. Mexeu os pulsos.

— Pa-papá.

O coração dele pulou na garganta. Definitivamente, ele ouviu dessa vez.

Sabrina chamou-o de papá. Talvez não quisesse dizer isso, talvez não entendesse, mas chamou. A única palavra que nunca ouvira do próprio filho veio do bebê de Regina.

Papá.

Por um segundo, esqueceu que não queria isso. Esqueceu que prometera ficar longe dessas conexões. A palavra ecoou em sua cabeça. Felicidade preencheu seu peito, como pássaros decolando. Queria capturar esse momento, segurá-lo e nunca soltá-lo.

Papá.

Ele sorriu e observou Sabrina, totalmente cativado por aqueles grandes olhos, bochechas rosadas e uma palavra.

Papá.

— Acho que ela o vê como... — Regina hesitou. — Pai dela. Quero dizer, você ficou mais com ela do que qualquer outro homem e, ela naturalmente pensou...

— É. — Pigarreou. — É, acho que sim.

Mas não era o pai de Sabrina, era? Podia aproveitar esse momento o quanto quisesse, mas, na realidade, não era pai dela e não devia jogar um jogo que não podia terminar. Levantou-se, colocando distância entre ele e a cena.

— Melhor eu ir embora.

Regina levantou também, com Sabrina no colo.

— Do que você tem tanto medo?

— Não tenho medo de nada.

Ela aproximou-se dele, com o olhar encontrando o de Robin, desafiando-o, recusando-se a deixá-lo escapar dessa vez.

— Desde que o conheci, Robin, tudo o que você quis foi se distanciar de nós duas. E como se ficasse aterrorizado de chegar perto do bebê. Sem falar de mim. Você me beija, flerta comigo, mas não quer um relacionamento comigo ou com Bri. Por quê?

— Não sou bom com crianças.

— Não acredito. Já o vi com Bri. Você é ótimo com ela. E vi seu rosto agora. Você... Bom, você a ama. Mas não se aproxima. — Suspirou e colocou a bebê de volta no chão, dando a chupeta e um brinquedo a ela. Então se aproximou de Robin e colocou uma das mãos no braço dele, com um toque suave, preocupado. — O que aconteceu com você, Robin, que lhe fez ficar assim? Sei que aconteceu algo. Vejo em sua escrita. Como se estivesse excluindo alguma coisa. Como se tivesse uma linha que você não cruza. Por quê? O que lhe deixou com tanto medo de se aproximar das pessoas, não só na vida real, mas no papel também?

Robin virou-se, foi até a janela, fitando a rua onde morava a tantos anos, em meio a muitas famílias. Uma casa enorme que poderia comportar aquilo que sempre quis e nunca ousou ter. Por que escolher este bairro? Estava se torturando?

— Nem todos os meus livros são assim. Meu primeiro não tinha linhas. Limites. Derramei tudo nele. Derramei minha alma nas páginas.

Ela esperou quieta e paciente. Atrás deles, a bebê começou a cochilar.

— Eu tinha todas aquelas emoções confinada, esperando. Não tiveram para onde ir por anos e, quando sentei para escrever meu primeiro livro, tudo jorrou na página.. Esse foi o livro que projetou minha carreira, entrou na lista do Times, me fez o “Robin Hood”. Mas, mesmo com tudo o que aquele livro fez, doeu muito escrevê-lo, e prometi nunca mais escrever outro daquele jeito.

— Por quê?

Virou-se novamente, e em seus olhos, ela viu a dor que escondera todo esse tempo, como se um véu tivesse finalmente caído.

— Porque escrever cada palavra era como arrancar um braço. Porque aquele livro podia parecer um suspense, para meu editor e para os leitores, mas era minha história.

Ela pensou nas páginas que folheara na estante dele.

— É o livro no qual o filho do homem é sequestrado. Ele faz de tudo para encontrá-lo.

Ele fechou os olhos e assentiu.

— Para mim, aquele livro era realmente sobre... — expirou. — Meu próprio filho.

As palavras atingiram-na como um trem e demorou algum tempo para processá-las.

— Você... Você é pai?

— Meu filho... — Dizer essas palavras novamente pareceu tirar um peso que estava há muito tempo em seus ombros. — Ele tem 12 anos agora.

— Ah, Robin... Onde ele está?

— Queria saber. — Seu olhar voltou-se para a janela. Seu menino poderia ser um dos muitos dormindo nas casas do bairro? Ou morava em Seattle? Denver? Nova York? Todo dia, imaginava como ele era se gostava de beisebol ou futebol, se tinha irmãos ou um cachorro, perguntas bobas e sérias.

Acima de tudo, imaginava...

Ele era feliz? Estava com pessoas que o amavam?

Mas nunca vocalizara aqueles pensamentos, achando que doeria demais. Pensou que lacrar essa parte de seu coração facilitaria tudo, mas, afinal, talvez tenha dificultado. Tinha sido injusto consigo todo esse tempo?

Esteve errado?

— A mãe dele e eu o colocamos para adoção quando ele nasceu. Parecia a única decisão a tomar. Tínhamos 18 anos, estávamos no colegial quando ela engravidou e... Não sei, ficamos muito assustados.

— Ah, Robin. — Regina foi até ele, abraçando-o forte. Compreensiva. Carinhosa.

Mas ele não podia aceitar o abraço ainda. Não até dizer tudo, contar tudo a ela.

— Eu não devia ter feito aquilo. Devia ter tentando. Devia...

— Você era jovem, Robin. Não tinha escolha.

— Sempre há uma escolha, Regina.

Ela encobriu o rosto com as mãos.

— Há, mas isso não significa que é sempre a escolha certa. Olhe para mim, sou mãe solteira, adulta, formada e ainda tenho dificuldades para criar meu bebê. Que tipo de lar você poderia prover quando adolescente?

— Mas eu o amava. — A voz dele falhou, tremeu nas últimas sílabas. — Talvez isso fosse o bastante.

— Você o amava o bastante para tomar a decisão certa. Uma chance para a melhor vida possível, com dois pais que o amariam e o apoiariam.

Ele balançou a cabeça, as perguntas que o assombraram pelos últimos 12 anos ainda martelavam em seu coração.

— Me preocupo com ele todo dia. Imagino onde ele está. Se ele é feliz. Se...

— Se ele pensa em você.

O caroço em sua garganta o impedia de falar. Assentiu.

— Claro que pensa. — O toque de Regina ecoou as palavras gentis. — Você devia se inscrever no registro de adoção. Então, quando ele for grande o bastante e quiser achá-lo, poderá. E você poderá responder às perguntas dele, e talvez ele possa responder às suas.

— Você acha... — Ele balançou a cabeça e desviou o olhar para Sabrina, mas não podia vê-la, porque sua visão estava borrada, porque tanta coisa acontecera nos últimos minutos que era demais para seu coração, o redemoinho de emoções quase o esmagava agora. — Acha que ele vai me perdoar?

— Acho que, para começar, você tem que se perdoar. Um filho é uma dádiva de amor, Robin e, você deu o maior presente de todos para um casal sortudo. Pare de se culpar.

Ali, como ele sabia, estava o problema. Desculpar-se sempre foi seu maior empecilho.

Ele poderia conseguir dizer todas as palavras certas, escrevê-las nas páginas, mas dizê-las para si...

Era onde ele empacava.

— Digo isso para mim mesmo, mas mil questões ainda povoam minha cabeça, Regina. Mil arrependimentos. — Virou-se para ela novamente, a voz estava rouca. — E até que eu as responda, não sei como posso ser um homem para você ou... — Fitou Sabrina novamente e agora a voz falhou. — Um pai para ela. Desculpe.

Notas finais
estamos perto do fim ... :) Agora até amanhã !!