Dublê de pai!
11 Capítulo 11
Notas iniciais
— Então — perguntou a Sra. Belle. — Como estão as coisas com nosso vizinho bonitão?
Uma pergunta carregada que respondeu com uma palavra só.
— Bem.
— Vamos você tem que ter mais para dizer do que isso. Robin Hood é um homem que requer mais do que um simples “bem”. — Podia jurar que a Sra. Belle riu.
— Estive ocupada trabalhando.
— Querida, você precisa tirar uma folga. Ter tempo para cheirar as rosas.
— Eu tenho. Quero dizer, tive. Fiz um piquenique ontem.
Assim que falou, envergonhou-se.
— Com Robin? Ah, isso é ótimo!
— Sra. Belle, diga a verdade. Você deixou Sabrina com Robin porque esperava que nós namorássemos ou algo assim? Porque, realmente, eu não tenho tempo para algo desse tipo.
— Ah, não mesmo. Estava num aperto. E Robinn é o único vizinho em casa durante o dia. Mas, se algo acontecer entre vocês... — Aquela voz falhou num tom esperançoso. — Você realmente precisa de um homem em sua vida.
— Nada vai acontecer. O homem é... Impossível.
— Isso é porque acabou de ter o coração partido. Quero dizer, não sei dos detalhes, foi algo que o irmão comentou quando o encontrei fora da casa de Robin. Tinha uma mulher, e terminou feio. Acho que foi mais do que um romance que deu errado. Mas, o que quer que seja Robin se arrepende imensamente, e não quer falar a respeito. Tente ser compreensiva, Regina, e acima de tudo, paciente.
Não estava prestes a discutir sobre Robin ou o potencial relacionamento com ele.
Passou metade da noite acordada, revirando-se na cama, pensando nele, considerando que Sabrina dormira a noite toda, o que foi uma perda boba de uma boa noite de sono. Depois daquelas horas, a conclusão tinha sido a mesma de antes de dormir.
Envolver-se mais com ele não daria certo.
No entanto, voltaria para a casa dele hoje. Para passar o dia todo com ele.
Trabalhando juntos. Evitando a atração entre eles, fingindo que ela não existia.
Seria tão fácil quanto não respirar o dia todo.
— Como vai sua irmã? — perguntou ela, para evitar mais perguntas da Sra.Belle.
— Está bem melhor, obrigada. Passou por uma cirurgia, mas tudo correu muito bem. Ela deve receber alta aqui de New Hampshire em alguns dias. Se precisar de mim, posso ir a Boston até que ela receba alta, mas, depois disso, realmente precisarei cuidar dela até que esteja completamente recuperada. Ela tem 75 anos, sabe. Não é tão jovem quanto eu. Sou a mais nova. — A Sra. Belle riu.
Se ela queria uma solução rápida, claramente não teria uma. Precisava de outra babá.
Não poderia pedir a ela que colocasse Sabrina à frente da irmã. Não seria justo.
— Não, fique aí. Está tudo sob controle. Robin e eu fizemos um acordo.
Não fizeram nada, mas não contaria nada a Sra. Belle. Em vez disso, rezaria para ter a sorte de encontrar outra babá provisória barata. Ligaria para a universidade local. Eles tinham uma lista de babás que trabalhavam durante o dia. Não precisava preocupar a Sra.Belle.
— Sabia que vocês fariam isso. Aquele homem é um santo, estou dizendo. Ele me ajudou muitas vezes, sem reclamar.
— Estamos falando do mesmo homem?
— Ah, querida, Robin é o homem mais bacana que já conheci. Você verá. Só dê uma chance. Você pode se surpreender com o quão maravilhoso ele é. E, querida, você precisa seguir em frente, afinal, já é hora.
Não contradisse a Sra.Belle, pois seria desrespeitoso com uma mulher que foi tão generosa e incrível com ela e Sabrina. Mas, se tinha algo que sabia, era que dar uma chance a Robin, especialmente com seu coração, seria o maior erro de sua vida.
— Há alguma coisa que eu deveria saber sobre você? — Peter segurou a chupeta e sorriu para Robin.
Arrancou a chupeta da mão de seu irmão e jogou-a na mesa de centro.
— Não.
— Então de onde veio aquilo? Sabe, é a última coisa que esperava ver aqui, mesmo essa sendo uma casa perfeita para uma família. — Peter, magro e alto, sentou-se em uma das poltronas.
— Tive companhia ontem. Ela trouxe a filha.
Peter arqueou uma sobrancelha. Esperou Robin continuar.
— É isso. Não tem mais nada para contar.
— Sempre tem mais para contar, irmãozinho. Vou ter que pegar os detectores de mentira ou você vai me dizer logo?
Os detectores de mentira eram também conhecidos como as irmãs deles, que arrancariam a verdade até de um mudo. Elas seguiam os irmãos para todo lado quando eram pequenos, depois corriam para contar à mãe deles tudo o que os dois haviam feito.
Assim ganhavam brownies ao incriminá-los por estarem brincando no riacho em vez de eles estarem cuidando do jardim.
Ele amava as irmãs, mas elas mereciam vingança. Por isso, mandara baterias de presente para as crianças no Natal.
Abriu duas latas de refrigerante, deu uma a Peter, e sentou-se no sofá, apoiando os pés na mesa de centro.
— A mulher se chama Regina Mills. Mora do outro lado da rua. Precisava de uma babá temporária e, como sou o único que fica aqui o dia todo, fui eleito.
— Mas você não cuida de crianças. Evita elas como se fossem pragas.
— É só por alguns dias. Nada demais.
— Hum-hum. Está se envolvendo. Saindo da caverna eremita. Estou orgulhoso. E com uma mulher que tem filhos? Acho que é uma grande coisa. Ela é bonita?
Fez uma careta.
— O que isso tem a ver?
Peter riu.
— Deve ser maravilhosa. Você está tentando muito fingir que não se importa. Acho que está, por acaso, reclamando demais.
— E eu acho que você está metendo o nariz onde não é chamado.
Isso só fez Peter rir mais.
— Então vai se arriscar dessa vez, irmãozinho?
— O que isso quer dizer?
— Você sabe o que quero dizer. Só porque um relacionamento não deu certo não quer dizer que você tem de se fechar para todo mundo. Você merece uma segunda chance, sabe?
Tombou os pés no chão.
— Você não sabe do que está falando. E não estou procurando um relacionamento.
Peter olhou pela janela e assobiou.
— Uau. Essa é a vizinha com a qual não está se envolvendo? A que não chama sua atenção? Mesmo?
Seguiu o olhar dele. Regina estava atravessando a rua com Sabrina no colo. Vestia uma saia florida, que esvoaçava na altura dos joelhos, expondo lindas pernas. Saltos baixos acentuavam sua panturrilha, enquanto um suéter branco de mangas curtas delineava o restante daquelas curvas.
Droga. Não conseguiria fazer nada hoje certamente. Por que ela não podia ter vestido moletom e uma blusa, como todo mundo que trabalha em casa? Ou jeans e uma blusa, como ele?
Então lhe ocorreu que ela poderia ter escolhido a saia e o suéter por sua causa.
Porque ela...
Gostava dele?
O pensamento deveria tê-lo incomodado. Deveria tê-lo chateado, porque tinha acabado de dizer a Peter que nunca se envolveria com uma mulher novamente. Mas não o incomodava. Em vez disso, pensar que Regina poderia tê-lo em mente quando escolheu a roupa hoje, que tinha considerado sua reação quando optou pela saia, animou-o por inteiro.
— É você não está nem um pouco interessado — sussurrou Peter em sua orelha. Então riu e deixou a chupeta em suas mãos.
Regina tinha usado a saída mais fácil. Duas vezes.
Ela havia avisado a Ruby que estava doente, que não acreditou por um momento e supôs simplesmente que Sabrina é quem adoecera. Deixou que ela pensasse isso e disse que provavelmente voltaria no dia seguinte.
Então, quando Sabrina estava cochilando, Robin pediu que ela sentasse a seu lado para ajudá-lo com o manuscrito. Em vez disso, ela ficou em pé atrás dele. Bem longe dele, por que...
Bom, porque, nas últimas 36 horas, tudo entre eles mudara. Desde que ele chegara tão perto de beijá-la, ou achava, ainda não tinha certeza se era isso mesmo, a equação que parecera tão balanceada tinha pendido para um lado e ainda não encontrara um jeito de igualar tudo outra vez. O resultado daquela equação era uma bagunça completa.
— A menos que você tenha visão de raios X, não consegue ler nada daí.
— Estou bem.
Ele se virou na cadeira e sorriu.
— Você não parece bem. Na verdade, parece desconfortável. Tenho outra cadeira, sabe. Pode se sentar a meu lado e se sentir em casa. — Apontou para outra cadeira.
— Fale por si. Você também não parece tão confortável.
— Eu? Estou formidável.
— Que tipo de cara usa uma palavra como essa? Formidável? — perguntou ela, rindo.
— Ei, eu sou escritor. Meu vocabulário é extenso e variado. — Virou-se novamente para a mesa. Desceu algumas páginas no computador e apontou para a tela. — Está bem, fique aí se quiser. Nessa cena, o herói e a heroína se reencontram depois de 10 anos. Devem ter todas essas emoções na cabeça deles; sabe? Tipo “o que estamos fazendo aqui juntos novamente”, enquanto o perigo está instaurado, porque eles sabem que o cara mal pode estar escondido, observando-os.
— Então ainda há muita atração fermentando?
— É. E todas aquelas perguntas sem resposta do passado. — Robin empurrou a cadeira para trás, encurtando a distância entre eles sem perceber. — Só que toda vez que eu tento mostrar isso, parece que são dois caras falando sobre futebol.
— Ah, não pode ser tão ruim.
— Leia. Você verá. Tem tanto sentimento quanto uma música punk.
Aproximou-se, espiando por sobre o ombro dele, e leu. Ele estava lhe pagando para fazer isso e, afinal, tinha aceitado opinar. Alguns segundos depois; foi obrigada a concordar.
— Não sou expert em emoção em suspenses, porque meu parâmetro são os livros de romance que já li ou, pelo menos os que, lia quando tinha tempo — disse, rindo. — Algum dia, eu espero ter tempo para ler novamente.
— As crianças ficam mais fáceis. — Estremeceu. — Acho. Não que eu saiba claro. Minha mãe não tinha tempo para si quando éramos pequenos. Mas, quando estávamos crescidos e ambulantes, alimentando-nos sozinhos, ela passou a ter tempo para coisas como leitura. E comida. — Ele sorriu.
— Então há esperanças de que eu tenha uma vida. — Ela devolveu o sorriso, e se olharam por um longo tempo. Um tremor de conexão varreu-a, e ela afastou-se, deixando um pouco de ar frio infiltrar no espaço. — Acho que você conseguiu captar mais ou menos a essência do homem. Mas a mulher... Bom, ela é quase papelão.
Robin se levantou. Foi até a prateleira e passou a mão por dúzias de livros dele.
— Os críticos acabaram comigo por causa disso por anos. — Balançou a cabeça e se voltou para Regina. — Se eu soubesse escrever sobre mulheres, seria um best-seller. Fiz um livro bom... E parece que perdi meu toque.
— Por quê?
Aqueles olhos estavam claros, sem malícia. Ela não tinha ideia, do que perguntara quais cicatrizes estava abrindo.
— Porque, naquele primeiro livro, estava escrevendo uma história completamente diferente. Não tinha tanta ficção, mas... — Expirou longamente e, em vez de falar, tocou-a no queixo. Ela entenderia? Saberia pelo que ele passara como arrancara o próprio coração do peito, jogara-o nas páginas e chamara de livro? E como, depois de fazer isso uma vez, nunca conseguira escrever outro livro como aquele?
Poderia Regina, que também perdera seu amor, mas de uma maneira diferente, entender?
Ele a segurou, tocando-a com os dedos, procurando e desejando uma conexão.
— Você já se apaixonou antes, Regina?
Ela ficou boquiaberta. A tentação de passar os dedos pelo lábio inferior dela, experimentar o que experimentara antes, rugia dentro dele.
— Sim — respondeu, sussurrando.
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