Duas Metades De Mim

37 o último - parte 1


Notas iniciais
e o último tá ficando enorrrrme, tanto que virou um último duplo >.< kkk'
eeenfim, obrigada por acompanharem a fic meninas. sei que esse ano tenho demorado bastante com os posts, anda complicado pra mim conseguir entrar na net, então quero agradecer especialmente a paciência e o carinho de vcs ♥
primeira parte do capítulo postada e posto o resto mais tarde pra não cansar tanto vcs.
espero que gostem, beijoos !

[POV Stefan]

Ofegante, Miriam interrompeu o beijo. Nós nos encaramos por um longo momento, até eu perceber que realmente tinha pensado em voz alta. Eu tinha dito que a amava. Merda. Seus olhos azuis faiscaram para mim, o rosto afogueado, os longos cabelos negros ligeiramente desgrenhados. Linda. Tive que me controlar para não tomá-la nos braços de novo. Miriam tinha alergia a amor, desde o começo ela deixara muito claro. De um modo um tanto bizarro, ela me lembrava uma versão feminina de Damon. Com um passado ainda mais sombrio e triste que o nosso. Talvez...

Ela me beijou, seus dedos suaves entrelaçando-se na frente da minha camisa e me puxando contra ela. Estremeci e agarrei sua cintura com firmeza. Foi então que o eco de um grito familiar penetrou minha mente entorpecida, como um dardo certeiro. Girei a cabeça e olhei para a janela da mansão Lockwood. Mi mordiscou minha orelha, se aconchegando contra mim. Eu não conseguia raciocinar direito com seu corpo macio e perfumado pressionando o meu, as mãos pequenas explorando meus ombros, a boca mordiscando de leve minha orelha. Não conseguia identificar a voz que gritara, apenas ouvia o alarme que despertou no fundo do meu cérebro. Não pude ignorá-lo. Eu tinha muito mais a perder que Miriam ou Elo se nos descobrissem.

- Um segundo – meu murmúrio saiu frustrado e contrariado.

Ainda assim me obriguei a saltar a janela sem olhar para trás. Com o canto dos olhos, pensei ter surpreendido o vislumbre de um vulto sumindo entre as árvores. Rosnei e disparei atrás dele. Alguns metros à frente uma senhora grunhia de dor e segurava sua perna enrugada. Ela usava o uniforme preto dos empregados, tinha cabelos grisalhos e seus olhos verdes fuzilavam uma mulher em torno dos vinte anos que usava o mesmo uniforme, recolhia da grama roupas que cheiravam a amaciante e as atirava em um grande cesto ao lado da senhora caída, murmurando pedidos de desculpas sem parar. Aos poucos uma pequena multidão de empregados se juntou ao redor das duas e alguém chamou uma ambulância. Tentaram examinar melhor o tornozelo da senhora, que gritava angustiada cada vez que tocavam seu pé ferido.

Algo na cena não estava se encaixando para mim. Não era aquela a voz que eu procurava, não havia nada de familiar nela. E eu tinha certeza de ter ouvido o grito de um local mais próximo da mansão... quase como se tivesse vindo de alguém dependurado na janela.

Ou eu estava sendo paranoico demais? Será que a culpa me fazia imaginar coisas?

- Terminou o showzinho? – Miriam de repente estava ao meu lado encarando as unhas com ar de tédio – Podemos ir?

- Tem alguma coisa errada.

- Claro que tem. Ela é uma detetive particular contratada para te seguir, obviamente – a voz de Miriam destilava sarcasmo – Aposto que o tornozelo quebrado foi de propósito.

- Eu estou falando sério.

- Pára de ser tão paranoico, Stefan! Tá me irritando já.

- Não sou paranoico.

- Ah, não? Ultimamente até a sua sombra te assusta!

- Exagerada – resmunguei, estreitando os olhos.

- Voltando ao que interessa... – ela foi se aproximando devagar, deslizando as pontas dos dedos em meus braços até contornar os ombros e chegar ao peito – eu não quero mais ter que te dividir com a Ellen.

- Elena – corrigi.

- Ou isso. Quero você só para mim.

Lancei a ela meu melhor olhar de incredulidade.

- É sério – insistiu Mi – A partir de agora quero que sejamos só nós dois.

- Por quê? E por quanto tempo? – me esforcei para fazer as perguntas como se não desse a mínima para a resposta.

A verdade é que eu também queria ficar só com ela, e Miriam sabia disso. Sabia que eu a amava e que, mesmo que antes eu achasse divertido estar com ela e outras mulheres ao mesmo tempo, agora eu preferia ter só ela. Ela era a única que tinha a habilidade de trazer à tona em mim uma mistura do monstro e do meu verdadeiro eu. Ou pelo menos o que eu tinha convencido a mim mesmo que era meu verdadeiro eu, até que ela entrasse na minha vida e desfizesse em poucas semanas o controle que levei décadas para adquirir. Por causa dela eu aceitava melhor o monstro em mim, reconhecia que era uma parte da qual eu não me livraria nunca, por mais que quisesse. Depois que a conheci, tinha aprendido a não querer tanto assim. Por que ter tanto nojo de uma parte de quem eu era?

Eu não era mais humano. Nunca voltaria a ser. E redescobria as vantagens de ser um vampiro, as mesmas vantagens que tinham feito com que eu renegasse quem era por quase um século.

Ela sabia muito bem de tudo isso.

- Por tempo indeterminado – ela sorriu – Digamos que você não foi o único a mudar, Stef. Eu te ensinei a conviver melhor com a sua verdadeira natureza. Você despertou em mim emoções que eu pensei terem morrido há muito tempo. Podemos declarar um empate...

- Esse é o seu modo de dizer que me ama e sente ciúme quando fico com outras mulheres? – tentei traduzir.

- Entenda como quiser – o sorriso dela se alargou e Miriam ergueu o queixo.

Depois estava em meus braços, me puxando para outro beijo ardente.

- Você é só meu agora – ela sussurrou no meu ouvido – Admita – acrescentou, mordiscando meu pescoço.

Lutei para conter um gemido.

- Só quando você admitir que me ama – retruquei.

- Vamos ver quem faz o outro ceder primeiro, então – ela ronronou.

- Em um jardim cheio de gente? – as pessoas ao redor da senhora machucada começavam a lançar olhares curiosos para nós.

Miriam soltou uma risada sensual.

- Um pouco de perigo nunca é demais.

- Aqui não.

Eu a puxei com firmeza e fomos para a minha casa, que estava silenciosa e vazia. Sem o menor sinal de Damon, o que não era exatamente estranho. Ele invertera sua rotina na última semana: passava os dias no seu segundo lar, o Mysthic Grill, e as noites em casa. Chegava bêbado todas as noites, como sempre, mas também sozinho, o que era no mínimo estranho. Mas não parei para pensar nisso. Nem no que podia significar. Não parei para pensar no vulto que eu vira correndo no jardim dos Lockwood, nem no alarme que teimava em martelar na minha cabeça, nem mesmo em Elena.

Não parei para pensar em nada. Eu não queria pensar, só sentir. Concentrei-me apenas em Miriam. Ficamos juntos o resto do dia e a noite também, em todos os amplos cômodos da casa. Então, perto do amanhecer, trêmula e tendo baixado as barreiras que erguia cuidadosamente ao seu redor, Miriam confessou que também me amava.

******

[POV Alaric]

Eu já não me importava com nada. Continuava acorrentado imóvel no escuro. Não sabia há quanto tempo estava ali, podiam ser dias, meses ou até anos. O monótono arrastar dos segundos já me tinha tirado até a vontade de me soltar.

Ao menos o mundo era um lugar melhor sem mais um vampiro solto por aí, eu pensava.

Havia bolsas de sangue vazias espalhadas por todo o lado, algumas com gotas restantes que faziam minhas mandíbulas latejarem violentamente. Eu estava acostumado com a dor. Estava acostumado com o vazio. Encarava o assoalho de madeira escurecida e poeirenta combatendo a sede o melhor que podia, sonhando com o momento em que conseguiria arrancar um pedaço daquela madeira podre e enfiá-la no peito.

Acabar com tudo. Era a única coisa que eu queria.

O ponto alto da minha rotina eram as visitas do Stefan, ou Hora do Rango, como ele mesmo chamava. Não esbocei reação alguma ao distinguir cheiro de vampiro em meio aos humanos da vizinhança. Era hora de me alimentar e ouvir os últimos choramingos do Stefan.

Então algo fez com que eu erguesse a cabeça e apurasse os ouvidos, arrancado abruptamente da melancolia que se tornara meus pensamentos.

O vampiro na vizinhança não veio em minha direção. O cheiro que se tornava mais forte era humano. Uma onda de pânico me tomou. Vá embora, projetei o pensamento até sua mente, vá embora se não quer morrer. Corra para longe daqui. Os passos leves nem mesmo vacilaram. Ouvi o nítido atrito de saltos contra o cimento cada vez mais alto, cada vez mais perto.

O cheiro do sangue não era totalmente humano, parecia mesclado a alguma outra coisa... diferente de algum modo. Mas não era vampiro, disso eu tinha certeza.

Minha primeira reação foi um rosnado involuntário, então uma forte descarga de adrenalina e selvageria me percorreu. Depois sede intensa. Expectativa. Eu era puro instinto. E finalmente a porta de ferro batido se abriu com seu costumeiro protesto agudo. A luz não penetrou o ambiente. Era noite. Eu encarei o rosto vazio da mulher e sibilei, debatendo-me contra as correntes. Ela não gritou. Sequer parecia assustada. Moveu-se com rapidez inumana, tanta que só me lembro de ouvir o barulho da corrente em seu pescoço, ver os corações entrelaçados no pingente. Um lampejo de prata e ouro. Então uma forte pancada na nuca enviou uma explosão de dor por todo o meu cérebro.

Talvez você sinta falta dessa cadeira, foi meu último pensamento coerente.

******

[POV Stefan]

Miriam foi embora na manhã seguinte para encontrar Elo. Um pouco relutante, fiquei para trás. Era hora de pensar.

Depois de uma hora sozinho lembrando-me nitidamente do vulto no jardim dos Lockwood, fui tomado pela certeza que era Damon. O vulto estava de preto, se me lembrava bem. Eu não estava louco. Damon tinha estado lá. Mas não fora ele quem gritara, a voz era claramente feminina. Pensando melhor, parecia muito a voz de...

Não. Impossível.

Não ela, Elena não sabe de nada e nem vai saber. Eu não vou permitir.

Mas se Damon sabe... só resta uma opção.

Procurei sua melhor garrafa de uísque, um Trinitas de 64 anos, o uísque mais caro do mundo. Só existiam três daqueles no mundo inteiro, duas guardadas desde sua fabricação na adega particular do Damon. Um copo não foi o bastante para me relaxar. Após três, eu ainda tinha dúvidas. Mesmo com as nossas desavenças Damon era meu irmão. Eu não podia estar pensando seriamente em matá-lo.

Depois de cinco, pensei apenas nas consequências que se abateriam sobre mim se ele contasse a Elena o que eu tinha feito. No oitavo eu lembrei que o grande objetivo da vida dele era roubar minha namorada e acabar com a minha vida. Passei para a segunda garrafa e, diabos, o bastardo não pensaria duas vezes antes de me dar uma facada pelas costas, como já tinha feito. Eu estava morto por causa dele. Era vampiro por causa da maldita espada com que ele me atravessara o coração. Isso sem mencionar as inúmeras vezes em que ele tentou repetir a proeza depois que acordamos em nossa nova existência.

Já tinha passado da hora de deixar de ser o irmãozinho bom e submisso que sempre coloca o mundo acima de si mesmo. Dane-se o mundo!

Onde o mundo estava quando meu coração parou e todos que eu amava me viraram as costas? Onde o mundo estava quando eu mais precisei de ajuda? Onde o mundo estava nos anos mais sombrios da minha existência? Por acaso o mundo ligava para o fato de que eu morreria sem sangue? Claro que não! Os humanos só pensam em seu próprio umbigo. Tudo bem matar um animal para não morrer de fome, mas não ouse tocar em um fio de cabelo dos humanos! Eles são capazes de raciocinar, logo são uma raça superior às outras.

Por que eu desperdicei tantas décadas da minha existência tentando proteger essa gente? Gente que mata, rouba, manipula, tortura, se mete com todo o tipo de atividades sujas, não dá a mínima ao que acontece com o próximo, desde que seu próprio umbigo esteja à salvo. Prefere abater a tiros o desconhecido a tentar compreendê-lo. Por quê?

Por que eu queria tão desesperadamente ser um deles?

Eu sou o caçador, e houve um tempo em que morreria para voltar a ser a presa.

É isso que os humanos são: apenas presas egocêntricas e ridiculamente inconscientes da própria fragilidade. Tirando algumas poucas exceções, a maioria não presta. Apenas servem como comida.

Eu pouparia as exceções. Assim como ainda era capaz de tudo para proteger Elena, Bonnie, Jeremy, Caroline, Matt, Alaric, Jenna e Tyler, meu pequeno círculo de humanos que não mereciam morrer. Talvez pudesse acrescentar a xerife Forbes e a viúva Lockwood a esse círculo, embora não fosse tão próximo delas. Elas apenas vinham de brinde com os que realmente importavam para mim. Eu sabia poupar os que não mereciam a morte.

Mas por que deveria me importar com Damon? Ele passou séculos determinado a me matar. Inventando mil e uma formas de destruir a minha vida. Arquitetando planos primeiro para tirar Katherine de mim, e agora Elena.

Elena.

A simples lembrança de seu rosto era o bastante para encher meu peito com uma emoção quente.

Minha Elena. Ninguém vai tirá-la de mim.

Depois de esvaziar a segunda garrafa minha decisão estava tomada. Damon tinha de ser eliminado.

******

[POV Elena]

Acordei com os primeiros raios da manhã penetrando a janela aberta e atingindo meu rosto em cheio. Cobri os olhos com um braço. Estava sonolenta demais para fechar as cortinas, a simples ideia de levantar era impraticável. Ignorei a claridade o máximo que pude, até que o sol torrando meu braço ficou quente demais para que eu conseguisse dormir.

Irritada, estalei a língua e bufei. Depois dei impulso para levantar, mas o peso na minha cintura impediu que eu saísse da cama.

- Hummmmm — Damon murmurou, estreitando possessivamente os braços ao meu redor – Só mais cinco minutinhos, princesa. Não levante ainda.

Dei uma risadinha e me contorci em seus braços para poder ver seu rosto. Seus olhos estavam fechados, o rosto de anjo cheio de sono.

- O sol está me incomodando – reclamei, fazendo biquinho.

Ele abriu um olho e encontrou a janela aberta. Então me puxou para cima de si e deslizou no colchão, trocando de lado comigo. Ficou de costas para o sol e eu me aninhei em seu peito, depois nossos lábios se encontraram suavemente.

- Resolvido – ele disse – Pode dormir sossegada agora.

- E você? Vai conseguir dormir? – eu perguntei preocupada – Pelo menos o sol não pode me transformar em churrasco. Não é melhor voltar pra esse lado?

Damon ergueu a mão para que eu visse seu sólido anel de prata e lápis-lazúli.

- Essa coisa não serve só para enfeitar meu dedo, sabia? – ele debochou – Ninguém vai virar churrasco hoje, pode dormir tranqüila.

- Só levaria cinco segundos para fechar a cortina – insisti.

- Como é teimosa essa minha Eleninha – ele revirou os olhos e em uma batida de coração eu estava de novo em cima dele, nós dois ocupando o mesmo lado da cama – Melhor agora?

- Agora sim – sorri e apoiei a cabeça em seu ombro, satisfeita.

- Finalmente. Talvez Mandona Gilbert seja o apelido perfeito para você.

- Hmm. Não enche, Damon — pousei os lábios na base do seu pescoço e fechei os olhos para aproveitar melhor o cafuné que ele fazia em mim, derretendo-me contra ele.

Era uma delícia estar aninhada nele, abraçando-o sem a barreira das roupas. Eu não conseguia imaginar uma sensação melhor do que a da sua pele contra a minha.

- Não consegue, é? – ele me encarou malicioso – Isso é um desafio?

- Não, sossega Damon – eu ri e dei um soco de brincadeira em seu peito – Não é um desafio!

- Cuidado, piccola mia, ninguém manda em mim. Nem mesmo a minha namorada mandona.

Eu ri e tentei escapar dos seus braços quando ele se inclinou para me beijar. Ainda era um pouco estranho pensar nele como meu namorado, mas também deliciosamente perfeito. Enterrei os dedos no seu cabelo e me rendi, retribuindo o beijo cheio de carinho. Então o telefone no meu criado mudo começou a tocar. Surpresa, interrompi o beijo e encarei o aparelho. Quem ligaria àquela hora da manhã?

- Só pode ser chato ou engano – Damon aproveitou minha distração para trilhar beijos no meu pescoço – Deixa que a secretária atende...

As carícias na pele sensível do meu pescoço foram o bastante para que eu me decidisse. Puxei-o para mais um beijo e já estávamos perdidos um no outro quando a voz na secretária eletrônica me fez congelar.

-Elena?- era a voz incerta de Stefan -Você está aí? Elena? Eu sei que não devia te ligar, mas...preciso muito ouvir a sua voz. Eu... – a voz dele quebrou e houve uma pausa rápida – por favor, atende.

Os dedos de Damon apertaram meus quadris, como que para me impedir de pegar o telefone.

- Por favor. Eu preciso muito falar com você. – Stefan dizia baixinho – Elena? Amor?

Senti que meu queixo tremia. Como esse desgraçado tem coragem de ligar para mim? Depois de tudo que ele fez!

- Eu te amo, Elena. Por favor, atende o telefone. – mais uma pausa – Damon está aí? – de repente a voz dele se encheu de raiva – É por isso que você não quer me atender? Não acredite nas mentiras dele, Elena. Você é minha. Minha, ouviu!? Deus, eu tenho que passar aí. Preciso ver se você está bem e...

Antes que ele pudesse desligar eu lutei para sair dos braços de Damon e arranquei o fone do gancho.

- Alô – murmurei trêmula.

- Elena! – Stefan se encheu de alívio ao ouvir a minha voz – Eu...

- Você está em casa, Stefan? – eu o interrompi.

- Estou.

- Chego aí em dez minutos. Beijo.

Desliguei. Eu estava tremendo, ouvir a voz de Stefan me abalara mais do que queria admitir. Estava confusa, com raiva, sem saber qual seria a minha reação quando o encontrasse. Lembrei do beijo na mansão Lockwood e dele dizendo como a Piriguete Morena já o tinha dividido com muito mais gente.

Lembrei da confissão odiosa no meio do beijo.Eu queria enfiar uma estaca de madeira o mais fundo que pudesse em seu peito traidor.

Depois pensei em todas as pessoas assassinadas, em todas as fotos que Alaric tinha nos mostrado. O próprio Alaric, branco, frio e sem vida. Lutei para conter as lágrimas enquanto procurava algo para vestir. Optei pelo vestido nas costas da cadeira da minha escrivaninha. Era um frente única estampado, o mesmo que usara no meu primeiro encontro com Stefan. Não tinha tempo para trocar. Eu precisava confrontá-lo antes que ele aparecesse na minha casa. Jeremy e Jenna não tinham nada a ver com aquilo, e eu tinha medo que Stefan descontasse neles sua frustração. Avancei no armário e peguei um casaco de lã comprido. Era vermelho, quase até a altura dos joelhos e tinha uma faixa para amarrar na cintura. Fechei o casaco por cima do vestido e calcei os primeiros sapatos que entraram no meu campo de visão.

- Por que você atendeu? – Damon indagou, bloqueando a porta do meu quarto.

Ele também já estava completamente vestido.

- Porque eu quero acabar com isso de uma vez por todas. Não vou deixar ele vir aqui e fazer mal à minha família.

- É perigoso – ele ressaltou.

- Eu não me importo. Se não terminar logo as coisas só vão ficar piores.

- Achei que já tinha terminado com ele.

- Não, a gente deu um tempo. Agora eu vou terminar para valer, com todas as letras. Ele tem a Miriam para consolá-lo e metade da cidade também. Não vou ser nenhuma grande perda.

- Você não vai a lugar nenhum.

- Eu preciso fazer isso, Damon. Por favor. Não posso deixar ele vir aqui!

Ele hesitou ao ver meu desespero evidente.

- Eu vou com você – declarou por fim.

- Acho melhor eu ir sozinha e...

- Não foi uma pergunta. Eu vou com você – ele me interrompeu – Esse não é o Stefan que você conhece. Um passo em falso e ele seria capaz de atacar até mesmo você.

Apertei as mãos em punhos. Eu já estava com medo e Damon só piorava as coisas.

- Ele não me machucaria – eu disse sem convicção.

- Eu não teria tanta certeza. Lembra como ele ficou aquela vez que você deu a ele seu sangue?

Mordi o lábio apreensiva. Por pouco Stefan não tinha me atacado quando estávamos sozinhos no meu quarto, naquela vez.

- Agora vai ser dez vezes pior. Você não vai sozinha de jeito nenhum. Eu posso até ficar do lado de fora, pelo menos enquanto ele se comportar – disse Damon – Mas sozinha você não vai.

Assenti. Meu coração batia descompassado e eu não tinha ideia se estava tomando a decisão certa. Só tinha que proteger Jenna e Jeremy.

- Não precisa ir, Elena – Damon segurou minhas mãos entre as suas suavemente – Eu posso proteger vocês.

- Não! – minha voz subiu uma oitava – Você não, Damon. Eu não suportaria se eles te machucassem.

- Ninguém vai me machucar.

- Por favor. Por favor, Damon... só me deixe ir.

Fiquei a ponta dos pés para beijá-lo, depois o olhei suplicante.

- Sem mim, não – ele murmurou.

Abracei seu pescoço e ele me pegou no colo. Tínhamos chegado a um acordo silencioso. Enterrei a cabeça em seu peito e ele pulou a janela. Então fomos para a casa dele.