Dublê de pai!
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Sabrina parecia aterrorizada. Devia ser o cabelo roxo espetado e os brincos no nariz.
Três exatamente.
Estava na sala de sua casa, numa quarta-feira à noite, entrevistando a quarta babá, todas recomendadas pela universidade local, e pensando que o futuro nunca pareceu tão sombrio.
Não podia mais trabalhar com Robin. Era muito complicado. A Sra. Belle ficaria fora por tempo indefinido. Se as últimas babás que entrevistara eram algum parâmetro, não havia uma única babá barata disponível na área de Boston num futuro imediato.
Podia tentar contratar serviços profissionais, mas restariam apenas 75 centavos de seu salário. Ou tentar trabalhar de casa e arriscar perder o emprego, depois que Killian percebera que ela não havia aparecido no escritório por dias.
Fechou a porta depois que a menina do cabelo espetado saiu e se sentou no chão, ao lado de Sabrina, que estava deitada de costas no cobertor.
— Bom; filha, nós temos um problema. Não posso levá-la para o trabalho nem ficar em casa ou deixá-la mais com Robin. É muito... Difícil ficar perto dele e não... Não beijá-lo. Não que eu não queira beijá-lo, eu quero. O tempo todo. Esse é o problema.
— Uhn, uhn. — Sabrina virou-se de lado, os pequenos punhos gorduchos tentando alcançar a mãe.
Pegou-a e colocou-a contra o peito. Sabrina não reclamou só se ajeitou. Claramente, o tempo que passara com a filha ultimamente teve um efeito positivo.
— O problema é que sinto saudade. Mesmo sabendo que ele é o homem errado para mim. — Fitou sua pequena menina. — E sei que você também sente falta dele.
Aqueles grandes olhos pareciam concordar.
O problema era bem maior do que pensara. Porque agora era duas meninas Mills apaixonando-se por Robin Hood, e ele já deixara claro que não era o homem certo para nenhuma delas.
Robin caminhava pelo escritório. Pela sala. Pela cozinha.
Ainda assim, não conseguia dissipar a energia nervosa que fervilhava dentro dele.
Sentia falta de Regina, droga. Sabia que ela estava logo ali, do outro lado da rua, e podia tê-la em seus braços novamente se...
Se pudesse lhe dar a única coisa que queria. E merecia.
Uma família. Um marido.
Impossível. Era mestre em escrever sobre situações impossíveis, do tipo que os leitores pensariam que o herói jamais conseguiria resolver, até que, na última hora, alguma solução milagrosa apareceria. Mas aquilo era ficção, e isso era vida real. No seu mundo não ficcional, suas respostas não apareceriam milagrosamente nem uma solução para estar com Regina sem se comprometer.
Mas precisava encontrar uma maneira de tê-la aqui, que funcionasse para ambos.
Não só porque Regina o ajudara tanto com seu livro, mas porque ela trouxera uma calmaria para seus dias que ele não tinha há anos.
Calmaria e caos ao mesmo tempo. Nos piqueniques e jantares, nas trocas de fralda e com á bebê chorona, Robin achara algo novo e inesperado, que deixou um vazio em sua casa no minuto em que ela saiu.
— Você vai sobreviver? — Peter sentava em sua poltrona favorita, tomando cerveja e observando o irmão mais novo, entretido.
— Estou bem.
— É, parece muito bem. Tão bem quanto um tigre numa jaula de gato. E aposto que sua vizinha é a razão disso tudo.
— Estou preocupado com minha carreira. O livro não vai bem.
— Os livros não andam bem pelos últimos anos, e nunca vi você preocupado assim com nenhum deles antes.
— É, bem, dessa vez, minha carreira está em jogo.
Peter ficou preocupado.
— Mesmo? Como?
Sentou-se, apoiando os braços nos joelhos.
— Meu editor disse que esse é o livro definitivo. Ou ele será muito bom ou é melhor que eu encontre um emprego de verdade.
— Você vai conseguir Robin. Sempre consegue.
— Não, Peter. Não desde o primeiro livro. — O sucesso que fizera dele um nome familiar. E colocara um parâmetro impossível, que nunca mais conseguira alcançar.
— O que ele diz que está faltando? Quem sabe posso ajudar.
— Acho que não — riu. — Marco disse que são as mulheres nos meus livros. Não coloco... Emoção nelas.
Peter tomou um longo gole da cerveja e arqueou uma sobrancelha.
— O quê? Sei que você tem algo a dizer.
— Sabe exatamente porque não coloca emoção nelas.
— Se soubesse Peter, teria resolvido o problema há muito tempo.
Peter apoiou a garrafa na mesa de centro e cruzou os braços.
— Aprendi uma coisa ou outra, nos sete anos em que estou casado, Robin. E o mais importante é que você não pode se fechar para uma mulher. Faça isso e nunca vai chegar a lugar nenhum num relacionamento.
— Não quero ir a lugar nenhum num relacionamento. Só quero terminar meu livro e entregar o que meu editor quer.
— E ele quer emoção, certo?
Assentiu.
Peter inclinou-se, com aquele olhar mais velho, sábio e experiente encontrando o de Robin.
— Me diga qual foi à última vez em que se conectou com uma mulher. Realmente. Aqui. — Ele indicou o coração. — Aqui é onde está à emoção, irmãozinho. Até que você faça isso, não vai encontrar nenhuma emoção para colocar no livro ou na vida.
Robin fez uma careta e levantou-se.
— Você não sabe do que está falando. Não é escritor.
— Não. Mas sou um homem. Que está casado há muito tempo. E, se quer saber, funciona do mesmo jeito. — Peter levantou-se e segurou-o pelo ombro. — Você deixou um erro controlá-lo por tempo demais. Precisa se perdoar. Aí poderá seguir em frente. Ter a vida que merece.
— Já me perdoei.
— Perdoou? — perguntou Peter. Olhou pela janela, para Regina, que estava cruzando a rua com Sabrina no colo. — Espero que tenha se perdoado, porque estou vendo a oportunidade prestes a bater em sua porta. E odiaria que você a perdesse, irmãozinho.
Regina não tinha ideia do que estava fazendo ali. Estava perfeitamente satisfeita em casa, com Sabrina. Quase pronta, na verdade, para colocar as duas na cama.
Depois do desastre daquela tarde com as babás, no entanto, percebera que estava presa e numa situação tão ruim quanto estava na segunda-feira. Não tinha opções de babá para o dia seguinte; poucos dias preciosos de folga sobrando, que precisava guardar para quando Sabrina ficasse doente. E não encontrara uma solução.
Tirando Robin. De volta ao começo.
Antes de tocar a campainha, Regina decidiu algumas coisas. Estipularia regras, como tentou fazer antes, até se distrair com Robin. De agora em diante, ficariam longe um do outro. Haveria horários estritos para deixar e pegar Sabrina. Nada de eles ficarem sozinhos. E absolutamente nada de beijos. Seria uma relação nitidamente profissional.
Uma maneira de garantir isso era pagando, por isso trouxe o talão de cheques.
Ela tocou a campainha, e a porta se abriu.
— Não vou beijá-lo e não vou...
— Estou feliz em ouvir isso. Minha mulher não ia gostar. — Um homem que se parecia muito com Robin, mas numa versão mais velha, sorriu para ela e estendeu a mão. — Sou Peter, irmão mais velho de Robin. Você deve ser Regina, a vizinha dele.
— Sinto muito — corou. — Preparei esse discurso grande e meio que explodi quando a porta se abriu.
— Tudo bem. Parece que é o dia para dizer a Robin o que fazer. — Ele riu e gesticulou para que ela entrasse. — Pegue leve com ele. Já peguei pesado. — Peter despediu-se e entrou no carro.
Regina entrou na casa. O rosto de Robin iluminou-se de surpresa ao vê-la, alegrando-a.
— Oi. Não esperava vê-la de novo hoje.
— Eu... Hum... Compliquei-me com o negócio da babá. Pensei que poderia contratar uma daquelas universitárias que entrevistei hoje, mas parece que a maioria delas está na lista de procuradas da polícia.
Robin riu.
— Não eram as melhores candidatas então?
— Não as deixaria cuidarem de meu peixe, imagine de minha filha. — Trocou Sabrina de ombro. Quando trocou, o bebê percebeu Robin, e os olhos grandes dela ficaram tão fixos nele quanto geralmente ficava na mamadeira.
— Então você está aqui porque escolheu o menor dos males? — Ele riu.
Por mais que não quisesse cair naquele feitiço novamente, devolveu o sorriso.
— Algo assim. — Pigarreou, lembrando-se do que viera falar. Se não falasse agora, não falaria nunca. E então onde estariam? De volta nos braços um do outro. Poderia se sentir muito bem, mas seria uma ideia muito ruim. — Antes que nos enrolemos com esse combinado de novo, queria estipular algumas regras.
Ele assentiu, com um olhar sério, como se soubesse que diria isso.
— Para uma conversa séria, precisamos de comida séria. Venha, vamos tomar um café. E comer bolo.
— Bolo? Você cozinhou?
— Eu não. A mulher do Peter. Acho que ela pensa que estou prestes a morrer de fome, porque moro sozinho. Ela sempre manda alguma coisa para cá. Hoje foi bolo, floresta negra.
Chocolate. O estômago de Regina roncou. Era como se alguém tivesse lido não só sua mente, mas seus hormônios também.
— Era exatamente o que eu queria! — disse ela, seguindo-o até a cozinha. — Vai ter que me chamar para a reunião de família para que eu possa agradecer a ela por ler minha mente.
Eram palavras inocentes, ditas de brincadeira, sabia, mas, se entendidas de outra forma, implicavam um futuro. Dias, semanas, meses depois desse trabalho de babá.
Um futuro que costumava pensar em ter, antes de ter errado com Marian. Robin afastou esses pensamentos e parou na frente da cafeteira.
— Café?
— Claro. Descafeinado, por favor, senão ficarei acordada à noite. — Deu tapinhas no bumbum do bebê com uma das mãos e cobriu um bocejo com a outra. — Com ela, preciso de cada hora que conseguir. Especialmente depois dos últimos dias. Às vezes, parece que não consigo dormir o bastante.
— Descafeinado será. — Ocupou-se enchendo a xícara, enquanto Regina se sentia em casa na cozinha dele, tirando pratos do armário e garfos da gaveta. Olhou-a de relance algumas vezes, notando quão natural era tê-la aqui, em tão poucos dias. Ela havia simplesmente virado parte de seu lar.
Logo do lar de Robin. Ele era o eremita que se isolava, se escondia no escritório e limitava sua interação social às pessoas que criava nos livros. Agora havia uma mulher com um bebê no colo em sua cozinha, e ele estava se acostumando a tê-las ali.
Não tinha certeza se isso era bom ou ruim, porque também significava se acostumar a participar desse trio familiar, e isso estava definitivamente fora de sua programação de vida.
Sabia que não devia tentar isso novamente.
Regina colocou a louça na mesa, então apanhou uma faca fina e longa da gaveta central.
— O que é isso? — perguntou ele.
— Uma faca de bolo.
— Uma o quê?
Ela riu.
— Faca de bolo. Não sabia que você tinha uma?
— Não conheço metade das coisas nessa cozinha. Minha mãe e minhas irmãs me deram tudo, sentiram pena do “solteirão”. Tirando a mortadela, é claro.
— O que você precisa é de uma mulher — disse ela, ruborizando. — Esqueça o que eu disse. — Balançou a cabeça e cobriu outro bocejo.
— Aqui, deixe que eu a seguro — falou ele, apanhando a criança. Não porque desejava incontrolavelmente segurá-la, mas porque queria mudar de assunto. — Parece que seu braço vai quebrar.
— Obrigada. Mas não a deixe dormir com você ou vou pagar o pato depois.
— Sem querer ser chato, mas você parece já estar caindo no sono. Está exausta. Sente no sofá. Deixe-me cuidar de você dessa vez. — Cortou duas fatias com a faca de bolo e colocou-as nos pratos.
— Não estou cansada. — Ela bocejou e riu. — Tudo bem, talvez esteja. Mas são ossos do ofício. Nem me lembro da última vez em que tive uma boa noite de sono.
— Então vá se sentar — disse ele, dando-lhe uma fatia de bolo. — Vou terminar o café e levo uma xícara.
— Tem certeza?
— Vá. — Gesticulou para a sala. — Antes que eu a expulse.
Ela riu quando saiu, mas aquela risada não tinha seu charme usual. Não estava brincando, realmente parecia exausta. Trabalhar, conciliar as demandas do bebê, voltar para casa é cuidar das tarefas caseiras, sem dúvida, exauria Regina. Não podia imaginar conciliar tudo sozinho, como ela.
— Só nós agora, criança. Tudo bem para você? — Balançou o bebê suavemente nos braços, foi até o armário e apanhou duas canecas. Acostumara-se a segurar a criança nos últimos dias, o que mostrava por si só que estava se envolvendo demais, chegando perto demais.
Sabrina agarrou a camisa dele.
— Sem café para você. Desculpe.
Ao tocá-la, sentiu o tecido macio e felpudo do pijama branco e pêssego. Ela se aconchegou nele, como se aquele fosse seu lugar preferido.
Era... Bom. Quase como se ela lhe pertencesse. Começara a gostar mais dela, desse monte de cocô e vômito de quase 10 kg. Para uma criança, não era tão barulhenta e prestava atenção em tudo. Agora o observava, com olhos grandes e questionadores.
Observou-a também, pensando que nunca vira olhos tão castanhos esverdeados antes. Tinham um pouco do castanho da mãe, o que ô fez imaginar se ficariam castanho mais tarde. De qualquer modo, ainda seriam bonitos.
— O que está olhando?
E ela continuava olhando, como se estivesse esperando que fizesse alguma coisa.
Queria tirá-la do colo. Colocá-la na cadeirinha, no cercado ou até no carpete, para engatinhar à vontade. Mas algo o fazia continuar segurando-a firme. Talvez fosse o jeito com que ela agarrara sua blusa ou como olhava para ele, como se quisesse...
Brincar.
Vasculhou a memória, tentando lembrar-se de algum jogo, que pudesse jogar com alguém daquele tamanho. Então se lembrou de um que sua mãe costumava jogar com as crianças. Apanhou um pano, colocou-o na frente do rosto e tirou rapidamente.
— Bu.
Repentinamente... A criança riu, com um som que se derramava dela, como bolhas estourando em pedras. Todo o corpinho chacoalhou, a barriga mexeu-se como gelatina.
Ficou impressionado. Observou-há por algum tempo, escutando o barulho.
— Você gostou? — Quem diria que ele, dentre todas as pessoas, faria uma criança rir assim? Sempre ficara longe das crianças. Fazia o mínimo e saía correndo. E agora, aí estava essa, rindo à beça. Levantou o pano novamente, segurando-o um pouco mais de tempo dessa vez. — Hum... Hum... Bu!
Uma explosão de risos e, ela pulou em seus braços, como se pedindo para que fizesse novamente.
Caramba. Ela o observava ansiosamente, arregalando os olhos, abrindo a boca. Podia quase imaginar que ela...
Gostava dele.
Perceber aquilo o atingiu com força. Não sabia o que fazer ou dizer. Segurou-a, fitando aqueles olhos grandes e sentindo que cruzara uma linha importante, que não tinha certeza se queria cruzar, pois tinha medo.
Então percebeu que não era tão ruim.
Sabrina pulou mais.
— Hum-hum. — Queria que continuasse brincando.
Realmente gostava dele. Engoliu em seco e congelou o sentimento por um momento.
Percebeu um sorriso se formando em seu rosto e uma leve onda de alegria em seu peito.
— Bom, criança, se eu soubesse que era fácil assim fazê-la feliz, eu teria pegado o pano no primeiro dia. — Dessa vez, colocou o pano na frente do rosto dela. — Oh-oh. Cadê você? Está escondida? Bu!
Ela gostou ainda mais. Bri pulou tão forte que ele teve que segurá-la com os dois braços antes que ela caísse no chão.
— Calma vaqueira!
Ela o fitou, esperando. Podia ver a expectativa em cada linha daquele rosto, esperando que ele fizesse aquela coisa mágica outra vez.
E ele fez. Tantas vezes que perdeu a hora, esquecendo o bolo, o café, tudo, por muito tempo. Só ouvia suas risadas constantes. Pegou-se rindo, deixando-se levar, envolvendo-se completamente com o momento e amando cada segundo. Começando a amar... Sabrina.
E isso não era nada típico dele. Mas era um novo lado de si que percebeu que curtia.
Gostava, até. Se você perguntasse, cinco minutos atrás, se ele pensava que algum dia faria um bebê rir daquele jeito, Robin teria dito “não, nunca”.
Mas ali estava ele, fazendo a única coisa que tentara nunca fazer: segurando um bebê com força. E ela estava encantada com ele e aquele pano bobo, como se fosse o comediante mais engraçado do mundo.
Algo cresceu em seu coração com cada “Bu” e cada risada. Algo leve, que não sabia quantificar. Como as nuvens de Regina. Não sabia exatamente o que fazer com aquela emoção, então a deixou de lado. Lido com isso depois, pensou consigo mesmo.
Mas uma parte dele queria capturar essa emoção e segurá-la firme. Tê-la nos dias por vir, quando Regina e Sabrina voltariam para casa e ele estaria aqui, sozinho.
Quando o charme do pano se esgotou finalmente, colocou-a sentada na bancada e acariciou aquelas costas.
— Se você gostou disso, espere até ver como sou engraçado com um pregador no nariz.
— Ba-ba-ba — disse Sabrina. Observou-o um pouco mais, então fez algo que nunca fizera antes.
Apoiou a cabeça no peito dele.
Congelou.
Sabrina ficou ali, a bochecha macia contra seu coração, acompanhando sua respiração, com aquele corpinho quente pressionado contra o seu. Uma das mãos abria e fechava na blusa de Robin, enquanto a outra segurava firme a cintura dele. Ela murmurou contente e estridentemente.
Por muito tempo, ficou onde estava, segurando o bebê, sem saber se, se movia ou respirava. A cafeteira terminou seu ciclo com um gorgolejo final, tirando Robin do transe.
— Ei, criança — disse ele, achando que faria o bebê se mexer.
Mas ela só se aconchegou mais.
Quis falar que não era alguém em quem ela ia querer se aconchegar, mas, quando ela se virou, sentiu o perfume daquele xampu. Um perfume doce, fresco, com um toque de algo que julgava ser camomila.
Aquele cabelo era suave, fazendo leves cócegas em sua pele. Hesitou, inalando o perfume de bebê, deixando-se fingir por um momento.
Fingir que ela era dele. Que era pai de Sabrina. Passou o dedo pela pele de pêssego daquela bochecha, descortinando a fantasia de essa ser sua família, sua vida. Imaginou-se a carregando para o andar de cima, colocando-a na cama e fechando a porta. Cruzando o corredor e juntando-se a Regina, e juntos iam...
Afastou-se. Encheu uma das canecas e saiu da cozinha antes que esses pensamentos entranhassem nele. Nunca virariam realidade, então não fazia sentido pensá-los. Ele entregaria a criança de volta a Regina e pronto.
Mas, quando chegou à sala, percebeu que não seria tão fácil. Porque Regina dormira em seu sofá. O rosto dela estava em repouso, suave e sem estresse.
Sorriu e apoiou a caneca na mesa.
Então encontrou um cobertor e cobriu-a, enfiando-o suavemente ao redor do corpo dela. Diminuiu as luzes e saiu da sala, com Sabrina ainda no colo.
— Parece que você está presa comigo, criança.
Aparentemente, ela não se importava. E, pela primeira vez desde que a vira em sua sala, ele também não se importava muito.
Fale com o autor